domingo, 28 de junho de 2020

Renda Mínima Universal



RENDA MÍNIMA UNIVERSAL


De repente nos deparamos com emergência de saúde pública internacional, com graves consequências em nosso meio, ocasionando, dentre outras medidas visando minorá-las, a instituição de um auxílio emergencial (Lei 13.982/2020). 

Embora trate-se de política pública de caráter excepcional, sabe-se que as necessidades que momentaneamente visam suprir, infelizmente, perdurarão para bem além da pandemia, haja vista que o contexto brasileiro já era muito frágil no campo do trabalho. 

E, para incrementar o paradoxo, enquanto o trabalho humano se viu suprimido, reduzido ou suspenso, em grande escala, a tecnologia, em pouquíssimo tempo, aumentou consideravelmente sua supremacia sobre o mesmo, mostrando-se, inclusive, como grande aliada para o exercício de atividades a partir de casa. 

Por outro lado, a pausa que o mundo se deu para tentar continuar respirando, foi favorável à oxigenação do próprio meio em que vivemos, logo, escancarando que a sobrevivência da humanidade deve se pautar por critérios de harmonia com o seu ambiente. 

Enfim, forçoso admitir evidências de que a manutenção de boa parte do nosso atual ciclo de atividades se deverá mais às necessidades de sua justificação do que propriamente para efetivo benefício que possam proporcionar à coletividade. 

Sob essa ótica, por mais impactante que possa parecer a ideia em primeiro momento, é bom que consideremos a viabilidade de uma renda mínima universal, que possa garantir a sobrevivência das pessoas "tão só" pelo fato de existirem, aliás, premissa que, em tese, baseia a Lei 10.835/04, que institui a renda básica de cidadania, mas não vem sendo cumprida. 

Como experiências nesse sentido começam a ganhar corpo, mundo afora, obviamente em situações bem mais favoráveis do que a nossa, vale destacar que por meio de nem sempre conexas políticas de proteção social, sustentadas pelos setores produtivos já há anos, existem vários programas que necessariamente seriam reavaliados, daí o entendimento de que a questão, em princípio, parece mais de criterioso planejamento e controle, do que propriamente de inviabilidade. 

Mesmo num mundo onde impera máxima de que "não existe almoço grátis", não por acaso a criação de uma renda mínima universal conta com simpatia de bilionários expoentes da tecnologia, como Elon Musk, Mark Zuckerberg e Bill Gates, defendendo, como fonte de custeio, por exemplo, o "imposto sobre robôs". 

O que parece induvidoso é que não dá para sair da pandemia como antes, já que grande parte do que fazemos, a tecnologia se encarregou de demonstrar que pode e vai fazer de modo mais prático. Mas não no que tange a conviver e cuidar, a partir do próprio lar, como o mundo determinou fazer, para se preservar, não cabendo, agora, descartar. 

Como a questão, porém, não é só local, é global, foros como a ONU também são importantes para melhor discutir, mediar e impulsionar.


domingo, 21 de junho de 2020

SIMquenta anos de CLAUDIA




SIMQUENTA ANOS DE CLAUDIA 


"Hoje é tempo de louvar a Deus" 



Hoje, dia 21.06.2020, é uma data muito especial para nós, brasileiros! 

Há exatos cinquenta anos, a seleção brasileira, ao vencer a Itália por 4 a 1, na final, conquistava o tricampeonato mundial de futebol. É certo, portanto, que a data será muito festejada país afora. 

Quer saber outra razão, embora de foro intimíssimo, para intensificar a comemoração?... 

Pois bem! Nesse mesmo dia 21.06.1970, na cidade de Nova Venécia (por sinal, uma homenagem à italiana Veneza, devido à colonização do local), Josefina Bôa Gasparini e Alcino Gasparini, conquistavam mais dois títulos de uma só vez: o hexa e o hepta! 

Depois dos queridos Ivo, Martinho, Maria da Penha, Daniel e Rita de Cássia, nasciam Claudio e Claudia Gasparini! 

Aliás, naquele dia, o Brasil tinha que ser tri mesmo. Era impossível ser diferente! O nome do médico responsável pelo parto: o saudoso Doutor José BRASILEIRO!!! Inclusive, para ser mais fidedigno ao enredo: José Brasileiro DOURADO!!! 

Quis o De(u)stino que eu conhecesse (e não é que depois disso o Brasil foi tetra?) e me tornasse o marido da Claudia (e então o Brasil chegou ao penta!), situação na qual nos encontramos há pouco mais de vinte e cinco anos, ou seja, metade da sua existência, o que leva a refletir sobre a importância do casamento em nossas vidas, já que tudo que fora vivenciado por ela, antes, durou "apenas" a mesma quantidade de tempo que já estamos unificadamente juntos! 

Digo eu, Luiz, para você, Claudia: "tive sorte de encontrar você, que debocha do meu jeito de ser, de repente faz juras de amor, me esquenta no frio, me refresca no calor... Chora de rir, fica de mal, coisas de casal". 

E o que eu faria por você? Huuumm! Ahhh! Sinceramente, eu não sei. "Eu só sei que confio na moça e na moça eu ponho a força da fé!". Portanto, apesar de jamais ter imaginado ou sonhado que faria isso, então, vai lá: por você, "eu teria mais herdeiros que um coelho". 

E você? Com tudo aquilo que importa mais especialmente à mulher para o alcance e manutenção de cada "título", só por Deus mesmo é que se tornou campeã, bi, tri, tetra, penta (e que "final antecipada", hein?) e, quem diria? Hexa! 

São muitos os fatos de sua vida que eu tenho a oportunidade de testemunhar, no dia a dia, que a tornam uma pessoa que cinquenta, sessenta, ou seja lá quantos anos seguir fazendo, não faz diferença, porque celebra cada dia como uma benção divina, norteando marcas e rastros mais seguros para pisar e serem pisados. 

Há cinco anos era eu a completar cinquenta! Quanta diferença, né!? Mas nunca, jamais, a indiferença! Quer queira, quer não, partindo de mim e dos "coelhos", saiba que faremos o possível para demonstrar nossa alegria, embora respeitando o seu momento único e exclusivo com Deus, ainda mais, coincidentemente, neste dia de domingo: "Senhor, quando te vejo no sacramento da comunhão, sinto o céu se abrir e uma luz a me atingir...". 

Parabéns Brasil pelo tri! Parabéns Claudio & Claudia, pelas Bodas de Ouro Existenciais: a vida de vocês é o maior troféu!



terça-feira, 5 de maio de 2020

A globalização do vírus


A GLOBALIZAÇÃO DO VÍRUS 

Tão forte e firme a episódica onda mundial a partir de poderosas manifestações tocantes à supremacia da vida perante questões econômicas, que pode acabar infectando a memória da população quanto à contundência das ações (e omissões) estruturais regularmente desenvolvidas em sentido absolutamente contrário. 

Não por acaso surgida junto a outros relevantes organismos e documentos internacionais, após o fim de duas grandes guerras mundiais, a OMS, embora, no momento, concentre tanta atenção em torno de si, para ilustrar como esse prestígio é incomum, poucos sabem, por exemplo, onde se realizou o último Fórum Social Mundial da Saúde e Seguridade Social, ou sequer de sua existência, quanto mais o teor de seus documentos, enquanto, por outro lado, o Fórum Econômico Mundial repercute intensa e globalizadamente tudo que lhe diz respeito. 

É doloroso afirmar que se fosse invertido o ranking mundial de nações, quanto ao número de mortos, a propósito, como ocorre com a maioria das desgraças que abatem especialmente países mais pobres, o mundo não estaria quase que compulsoriamente irmanado, na forma em que se encontra. 

Aliás, possivelmente, o vírus sequer teria circulado com tamanha fidalguia mundo afora, mediante barreiras bem mais efetivas para mantê-lo em seus limites, considerando, inclusive, a expertise de destacados países quando se trata de evitar a entrada de indesejados. 

Como o vírus propagou-se a partir de nações economicamente mais desenvolvidas, não obstante as perdas sejam enormes para todos, deveria partir de si a iniciativa de indenizar especialmente as mais pobres, a título dos imensuráveis danos morais e materiais coletivos causados, mesmo porque, seguramente, oxalá ultrapassado este difícil momento, as consequências econômicas serão ainda bem mais penosas (in)justamente para os povos mais carentes. 

Ensina a vivência que o momento é o mais adequado para construção de compromissos nessa linha, antes que a economia volte a externar de forma mais soberana seu reinado sobre tudo e todos, inclusive diminuindo a veemência como se ousa desafiar a subserviência, reservada como lugar cativo à humanidade. 

Neste importante capítulo da história, somos todos convidados a auxiliar a melhor escrevê-la, por meio de iniciativas que levem a compromissos e responsabilidades globais, preferencialmente pela via de mediações e conciliações internacionais, principalmente através das instâncias diplomáticas voltadas para tal finalidade, sem esquecer da plêiade de políticos, juristas e economistas, entre outros, capazes de elaborar e defender em quaisquer ambientes, como se fizer necessário, os interesses públicos transnacionais que a matéria comporta. 

Enfim, já que o vírus demonstrou o quão somos interdependentes e rápidos na partilha de catástrofes mais sensíveis ao olhar, sejamos ao menos um pouco mais rápidos na partilha de meios para as economias nacionais o saldo desse mal enfrentarem, ao invés de uma oportunidade a mais para lhe subjugarem.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Gabi e Júnior (II)

GABI E JÚNIOR (II)

Era por volta de 19:00 do dia 19.03.2020, estava em casa, em Vitória, e veio inspiração para escrever algumas palavras para a Gabi e o Júnior, com casamento marcado para o dia 21.03.2020, em Nova Venécia.

Fui para o computador só para começar a escrever, pois a intenção era terminar na manhã seguinte. Porém, fiel ao meu lema de que a inspiração é apenas uma simples e imperdível passageira dos seus efeitos, as ideias foram fluindo, fui escrevendo e, apesar de algumas outras coisas para fazer, resolvi que era mais importante e proveitoso terminar.

Findei por volta de 20:30 e não é que por volta de 21:00 o pai da Gabriela, meu querido cunhado e compadre Daniel, me ligou? O assunto era bastante delicado, o não comparecimento de vários convidados, devido aos tempos difíceis que estamos vivendo, em razão da globalização de um vírus no auge da sua catastrófica existência, havendo forte apelo para se evitar contatos, grande fonte de "invisível" contágio.

Por coincidência, tudo o que eu queria lhe dizer naquele momento estava no que acabara de escrever. A intenção era entregar um impresso do escrito à Gabi, ao Júnior e aos familiares no dia do casamento. Mas, coincidência assim não acontece por acaso, né? Falei pouco com ele, mas informei que tinha escrito um texto que queria lhe repassar, o que fiz instantes após, não sem antes me comprometer com a honra de levar as alianças dos noivos, que ainda estavam em Vitória.

Pois bem! Acontece que eu também não estava seguro de que iria ao casamento, mas, agora, não havia como não ir. Ou havia? Ou melhor, deveria ir ou não? Mas uma coisa é certa, na linha do que tinha escrito anteriormente para o casal: no filme deles, embora existam os atores coadjuvantes, que merecem também um oscar, além de nós e vários outros, é claro, que, evidentemente, ajudaríamos a compor o elenco, eram três os verdadeiros protagonistas, ou seja, Gabi, Júnior e o Padre!

Ora, eram três os protagonistas, mas, sem as alianças, nada feito.

Portanto, no sábado, dia do casamento, pela manhã, partimos eu e a companheiríssima esposa Claudia, de Vitória para Nova Venécia, levando as alianças.

Mas o ponto realmente chocante da situação é que não ficamos para o casamento, retornamos logo após deixar as alianças. O detalhe, igualmente difícil de executarmos, bem como de ser assimilado, salvo se não existisse um extraordinário afeto que nutrimos uns pelos outros, é que sequer tivemos contato com a família ou outros da região que também nos são caros: deixamos em local seguro, sem contato pessoal e, quando já estávamos retornando, informamos o que tínhamos feito.

É óbvio que se trata de algo difícil para todos. Neste momento eles estão casando. Algo bem simples e íntimo,assim como a pequena reunião que acontecerá na casa dos pais da noiva, desconforme tudo o que fora pensado e longamente planejado.

Porém, como disse na primeira ocasião, nessa época em que o casamento, às vezes, vale mais pelo espetáculo, o inadiável sim dos dois, realmente, mais ainda comove e, sem dúvidas, muito melhor os recepciona para o seu verdadeiro,santo e inigualável sentido: DEUS ABENÇOE ESSA UNIÃO!

Eu e a esposa, embora distantes, em casa, junto aos nossos filhos, no fundo, bem felizes pela difícil e segura opção, e, mais ainda, pela divina oportunidade dos quilômetros percorridos como "pajem" e "daminha" dessa inesquecível união.


sábado, 21 de março de 2020

Gabi e Júnior


GABI E JÚNIOR 

Que pena que o casamento de vocês não vai ser aquele dos sonhos... 

Que pena? 

Que nada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Das várias situações que considero marcantes da minha vida de casado vou confessar apenas uma que considero adequada para o momento.

Aconteceu quando eu e a Claudia tínhamos quatro filhos: já era considerado um exagero para quase todo mundo. Nós, também, estávamos satisfeitos. Mas Deus não!!!! E não é que, devido a um "relaxamento consciente", nos deparamos com a quinta gravidez (e ainda viria a sexta!)? 

Pois bem! Pouco após aquilo que poderia ser visto como um "LIZmão", partimos rapidamente para a "LIZmonada".

Antes mesmo da LIZ nascer (hoje com 11 anos e cujos pais da Gabi, para nossa honra, são os Padrinhos), veio a inspiração para uma obra que tenho também como dádiva de Deus, o livro "O Quinto Filho", do qual extraio uma passagem para o momento de vocês:

"Mesmo que, evidentemente, não estejamos imunes aos medos próprios a tal decisão, ainda mais em tema tão especial como este, ganhamos, ademais, condição de melhor nos adequarmos às tantas situações que planejamos minuciosamente para a nossa vida, mas que, por razões que não comandamos, acontecem de forma muito diferente da nossa vontade". 

Tudo foi planejado minuciosamente para a maior e devida festa para expressar a alegria de todos pela união de vocês...

Mas vai ser diferente! Muitos daqueles que tanto lhes querem bem não estarão presentes por um motivo de "força maior", ou seja, independe da vontade. Farão isso porque, realmente, vivemos tempos difíceis em razão da globalização de um vírus no auge da sua catastrófica existência, havendo forte apelo para se evitar contatos, grande fonte do "invisível" contágio. 

Mas não há como negar que as ausências será um LIZmãozinho para vocês, com certeza! E, Infelizmente, já que toquei no assunto, sou obrigado a confirmar que a vida a dois tem muito disso e com LIZmões bem maiores. Mas, se serve de grande consolo, ao menos posso lhes garantir que se souberem aproveitar, devidamente, farão as melhores LIZmãonadas para a vida de vocês e para as daqueles que tanto lhes querem bem.

Enfim, a minha verdadeira preocupação, nessa dimensão, era apenas com três pessoas: Gabi, Júnior e o Padre! Os verdadeiros protagonistas. Tem, obviamente, aqueles atores coadjuvantes que merecem também um oscar, é claro, e vocês bem sabem! Além de nós, evidentemente, que ajudaríamos a compor o elenco. 

De qualquer forma, no meu caso, indo ou não, me considero parte desse filme e farei questão de assisti-lo, além de me avistar muitas vezes com os atores principais, de quem faço questão do autógrafo. 

Especialmente nessa época em que o casamento, às vezes, vale mais pelo espetáculo, o inadiável sim de vocês, realmente mais ainda me comove e, sem dúvidas, muito melhor os recepciona para o seu verdadeiro, santo e inigualável sentido: DEUS ABENÇOE ESSA UNIÃO! 


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Obrigado, Laís!

  


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OBRIGADO, LAÍS!

Apesar de entender que esporte e escola formam excelente combinação, venho notando que vai ficando cada vez mais difícil adequadamente conciliá-los, quando se trata de priorizar o alto rendimento em ambas as atividades.

Especialmente numa época em que cada atividade invoca uma quase "integralidade" para si, como se mostra a tônica do mundo global.

Embora sendo muito difícil, pois não podemos diminuir o tempo e dedicação necessários à escola, dentre outras atividades próprias à criança, do nosso primeiro até o sexto filho, os direcionamos também ao esporte, assim o fazendo por meio da natação, dos cinco aos dez anos de idade, mediante compromisso de dedicação e disciplina.

Após essa idade, a pretensão é de que sigam suas vidas se dedicando a essa ou outras atividades esportivas, inclusive as que eventualmente possam ter realizado, de forma concomitante com a natação, caso despertado o interesse para tais.

Assim é que além da natação, levando em consideração todos os filhos, praticam ou já praticaram ginástica, vôlei, tênis, futebol (salão, areia e campo) e atletismo, para ficar nas mais regulares. Sem desconsiderar, óbvio, como já mencionado, a necessidade do equilíbrio, especialmente com as atividades escolares, ponto, aliás, que jamais escaparia à marcação da mãe, por sinal, professora! 

Nesse contexto, a Laís é a quarta dos filhos. Chegara aos dez anos e também poderia exercer o "seu direito" de deixar a natação, caso fosse a sua intenção, como foi a dos três primeiros. E ERA!!!

Embora todos tenham se dedicado bastante, tendo evoluído significativamente até então, a diferença é que a Laís, com tal idade, já era federada, alcançando resultados expressivos a nível de ranking nacional de natação, inclusive medalhas no competitivo torneio sudeste da modalidade, enquanto mirim I e II,...

O interessante foi que ganhei o apoio até dos irmãos mais velhos da mesma, que me auxiliaram e à mãe no convencimento para que ficasse mais um ano,... Depois outro,... E assim seguimos até aqui! Fará 15 anos em breve!

Como mencionei, embora possa não parecer, sou fã do equilíbrio no desenvolvimento das atividades. Afora a natural pressão do meio, com a família devendo e podendo exercer importante papel de ambientação e amparo ao filho, entendo, em regra, exagerada a rotina e carga de treinos a que muitas vezes são submetidos crianças e jovens na busca pelos resultados, especialmente em se tratando de esporte de alto rendimento, gerando o que, leigamente chamo de "ambientes sadios de precoce exaustões". 

Sendo naturalmente presumível que um maior volume de treinos, em primeiro momento, enseje melhor rendimento, esse caminho "mais fácil", contudo, além de gerar uma "bola de neve", devido aos ambientes cada vez mais competitivos, em meu sentir, ainda me passa a sensação de que pode auxiliar a mascarar aspectos técnicos, do atleta e/ou do seu "staff", situações que uma vez trabalhadas, eventualmente, poderiam gerar melhoras, porém, envolvendo questões muito mais complexas do que "simplesmente", de forma precoce, ir aumentando exageradamente carga, "dobrando", etc.

Sobre isso, aliás, há algum tempo me dediquei ao escrito "tudo se resume a um ou dois segundos" (publicado neste espaço em 29.08.2016, ilustrado por uma fotografia do grupo do CNRAC, que considero muito marcante), quando a Laís, a propósito, já havia superado a "barreira" dos dez anos".

Não foi nada fácil. Tive que "assinar" (e levar para o professor dela "também subscrever") "um contrato" com a mesma, onde ficavam asseguradas várias condições, porém nada demais se considerarmos a idade, dentre elas: ter tempo para conviver com as amigas, poucos "tiros", alguns "mimos" bem simples, tipo chaveirinhos etc., além de somente três dias de natação.

Felizmente, o Professor Marcos, do CNRAC (Clube pelo qual tenho enorme gratidão e carinho e fiz questão de retratar neste espaço aos 09.04.2016, lembrando do dia 04.08.2015, quando o sexto filho iniciou suas atividades na natação), também assimilou as "exigências", contra tudo e contra todos. Afinal, "era tudo ou nada".

Assim foi até os dias atuais, após a "adequação" e "renovação" anual dos "contratos". Todos, porém, com a característica dos mesmos três dias de treino, dentre outras "exigências" menores. 

Evidente que isso resultou em variadíssimas emoções, as quais, em resumo, têm o grande mérito de terem trazido a Laís até aqui. Isso sem desconsiderar o seu aproveitamento, que mesmo em tais circunstâncias, considera-se interessante, reflexo do enorme potencial no âmbito esportivo, inclusive em outras atividades, embora o foco seja prioritariamente a natação.

Escrevo isso neste momento porque a acompanhei passo a passo, sempre que possível, nas manhãs de terça, quinta e sábado, afora as viagens para sudestes, brasileiros e outras, parte inapagável da história.

Agora, adentrando no ensino médio, nem eu e nem ela tomamos a iniciativa de renovar "formalmente" o "contrato". Por mim, saliento que não é necessário, me comprometendo em continuar a orientá-la nas cláusulas da vida, sempre que conveniente ou necessário. Passa a estudar de manhã (mais as "dobras") e treinar à tarde (três dias, Ozimar?). Eu continuo nas manhãs de terça, quinta e sábado, com a Liz e o Heitor. A propósito, a Liz também já passou dos dez... 

Eram apenas três manhãs de três dias da semana. Mas eu, eles e, com certeza, a natação matinal do Álvares Cabral, sentiremos muito esse início de temporada sem a Laís ao lado, na rotina dos treinos. Faz mal não, no sábado tmj!

Entretanto, não poderia terminar deixando de ressaltar quanto à emblemática marca alcançada naquela que considero a sua principal prova, no treino de sábado, o último antes do início dessa nova rotina. E pensar que foi o segundo semestre inteiro do ano passado à espera, que não aconteceu... Acho que isso quer dizer algo, mas como é impossível saber o quê, vou no sentido de que é a dureza agradecendo pela Laís se dedicar com tanto empenho ao tempero da leveza!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

O tuk tuk chegou! Você sabia?


O TUK TUK CHEGOU! VOCÊ SABIA? 

Como uma mesma notícia tem potencial de ser replicada várias vezes, dependendo do interesse, tomei ciência na data de ontem, através de vários veículos de comunicação, que a partir de hoje, dia 29.01.2020, começa a ser oferecido no país, mais precisamente no município de Vitória, o serviço de transporte através de tuk tuk, veículo esse que tem como base uma motocicleta e é muito comum na Ásia. 

Como principais atrativos, a promessa de que será mais barato do que os atuais serviços disponibilizados pela mesma e gigantesca plataforma digital que o fornecerá, além, óbvio, de mais uma opção de renda para os chamados "motoristas parceiros". 

E geralmente é assim! Surgem da noite para o dia, trazem o brilho próprio da novidade, além dos supostos benefícios que irão proporcionar. Ocorre que se mesmo o melhor remédio tem efeitos colaterais, obviamente, não deve ser descartada tal possibilidade no que concerne a esse tipo de novidade. 

Parece estranho que algo com perspectiva de tamanho impacto na vida de uma cidade, à semelhança de um projeto piloto, com enorme probabilidade de expansão para outras áreas do país, seja amplamente noticiado apenas na véspera do dia em que já irá começar a funcionar, como ao menos parece ter ocorrido no caso presente. 

Como o poder público é o gestor das várias políticas diretamente afetas ao assunto, incumbindo ao mesmo o necessário cuidado antes de avalizar a operação de serviços dessa natureza, espero que o mesmo não se mostre tão surpresado quanto eu, mesmo porque, caso contrário, será aquela velha história de agir, se for o caso de atuação, depois de efeitos concretos já produzidos, o que não é o ideal, daí, quanto antes melhor. 

Enfim, está certo que "o futuro é uma astronave que (apenas) tentamos pilotar", sendo que "nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá". Mas como "o fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar", torço e espero que ao menos tenha pedido licença para "mudar nossa vida", já que o convite já foi feito para, depois, "rir ou chorar".


sábado, 18 de janeiro de 2020

Sim é Sim!



SIM É SIM! 

Como para haver contato tem que haver algum tipo de iniciativa, apesar dos vários anos decorridos, não nego que fui o responsável por tal passo...

Chamei de iniciativa, porém, não depende exclusivamente de mim a interpretação, daí porque tal ação pode ser eventualmente rotulada como "cantada", assédio, dentre outros adjetivos ínsitos ao arrojo, disposição, atitude, determinação, ânimo, energia, enfim, empregados para externar a pretensão.

Assim, fico imaginando se tivesse dado errado! Ou, pior, se ainda der!... Melhor que não tenha. Melhor ainda, se esforçar para que continue não dando. 

Talvez por isso tenha ousado à presente "confissão", já que mesmo depois de decorridos mais de vinte anos, não tenho dúvidas de que não seria tão simples a minha "absolvição"!

Desta forma, especialmente nos confusos tempos modernos, onde há tanta coisa voltada para seduzir, mas pouquíssimas para conquistar, acredito que um dos maiores elementos para tamanha exaltação do "não", seja justamente o tamanho da efemeridade alcançada pelo sim.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

25 anos depois!...

25ANOS DEPOIS!... 
Hoje chego a momento muito importante da maratona que comecei há exatos vinte e cinco anos, embora na inarredável intenção de que se transforme em um "iron man", já que não sei até qual quilômetro irá, pois o pacto feito com a "iron girl", que iniciou e segue passo a passo comigo nessa jornada, é de que iremos até um final que depende exclusivamente do Organizador, cujas regras, prévia e livremente aceitas, importa que sigamos incansavelmente juntos até que eu, ou ela (ou ambos), seja inapelavelmente chamado para o cumprimento de algum outro plano, em desconhecida dimensão. 

Aliás, dimensão que muitos alegam ser melhor do que esta, o que me dá uma curiosidade tremenda, já que, se pudesse, não abriria mão de continuar a corrida terrestre ao lado da parceira por infinitos quilômetros, aonde o Organizador entendesse melhor o lugar, sem precisar chegar, enfim, aquele momento de nos separar... 

Na verdade, no momento em que aceitamos essa empreitada, tínhamos ciência de que ela não é nada fácil, com as dificuldades do percurso aumentando! Por isso, revelo que à medida em que o tempo ia passando, fomos acreditando que nos auxiliaria a força jovem, daí trazendo singelos "recrutinhas" à adesão, importando destacar que foi dessa forma que, iniciando por nós dois, chegamos a três, quatro, cinco, seis, sete, até somarmos oito, dentre maratonistões e maratonistinhas! 

A cada nova adesão, uma história! Não vou aqui relatar as costumeiras dificuldades. Apenas salientar que a alegria é incomparável, pois acreditamos muito na promessa do Organizador no sentido de que esse tipo de adesão seria muito importante para nós e fundamental para os planos Dele, já que a vida é "apenas" uma maratona de revezamento, cujo "bastão" ora está conosco! Assim como ocorreu com os nossos antecessores, dando-nos oportunidade de convivermos, lado a lado, por algum tempo, exatamente para podermos concluir a nossa parte da jornada, com o dever de fazermos, no que depender de nós, o melhor para que o "bastão" possa ser conduzido de forma segura e serena. 

Abro parêntese para destacar mais efusivamente o papel da minha parceira, pois, por maior que possa ser o meu, jamais se compara ao dela nesse processo, ainda mais, em insuficiente resumo, pelas repetidas vezes que fez tudo de novo, em breves "pit stops", desdobrando-se ao sair de cada um deles, sempre com mais e mais mochilas para carregar. 

No fundo, ao iniciamos esta maratona, embora nem eu e nem ela tivéssemos mínima noção de que chegaríamos a tantas adesões, tínhamos certeza de que iríamos longe, até o misterioso quilômetro final, sendo mais exato. 

Para se ter ideia, acreditam que guardamos o convite da "largada" e, agora, vinte e cinco anos depois, utilizamos o verso dele para convidar para este momento!? Inclusive, já aproveitando para chamar à celebração de uma "medalha de ouro", daqui há mais vinte e cinco quilômetros? 

Pois bem! Alguns que me conhecem dirão que isso é devido à minha pão-duragem, que, nesse caso, estaria presente em seu cúmulo!!! Mas não é isso! Alias, aproveito para me defender argumentando que a diferença entre o pão-duro e o econômico é a necessidade e/ou a finalidade! E é firme nessa premissa que asseguro, do alto da minha pequena "rodagem", que o matrimônio é o maior patrimônio que se pode construir durante a existência! 

É nele, a propósito, que fomos inspirados às melhores e mais "valiosas" obras de nossas vidas, extraindo da sociedade anônima em que nascemos a companhia que reciprocamente escolhemos para iniciar e levar adiante a difícil empreitada de transformá-la naquela que deve ser a mais firme das sociedades limitadas existentes. 

Confesso que, às vezes, penso que, "impensadamente", caímos num "conto de fraldas"! É nessas horas que me lembro de benditas pessoas que o Organizador cuidou em delas nos aproximar, amparando este não simples caminhar, às quais, sem favor algum, à falta de adjetivos suficientes para qualificá-las, denomino simplesmente de "Anjos". 

Desta forma, destoando da retumbância que ora tanto se confere ao inverso, até por isso mesmo não raramente sendo confundido com um "pescador de ilusões", vou no sentido de que homem e mulher não são nenhuma antítese mas, sim, a grande tese! Assim como acredito piamente que o casamento deve ser encarado como um grande capítulo de "um livro sem final, sem final, final... Valeu (e vale) à pena, ê ê"!




sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Impressão boa é a que fica!



IMPRESSÃO BOA É A QUE FICA! 

Costumo dizer que os mais velhos devem aprender um pouco mais sobre tecnologia com os mais novos e esses desaprenderem um pouco mais com aqueles, especialmente em tempos em que esse equilíbrio se mostra como fundamental.

Contudo, a tecnologia não é nada democrática, muito pelo contrário: é tão cativamente dominadora que diante de ponderações que visem à reflexão quanto a essa massificação ditatorial, logo encontra voluntarioso exército de neobcecados que, sem qualquer esforço, é capaz de tornar pueril qualquer argumento que tenha a ousadia de desafiar o "pensamento único" impregnado à era do dogma tecnológico.

Nesse contexto, nós, os "velhos", ao invés daquele papel (papel?) de "aprender com os mais novos e ensiná-los a desaprender um pouco conosco", somos arrastados à uma espécie de "alfabestização", sujeitando-nos, não raras vezes, a situações ridículas e vexatórias, caso não consigamos nos aprumar, adequadamente, o mais rápido possível, aos rápidos, largos e incansáveis passos exigíveis para acompanhar o ritmo frenético da "novidadização tecnológica", mesmo porque, claro, a inovação está sempre pronta a obrigar a consumir, palavra de ordem!

Assim é que vi tombarem, mortalmente, várias de minhas indissociáveis companhias e que considero tão caras ao meu agora suposto crescimento, lutando para me adaptar à inconstância programada dos novos relacionamentos.

Sempre gostei de dividir minhas impressões sobre o que considero importante! A impressão que tenho da vida, aliás, muitas vezes se dá, por exemplo, mediante uma poesia ou por um retrato! Acho que sou quase um criminoso por isso, mas, para mim é algo realmente impressionante!

Aliás, já que estamos nessa de crime, ainda bem que existe prescrição! Ou, na pior das hipóteses, o benefício de ser contemplado com pena mais branda, por se tratar de "crime continuado"! Imagine que há quase cinquenta anos, praticamente todos os dias, adquiro exemplar impresso de jornal (só eu: 50 x 365 = 18.250 x o nº de páginas!!!!!) E, pior, sempre estimulei outros a fazerem o mesmo!

Contudo, parece quase certo que em algum lugar do futuro serei afastado, também, dessa companhia, não obstante, desde logo, faça questão de deixar registrado - se necessário (e possível) em papel impresso e assinado - que esse será um ato de violência contra a minha pessoa, aliás, o que expresso apenas por argumentar, pois para os arroubos da modernidade, isso nada parece importar!

Enfim, sei que é muita audácia minha, mas ainda considero muito importante uma boa impressão! E boa impressão mesmo não é aquela que vem e passa, mas a que fica!

Para finalizar, como comecei afirmando que o equilíbrio se mostra como fundamental, para aqueles que não tiverem a oportunidade de alcançarem um impresso deste texto - caso queiram, óbvio - o alcançarão por meio dos recursos tecnológicos disponíveis, graças ao auxílio de uma de minhas filhas, que faz esta parte para mim, não obstante, em contrapartida, faça questão de disponibilizar para a mesma, diariamente, exemplar de "jornal que não se rende".

terça-feira, 30 de julho de 2019

O Sapato Azul!


O SAPATO AZUL! 

  Não sou daqueles que acreditam em fórmulas simples para o triunfo, assim como também não me situo dentre os que o vêem como resultado de mirabolantes equações: fico no meio termo, embora, também, plenamente ciente, aqui sim, acredito, igual a todos, de que oportunidades são iguais às nuvens, ou seja, elas aparecem e desaparecem sem que muitas vezes nos demos conta, talvez passando o dia todo procurando fixamente à frente, quando uma rápida olhadinha para cima poderia no mínimo desanuviar... 

  Tem aquilo que faço. Tem muito que não faço, mas gostaria e ainda posso tentar fazer, assim como o que não faço e não quererei e/ou não poderei fazer. 

  Aliás, faço questão de ressaltar, quanto a isso, que a premissa básica é não partir da errada conjugação do presente do indicativo do verbo fazer: eu fácil, tu fazes,...

  Pois bem! se tem algo que eu tenho certeza de que não farei, mesmo se tiver mais uma centena de anos pela frente, por não ter a mínima vocação, além de outras prioridades, afora a própria estruturação necessária para chegar a tal desiderato, é fabricar sapatos!

  Ora, mas se não tem nada a ver comigo, então porque, raios, todos esses "prolegômenos", para falar de algo tão específico e que não pretendo fazer?

  Por duas razões, a primeira delas trazendo como consequência a segunda: tanto como uma calça e uma camisa, o sapato faz parte de minha indumentária diária. Com relação às camisas e às calças, consigo alcançar uma variedade de cores, mas, quanto aos sapatos, especialmente, no meu caso, os chamados "sociais",...

  Como não sou empresário e nem comerciante, foi na base do empirismo mesmo, mas me dei ao "trabalho" de perguntar a algumas pessoas qual a cor do sapato "social" que mais observava como sendo parte do traje usual: impossível a resposta ser diferente! Procedi, também, a um segundo questionamento: e a segunda cor preponderante? Acredito que dificilmente você também destoará. Já no tocante à terceira e daí por diante,... 

  É ou não é algo como preto, preto, preto, preto, preto, preto, preto, preto,...; marron, marron,...; ????????,... (ainda não está seguro? Digite "imagem de sapato social" na internet e veja o que o "cérebro eletrônico" lhe apresentará a respeito).

  Não me conformo que o azul não povoe os pensamentos, as ruas, as sapatarias e, em último plano, o meu guarda-roupas, já que acho que é uma "questão de honra" (porque não trabalho no ramo, pois se trabalhasse, faria tudo para ser uma questão de "grana") o sapato azul ganhar o seu devido espaço e não só o meu.

  Não consigo entender porque, dentre outras combinações sugeríveis, a minha calça azul com a minha camisa branca, por exemplo, uma das alianças mais comuns da rotina diária, não possa ser complementada com um sapato azul! Impossível que no universo de variações, especialmente os tons mais escuros dessa cor, não sejam considerados dentre os mais discretos e universalmente agradáveis, se é que seja esse o temor dos "difusores da moda".

  Tá bom! Sei que com muito esforço eu consigo chegar a um "belo sapato azul"! É uma pena! Especialmente porque deixando de olhar fixamente para a frente, dando uma rápida olhadinha para cima, vejo muito azul, acreditando que descer um pouco dessa cor pode proporcionar, ao menos, um belo passo à frente!

  Como a racionalidade sugere que razão e paixão não se misturam, é óbvio que este escrito deve ser avaliado com moderação, mas, de qualquer forma, ao menos um par de um belo e acessível sapato social azul, terá comprador certo, acreditando que azulará não somente o meu guarda-roupas, mas, quanto a este consumidor, pelas dificuldades para chegar a esse par ideal, um pouco do próprio coração.


segunda-feira, 29 de julho de 2019

Ah... A Inspiração!

                           
AH... A INSPIRAÇÃO!

  Nestes últimos meses estava um pouco preocupado. Devido aos muitos afazeres não conseguia um tempo para escrever, algo que tanto gosto. Aliás, até poderia roubar um pouquinho do reduzido tempo que dispunha para fazê-lo. Ocorre que o prazer é o que leva à inspiração, assim como essa, em recíproca gentileza, leva ao prazer! 

   Logo, não dá para escrever simplesmente por escrever. Tem que estar inspirado. E para estar inspirado, tem que haver prazer. Assim, ao invés de escrever por escrever, preferi dedicar o pouquíssimo tempo extra que surgia simplesmente para o prazer!

   Não que preciso de algo muito substancial! 

  O sono, por exemplo, para mim, graças a Deus, é um grande prazer! Acho que foi para onde mais dediquei esse tempo roubado da escrita. A propósito, não pense que meu sono passou a ser muito, mas, se passou a ser um pouquinho mais do que era "antigamente", não deixa de ser um acréscimo.

   Como faz ressoar em minha mente o imortal poeta: "quem me dera ao menos uma vez provar que quem tem mais do que precisa ter quase sempre se convence que não tem o bastante, fala demais por não ter nada a dizer".

   Pois é! O mais difícil é provar! Eu, por exemplo, queria mais, mas acho que, dentro do possível, hoje, dormi "quase" o bastante. O suficiente para inspirar-me, ao menos, a este ora egoístico prazer, já que tenho a exata noção de que consegui dizer apenas para mim... Aliás, talvez, no máximo, também para quem tenha dormido bastante,...


quinta-feira, 16 de maio de 2019

Inspire-se: ideias não morrem!


INSPIRE-SE: IDEIAS NÃO MORREM! 

  Minha esposa é a maior incentivadora dos meus escritos. Não sei se é pelo fato dela realmente gostar do que escrevo ou porque, sendo ela uma grande mulher, filha, mãe, profissional, amiga e companheira, tenha receio de que eu acabe diminuindo o tamanho da inspiração que encontro para o meu movimentado dia a dia simplesmente ao me lembrar dela. 

  Certo é que dentre o inestimável apoio que recebo, um deles se dá através de uma repetitiva frase que soa muito forte para mim e que, num sentido poético, é mais ou menos assim: - não importa a velocidade que alcançarão, quem ou quantos lerão, mas as palavras, uma vez soltas, se transformam em domínio público e assim caminharão! 

  Pois bem! 

 Esses dias estava no aprazível balneário de Praia Grande, logo ali, no município de Fundão, e ao comprar os famosos "picolés de itu" para a garotada, após acomodados em uma sacola plástica, para não descongelarem, foram embrulhados em um jornal. 

  Se tratava do querido jornal "A Tribuna", datado de 26.12.2018, onde, no lado externo do embrulho, mais precisamente na página 17, fui logo reconhecendo aquela minha estampa, que "ilustrava" um dos meus artigos publicados no jornal! 

  Caramba! Então é esse o "domínio público"? 

  Fiquei absorto em pensamentos quanto ao fato: como chegou até ali? E depois dali? Embrulho de picolé???!!! Mas poderia ser de peixe, daí "o fim" era imediatamente certo! No caso, fiz algumas rápidas anotações no exemplar e o guardei para em algum momento escrever estas linhas, que já estão gestadas há algum tempo, apenas aguardando a sua oportunidade de "cair no domínio público". 

  E, obviamente, para não perder a oportunidade, li novamente o que escrevera e aproveitei para repassar à "cúmplice inspiradora". 

  Quantos leram? Quantos lerão? Não importa. Foram para o domínio público e jamais morrerão! 

  Os escritos são assim. Após ganharem corpo, alguns duram mais, outros duram menos. Eu, na verdade, acho um crime a forma como alguns são "mortos", tendo, particularmente, conseguido, por circunstâncias do destino, prolongar a vida do exemplar cuja morte eu jamais teria coragem de sentenciar, por motivo de "foro íntimo". 

  Mas a vida deles é dessa forma mesmo: no caso, se tratava de algo até considerado nobre (não para mim!): depois de cumprir a sua função social, estava sendo aproveitado para outra finalidade que, a rigor, não pode ser considerada um desperdício. 

  Contudo, tem o caso daqueles que morrem vítimas de reiterados maus tratos, incendiados, rasgados, defraudados... Quando poderiam ter uma vida bem mais digna e longeva, e é assim que torço. 

  De qualquer forma, por mais depauperado a que possa chegar o estado do corpo, o seu verdadeiro valor está na ideia, esta sim, imorredoura, daí a importância que se deve dar à inspiração, especialmente nesta confusa época em que vivemos, quando ela está muito, muito, fazendo irreparável falta!...


sexta-feira, 29 de março de 2019

Ladrão de ga-linha


LADRÃO DE GA-LINHA 

  Estes dias li em um veículo de comunicação entrevista com um especialista onde consta que o mesmo afirma que prender "ladrão de galinha" não contribui em nada para a segurança pública! 

  Concordo que não resolverá o problema da segurança pública! Porém, prender o "ladrão de galinha", ao menos ajudará a resolver a penosa situação daquele que possui galinhas... Imagine, então, se a minha rotina for ganhar o pão por intermédio das galinhas? Me desculpem os entendidos, mas, por favor, salvem as minhas galinhas! 

  Aliás, tenho outra consideração a ser feita: não prender o "ladrão de galinha" também não contribui em nada para a segurança pública. Então, por favor, tenham pena de mim: salvem as minhas galinhas!!! 

  Não me tachem de egoísta, por favor! Também estou preocupado com a segurança pública e não a minha exclusiva. Estou falando das galinhas porque é a que mais diretamente me aflige. Mas peço, também, se possível (depois das minhas galinhas, óbvio!) por todos os animais. Afinal, os tempos estão tão sombrios que a galinha não mais "reina" sozinha: tão levando de tudo! 

  Eu sei que a responsabilidade é de todos e "cada um tem que fazer a sua parte"! Ocorre que já fiz de tudo que se possa imaginar em termos de criatividade, além, claro, do que o mercado cada vez mais tem para me oferecer. Diria que o meu galinheiro é um dos mais seguros da região... Porém, haja criatividade nesse meio, né!? 

  Volto a dizer que acredito não estar sendo egoísta: eu também acho que essa criatividade toda para me driblar e fazer gol levando frango do meu galinheiro deveria ser canalizada para melhores situações, especialmente por meio de mais oportunidades, já que ser ladrão, no fundo, é uma ocupação de tamanha indignidade que causa dó! 

  Mas, por favor, eu não tenho essa chave! Estou trancado igual a você dentro deste regime aberto onde diariamente nos trombamos, com uma certa margem de liberdade para transitar. A chave que disponho é a do meu galinheiro, a qual, infelizmente, não me serve mais nem para me prender, a salvo, junto às minhas galinhas. Então, por favor, me ajudem: salvem as minhas galinhas!!!!!!! 

  Sei que você está ávido para me questionar sobre porcos - que me desculpem os animais pela ofensa - que vivem se lambuzando ilicitamente em ricas lamas, cujo mal que causam atinge não só ao meu, mas a todos os galinheiros, em uma "fuçada" só! Quanto a mim, afirmo: faço aquilo que considero possível! Só não dá para o meu galinheiro pagar esse pato! Assim, mais uma vez clamo, por favor: Salvem as minhas galinhas!!!!!!!!!! 

  Não é questão de maledicência contra o "ladrão de galinhas"! Só não vejo como possível tanta benevolência com a galinha alheia! Afinal, apesar de não ser o meu caso, conheço vários de galinheiros que já foram visitados uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove,... Mais de dez vezes!!! E "frangueses" que já foram presos em "frangante", em curtíssimo espaço de tempo, uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito,... Quase 70 x 7 vezes! Não obstante,... 

  Outro problema é que tenho a sensação de que isso vai se encorpando! E como!!! Antes, era mais no varejo, porém, a coisa foi aumentando, aumentando, aumentando, ora chegando cada vez mais próximo do atacado (vale, inclusive, o trocadilho!). 

  A propósito, embora o especialista se refira a "ladrão de galinha", acho que é bom modernizar o termo, já que além de dar muito trabalho para limpar a "penosa", o gosto da rapaziada também foi mudando (picanha,...) e diversificando bastante no tempo (será que não estão vendo isso?): além do dinheiro, que nunca deixou de estar "na moda", podemos citar várias outras "bagatelas": tênis, relógios, jóias, bicicletas e, mais recente e insuperavelmente, os celulares! Como tem "ladrão de ga-linhas". 

  Embora acredite que muitos se identificarão com este texto, no fundo, de coração, meu desejo mesmo é alcançar os ladrões de galinha! Não imaginam como lhes quero bem! Vejo com muita tristeza o aumento de pessoas nessa situação e a forma como esse comportamento vai sendo sutilmente justificado, quando, intimamente, é um caminho de muita angústia e sofrimento! 

  Não entre nele! E, se tiver, saia!!! Imediatamente!!!!!! Não espere dos outros e nem culpe ninguém. É você! A revolução é sua! Tenha fé e força! Não terá garantia de nada, salvo de uma maior intimidade com a sua dignidade. A única coisa que, aliás, posso sim, lhe garantir, é que se trata do melhor caminho, no pouco ou no muito, embora torça para que você prospere, especialmente naquilo que dá mais sentido à existência. Verá como isso lhe fará bem! 

  É isso! 

  Mas, para terminar, como não pode ser diferente, não esqueçam do meu fundamental apelo: help, SOS, socorro! Salvem as minhas galinhas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 



segunda-feira, 18 de março de 2019

A vilanização do trabalho



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A VILANIZAÇÃO DO TRABALHO

Ainda que impensável uma política baseada em "emprego sem crescimento", o contrário, fundada em "crescimento sem emprego", também não condiz com a vasta forma como é modernamente explorada, pela direta e indispensável relação que deveria existir entre uma coisa e outra.

Embora o desemprego, segundo a OIT, alcance quase duzentos milhões de pessoas no mundo e empregos precários ou vulneráveis ultrapassem um bilhão, enquanto a globalização cuida em arrastar os países, subtraindo autonomia no que tange à economia, quando se trata de globalizar o antídoto, uma possível vacina, apesar do longo tempo que este futuro, ora presente, infelizmente, se vaticina, seja sob muros, seja sob murros, repele-os cada qual à sua sina, pela qual ninguém assina.

Daí, fato é que vamos assimilando significativo distanciamento de políticas bem próximas: uma espécie de divinização da economia em confronto com a "judascialização" do trabalho.

O trabalho, visto como mero e desprestigiado departamento da economia, é caminhar sinistro, perda de identidade que ora registro, exemplificando-a a própria extinção da condição de ministro.

Como a economia global se preocupa bastante com grandes investidores, por eles, também, batalhão de lobistas nos corredores, afora ilustres outros senhores, como nunca o contraponto do trabalho necessita de firmes apoiadores, aliás, políticas públicas essenciais vão bem além das bolsas de valores.

O trabalho, que já foi escravizado, evoluiu quando das correntes libertado, porém, inegável que, atualmente, perante a economia, é o grande vilanizado.

Evolução que se apregoa é tudo automatizado, enxuto de ser humano, um infeliz desqualificado, como diariamente assim rotulado, aquele que não cabe no perfil estreito do mercado.

Não basta sequer mestrado ou doutorado, quanto mais o pobre desempregado e que não conseguir "empreender" qualquer coisa que lhe garanta ao menos o supermercado, e que engrossará, no fim, o rol dos milhões pelos demais sustentado!

Enfim, alguma coisa está muito errada! Enquanto há anos inúmeros benefícios são exigidos e concedidos aos pilares desse tipo de globalização aqui aportar, como pode o sonho crescente dos indispensáveis jovens brasileiros ser enfrentar rígidas regras de outro

país para poder emigrar, com melhores perspectivas de trabalhar, seguida de remuneração digna para se sustentar?

Nunca se reformou tanto, nunca se disse, sobre direitos, que tanto ainda há para se transformar. Até justiça com nome de trabalho se pretende acabar, nunca sendo tão frágeis, apesar de tudo, mínimas garantias de que isso fará o país melhorar, sequer, não piorar!

No fundo, evidências vão em sentido contrário! A autofágica evolução competitiva apregoada pela economia global se move mediante liberalizado estímulo a todo tipo de mecanismo que diminua o fundamental valor alcançado ao longo do tempo pelo trabalho humano.

Assim, rebaixado a oneroso custo que precisa ser urgentemente enxugado, ações continuarão firmemente voltadas para o ônus que representa o trabalhador, antes mesmo da prioritária obrigação, de imediata ocupação, daqueles milhões de desempregados, cujo contingente, nesse contexto, só aumenta, pois dele se alimenta.

Aliás, ao invés de exercerem o trabalho, contribuindo, inclusive, para custear os pesados encargos sobre a ação, dentre outros da nação, desempregados são fraudados nesse universal direito ínsito à dignidade, que resulta, por sua vez, em incremento da sua vulnerabilidade, não raro, a propósito, objeto de exploração, especialmente em época de eleição!

segunda-feira, 11 de março de 2019



O casamento deve ser igual a um jogo amistoso de final de ano, cujo caráter comemorativo do evento impede que o maior intuito seja vencer o adversário, mas estabelecer a maior confraternização possível com ele, tendo em mente que o empate vai cansar menos e é o melhor resultado para garantir a prorrogação.



quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

O futuro da nação



                                                                       Jovens, bem preparados e sem emprego
O FUTURO DA NAÇÃO 

  As imposições da economia global são tão absurdas que o expoente Banco Mundial, além de sugerir que o salário mínimo brasileiro é elevado, chega à petulância de propor valor menor para os jovens, a pretexto de sua proteção, visando inserção no mercado de trabalho. 

 Caminhos drásticos como esse constam do relatório "competências e empregos: uma agenda para a juventude", amplamente divulgado pela imprensa, invocando-se que "os líderes do Brasil terão de colocar os jovens no centro de uma ambiciosa agenda de reformas relativas a competências e empregos". 

 Embora, infelizmente, tamanha insolência não cause mais tantos espasmos na sociedade, tratada como mero mercado voltado à manifestação cada vez mais austera da soberana vontade e autoridade global sobregoverno do dinheiro, é importante não deixar de refletir sobre a gravidade desse desprestígio juvenil. 

 Frise-se que possuímos normas de incentivo à inserção de jovens no mercado de trabalho, como o programa nacional de estímulo ao primeiro emprego e a lei que dispõe sobre o estágio de estudantes, não se podendo dizer que a contrapartida remuneratória seja elevada, tanto que, não raramente, acabam indevidamente servindo como meio para barateamento de mão-de-obra. 

  Logo, embora importante, não significa sequer que esse primeiro contato com o trabalho irá proporcionar posicionamento no campo do emprego, salvo indisfarçável rotatividade na ocupação por parte dos jovens, tanto que a OIT, recentemente, divulgou que praticamente 30% dos brasileiros com menos de 25 anos estão sem trabalho, liderando estatística mundial nesse quesito. 

  Inclusive, como indica pesquisa recente do IPEA, 44,2% dos jovens com curso superior exercem atividades incompatíveis com a escolaridade e ganham 74% a menos do que o diploma permitiria a eles. 

  Nessa esteira de suprema austeridade sobre o trabalho, as reformas vão se acumulando, impondo lógica da supressora economia mundial como princípio e fim em si mesma, logo, ambientando os mais novos às sombrias perspectivas de ganharem cada vez menos, coagidos pela engrenagem que se fortalece mediante manutenção de uma multidão sem nem ter o que ganhar. 

  Em contrapartida, os "baby boomers" ("explosão de bebês") de outrora, ora chegando à sua fase idosa, ("elderly boomers"), vão se acostumando a um então inimaginável contexto, onde os mais velhos, apesar do número de filhos bem menor, contraditoriamente, via de regra, acabam assumindo papel de provedores por tempo bem maior quanto aos filhos, quando não até dos filhos dos filhos. 

  Enfim, em algum momento, o futuro da nação, então cantado em verso e prosa, parece que foi crescendo e envelhecendo conosco, continuando a ser nós mesmos, até que ultrapassada essa geração, caminhe para a extinção... Ou substituída por robôs, claro! 

  Não é por acaso que os filhos foram transformados em difícil equação econômica, ao passo que a exploração do seu confronto com a nossa liberdade, por exemplo, chegou às raias do absurdo, estabelecendo-se, no fundo, enorme conflito de gerações. 

  Na verdade, o bônus demográfico que o país experimentou, com uma população ativa bem maior do que a inativa, apesar de em grande parte desperdiçado, mascarou fortemente a situação, ora apresentando algumas de suas faturas para pagarmos (reforma da previdência, por exemplo), torcendo que consigamos assimilar os recados, especialmente porque os mais jovens deveriam, se os deixassem como nos deixaram, melhor ajudar a pagar. Mas, antes, têm que receber!



quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Não porventura desventura, mas por ventura aventura



NÃO PORVENTURA DESVENTURA, MAS POR VENTURA AVENTURA 

  Isso se dá no dia 15.11.18, quinta-feira. Estou em Natal acompanhando a filha Laís nos Jogos Escolares da Juventude. Estamos fora de casa desde sábado, dia 10, pois ela, antes, estava em Goiânia, onde participou da terceira e última etapa do Campeonato Brasileiro de Aquathlon. 

  Nesse pouco tempo, contudo, muita coisa pode mudar, como se avolumam os meus compromissos em Vitória, que me induzem a tentar retornar o quanto antes possível. Por volta do meio-dia de hoje se encerra a participação da Laís, cujo retorno, junto à delegação espírito-santense está previsto para a madrugada de sábado. O meu vôo de volta está marcado para amanhã, sexta-feira, dia 16, saindo ao meio-dia até Guarulhos, traslado para o aeroporto de Congonhas e chegada em Vitória às 21:50. 

  Assim, monitorei vôos para fazer alteração. Havia um que saia às 14:30, via Brasília e chegava em Vitória, salvo engano, às 21:50, porém, muito cara a mudança. 

  A outra alternativa, bem mais econômica, seria sair às 18:30, com chegada às 23:00 horas em Guarulhos e daí para Vitória às 5:40 com chegada às 7:20. Ou seja, na melhor das hipóteses, chegaria aos pedaços, mas teria a sexta-feira para afazeres, o que significava muito para mim. 

  E foi dessa forma: embarquei nessa "canoa furada", ou melhor, "vôo furado".... 

  Antes, contudo, consultei bastante sobre maneiras de "sobreviver" da melhor maneira possível a uma noite no aeroporto, mais especificamente no de Guarulhos (encontrei até "manual" a respeito!). As opções que considerei "mais viáveis" eram um hotel com "cubículos", digo, aposentos no próprio interior do aeroporto ou uma aventura de "mochileiro" nas cadeiras ou "vias" do recinto. 

  Como sou otimista, pensei logo no lado bom (e existe?) da (des)aventura(?): afinal, quando é que terei outra "oportunidade" dessas? Uma vida sem histórias é um livro com suas páginas em branco... Vamos preenchê-las, então! 

  Mas não precisava, logo de início, ser tão desalentadora a perspectiva: ao proceder a troca da passagem e fazer o "check in", me recusei a pagar pela "seleção" de assentos, mesmo porque já estava no prazo de 48 (quarenta e oito) horas antes do vôo e entendo que não poderia ser mais cobrado, já que a informação tocante à reserva de assentos é relativa à marcação antes do "check in". 

  De nada adiantaram os meus "protestos" à companhia aérea, embora esteja absolutamente convencido de que o meu entendimento está correto. Não obstante a constatação, no momento, de vários assentos disponíveis, como "punição", o "sorteio aleatório" feito pelo sistema da companhia aérea, me colocou, tanto no primeiro, como no segundo trecho do vôo, na última fileira de assentos, em poltronas não reclináveis, próximo à"cozinha" do avião e com "vista" para o banheiro... 

  Absurda coincidência, não? E em dose dupla!... Comparo tal "sorte" à probabilidade de ganhar na loteria. Acredito, entretanto, que se eu cedesse, alterando os assentos, "coincidentemente", um próximo seria imediatamente "premiado" com os mesmos, e assim sucessivamente. Resolvei, então, deixar para lá... 

  Acontece que o lugar é tão desprestigiado que o casal de idosos, ao meu lado, imediatamente após se acomodar, deu um jeitinho de desaparecer lá para frente, não sei onde, pois não visualizei esses tais lugares. 

  Ao menos o vôo adiantou meia hora e às 22:30 estava em Guarulhos, ainda que, entre descer do avião, embarcar no ônibus e, finalmente, chegar ao saguão, tenha decorrido quase meia hora. 

  Era momento de comer duas de minhas indispensáveis maças, respirar fundo e procurar o melhor lugar para ficar, óbvio, que não me onerasse. Aliás, apenas por curiosidade, fui tentado a conhecer o tal hotel dentro do aeroporto, cujo preço, porém, de uma hora, era o valor de uma diária que paguei em Natal! Tô fora! 

  Entre rumar para a área de embarque a permanecer no saguão, escolhi, inicialmente, a segunda alternativa, já que, se não gostasse, poderia optar mais facilmente pela primeira, do que se procedesse da forma inversa. 

  Sorte, se é que seja essa a palavra, que logo encontrei a pessoa certa, no lugar certo, que me deu uma dica gratuita, porém muito valiosa. Acho até que seja a verdadeira recompensa para quem conseguiu chegar até esta parte da leitura, a título de dica para uma possível situação como a minha no aeroporto de Guarulhos, desde que seja aberto às dificuldades próprias a esse tipo de "aventura", a propósito, "um nada" perante verdadeiras vicissitudes da vida: um simpático rapaz, chamado Nicolas, me mostrou uma escada rolante próxima ao seu "stand" de acessórios para celulares e indicou que as imediações daquela "casa do pão de queijos", no andar superior, era bem tranqüila, pouco freqüentada e, dentre os assentos disponíveis, alguns eram geminados, possibilitando ao ocupante acomodar-se "mais confortavelmente", pois poderia deitar-se. 

  Realmente haviam poucas pessoas e vários assentos. Mas, os "superluxos", com três assentos sem apoio lateral entre eles, estavam ocupados. De qualquer forma, ao invés de um "standard", consegui um "luxo", de dois assentos sem barreira entre eles, mais uma mesinha ao lado, que o transformava em um "superluxo"... 

  Com uma mochila servindo de travesseiro e outra, menor, contendo os pertences de mão, "enroscada" no corpo, ali fiquei, entre celebrados espasmos de sono, até que fui definitivamente "despertado" por um autodenominado professor, que vendia livros de "prevenção ao suicídio", por "qualquer quantia" que a "vítima", digo, pessoa, pudesse contribuir. Não se foi o correto, mas, na circunstância, enquanto alguém estava sendo salvo pelo professor, optei por salvar da morte iminente o meu dinheiro, fingindo que estava dormindo... 

  Depois de toda essa "preparação", a última fileira do avião não mais incomodava nem um pouco, muito pelo contrário: a saudade de casa, o vôo rápido, a possibilidade de realizar um monte de coisas ainda naquele dia, me confirmaram a certeza de que fiz a melhor escolha, que, sinceramente, não desejo fazer de novo, mas farei tantas vezes quanto se mostrarem como melhor (e bem mais barata hehe) opção, com a inigualável vantagem de ter preenchido algumas páginas da minha história de uma forma que considero mais adequada do que se a tivesse deixado passar em branco. Afinal, as nuvens brancas que ora vejo lá fora, facilmente são vistas apenas como nuvens brancas. Entretanto, um pouco de esforço já torna possível, talvez, enxergar brancas nuvens...