quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

O tuk tuk chegou! Você sabia?


O TUK TUK CHEGOU! VOCÊ SABIA? 

Como uma mesma notícia tem potencial de ser replicada várias vezes, dependendo do interesse, tomei ciência na data de ontem, através de vários veículos de comunicação, que a partir de hoje, dia 29.01.2020, começa a ser oferecido no país, mais precisamente no município de Vitória, o serviço de transporte através de tuk tuk, veículo esse que tem como base uma motocicleta e é muito comum na Ásia. 

Como principais atrativos, a promessa de que será mais barato do que os atuais serviços disponibilizados pela mesma e gigantesca plataforma digital que o fornecerá, além, óbvio, de mais uma opção de renda para os chamados "motoristas parceiros". 

E geralmente é assim! Surgem da noite para o dia, trazem o brilho próprio da novidade, além dos supostos benefícios que irão proporcionar. Ocorre que se mesmo o melhor remédio tem efeitos colaterais, obviamente, não deve ser descartada tal possibilidade no que concerne a esse tipo de novidade. 

Parece estranho que algo com perspectiva de tamanho impacto na vida de uma cidade, à semelhança de um projeto piloto, com enorme probabilidade de expansão para outras áreas do país, seja amplamente noticiado apenas na véspera do dia em que já irá começar a funcionar, como ao menos parece ter ocorrido no caso presente. 

Como o poder público é o gestor das várias políticas diretamente afetas ao assunto, incumbindo ao mesmo o necessário cuidado antes de avalizar a operação de serviços dessa natureza, espero que o mesmo não se mostre tão surpresado quanto eu, mesmo porque, caso contrário, será aquela velha história de agir, se for o caso de atuação, depois de efeitos concretos já produzidos, o que não é o ideal, daí, quanto antes melhor. 

Enfim, está certo que "o futuro é uma astronave que (apenas) tentamos pilotar", sendo que "nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá". Mas como "o fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar", torço e espero que ao menos tenha pedido licença para "mudar nossa vida", já que o convite já foi feito para, depois, "rir ou chorar".


sábado, 18 de janeiro de 2020

Sim é Sim!



SIM É SIM! 

Como para haver contato tem que haver algum tipo de iniciativa, apesar dos vários anos decorridos, não nego que fui o responsável por tal passo...

Chamei de iniciativa, porém, não depende exclusivamente de mim a interpretação, daí porque tal ação pode ser eventualmente rotulada como "cantada", assédio, dentre outros adjetivos ínsitos ao arrojo, disposição, atitude, determinação, ânimo, energia, enfim, empregados para externar a pretensão.

Assim, fico imaginando se tivesse dado errado! Ou, pior, se ainda der!... Melhor que não tenha. Melhor ainda, se esforçar para que continue não dando. 

Talvez por isso tenha ousado à presente "confissão", já que mesmo depois de decorridos mais de vinte anos, não tenho dúvidas de que não seria tão simples a minha "absolvição"!

Desta forma, especialmente nos confusos tempos modernos, onde há tanta coisa voltada para seduzir, mas pouquíssimas para conquistar, acredito que um dos maiores elementos para tamanha exaltação do "não", seja justamente o tamanho da efemeridade alcançada pelo sim.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

25 anos depois!...

25ANOS DEPOIS!... 
Hoje chego a momento muito importante da maratona que comecei há exatos vinte e cinco anos, embora na inarredável intenção de que se transforme em um "iron man", já que não sei até qual quilômetro irá, pois o pacto feito com a "iron girl", que iniciou e segue passo a passo comigo nessa jornada, é de que iremos até um final que depende exclusivamente do Organizador, cujas regras, prévia e livremente aceitas, importa que sigamos incansavelmente juntos até que eu, ou ela (ou ambos), seja inapelavelmente chamado para o cumprimento de algum outro plano, em desconhecida dimensão. 

Aliás, dimensão que muitos alegam ser melhor do que esta, o que me dá uma curiosidade tremenda, já que, se pudesse, não abriria mão de continuar a corrida terrestre ao lado da parceira por infinitos quilômetros, aonde o Organizador entendesse melhor o lugar, sem precisar chegar, enfim, aquele momento de nos separar... 

Na verdade, no momento em que aceitamos essa empreitada, tínhamos ciência de que ela não é nada fácil, com as dificuldades do percurso aumentando! Por isso, revelo que à medida em que o tempo ia passando, fomos acreditando que nos auxiliaria a força jovem, daí trazendo singelos "recrutinhas" à adesão, importando destacar que foi dessa forma que, iniciando por nós dois, chegamos a três, quatro, cinco, seis, sete, até somarmos oito, dentre maratonistões e maratonistinhas! 

A cada nova adesão, uma história! Não vou aqui relatar as costumeiras dificuldades. Apenas salientar que a alegria é incomparável, pois acreditamos muito na promessa do Organizador no sentido de que esse tipo de adesão seria muito importante para nós e fundamental para os planos Dele, já que a vida é "apenas" uma maratona de revezamento, cujo "bastão" ora está conosco! Assim como ocorreu com os nossos antecessores, dando-nos oportunidade de convivermos, lado a lado, por algum tempo, exatamente para podermos concluir a nossa parte da jornada, com o dever de fazermos, no que depender de nós, o melhor para que o "bastão" possa ser conduzido de forma segura e serena. 

Abro parêntese para destacar mais efusivamente o papel da minha parceira, pois, por maior que possa ser o meu, jamais se compara ao dela nesse processo, ainda mais, em insuficiente resumo, pelas repetidas vezes que fez tudo de novo, em breves "pit stops", desdobrando-se ao sair de cada um deles, sempre com mais e mais mochilas para carregar. 

No fundo, ao iniciamos esta maratona, embora nem eu e nem ela tivéssemos mínima noção de que chegaríamos a tantas adesões, tínhamos certeza de que iríamos longe, até o misterioso quilômetro final, sendo mais exato. 

Para se ter ideia, acreditam que guardamos o convite da "largada" e, agora, vinte e cinco anos depois, utilizamos o verso dele para convidar para este momento!? Inclusive, já aproveitando para chamar à celebração de uma "medalha de ouro", daqui há mais vinte e cinco quilômetros? 

Pois bem! Alguns que me conhecem dirão que isso é devido à minha pão-duragem, que, nesse caso, estaria presente em seu cúmulo!!! Mas não é isso! Alias, aproveito para me defender argumentando que a diferença entre o pão-duro e o econômico é a necessidade e/ou a finalidade! E é firme nessa premissa que asseguro, do alto da minha pequena "rodagem", que o matrimônio é o maior patrimônio que se pode construir durante a existência! 

É nele, a propósito, que fomos inspirados às melhores e mais "valiosas" obras de nossas vidas, extraindo da sociedade anônima em que nascemos a companhia que reciprocamente escolhemos para iniciar e levar adiante a difícil empreitada de transformá-la naquela que deve ser a mais firme das sociedades limitadas existentes. 

Confesso que, às vezes, penso que, "impensadamente", caímos num "conto de fraldas"! É nessas horas que me lembro de benditas pessoas que o Organizador cuidou em delas nos aproximar, amparando este não simples caminhar, às quais, sem favor algum, à falta de adjetivos suficientes para qualificá-las, denomino simplesmente de "Anjos". 

Desta forma, destoando da retumbância que ora tanto se confere ao inverso, até por isso mesmo não raramente sendo confundido com um "pescador de ilusões", vou no sentido de que homem e mulher não são nenhuma antítese mas, sim, a grande tese! Assim como acredito piamente que o casamento deve ser encarado como um grande capítulo de "um livro sem final, sem final, final... Valeu (e vale) à pena, ê ê"!




sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Impressão boa é a que fica!



IMPRESSÃO BOA É A QUE FICA! 

Costumo dizer que os mais velhos devem aprender um pouco mais sobre tecnologia com os mais novos e esses desaprenderem um pouco mais com aqueles, especialmente em tempos em que esse equilíbrio se mostra como fundamental.

Contudo, a tecnologia não é nada democrática, muito pelo contrário: é tão cativamente dominadora que diante de ponderações que visem à reflexão quanto a essa massificação ditatorial, logo encontra voluntarioso exército de neobcecados que, sem qualquer esforço, é capaz de tornar pueril qualquer argumento que tenha a ousadia de desafiar o "pensamento único" impregnado à era do dogma tecnológico.

Nesse contexto, nós, os "velhos", ao invés daquele papel (papel?) de "aprender com os mais novos e ensiná-los a desaprender um pouco conosco", somos arrastados à uma espécie de "alfabestização", sujeitando-nos, não raras vezes, a situações ridículas e vexatórias, caso não consigamos nos aprumar, adequadamente, o mais rápido possível, aos rápidos, largos e incansáveis passos exigíveis para acompanhar o ritmo frenético da "novidadização tecnológica", mesmo porque, claro, a inovação está sempre pronta a obrigar a consumir, palavra de ordem!

Assim é que vi tombarem, mortalmente, várias de minhas indissociáveis companhias e que considero tão caras ao meu agora suposto crescimento, lutando para me adaptar à inconstância programada dos novos relacionamentos.

Sempre gostei de dividir minhas impressões sobre o que considero importante! A impressão que tenho da vida, aliás, muitas vezes se dá, por exemplo, mediante uma poesia ou por um retrato! Acho que sou quase um criminoso por isso, mas, para mim é algo realmente impressionante!

Aliás, já que estamos nessa de crime, ainda bem que existe prescrição! Ou, na pior das hipóteses, o benefício de ser contemplado com pena mais branda, por se tratar de "crime continuado"! Imagine que há quase cinquenta anos, praticamente todos os dias, adquiro exemplar impresso de jornal (só eu: 50 x 365 = 18.250 x o nº de páginas!!!!!) E, pior, sempre estimulei outros a fazerem o mesmo!

Contudo, parece quase certo que em algum lugar do futuro serei afastado, também, dessa companhia, não obstante, desde logo, faça questão de deixar registrado - se necessário (e possível) em papel impresso e assinado - que esse será um ato de violência contra a minha pessoa, aliás, o que expresso apenas por argumentar, pois para os arroubos da modernidade, isso nada parece importar!

Enfim, sei que é muita audácia minha, mas ainda considero muito importante uma boa impressão! E boa impressão mesmo não é aquela que vem e passa, mas a que fica!

Para finalizar, como comecei afirmando que o equilíbrio se mostra como fundamental, para aqueles que não tiverem a oportunidade de alcançarem um impresso deste texto - caso queiram, óbvio - o alcançarão por meio dos recursos tecnológicos disponíveis, graças ao auxílio de uma de minhas filhas, que faz esta parte para mim, não obstante, em contrapartida, faça questão de disponibilizar para a mesma, diariamente, exemplar de "jornal que não se rende".

terça-feira, 30 de julho de 2019

O Sapato Azul!


O SAPATO AZUL! 

  Não sou daqueles que acreditam em fórmulas simples para o triunfo, assim como também não me situo dentre os que o vêem como resultado de mirabolantes equações: fico no meio termo, embora, também, plenamente ciente, aqui sim, acredito, igual a todos, de que oportunidades são iguais às nuvens, ou seja, elas aparecem e desaparecem sem que muitas vezes nos demos conta, talvez passando o dia todo procurando fixamente à frente, quando uma rápida olhadinha para cima poderia no mínimo desanuviar... 

  Tem aquilo que faço. Tem muito que não faço, mas gostaria e ainda posso tentar fazer, assim como o que não faço e não quererei e/ou não poderei fazer. 

  Aliás, faço questão de ressaltar, quanto a isso, que a premissa básica é não partir da errada conjugação do presente do indicativo do verbo fazer: eu fácil, tu fazes,...

  Pois bem! se tem algo que eu tenho certeza de que não farei, mesmo se tiver mais uma centena de anos pela frente, por não ter a mínima vocação, além de outras prioridades, afora a própria estruturação necessária para chegar a tal desiderato, é fabricar sapatos!

  Ora, mas se não tem nada a ver comigo, então porque, raios, todos esses "prolegômenos", para falar de algo tão específico e que não pretendo fazer?

  Por duas razões, a primeira delas trazendo como consequência a segunda: tanto como uma calça e uma camisa, o sapato faz parte de minha indumentária diária. Com relação às camisas e às calças, consigo alcançar uma variedade de cores, mas, quanto aos sapatos, especialmente, no meu caso, os chamados "sociais",...

  Como não sou empresário e nem comerciante, foi na base do empirismo mesmo, mas me dei ao "trabalho" de perguntar a algumas pessoas qual a cor do sapato "social" que mais observava como sendo parte do traje usual: impossível a resposta ser diferente! Procedi, também, a um segundo questionamento: e a segunda cor preponderante? Acredito que dificilmente você também destoará. Já no tocante à terceira e daí por diante,... 

  É ou não é algo como preto, preto, preto, preto, preto, preto, preto, preto,...; marron, marron,...; ????????,... (ainda não está seguro? Digite "imagem de sapato social" na internet e veja o que o "cérebro eletrônico" lhe apresentará a respeito).

  Não me conformo que o azul não povoe os pensamentos, as ruas, as sapatarias e, em último plano, o meu guarda-roupas, já que acho que é uma "questão de honra" (porque não trabalho no ramo, pois se trabalhasse, faria tudo para ser uma questão de "grana") o sapato azul ganhar o seu devido espaço e não só o meu.

  Não consigo entender porque, dentre outras combinações sugeríveis, a minha calça azul com a minha camisa branca, por exemplo, uma das alianças mais comuns da rotina diária, não possa ser complementada com um sapato azul! Impossível que no universo de variações, especialmente os tons mais escuros dessa cor, não sejam considerados dentre os mais discretos e universalmente agradáveis, se é que seja esse o temor dos "difusores da moda".

  Tá bom! Sei que com muito esforço eu consigo chegar a um "belo sapato azul"! É uma pena! Especialmente porque deixando de olhar fixamente para a frente, dando uma rápida olhadinha para cima, vejo muito azul, acreditando que descer um pouco dessa cor pode proporcionar, ao menos, um belo passo à frente!

  Como a racionalidade sugere que razão e paixão não se misturam, é óbvio que este escrito deve ser avaliado com moderação, mas, de qualquer forma, ao menos um par de um belo e acessível sapato social azul, terá comprador certo, acreditando que azulará não somente o meu guarda-roupas, mas, quanto a este consumidor, pelas dificuldades para chegar a esse par ideal, um pouco do próprio coração.


segunda-feira, 29 de julho de 2019

Ah... A Inspiração!

                           
AH... A INSPIRAÇÃO!

  Nestes últimos meses estava um pouco preocupado. Devido aos muitos afazeres não conseguia um tempo para escrever, algo que tanto gosto. Aliás, até poderia roubar um pouquinho do reduzido tempo que dispunha para fazê-lo. Ocorre que o prazer é o que leva à inspiração, assim como essa, em recíproca gentileza, leva ao prazer! 

   Logo, não dá para escrever simplesmente por escrever. Tem que estar inspirado. E para estar inspirado, tem que haver prazer. Assim, ao invés de escrever por escrever, preferi dedicar o pouquíssimo tempo extra que surgia simplesmente para o prazer!

   Não que preciso de algo muito substancial! 

  O sono, por exemplo, para mim, graças a Deus, é um grande prazer! Acho que foi para onde mais dediquei esse tempo roubado da escrita. A propósito, não pense que meu sono passou a ser muito, mas, se passou a ser um pouquinho mais do que era "antigamente", não deixa de ser um acréscimo.

   Como faz ressoar em minha mente o imortal poeta: "quem me dera ao menos uma vez provar que quem tem mais do que precisa ter quase sempre se convence que não tem o bastante, fala demais por não ter nada a dizer".

   Pois é! O mais difícil é provar! Eu, por exemplo, queria mais, mas acho que, dentro do possível, hoje, dormi "quase" o bastante. O suficiente para inspirar-me, ao menos, a este ora egoístico prazer, já que tenho a exata noção de que consegui dizer apenas para mim... Aliás, talvez, no máximo, também para quem tenha dormido bastante,...


quinta-feira, 16 de maio de 2019

Inspire-se: ideias não morrem!


INSPIRE-SE: IDEIAS NÃO MORREM! 

  Minha esposa é a maior incentivadora dos meus escritos. Não sei se é pelo fato dela realmente gostar do que escrevo ou porque, sendo ela uma grande mulher, filha, mãe, profissional, amiga e companheira, tenha receio de que eu acabe diminuindo o tamanho da inspiração que encontro para o meu movimentado dia a dia simplesmente ao me lembrar dela. 

  Certo é que dentre o inestimável apoio que recebo, um deles se dá através de uma repetitiva frase que soa muito forte para mim e que, num sentido poético, é mais ou menos assim: - não importa a velocidade que alcançarão, quem ou quantos lerão, mas as palavras, uma vez soltas, se transformam em domínio público e assim caminharão! 

  Pois bem! 

 Esses dias estava no aprazível balneário de Praia Grande, logo ali, no município de Fundão, e ao comprar os famosos "picolés de itu" para a garotada, após acomodados em uma sacola plástica, para não descongelarem, foram embrulhados em um jornal. 

  Se tratava do querido jornal "A Tribuna", datado de 26.12.2018, onde, no lado externo do embrulho, mais precisamente na página 17, fui logo reconhecendo aquela minha estampa, que "ilustrava" um dos meus artigos publicados no jornal! 

  Caramba! Então é esse o "domínio público"? 

  Fiquei absorto em pensamentos quanto ao fato: como chegou até ali? E depois dali? Embrulho de picolé???!!! Mas poderia ser de peixe, daí "o fim" era imediatamente certo! No caso, fiz algumas rápidas anotações no exemplar e o guardei para em algum momento escrever estas linhas, que já estão gestadas há algum tempo, apenas aguardando a sua oportunidade de "cair no domínio público". 

  E, obviamente, para não perder a oportunidade, li novamente o que escrevera e aproveitei para repassar à "cúmplice inspiradora". 

  Quantos leram? Quantos lerão? Não importa. Foram para o domínio público e jamais morrerão! 

  Os escritos são assim. Após ganharem corpo, alguns duram mais, outros duram menos. Eu, na verdade, acho um crime a forma como alguns são "mortos", tendo, particularmente, conseguido, por circunstâncias do destino, prolongar a vida do exemplar cuja morte eu jamais teria coragem de sentenciar, por motivo de "foro íntimo". 

  Mas a vida deles é dessa forma mesmo: no caso, se tratava de algo até considerado nobre (não para mim!): depois de cumprir a sua função social, estava sendo aproveitado para outra finalidade que, a rigor, não pode ser considerada um desperdício. 

  Contudo, tem o caso daqueles que morrem vítimas de reiterados maus tratos, incendiados, rasgados, defraudados... Quando poderiam ter uma vida bem mais digna e longeva, e é assim que torço. 

  De qualquer forma, por mais depauperado a que possa chegar o estado do corpo, o seu verdadeiro valor está na ideia, esta sim, imorredoura, daí a importância que se deve dar à inspiração, especialmente nesta confusa época em que vivemos, quando ela está muito, muito, fazendo irreparável falta!...


sexta-feira, 29 de março de 2019

Ladrão de ga-linha


LADRÃO DE GA-LINHA 

  Estes dias li em um veículo de comunicação entrevista com um especialista onde consta que o mesmo afirma que prender "ladrão de galinha" não contribui em nada para a segurança pública! 

  Concordo que não resolverá o problema da segurança pública! Porém, prender o "ladrão de galinha", ao menos ajudará a resolver a penosa situação daquele que possui galinhas... Imagine, então, se a minha rotina for ganhar o pão por intermédio das galinhas? Me desculpem os entendidos, mas, por favor, salvem as minhas galinhas! 

  Aliás, tenho outra consideração a ser feita: não prender o "ladrão de galinha" também não contribui em nada para a segurança pública. Então, por favor, tenham pena de mim: salvem as minhas galinhas!!! 

  Não me tachem de egoísta, por favor! Também estou preocupado com a segurança pública e não a minha exclusiva. Estou falando das galinhas porque é a que mais diretamente me aflige. Mas peço, também, se possível (depois das minhas galinhas, óbvio!) por todos os animais. Afinal, os tempos estão tão sombrios que a galinha não mais "reina" sozinha: tão levando de tudo! 

  Eu sei que a responsabilidade é de todos e "cada um tem que fazer a sua parte"! Ocorre que já fiz de tudo que se possa imaginar em termos de criatividade, além, claro, do que o mercado cada vez mais tem para me oferecer. Diria que o meu galinheiro é um dos mais seguros da região... Porém, haja criatividade nesse meio, né!? 

  Volto a dizer que acredito não estar sendo egoísta: eu também acho que essa criatividade toda para me driblar e fazer gol levando frango do meu galinheiro deveria ser canalizada para melhores situações, especialmente por meio de mais oportunidades, já que ser ladrão, no fundo, é uma ocupação de tamanha indignidade que causa dó! 

  Mas, por favor, eu não tenho essa chave! Estou trancado igual a você dentro deste regime aberto onde diariamente nos trombamos, com uma certa margem de liberdade para transitar. A chave que disponho é a do meu galinheiro, a qual, infelizmente, não me serve mais nem para me prender, a salvo, junto às minhas galinhas. Então, por favor, me ajudem: salvem as minhas galinhas!!!!!!! 

  Sei que você está ávido para me questionar sobre porcos - que me desculpem os animais pela ofensa - que vivem se lambuzando ilicitamente em ricas lamas, cujo mal que causam atinge não só ao meu, mas a todos os galinheiros, em uma "fuçada" só! Quanto a mim, afirmo: faço aquilo que considero possível! Só não dá para o meu galinheiro pagar esse pato! Assim, mais uma vez clamo, por favor: Salvem as minhas galinhas!!!!!!!!!! 

  Não é questão de maledicência contra o "ladrão de galinhas"! Só não vejo como possível tanta benevolência com a galinha alheia! Afinal, apesar de não ser o meu caso, conheço vários de galinheiros que já foram visitados uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove,... Mais de dez vezes!!! E "frangueses" que já foram presos em "frangante", em curtíssimo espaço de tempo, uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito,... Quase 70 x 7 vezes! Não obstante,... 

  Outro problema é que tenho a sensação de que isso vai se encorpando! E como!!! Antes, era mais no varejo, porém, a coisa foi aumentando, aumentando, aumentando, ora chegando cada vez mais próximo do atacado (vale, inclusive, o trocadilho!). 

  A propósito, embora o especialista se refira a "ladrão de galinha", acho que é bom modernizar o termo, já que além de dar muito trabalho para limpar a "penosa", o gosto da rapaziada também foi mudando (picanha,...) e diversificando bastante no tempo (será que não estão vendo isso?): além do dinheiro, que nunca deixou de estar "na moda", podemos citar várias outras "bagatelas": tênis, relógios, jóias, bicicletas e, mais recente e insuperavelmente, os celulares! Como tem "ladrão de ga-linhas". 

  Embora acredite que muitos se identificarão com este texto, no fundo, de coração, meu desejo mesmo é alcançar os ladrões de galinha! Não imaginam como lhes quero bem! Vejo com muita tristeza o aumento de pessoas nessa situação e a forma como esse comportamento vai sendo sutilmente justificado, quando, intimamente, é um caminho de muita angústia e sofrimento! 

  Não entre nele! E, se tiver, saia!!! Imediatamente!!!!!! Não espere dos outros e nem culpe ninguém. É você! A revolução é sua! Tenha fé e força! Não terá garantia de nada, salvo de uma maior intimidade com a sua dignidade. A única coisa que, aliás, posso sim, lhe garantir, é que se trata do melhor caminho, no pouco ou no muito, embora torça para que você prospere, especialmente naquilo que dá mais sentido à existência. Verá como isso lhe fará bem! 

  É isso! 

  Mas, para terminar, como não pode ser diferente, não esqueçam do meu fundamental apelo: help, SOS, socorro! Salvem as minhas galinhas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 



segunda-feira, 18 de março de 2019

A vilanização do trabalho



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A VILANIZAÇÃO DO TRABALHO

Ainda que impensável uma política baseada em "emprego sem crescimento", o contrário, fundada em "crescimento sem emprego", também não condiz com a vasta forma como é modernamente explorada, pela direta e indispensável relação que deveria existir entre uma coisa e outra.

Embora o desemprego, segundo a OIT, alcance quase duzentos milhões de pessoas no mundo e empregos precários ou vulneráveis ultrapassem um bilhão, enquanto a globalização cuida em arrastar os países, subtraindo autonomia no que tange à economia, quando se trata de globalizar o antídoto, uma possível vacina, apesar do longo tempo que este futuro, ora presente, infelizmente, se vaticina, seja sob muros, seja sob murros, repele-os cada qual à sua sina, pela qual ninguém assina.

Daí, fato é que vamos assimilando significativo distanciamento de políticas bem próximas: uma espécie de divinização da economia em confronto com a "judascialização" do trabalho.

O trabalho, visto como mero e desprestigiado departamento da economia, é caminhar sinistro, perda de identidade que ora registro, exemplificando-a a própria extinção da condição de ministro.

Como a economia global se preocupa bastante com grandes investidores, por eles, também, batalhão de lobistas nos corredores, afora ilustres outros senhores, como nunca o contraponto do trabalho necessita de firmes apoiadores, aliás, políticas públicas essenciais vão bem além das bolsas de valores.

O trabalho, que já foi escravizado, evoluiu quando das correntes libertado, porém, inegável que, atualmente, perante a economia, é o grande vilanizado.

Evolução que se apregoa é tudo automatizado, enxuto de ser humano, um infeliz desqualificado, como diariamente assim rotulado, aquele que não cabe no perfil estreito do mercado.

Não basta sequer mestrado ou doutorado, quanto mais o pobre desempregado e que não conseguir "empreender" qualquer coisa que lhe garanta ao menos o supermercado, e que engrossará, no fim, o rol dos milhões pelos demais sustentado!

Enfim, alguma coisa está muito errada! Enquanto há anos inúmeros benefícios são exigidos e concedidos aos pilares desse tipo de globalização aqui aportar, como pode o sonho crescente dos indispensáveis jovens brasileiros ser enfrentar rígidas regras de outro

país para poder emigrar, com melhores perspectivas de trabalhar, seguida de remuneração digna para se sustentar?

Nunca se reformou tanto, nunca se disse, sobre direitos, que tanto ainda há para se transformar. Até justiça com nome de trabalho se pretende acabar, nunca sendo tão frágeis, apesar de tudo, mínimas garantias de que isso fará o país melhorar, sequer, não piorar!

No fundo, evidências vão em sentido contrário! A autofágica evolução competitiva apregoada pela economia global se move mediante liberalizado estímulo a todo tipo de mecanismo que diminua o fundamental valor alcançado ao longo do tempo pelo trabalho humano.

Assim, rebaixado a oneroso custo que precisa ser urgentemente enxugado, ações continuarão firmemente voltadas para o ônus que representa o trabalhador, antes mesmo da prioritária obrigação, de imediata ocupação, daqueles milhões de desempregados, cujo contingente, nesse contexto, só aumenta, pois dele se alimenta.

Aliás, ao invés de exercerem o trabalho, contribuindo, inclusive, para custear os pesados encargos sobre a ação, dentre outros da nação, desempregados são fraudados nesse universal direito ínsito à dignidade, que resulta, por sua vez, em incremento da sua vulnerabilidade, não raro, a propósito, objeto de exploração, especialmente em época de eleição!

segunda-feira, 11 de março de 2019



O casamento deve ser igual a um jogo amistoso de final de ano, cujo caráter comemorativo do evento impede que o maior intuito seja vencer o adversário, mas estabelecer a maior confraternização possível com ele, tendo em mente que o empate vai cansar menos e é o melhor resultado para garantir a prorrogação.



quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

O futuro da nação



                                                                       Jovens, bem preparados e sem emprego
O FUTURO DA NAÇÃO 

  As imposições da economia global são tão absurdas que o expoente Banco Mundial, além de sugerir que o salário mínimo brasileiro é elevado, chega à petulância de propor valor menor para os jovens, a pretexto de sua proteção, visando inserção no mercado de trabalho. 

 Caminhos drásticos como esse constam do relatório "competências e empregos: uma agenda para a juventude", amplamente divulgado pela imprensa, invocando-se que "os líderes do Brasil terão de colocar os jovens no centro de uma ambiciosa agenda de reformas relativas a competências e empregos". 

 Embora, infelizmente, tamanha insolência não cause mais tantos espasmos na sociedade, tratada como mero mercado voltado à manifestação cada vez mais austera da soberana vontade e autoridade global sobregoverno do dinheiro, é importante não deixar de refletir sobre a gravidade desse desprestígio juvenil. 

 Frise-se que possuímos normas de incentivo à inserção de jovens no mercado de trabalho, como o programa nacional de estímulo ao primeiro emprego e a lei que dispõe sobre o estágio de estudantes, não se podendo dizer que a contrapartida remuneratória seja elevada, tanto que, não raramente, acabam indevidamente servindo como meio para barateamento de mão-de-obra. 

  Logo, embora importante, não significa sequer que esse primeiro contato com o trabalho irá proporcionar posicionamento no campo do emprego, salvo indisfarçável rotatividade na ocupação por parte dos jovens, tanto que a OIT, recentemente, divulgou que praticamente 30% dos brasileiros com menos de 25 anos estão sem trabalho, liderando estatística mundial nesse quesito. 

  Inclusive, como indica pesquisa recente do IPEA, 44,2% dos jovens com curso superior exercem atividades incompatíveis com a escolaridade e ganham 74% a menos do que o diploma permitiria a eles. 

  Nessa esteira de suprema austeridade sobre o trabalho, as reformas vão se acumulando, impondo lógica da supressora economia mundial como princípio e fim em si mesma, logo, ambientando os mais novos às sombrias perspectivas de ganharem cada vez menos, coagidos pela engrenagem que se fortalece mediante manutenção de uma multidão sem nem ter o que ganhar. 

  Em contrapartida, os "baby boomers" ("explosão de bebês") de outrora, ora chegando à sua fase idosa, ("elderly boomers"), vão se acostumando a um então inimaginável contexto, onde os mais velhos, apesar do número de filhos bem menor, contraditoriamente, via de regra, acabam assumindo papel de provedores por tempo bem maior quanto aos filhos, quando não até dos filhos dos filhos. 

  Enfim, em algum momento, o futuro da nação, então cantado em verso e prosa, parece que foi crescendo e envelhecendo conosco, continuando a ser nós mesmos, até que ultrapassada essa geração, caminhe para a extinção... Ou substituída por robôs, claro! 

  Não é por acaso que os filhos foram transformados em difícil equação econômica, ao passo que a exploração do seu confronto com a nossa liberdade, por exemplo, chegou às raias do absurdo, estabelecendo-se, no fundo, enorme conflito de gerações. 

  Na verdade, o bônus demográfico que o país experimentou, com uma população ativa bem maior do que a inativa, apesar de em grande parte desperdiçado, mascarou fortemente a situação, ora apresentando algumas de suas faturas para pagarmos (reforma da previdência, por exemplo), torcendo que consigamos assimilar os recados, especialmente porque os mais jovens deveriam, se os deixassem como nos deixaram, melhor ajudar a pagar. Mas, antes, têm que receber!



quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Não porventura desventura, mas por ventura aventura



NÃO PORVENTURA DESVENTURA, MAS POR VENTURA AVENTURA 

  Isso se dá no dia 15.11.18, quinta-feira. Estou em Natal acompanhando a filha Laís nos Jogos Escolares da Juventude. Estamos fora de casa desde sábado, dia 10, pois ela, antes, estava em Goiânia, onde participou da terceira e última etapa do Campeonato Brasileiro de Aquathlon. 

  Nesse pouco tempo, contudo, muita coisa pode mudar, como se avolumam os meus compromissos em Vitória, que me induzem a tentar retornar o quanto antes possível. Por volta do meio-dia de hoje se encerra a participação da Laís, cujo retorno, junto à delegação espírito-santense está previsto para a madrugada de sábado. O meu vôo de volta está marcado para amanhã, sexta-feira, dia 16, saindo ao meio-dia até Guarulhos, traslado para o aeroporto de Congonhas e chegada em Vitória às 21:50. 

  Assim, monitorei vôos para fazer alteração. Havia um que saia às 14:30, via Brasília e chegava em Vitória, salvo engano, às 21:50, porém, muito cara a mudança. 

  A outra alternativa, bem mais econômica, seria sair às 18:30, com chegada às 23:00 horas em Guarulhos e daí para Vitória às 5:40 com chegada às 7:20. Ou seja, na melhor das hipóteses, chegaria aos pedaços, mas teria a sexta-feira para afazeres, o que significava muito para mim. 

  E foi dessa forma: embarquei nessa "canoa furada", ou melhor, "vôo furado".... 

  Antes, contudo, consultei bastante sobre maneiras de "sobreviver" da melhor maneira possível a uma noite no aeroporto, mais especificamente no de Guarulhos (encontrei até "manual" a respeito!). As opções que considerei "mais viáveis" eram um hotel com "cubículos", digo, aposentos no próprio interior do aeroporto ou uma aventura de "mochileiro" nas cadeiras ou "vias" do recinto. 

  Como sou otimista, pensei logo no lado bom (e existe?) da (des)aventura(?): afinal, quando é que terei outra "oportunidade" dessas? Uma vida sem histórias é um livro com suas páginas em branco... Vamos preenchê-las, então! 

  Mas não precisava, logo de início, ser tão desalentadora a perspectiva: ao proceder a troca da passagem e fazer o "check in", me recusei a pagar pela "seleção" de assentos, mesmo porque já estava no prazo de 48 (quarenta e oito) horas antes do vôo e entendo que não poderia ser mais cobrado, já que a informação tocante à reserva de assentos é relativa à marcação antes do "check in". 

  De nada adiantaram os meus "protestos" à companhia aérea, embora esteja absolutamente convencido de que o meu entendimento está correto. Não obstante a constatação, no momento, de vários assentos disponíveis, como "punição", o "sorteio aleatório" feito pelo sistema da companhia aérea, me colocou, tanto no primeiro, como no segundo trecho do vôo, na última fileira de assentos, em poltronas não reclináveis, próximo à"cozinha" do avião e com "vista" para o banheiro... 

  Absurda coincidência, não? E em dose dupla!... Comparo tal "sorte" à probabilidade de ganhar na loteria. Acredito, entretanto, que se eu cedesse, alterando os assentos, "coincidentemente", um próximo seria imediatamente "premiado" com os mesmos, e assim sucessivamente. Resolvei, então, deixar para lá... 

  Acontece que o lugar é tão desprestigiado que o casal de idosos, ao meu lado, imediatamente após se acomodar, deu um jeitinho de desaparecer lá para frente, não sei onde, pois não visualizei esses tais lugares. 

  Ao menos o vôo adiantou meia hora e às 22:30 estava em Guarulhos, ainda que, entre descer do avião, embarcar no ônibus e, finalmente, chegar ao saguão, tenha decorrido quase meia hora. 

  Era momento de comer duas de minhas indispensáveis maças, respirar fundo e procurar o melhor lugar para ficar, óbvio, que não me onerasse. Aliás, apenas por curiosidade, fui tentado a conhecer o tal hotel dentro do aeroporto, cujo preço, porém, de uma hora, era o valor de uma diária que paguei em Natal! Tô fora! 

  Entre rumar para a área de embarque a permanecer no saguão, escolhi, inicialmente, a segunda alternativa, já que, se não gostasse, poderia optar mais facilmente pela primeira, do que se procedesse da forma inversa. 

  Sorte, se é que seja essa a palavra, que logo encontrei a pessoa certa, no lugar certo, que me deu uma dica gratuita, porém muito valiosa. Acho até que seja a verdadeira recompensa para quem conseguiu chegar até esta parte da leitura, a título de dica para uma possível situação como a minha no aeroporto de Guarulhos, desde que seja aberto às dificuldades próprias a esse tipo de "aventura", a propósito, "um nada" perante verdadeiras vicissitudes da vida: um simpático rapaz, chamado Nicolas, me mostrou uma escada rolante próxima ao seu "stand" de acessórios para celulares e indicou que as imediações daquela "casa do pão de queijos", no andar superior, era bem tranqüila, pouco freqüentada e, dentre os assentos disponíveis, alguns eram geminados, possibilitando ao ocupante acomodar-se "mais confortavelmente", pois poderia deitar-se. 

  Realmente haviam poucas pessoas e vários assentos. Mas, os "superluxos", com três assentos sem apoio lateral entre eles, estavam ocupados. De qualquer forma, ao invés de um "standard", consegui um "luxo", de dois assentos sem barreira entre eles, mais uma mesinha ao lado, que o transformava em um "superluxo"... 

  Com uma mochila servindo de travesseiro e outra, menor, contendo os pertences de mão, "enroscada" no corpo, ali fiquei, entre celebrados espasmos de sono, até que fui definitivamente "despertado" por um autodenominado professor, que vendia livros de "prevenção ao suicídio", por "qualquer quantia" que a "vítima", digo, pessoa, pudesse contribuir. Não se foi o correto, mas, na circunstância, enquanto alguém estava sendo salvo pelo professor, optei por salvar da morte iminente o meu dinheiro, fingindo que estava dormindo... 

  Depois de toda essa "preparação", a última fileira do avião não mais incomodava nem um pouco, muito pelo contrário: a saudade de casa, o vôo rápido, a possibilidade de realizar um monte de coisas ainda naquele dia, me confirmaram a certeza de que fiz a melhor escolha, que, sinceramente, não desejo fazer de novo, mas farei tantas vezes quanto se mostrarem como melhor (e bem mais barata hehe) opção, com a inigualável vantagem de ter preenchido algumas páginas da minha história de uma forma que considero mais adequada do que se a tivesse deixado passar em branco. Afinal, as nuvens brancas que ora vejo lá fora, facilmente são vistas apenas como nuvens brancas. Entretanto, um pouco de esforço já torna possível, talvez, enxergar brancas nuvens... 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Eu corri de Vitória a Linhares, ora bolhas!





        EU CORRI DE VITÓRIA A LINHARES, ORA BOLHAS! 

Sexta-feira, 12.10.2018, dia de Nossa Senhora Aparecida e dia das Crianças, por volta de 7:50, eu finalmente cheguei à histórica Praça 22 de Agosto em Linhares, agora, eu também, com a minha saga para contar. 

Embora tivesse em mente algo do tipo, há alguns anos, para uma distância um pouco maior, o certo é que a decisão quanto a correr de Vitória até Linhares, em cinco dias, com algumas escalas em locais específicos (em alguns momentos do percurso cheguei a pensar que deveria ser conexão, com a troca do "auto móvel") fora tomada há menos de um mês, sem tanto planejamento assim. 

Talvez se tivesse planejado um pouco mais, não teria sequer ido, já que não parecia fazer sentido alguém com condromalácia patelar, grau IV, nos dois joelhos, há cerca de uns dez anos, com recomendações de cirurgia e migração para outras atividades físicas, não só teimar em continuar correndo, como encarar aventura desta natureza! 

Porém, faço questão de ressaltar que não me considero um irresponsável por isso! 

Efetivamente, nos últimos anos, embora com a prática quase religiosa de manutenção da atividade física três dias por semana (segunda, quarta e sexta-feiras) reduzi carga dos treinos e das corridas (nunca mais fiz uma maratona, me limitando a pouquíssimas meias), com foco no aumento da flexibilidade e fortalecimento muscular, pratico pilates duas vezes por semana, além de me submeter, regularmente, a consultas médicas. 

O mais próximo do que fiz, recentemente, foram alguns treinos de Vitória a Praia Grande (cerca de 35 km), os quais, gradativamente, também foram diminuindo, encontrando-se, atualmente, no máximo, na casa dos 25 km. 

Dia 12.10, planejara com a esposa estar em Nova Venécia, onde passaríamos o final de semana. Estou de férias e, mesmo assim, é raro, para mim, em qualquer época do ano, a possibilidade de flexibilizar compromissos de segunda a sexta, como se mostrava possível entre o período de 08 a 12, este último dia, inclusive, dedicado à Nossa Senhora Aparecida (não poderia esquecer do ingrediente FÉ). Ora bolas, é possível! Quando terei outra oportunidade como essa? 

Dividi o percurso em cinco dias, saindo de Vitória em 08.10, até o município da Serra. Daí para Fundão, no dia 09 e, em seguida, para João Neiva, Aracruz e, finalmente, Linhares. Cerca de 130 kms, estrategicamente divididos de forma a nenhum percurso ser menor do que meia maratona (21.097,5 metros) ou superior a 30 kms, partindo sempre por volta de 5:00 horas. 

Como não dispunha de estafe (prefiro a "staff"), para me acompanhar durante o percurso, mesmo porque, a rigor, pretendia incomodar o menos possível qualquer pessoa além de mim mesmo, o primeiro desafio foi me preparar para a rotina "mochileira", selecionando o mínimo de roupas e objetos necessários, os mais leves possíveis, de forma que a mochila que me acompanharia nesses dias, alcançou a proeza de não ultrapassar muito dos três quilos... Pouco, mas, a rigor, um peso extra considerável! 

O primeiro dia, de Vitória até Serra, o menor e único dos trechos que já percorrera correndo, acreditava que seria o menos intranquilo, apesar das duas longas subidas próximo ao final. E assim foi! Sem muitos ressaltos, estava concluída essa etapa. Ufa, "só" falta 80%! 

O segundo dia já foi um pouco mais tenso! O acúmulo do desgaste do dia anterior, a distância um pouco maior, o sobe e desce do percurso, a indecisão sobre o momento e o que efetivamente consumir para manter o máximo de energia durante o trajeto,... Mas cheguei: 100 - 40! Resta 60%. 

No fundo, acho que esse foi o dia crucial! O que mais temia, o joelho, suportando bem! Estava tão preocupado e atencioso com o mesmo, que ele, parece que se sentindo tão "amado", resolveu me dar mostras de que não deveria me preocupar tanto, funcionando numa espécie de "automático", fluindo naturalmente a corrida quanto a tal engrenagem... 

Mas parece que causou ciúmes em outras "peças", pois ao final do percurso, senti as coxas "queimando", uma ligeira cãibra (aprendi que tanto cãibra quanto câimbra estão corretos, logo, tendo mais simpatia pela forma que ora utilizo, embora achasse, até então, que o correto fosse cãimbra) na panturrilha e lateral da sola do pé direito e, o maior detalhe, que, no momento, considerei o mais inofensivo de todos: uma pequeníssima bolha no dedão do pé direito. 

Não é porque não tinha um estafe me acompanhando e porque pretendia incomodar o mínimo possível que eu estava isolado na empreitada... 

O meu estafe, além de à distância, era pequeno, mas muito bom! Os pilares eram a esposa Claudia, um irmão em Linhares (o Tião) e um em Vitória (o Léo) e os fisioterapeutas do pilates Tiago e Victor Arnal. Omitindo quanto à bolha, pois a considerava ainda irrelevante, acionei os dois últimos, ressaltando quanto à minha disciplina de "bom aluno" no tocante aos alongamentos, gelo, massagens e descanso. Salientaram quanto à naturalidade do desgaste e frisaram sobre a importância dos isotônicos, visando à reposição de sais perdidos. 

Não gosto muito de isotônicos, praticamente não os utilizando nem quando faço corridas de longa distância. O que vinha tomando era água natural e de côco, mesmo assim em quantidade que após a recomendação, acreditei insuficiente. Obedeci e além de incrementar um pouco mais quanto a água e carboidratos, comprei duas garrafas de 500 ml de um daqueles famosos isotônicos, uma para o restante do dia e outra para o percurso da quarta-feira, entre Fundão e João Neiva: batata! O meu psicológico foi lá em cima com relação a causa e efeito. As cãibras não me preocuparam mais para o resto do percurso. 

Porém, as dores nas coxas estavam muito fortes, não diminuindo para um patamar razoavelmente suportável nem com a intensidade dos alongamentos específicos. E eu não poderia de forma alguma desistir! Aqui entra mais firmemente o Tião. Quando ele soube da empreitada, parecia que estava ali comigo a todo instante! Ficou mais efusivo do que eu. Enalteceu, me posicionando como se eu fosse "um ser brioso, firme e realizador de algo fantástico"; se colocou à disposição e transformou a minha recôndita aventura em um "evento", se comprometendo a ir me visitar no terceiro dia, em João Neiva, agilizar quanto a hotéis, me acompanhar no quinto e último dia, de bicicleta, entre a pamonharia de Aracruz até Linhares, inclusive, com outros corredores locais, além de preparar a recepção para o local que definiu como chegada, a emblemática Praça 22 de Agosto. 

Logo, embora extremamente conservador no que tange a medicamentos, para seguir no percurso, após me inteirar quanto às indicações e contra-indicações, ao fim do segundo dia entendi adequada a ingestão de um relaxante muscular. Dormi e parti para o terceiro dia da corrida, o qual não foi nada fácil, mas, também, não tão extraordinariamente difícil como prenunciava. 

Aliás, um corredor, todos bem sabemos, tem, cada qual, o seu ritual de motivação, durante o percurso: eu, por exemplo, rezo, reflito bastante, viajo na criatividade (grande parte desta narrativa, a propósito, foi "escrita" pela mente durante os trajetos), crio frases ou me lembro de outras, como "sem sacrifício não se chega a lugar algum", "retroceder nunca, render-se jamais", ou acorda cedo ou dorme no ponto, "dias de luta, dias de glória",... 

Chegando em João Neiva, onde fui saudado nos últimos quilômetros pelo irmão Tião, que registrou mediante fotografias e filmagens, ao retirar os tênis, percebi que agora, sim, eu tinha um problema, já que aquela bolha pequenininha se transformara num bolhão. Não doía, mas,... O que poderia acontecer dali por diante? 

Socorro, Claudia! Não é a toa que nós temos seis filhos! Você é extraordinária no que tange à criação, manutenção e expansão de força, fé e confiança! Preciso MUITO de você! 

Acho que nunca falei tanto com a Claudia pelo telefone! Vamos Luiz! Que tal procedermos desta forma, assim, assim e assim? 

Visitei umas cinco farmácias de João Neiva! O que considerei mais plausível foi furar a bolha com uma agulha esterilizada e depois fazer um curativo! Decidimos (eu e a Claudia), contudo, não furá-la logo! Para quê? Adquiri o necessário e deixei o procedimento para pouco antes da corrida, motivo pelo qual deveria acordar um pouco mais cedo (ainda!). 

Quando acordei, um fator determinante: percebi que a bolha murchara um pouco. "Ora bolhas", se em repouso ela murchou, acredito que mesmo que ela aumente um pouco de volume com a corrida, se bem protegida, não irá estourar (ou pocar, como dizemos, nós, capixabas!). Afinal, eu estava com tanta pena dela!... Não! Não liguei para a Cláudia às 4:00 da manhã! Decidi, "por minha conta e risco"! 

Sem deixar de estar plenamente ciente de que se uma bolha num pneu pode estragar uma viagem, uma simples bolha em um "PÉneu" pode ainda mais, sem a possibilidade, inclusive, de substituição por qualquer "PÉneu" sobressalente ou reparo em borracharia. No máximo, um valioso auxílio, mas não necessariamente resolutivo, em alguma "farmaçaria". 

De qualquer forma, passei a nutrir certo orgulho e carinho por aquela bolha! Tratei-a dignamente, como uma espécie de troféu! Não iria de forma alguma espetá-la! Iria me acompanhar até o fim! 

No quarto dia, entre João Neiva e a Pamonharia de Araruz, a mesma coisa! Murchinha na saída, firme, forte e vigorosa ao final! Ganhou até uma pequena companhia, no dedão do outro pé! Tive o cuidado de não deixar nada encostar nas mesmas, salvo uma, levemente, na outra, já que surgiram tão próximas, nas extremidades externas dos dois dedões dos pés, que parece que nasceram para se enamorar! 

A propósito, quanto às bolhas, pensei até um cultivá-las o máximo de tempo possível também para mostrá-la àqueles chatos que teimam em lhe zoar, tipo dizendo que lhe viu pegando carona, ônibus etc. Não que duvide que isso possa acontecer em certas ocasiões, embora jamais me sujeitasse a ser o protagonista de tão aviltante conduta. Afinal, eu mesmo, em uma certa meia maratona, que me lembro muito bem, passei o mesmo cara três vezes, sem que em nenhum momento ele tenha me ultrapassado. Como é possível? Mas, quer saber: às favas quem quiser ou não acreditar em mim! Ninguém precisa "me engolir", mas também não tenho que provar nada para ninguém! 

Faltava "só" o quinto dia! E "a festa"! Contudo, algumas "pequenas" situações acabam por aumentar os obstáculos. Por exemplo: em todas as pesquisas que fiz, a pamonharia ficava no Km 177. Qual não foi a surpresa ao avistá-la no km 179 (para constar: estava no sentido decrescente de quilometragem da BR 101 Norte) Se eram dois quilômetros a menos percorridos aqui (para os quais eu estava física e psicologicamente ambientado) significa que seriam dois a mais lá! Para piorar, o Tião me confirmou que conferira o percurso final e ele media exatos 30 kms. Ora, justo no último dia? 

Antes da narrativa quanto a tal percurso, já que estava em meu último ponto de parada, registre-se que me instalei em estabelecimentos que considerei adequados aos meus propósitos, inclusive no aspecto financeiro. Embora tenha percorrido, de carro, várias vezes, o mesmo trajeto, foi nesta oportunidade que pude conhecer e aproveitar mais amiúde do Hotel e Restaurante Casarão, em Fundão, do Hotel Bravo e Restaurante Casa Brasil, em João Neiva e da Pousada e Restaurante Pamonharia da Roça, em Aracruz. 

Aliás, não somente no tocante aos estabelecimentos!... Cada uma daquelas plaquinhas azuis, ao longo da estrada, indicadoras dos quilômetros, foram muito bem visualizadas por mim e registradas, para sempre, em minha memória. No início fiquei um pouco contrariado, pois essa história de que "de grão em grão a galinha enche o papo" não me apetece muito. Preferia marcações mais longas para não ter que ir diminuindo de um em um os quilômetros restantes. Mas, paciência né!? 

O certo é que em cinco dias, com tudo que a modernidade, hoje, nos proporciona, poderia ter dado a volta ao mundo. Mas eu nunca saí sequer do país e, salvo situação inevitável, não tenho a mínima vontade de fazê-lo. E não é só por aspectos financeiros, diga-se de passagem, mas por ausência de vontade mesmo! Mas posso dizer, agora, que conheço muito bem cada metro da estrada que vai do Município de Vitória até o de Linhares. 

Até os cachorros que existem na estrada conheço melhor e eles a mim! Como, infelizmente, não tivemos o prazer de sermos apresentados, tive que adotar minha estratégia de "enfrentamento", ao virem latindo em minha direção, a qual consiste, basicamente, em não demonstrar medo, não recuar, seguindo em frente, mandando-os, energicamente, plantar batatas ou fazer outra coisa que não me morder, o que tem dado certo até hoje, ao menos com relação aos "dóceis" cães que encontrei pelo caminho, embora não possa dizer ou afiançar que essa seja uma recomendação válida para outros. 

Enfim, apesar dos mais de trinta anos de corrida amadora, nunca aprendi tanto como nesses cinco dias em que ao final de cada trajeto estava sempre exausto, com o restante do dia para estar pronto para o outro, de qualquer jeito! 

E assim parti para o último trecho do percurso! Onde contei com o acompanhamento do Tião e do Ronald, de bicicleta, além do Cedenir, do Eduardo e do Cândido, de PÉneus, como eu! E também a Eliana e o Lúcio, de carro, fornecendo suporte para a "equipe"! 

Confesso que preferia contar com os mesmos em forma de revezamento no trecho final! Mas como isso não era o previsto, esforcei-me (e tenho certeza de que eles mais ainda) para fazermos da "penosa" atividade algo que fosse realmente marcante! Eu mesmo abri mão de parte das conversas que mantenho com os "anjos e santos", para alguns rápidos diálogos de força, motivação e conhecimento. 

Assim fomos, um se esforçando para manter ritmo que fosse possível ao outro, até o final ("principalmente" eu, hehe!), diminuindo a distância que nos separava do ponto de chegada. 

Saímos por volta de 5:00, como de costume. Minha esposa e nossos dois filhos menores, de carro, saíram de Vitória, também no mesmo horário. Acreditava que eles nos alcançariam próximo ao distrito de Bebedouro, quando teríamos percorrido pouco mais de 20 quilômetros do trajeto. E foi o que ocorreu! 

Quando ouvi aquele conhecido buzinaço de um veículo só, sabia que eram eles. Pararam pouco à frente para nos filmar e fotografar correndo! Embora não conseguisse uma expressão facial que disfarçasse muito o cansaço, ao menos imprimi passo mais acelerado para "sair bem na fita"! Passei por eles e pedi que me esperassem no trevo de Bebedouro (sugestivo esse nome em se tratando de uma corrida, né!?), quando segui alguns metros na companhia também dos pequenos, pedindo aos mesmos "para maneirar", já que não estavam nas famosas maratoninhas ou garotadas da vida! 

Já em companhia somente dos "grandes", foi assim que dividindo água natural, de côco, barras de cereais, isotônicos e sachês de mel, fomos nos aproximando do final. Sensação indescritível ia me invadindo cada vez mais fortemente. Era uma espécie de muita alegria pela conclusão e, ao mesmo tempo, no momento, já de pequena saudade, pois, no outro dia, já não mais me submeteria à dura e doce rotina dos últimos cinco dias, a qual tinha certeza de que me marcaria para sempre. 

Já pensando em algum novo desafio, quem sabe daqui há uns quinze anos (o que me veio à mente, primeiramente - mas até lá pode mudar, inclusive , quem sabe, não necessariamente sozinho, ficando, desde logo, expressa tal possibilidade - foi a ideia de partir para uma corrida sem limite de quilometragem, até onde a resistência permitir, evidentemente, mais preparado física e mentalmente, além de dotado de estrutura que possibilite ao corpo diminuir os efeitos do desgaste natural do avanço da quilometragem), foi assim que pouco antes das oito horas, exausto, eu e "minha equipe", novamente com os meus dois filhos do lado, chegamos ao portal da Praça 22 de Agosto em Linhares. Não sou nenhum "Forrest Gump", mas, enfim, estava concluída a minha jornada, esta pequena história! 

Mas, e O EXAURIMENTO? 

Pouco depois da "escala em Linhares", segui, porém de carro, ao lado da esposa e filhos para Nova Venécia. 

Não contara para ninguém! Mas, como tenho alguns amigos corredores no Município, passei a cogitar quanto à possibilidade de uma corridinha no outro dia, ou seja, no sábado. Seria cerca de "apenas" uns doze quilômetros, do centro até o Distrito de Santo Isidoro (ou João Pião) onde o Daniel e a Marta, irmão e cunhada da minha esposa, possuem uma área rural. 

Durante o trajeto, comentei com a minha esposa, que não se opôs! Após o almoço, uma "feijoadinha" (ninguém é de ferro!) feita pela sogra e antes do descanso, liguei para o Uberacy, companheiro de longa data e grande propagador das corridas de rua, no município, e para o Lélio Marcarini, com quem também já fiz alguns treinos, sondando quanto ao propósito. 

Nenhum dos dois poderia me acompanhar: o primeiro devido a impossibilidade física momentânea e o segundo porque viajaria para Vitória. 

Mesmo assim fui! Sem a mesma pressão dos dias anteriores, entretanto, com a responsabilidade de um bom treino, num percurso que embora curto, possuía uma subida que acredito mais íngreme do que qualquer outra existente entre os municípios de Vitória a Linhares. Além dos cachorros, claro! 

Foi cansativo, mas bem legal! 

Porque fiz isso? Não sei! Acredito que apenas para diferenciar conclusão de exaurimento! Ao chegar a Linhares, exausto, tinha concluído o meu intento. Mas, agora, estava realmente exaurido... 

Domingo cedo, dia de retornar para Vitória. Não era possível "inventar" mais algo, tipo um "post factum",... 

Registre-se, portanto, para finalizar, que nenhuma outra surpresa ocorreu. Apenas, quando cruzei, de automóvel, a ponte sobre o Rio Doce e comecei a fazer o caminho de volta, que fizera com os meus "PÉneus", avistando, a seguir, a primeira plaquinha azul, senti uma emoção indescritível, saboreando, de forma incrível, cada metro daquela estrada que jamais será a mesma para mim. 

Fiz questão de parar com esposa e filhos, rapidamente, nos locais onde me hospedei. Segui revivendo e contando para os mesmos vários detalhes desta minha história, ora, resumidamente descrita, tendo certeza de que terão a exata noção de como sou grato a Deus pela oportunidade. Amém! 


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Cinco horas e meias

                                                      
CINCO HORAS E MEIAS 

Estou de férias. E férias é período de descanso, não é mesmo? 

Pois bem, no meu caso, o principal descanso que necessito é da mente e, embora para muitos possa parecer estranho, o modo que mais consigo "repousá-la" é quase esgotando o corpo com a prática de corridas. Doido, né!? Vá entender! 

A propósito, como necessito especialmente da compreensão da minha família, enquanto apenas acho que ela me entende, tenho certeza de que ela me aceita e apóia, sendo isto fundamental para seguir por tantos anos desta forma. 

Certo é que o momento se mostra adequado para pôr em prática um projeto que tenho em mente há alguns anos, embora não possa ser na distância que planejara. Daí que hoje, segunda-feira, dia 08.10, iniciei, saindo de casa, em Vitória, com chegada em frente ao Ministério Público da Serra, num percurso de cerca de 22 km. 

Amanhã, terça, a meta é da Serra a Fundão, até as imediações do km 229, o que resulta em cerca de 27 kms; na quarta, até o km 203, em João Neiva; na quinta, até a pamonharia da roça, em aracruz, km 177. E na sexta, dia de Nossa Senhora Aparecida, até Linhares, com ponto de chegada ainda a ser definido, mas, por volta do km 150. Logo, o total do percurso é de cerca de 130 km, que dividido por cinco dias dá uma média de 26 km diários. 

Pouquíssimas pessoas sabiam disso por dois motivos: 1) é algo muito pessoal! 2) Sinceramente, embora já tenha algumas maratonas no currículo, tinha e ainda tenho muitas dúvidas se conseguirei chegar ao final, especialmente devido a algumas "reclamações" dos joelhos, tendo ouvido "gritos" dos mesmos já quando souberam o que eu pretendia fazer nestes cinco dias seguidos, pois, há alguns anos, forçosamente, tive que reduzir a carga de treinos, inserir atividades de pilates, dentre outras formas de adaptação, para continuar com a prática desportiva. 

Ah, o título! Porque cinco horas e meias? Cinco horas (ou um pouquinho antes) é o horário que rotineiramente faço as minhas corridas, nestes mais de trinta anos dedicados às atividades. Não abro mão (e nem a rotina puxada me concederia a oportunidade de alterar o horário) e, realmente, me sinto privilegiado em acordar cedo, assistir aos partos diários do sol, quando a lua lhe entrega o bastão para continuar essa ininterrupta maratona de revezamento. Já meias é a referência que faço às meias maratonas, tendo em vista que em nenhum dia a distância a ser percorrida será menor do que 21.097,5 metros, aliás, o que seria ótimo, pois, ao invés de cerca de 130 km, cairia para algo em torno de 105 km. 

Mas não coincidiriam os pontos de parada e nem o local de chegada, o município de Linhares. A propósito, oriento aos que ainda não sabem, que procurem se inteirar porque a distância de uma maratona é de exatos 42.195 metros. Guardadas as proporções, no meu caso, é como se mudasse a distância da meia maratona, mas jamais o ponto de chegada, que é Linhares! 

E porque torno pública a aventura, ainda no primeiro dia, quando foi percorrido menos de 1/5 do percurso, quando todas as incertezas batem à porta? É que o meu irmão, Tião, que mora em Linhares, foi um dos poucos a saberem do meu intento e, expansivo como só, cuidou em "chutar o pau da baraca", transformando a minha recôndita corrida em um "evento" para o qual outros "malucos", "maluquinhos" e "malucões", ao que me foi informado, pensam em estar comigo no último trecho ou em parte dele. 

Era tudo o que eu não queria! Pois, agora, além da minha imensurável vontade, surgiu compromisso! E não vejo como "correr" dele! 

Enfim, quando a intenção é boa, sempre restará, independentemente de qual seja o final dela, uma boa história para contar! 

E que seja feita a Vossa vontade, amém! 

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Andando na Frente - Parte 4


ANDANDO NA FRENTE – PARTE 4 

  Hoje é dia 01.10.2018. A LIZ completa 10 anos! 

  Quem leu “andando na frente – partes 1, 2 e 3”, sabe bem qual o presente que tanto me alegra em dar para meus filhos quando alcançam esta idade (bem baratinho, hehe!). Aliás, a rigor, não sou eu quem dou; apenas, enquanto pai (com a coautoria da mãe), permito, já que assim disciplina as normas de trânsito: o direito de andar no banco da frente do carro! 

  - E isso lá é presente? Pobre filha... 

  Tudo bem que no sábado já ganhou uma festinha! Porém, ainda mais quando as coisas acontecem na época própria, é inegável que esse direito proporciona grande alegria à criança, quando o alcança. Tanto que, geralmente, insistem em obtê-lo antes! 

  Entretanto, é verdade que tendo os irmãos mais velhos já passado “pelos mesmos bancos”, não tivemos dificuldades para a Liz também assimilar de forma natural a espera. 

  Coisa simples, mas que alegra bastante, como deu mostras quando eu e a Laís, às 5:00 horas, no aeroporto, fomos recepcionados por ela e pela mãe. 

  A propósito, a mãe já tinha me informado que não era intenção levá-la, pois era muito cedo. Que nada! Separara a roupa, fora dormir cedo e pedira para não deixar de acordá-la de jeito nenhum! 

  Logo, a honra foi toda dela: O BANCO DA FRENTE! Como será durante os demais trajetos do dia, para, amanhã, tudo retornar ao normal quanto aos bancos dianteiros: os pais, usualmente, e os filhos mais velhos com primazia sobre os mais novos, não descartando-se eventuais rodízios ou outras formas que não partam da desarmonia. 

  Acreditamos, portanto, que o valor das coisas depende muito de como se dá e de como se recebe. O dia especial é hoje! O "presente" também é para hoje! Nele está contido o maior carinho, consideração, respeito e ensinamento. Não custou nada! "Apenas" a cumplicidade conquistada ao longo dos anos, inclusive, naturalmente, da própria homenageada. 

  Daqui a dois anos, com data agendada mais precisamente para o dia 05.11.2020, nos vemos de novo, na sequência do "andando na frente", agora na parte 5, mudando apenas o ator principal, o qual, inclusive, já está confirmado, mediante, óbvio, o mesmo "cachê"! 

  Até lá, se Deus quiser! 

quarta-feira, 5 de setembro de 2018



No exato momento em que o seu filho está nascendo, o pai pode estar fazendo qualquer coisa, enquanto a mãe,...  Como não somos e nunca seremos iguais, o meu verdadeiro receio não é a ruidosa propagação da ideia, mas a sua indiferença quanto ao sacrifício das marcantes diferenças!