segunda-feira, 27 de março de 2017

Fe-LIZ

          
 Fe-LIZ! 

  Hoje, 25.03, a Liz, com 8 anos, estreou como atleta federada do glorioso (calma, gente, não estou falando do meu Botafogo) Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral no 1º Torneio Mirim Petiz 2017 de Natação, na prazerosa sede da AEST, em Manguinhos, município da Serra.

  E deu conta do recado: na categoria Mirim I feminino FORAM QUATRO PRIMEIROS LUGARES E UM SEGUNDO (psiu: tudo bem que só havia adversária na prova em que não venceu, mas isso é um “detalhe” que fica entre nós, hehehe,...).

  O que conta mais, na verdade, penso, é o incentivo aos filhos para fazerem coisas boas (de preferência bem e cada vez melhor, é óbvio!), cujos efeitos vão além de suas possíveis vitórias ou derrotas, como convenceu-me minha “poética” mente de pai, ora também muito feLIZ, é claro!

  Vamos lá: se a Liz não tivesse participado do torneio: 1. deixaria de ser arrecadado, para o necessário custeio, o recurso inerente a cinco inscrições; 2. em uma das provas haveria somente a atleta que competiu com ela e, nas outras quatro em que participou sozinha, não se verificaria nenhuma nadadora. É pouco não é? Mas tem mais: respeitando-se as questões inerentes à sua maturação, evidentemente, o efeito que uma criança causa em um evento dessa natureza é incrível: todo mundo quer tocar, abraçar, elogiar,... Tirar foto!!! É verdade: eu aproveitando a presença da nossa semifinalista olímpica, Daiene Dias, para pedir uma foto dela com a outra filha, a “borboletinha” Laís, e a Liz, ao chegar em casa, “toda toda”, dizendo que uma das “veteranas companheiras” de equipe pediu para tirar foto dela em um dos seus “solitários” pódios...

  Sem contar o estímulo que representa para outros irem pelo mesmo caminho, digo, “pelas mesmas águas”... Muito possivelmente alguns que até a superarão, como ocorreu, aliás, comigo (o que, a rigor, não é tão difícil assim, hehehe), em meus mais de trinta anos de corrida, destacando-se, dentre alguns exemplos que tenho conhecimento, o caso do Rildo, que, certo dia, correndo uma “maratona de revezamento” na equipe formada por mim, ele, o Marcelo e o Fonseca, falou mais ou menos isso: - eu ia para o ponto de ônibus por volta das 5:00 em Jardim Camburi e via você e o Marcelo, praticamente toda semana, passando correndo por lá e dizia para mim mesmo que um dia queria ser igual a vocês e, hoje, alguns anos após, estou aqui, na equipe, junto a vocês (e “aquele” detalhe: correndo mais que nós!)...

  E a Liz, aliás, tem uma especial singularidade, pois foi o parto mais complicado da chamegadíssima mãe, nasceu prematura, permaneceu 15 (quinze) dias na UTIN,... 

  Enfim, é isso: como o futuro a Deus pertence, hoje, a Liz apenas faz questão de responder: - p r e s e n t e!   


sábado, 11 de março de 2017

Neymar, o melhor do mundo!



NEYMAR, O MELHOR DO MUNDO! 

  Era o início da noite desta quarta-feira, 08.03.2017, quando o meu telefone celular tocou. Era o meu filho, Estêvão. Atendi e não entendia o que ele estava falando, muito afobado e efusivo, até que decifrei mais ou menos o seguinte: - pai, o Barcelona conseguiu: 6 a 1. Acabou agora e o Neymar arrasou!!!!

  Eu sou botafoguense. O Estêvão palmeirense. Ambos, contudo, muito fãs do Futebol (maiúsculo mesmo!) esplêndido, envolvente, alegre, atrevido, moleque do Neymar. Logo, embora do outro lado, no PSG, também houvesse brasileiros - para os quais torcemos, mas não nesta oportunidade - acreditávamos que não era impossível para o Barcelona. E não é que de fato aconteceu?!

  Cheguei em casa e tive a oportunidade de assistir à reprise do jogo. Como já sabia o resultado e, de tanto o Estêvão me “informar” quanto aos momentos em que os fatos mais marcantes aconteceram, fiquei ávido pelos “minutos mágicos” que viriam, quase ao término da partida.

  De fato, até os quarenta e dois minutos do segundo tempo, nada de tão diferente assim:  o Barcelona jogando como um grande time que precisava reverter uma vantagem monstruosa, porém, nada além disso. 

  A reprise é uma sacanagem com aqueles que têm que comentar ao vivo: como estava 3 a 1 para o Barcelona, que precisava, nos poucos minutos restantes, de mais 3, você, mesmo que não tenha assistido, consegue imaginar o tom de despedida...

  Para piorar, nos últimos tempos, no que tange a gols, o trio MSN estava mais para MSMSMSMSMSMSN... E, nessa partida, M e S já tinham feito um gol cada.

  Porém, tem coisas que só acontecem com o Botafogo e com o Barcelona, mais com o primeiro, óbvio! Uma falta, aos 42 do segundo tempo e quem bate? Messi, óbvio! Que nada, Neymar! Um gol impossível de ser adjetivado pelo leque de palavras existentes, razão pela qual, para o momento, me abstenho.

  Um pênalti, pouco após, porém, já no “generoso” acréscimo de 5 minutos! Agora, como o fio engrossou e se transformou em uma corrente de esperança, que, a propósito, “é a última que morre”, o Messi, “dono do time”, “batedor oficial”, não titubearia em pegar a bola... O Neymar se adiantou, tomou-a para si e... Gol! Com seriedade, sem uma possível firula, com segurança!

  Por fim, um drible desconcertante do Neymar, levando da perna “boa” para a “ruim” (não para ele, óbvio!), um cruzamento milimétrico, de cavadinha, que o Sergi Roberto não desperdiçou... A odisseia culminou em epopeia! Neymar épico!!!!!!!!!

  Ora, isso é suficiente para dizer que Neymar ultrapassou o grau de MC? Ao menos chegou tão próximo que já mudou a alcunha para MCN (Messi, Cristiano e Neymar)? 

  Eu é que não entro nessa infinita discussão... Apenas, reduzo o tempo de aferição (porque tem que ser um ano?) para dizer que naqueles sete ou oito minutos, o Neymar foi o melhor do mundo. Logo, enquanto ninguém fizer algo ao menos parecido com aquilo, ele continua sendo o melhor do mundo (ou dos mundos, sei lá!).

  O próprio Messi reconheceu isso e passou o trono para o Reymar. Aliás, sem menosprezo à coroa dos “mortais”, trata-se de coisa de quem chegou a uma dimensão ainda superior: abdicou da falta, que, se batesse e não resultasse em gol, não deslustraria em nada o seu currículo, ainda porque, só Deus sabia que o Neymar, batendo, transformaria a obra em impagável pintura; abdicou, em seguida, do pênalti (já tinha feito um gol dessa forma, no jogo, diga-se de passagem), que, inclusive, se resultasse em um muito provável gol, o levaria a ultrapassar o Cristiano Ronaldo, desempatando a disputa de maior artilheiro da UEFA Champions League, em número de pênaltis convertidos...

  Capítulo à parte também para o Técnico Luís Henrique (penso que ele aceita o termo e me dispensa de chamá-lo de Professor): não fez questão de mostrar sua “autoridade” mandando o Neymar entregar a bola para o Messi, seja na falta, seja no pênalti, e por aí vai,... Se eu possuo um exército de gigantes, a minha maior vitória é manter a harmonia entre eles, grande passo para transformar o meu papel em arte e o nosso time em verdadeiro baluarte...

  Quanto ao árbitro e seus assistentes, também eu, confesso, achei que houve muitos equívocos a favor do Barcelona... Porém, como todos eles dependem de interpretação, sairão do campo de futebol e ficarão no campo do “achismo”, para lá (para lá, para lá,...) e para cá! 

  Enfim, embora muita coisa permaneça, para sempre, nesse eterno campo da discussão, o fato é que apesar da grande fartura de gols, qualquer deles a menos faria muita falta para a história, da forma como ela foi e ficará magistralmente escrita... Melhor para o Barcelona e, em especial, para Neymar, aliás, NEYMARRA, hoje, sem dúvidas, o melhor do mundo! 


quinta-feira, 2 de março de 2017

Qual a nota do sisu?


QUAL A NOTA DO SISU? 

  Prestei vestibular há vários anos, porém, nunca deixei de acompanhar com muita atenção o clima acalorado que cerca a divulgação dos resultados, geralmente nos verões, embora os seus importantes reflexos se façam presentes pelas demais primaveras afora.

  Como os jornais são ótimo termômetro, a ponto de lançarem, por vezes, edições extras no decorrer do dia, apenas com o resultado, neste ano, uma vez ocorrida a divulgação, sentindo clima ligeiramente frio para a época, na manhã seguinte constatei o nome dos aprovados apenas em ordem alfabética, sem as costumeiras pontuação e classificação de cada qual, divisão em 1º ou 2º semestres, ampla concorrência ou cotas etc.

  Ora, apesar da histórica tradição quanto a isso, para que quero saber, né? Afinal, importa ao candidato. E ele, mediante senha e número, tem como chegar a tal... O Brasil mudou! E a Ufes, enfim, também se tornou uma universidade “sisuda”. 

  Mudou tudo! Na transição para o atual modelo, de um extremo em que a prova do ENEM, independentemente da pontuação de cada qual, via de regra, servia apenas para classificar ou não para a segunda etapa, com matérias mais afetas à área escolhida, rumou-se para outro em que o primeiro passo decide a situação. Nem tanto, nem tão pouco!

  Agora, geralmente no recôndito de algum lugar, o candidato, sem saber a dos demais, acessa à sua nota e, a partir daí, dá-se início a uma verdadeira odisseia, aonde o mesmo, dentre milhões, vai se movimentando de acordo com a escolha dos outros, com aqueles que se encontram no topo da pirâmide sendo os únicos que gozam de garantias quanto ao curso e ao lugar em que desejam estudar.

  Desta forma, como a escolha do curso é posterior à obtenção da nota, aquela história de “vocação”, disseminada até esse momento da existência, em regra, do jovem estudante, para enorme contingente, vai, agora, mudando diariamente, já que os “excedentes” podem se transformar em “insurgentes”, optando por outro curso, especialmente a partir dos mais disputados, não necessariamente objetivando frequentá-lo, falseando toda a cadeia decorrente. 

  Além de conduzir a um irreal aumento da pontuação dos cursos, acaba se assemelhando a um jogo de difícil estratégia, já que nunca se sabe, efetivamente, quantos levarão a matrícula a efeito, a fim de analisar se vale mais a pena optar por “este curso na mão” ou por “aquele voando”, por exemplo, além da instabilidade geral que ocasiona e protela a “dança das matrículas”.

  Enfim, no aspecto geral, parece estranho que “um Estado que não é Nação” - ao menos para o Legião Urbana - estabeleça uma concorrência de âmbito nacional entre os vestibulandos, que, na essência, desconsidere, infelizmente, desigualdades educacionais existentes entre as diversas Unidades da Federação deste imenso Brasil, a ponto, aliás, da Constituição Federal estabelecer como um dos Objetivos Fundamentais da nossa República (artigo 3º, inciso III), justamente, a redução das desigualdades regionais.

  Entra para o contexto de mudanças que passam a impressão de mais uma lição visando assimilar regras da globalização: retira de âmbitos menores sua capacidade de decisão, faz crer que a evolução é irreversível em unificar a competição, quanto maior menos pior para poucos, esta é a situação! 

  Repare à sua volta e reflita, pois buscar entender é o verdadeiro x da questão!



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Uma dúzia de dez



UMA DÚZIA DE DEZ 

  Saí com propósito de comprar uma dúzia de ovos e, ao voltar para casa, manuseando a embalagem substitutiva da tradicional caixinha, notei que acabara adquirindo dez ao invés de doze unidades do alimento.

  Não obstante as regras protetivas do consumidor em temas desta natureza, são tantas artimanhas modernas visando justificar a prática, que, no caso específico, ainda porque existem exemplos bem mais “camuflados” do que esse, prefiro debitar à minha falta de atenção, embora preocupado em como encontrarei tempo para descobrir tudo que consta nas entrelinhas de cada relação de consumo cotidiana.

  No fundo, nada substitui o princípio da sinceridade, do qual estamos cada vez mais afastados, tanto que ninguém será capaz de me demover da crença de que a “transformação sócio-numérica da embalagem de ovos” objetiva disfarçar aumentos, fazendo com que eu acabe pagando mais, não mediante elevação de preço, para o qual, geralmente, estamos mais atentos, mas, sutilmente, levando menos.

  Na mesma linha da embalagem de ovos, temos o litro que passa a ter 900 ml, a caixa de chocolates que mantém o tamanho, porém, diminui o peso, o produto em “promoção”, mas que antes teve o preço reajustado etc.

  Pode faltar sinceridade, mas não criatividade para justificar sua ausência, agora em universo mais amplo: vai dizer, por exemplo, que nunca ouviu e, talvez, até reste convencido de que a diminuição do tamanho dos apartamentos se deve ao fato das famílias terem reduzido o número de membros? Ora, a dúzia de dez ovos cabe no mesmo raciocínio, não é mesmo? 

 É nesse contexto que a propaganda, por exemplo, de “alma do negócio”, pode se transformar em “arma do negócio”, como cantam os Engenheiros do Hawaii: “no nosso peito bate um alvo muito fácil. Mira à laser. Miragem de consumo”.

  O pior é que dos males que a falta de sinceridade impregnada a relações de consumo pode causar, o que diz respeito a artifícios sorrateiros visando mascarar realidades quanto a preços não é o mais grave, já que grande parte dos produtos adquiridos impactam significativamente na saúde do consumidor.

  Com efeito, é essa ausência de sinceridade que leva a humanidade a ficar literalmente perdida no tocante a efeitos dos alimentos, cada vez mais irrigados, a propósito, por desencontradas pesquisas de várias naturezas, ora dizendo, ora desdizendo sobre impactos proporcionados pela ingestão de produtos largamente consumidos, por exemplo.

  Sem contar alterações que causamos em nossos animais, aqui salientando quanto àqueles que têm a existência quimicamente adoentada para chegarem maiores e mais rapidamente às nossas mesas, proporcionando-nos nenhuma confiança, aliás, quase certeza, quanto à reciprocidade que esse doentio processo, cedo ou tarde, nos causará. 

  É certo que este texto poderia ser melhor digerido se escrito de forma mais doce, talvez optando por letrinhas bem miúdas em alguns momentos, letras grandes em outros, asteriscos que quebrassem as frases, em certas oportunidades, enfim, por embalagem melhor que o produto. 

  Penso, porém, que a realidade nua e crua, muitas vezes, pode causar menos efeitos colaterais quando consumida sem levá-la ao fogo, mesmo assim, com devido cuidado em se averiguar como foi plantada e trabalhada até chegar a você, sem esquecer que, às vezes, ocasionando certos males, caso não desapareçam os sintomas, um especialista deverá ser consultado. 


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Correr não é "somente" saúde


CORRER NÃO É “SOMENTE” SAÚDE 
  

  Muitas pessoas costumam me questionar desde quando e porque corro. 

  Fico meio sem jeito ao desapontar a maioria, já que a opção não se deve a questão de saúde ou para manter a forma. Mas como a prática não deixa de ser saudável, almejando, pretensamente, ser útil, confidencio, aliás, que talvez por fazê-la “desinteressadamente”, é possível que consiga mais resultados nesses aspectos do que muitos que confundem as coisas e se deixam seduzir por apelos estéticos e cosméticos de perfeição, próprios da era atual, escravizando condutas que deveriam, tanto mais quanto possível, partir da naturalidade e adequabilidade de cada um.

  Na verdade, eu corro porque sou da época em que os “pés descalços” imprimiam ritmo naturalmente acelerado na vida. Não iniciei porque isso era importante, mas porque, de alguma forma, surgiu enquanto ainda era muito novo. A propósito, durante o ensino primário, à época, existia forte estímulo do JEMVI (Jogos Estudantis Municipais de Vitória) onde participei de algumas provas de atletismo (era ruim em todos esportes de quadra, diga-se de passagem).

  São vários fatores que contaram até que, efetivamente, comecei a participar de “corridas de rua”, há mais de 25 anos. Gostei! O resto veio por grata consequência, como demonstra a atual importância que se dá à atividade física, com base na proliferação de incontestáveis estudos que, é verdade, realçam os seus benefícios, especialmente no tocante à qualidade de vida. 

  Nesse meio tempo, conheci aquela que se tornou a minha esposa, estando casado há 22 anos, mas como já era amante das corridas, felizmente, ela compreendeu e até valoriza essa relação, onde acredito que todos somos correspondidos. 

  A propósito, como em toda relação, a busca por reinventar-se antes que simplesmente acostumar-se, a fim de que seja para sempre, me fez diminuir um pouco da rotina de provas (um tanto “goumertizadas”, aliás!), sem desistir, contudo, dos prazeres da atividade, diversificada em suas formas, como, por exemplo, num olhar mais apaixonado para os treinos, sob novas e variadas roupagens, por exemplo!

  Caminhando (a rigor, correndo) desta forma, continuo encantado como se fosse num primeiro encontro, embora, às vezes, necessitando de um “terapeuta” para me auxiliar a prosseguir dedicando o meu exigido corpo à paixão. Tanto que, em viagem para prestigiar um dos filhos em campeonato de “beach soccer” (prefiro futebol de areia), em Santos, com a benção da esposa, a maior parte das roupas é a dedicada a essa antiga relação.

  Embora acredite que você tenha alcançado motivos para o título dado a estas linhas, vou dar um exemplo que considero um tanto inusitado de como a corrida foi útil (estou no voo de volta para casa) na minha estada em Santos, podendo servir até de sugestão para os mais “guerreiros” (se não for é melhor não tentar, pois não dará certo!):

  Geralmente, prefiro não fazer reserva de hotel onde há significativa disponibilidade, mapeando, entretanto, previamente, a região, em nenhuma ocasião tendo me arrependido desta opção, embora, naturalmente, como ventilei, tenha que contar com a disposição de um “atleta”, mesmo que seja para uma “boa caminhada”.

   No caso, acabei chegando a um hotel e ao quarto do tamanho das minhas necessidades (inclusive, visualizando, questionando e conferindo, sob todos os ângulos, no local, o que é muito diferente dos meios virtuais), “perto de tudo”, pagando menos da metade do que me sentia sugestionado pelas pesquisas e andanças preliminares que fizera. Tudo bem que o hotel é até mais antigo do que eu, mas se mudar apenas a forma de olhar, pode-se encará-lo como uma “relíquia”, como, a propósito, informa, orgulhosamente, um quadro afixado no local destinado ao café da manhã, que aliás, me conquistou em cheio, por exemplo, com a sua variedade e sabor dos sucos, dos quais, de forma deseducada, diariamente, tomei quase uma jarra (como gosto de apreciá-los depois de uma corrida!):

 

  Sério que tomando aqueles sucos e olhando o quadro - após a corrida, óbvio - me senti no próprio coquetel!

  Pois bem! Mas o exemplo não termina por aqui! Costumo buscar conhecer as redondezas do local onde me hospedo, inclusive constatando possíveis alternativas para almoço e lazer, através de corridas diárias. Como o local, próximo às praças da bandeira e da independência, fica no centro de várias praias, no primeiro dia segui para a direita. No segundo, para a esquerda. No terceiro, para a região mais central do município. Posso lhe garantir que através dessas passadas, pude captar muita coisa ao redor. No quarto dia foi o único em que me dirigi para um ponto específico, o Estádio do Santos Futebol Clube, na Vila Belmiro, embora faça questão de registrar que antes de chegar ao mesmo, pude apreciar várias outros pontos.

  Enfim, é isso! O voo terminou! Estou de volta para minha estimada casa! Mas, diante de incerto amanhã, continuo com a firme ideia de aproveitar a vida correndo! De preferência, sem pressa de visualizar a linha de chegada!






quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Cidades inteligentes e (des) humanas


CIDADES INTELIGENTES E (DES) HUMANAS

  Embora tenhamos a nítida sensação de que o mundo não vai bem, de vez em quando, até para anestesiar um pouco dessa angústia, geralmente através de jogo de palavras que formam uma combinação bem digerível, disseminam-se novos conceitos que antes mesmo de serem compreendidos, se tornam assimilados e desejados, haja vista o viés de modernização imposto para a afirmação de uma sociedade “incansavelmente inovadora”, fundamental à consolidação de um padrão global de consumo “sem raízes”, isto é, onde o conceito de novo está sempre defasado ante à sua própria efemeridade e descartabilidade. 

  Carregando consigo uma sucessiva série dessas “incansáveis transformações”, “para o bem da humanidade”, chegamos, atualmente, a esse portentoso chavão, que é o desejo de todo ser humano, porém, cuja efetividade, à mínima análise, desafia o senso crítico, como nos propomos a refletir, ainda que com a exata noção das dificuldades em confrontar o que, pomposamente, se convencionou denominar: “CIDADES INTELIGENTES E HUMANAS”!

  Conforme motivei, seria ridiculamente estúpido em divergir de uma “cidade inteligente e humana”, fazendo questão de ressaltar, por isso mesmo, que ouso discordar é dessa massificação de termos refinados para “vender belos rótulos de produtos sutilmente enganosos”, torcendo para que você se sinta encorajado a me conceder mais um pouco do seu precioso tempo, com a sequência desta leitura, nem que seja para tentar entender porque alguém se propõe a também dispensar importante parte do seu, para elaborar reflexões desta natureza.

  A modernidade não precisa de discursos, sendo fácil o embevecimento e a adesão massificadores, formando um casamento perfeito com a “evolução”, ainda que os filhos por si gerados estejam crescentemente a descoberto quanto ao mínimo necessário à formação de um ambiente saudável para se viver, contrariamente ao que costumam sugerir a conjugação de termos que usualmente entorpecem o senso comum.

  Pode-se partir da premissa de que tais expressões não têm a pretensão de indicar a realidade em que vivemos, mas a que se tem por objetivo, o que, de qualquer forma, não se coaduna com o modo como se dá a sua disseminação, produzindo uma gama de efeitos, objetivamente, desde o seu início – e aqui está o fundamental - com enorme discrepância entre a afirmação da “cidade inteligente” e da “cidade humana”.

  Eis, então, um grande perigo, pois, uma “cidade humana”, por si mesma, já estará lastreada em algum tipo de inteligência, mesmo a mais primitiva, por se basear em vínculos seguros à condução daquele “aglomerado humano” através dos tempos, enquanto a “cidade inteligente” (a rigor, mais “Intel” e “iGente”) não necessariamente guarda sintonia com uma “cidade humana” (talvez uma cidade #umana) ensejando, dessa forma, extrema cautela ao se avalizar uma coisa pela outra, sem um mínimo de necessárias garantias.

 É nesse contexto que nos encontramos ardorosamente “obcercados” (cercados, obcecados e observados) por todos os lados pelos artefatos que criamos para vivermos, nos rel@cionando, pseudamente, seguros e empoderados, a cliques velozes de distância uns dos outros e de nós mesmos.

  Mais do que a própria família ou um teto, o importante é que todos, do nascer ao morrer - se possível antes e após essas etapas também - estejam digitalmente incluídos, ainda que tenham como única perspectiva de moradia os seus “endereços eletrônicos” no relento do mais humilde dos becos[1], contudo, enquanto “cidadãos do mundo”, virtualmente conectados, por um fio (em breve também sem necessidade dele, pois todos disporão de tecnologia wirelles, como o wi fi) às mais excitantes realidades do mundo. 

  Estando todos interligados pela “inteligência”, não há possibilidade de ir contra, afirmando-se o que se pode considerar uma “sociedade chipada”, o que corresponde, em outras palavras, a uma “sociedade ch@pada”!

  Logo, embora a realidade seja absolutamente destoante, o mundo virtual é o que se afirma como o existente, superpondo-se ao verdadeiro através de poderosas lentes que alteram a qualidade da imagem, “photoshopada”, automaticamente, pelas câmeras impregnadas nas mentes “downloadadas”, em substituição a versões originais das memórias, uma vez submetidas a minuciosas análises laboratoriais, após “recall”, devido às inúmeras imperfeições detectadas como transmitidas e adquiridas no ato do rústico contato da placa-mãe com a placa-pai (a propósito, padrão que a evolução também vem cuidando em constantemente avaliar, inclusive no que tange à “qualidade” dos “produtos” decorrentes desse contato).

  Para a afirmação de uma “cidade inteligente”, evidentemente, faz-se necessária uma população “inteligente”, não é mesmo? Ora, com toda a evolução do parque tecnológico mundial, tornou-se extremamente conveniente e rentável produzir e disseminar a “inteligência artificial”, enquanto, naturalmente, a inteligência humana sofre interferência de vários fatores pessoais e extrapessoais, além de jamais se identificar com a ideia de que seja tal qual um “produto em série”.

  No pacote de “modernidade global” em que fundamentalmente estão inseridas as “cidades inteligentes”, embora a fácil (e frágil para quem se der a exercício de senso crítico) disseminação de que busca a “inclusão de todos”, na verdade, a ideia quanto aos que não conseguem (não os que opõem resistência, vistos apenas como um “perigo”) alcançar o “padrão de inteligência” que lhe permita “ser útil”, é de que são uma espécie de “refugo”[2], termo muito bem explorado em “Vides Desperdiçadas”, por Zygmunt Bauman, para quem, aliás, paradoxalmente, “a expansão global da forma de vida moderna liberou e pôs em movimento quantidades enormes e crescentes de seres humanos destituídos de formas e meios de sobrevivência”. 

  Não obstante, como as “cidades inteligentes” carecem – cada vez mais, evidentemente – de produtos e serviços, ou seja, a base fundamental para a sua afirmação, o mercado cuida em proporcioná-los de forma tão avançadamente avassaladora que se torna quase impossível resistir à sua constante imposição inovativa.

  Ou seja, a margem de liberdade para o administrador público ousar fora do campo que lhe é imposto é quase nula. Aliás, por ele, diuturnamente, agirá o insaciável mercado, readequando, substituindo ou obsoletizando, rapidamente, quaisquer tipos de novidades que de um dia para outro deixarão de ser para dar lugar a outra, “mais aprimorada”.

  A propósito, como o campo é extremamente fértil e o mercado rentável, diria que as transformações na sociedade passam a ser muito mais determinadas pelo que possa surgir dos interesses de uma só grande empresa do que propriamente pela determinação do poder público, em qualquer dos seus âmbitos, daí, inclusive, a forma tresloucada como o mundo se lança à produção de “inovações disruptivas”, ou mesmo às “inclusões digitais”, escamoteando as chagas pelo vácuo deixado cada vez mais no tocante às “inclusões fundamentais” ao ser humano.

  Não à toa, mudando completamente o cenário de outras épocas, as empresas mais valiosas do mundo, passam a ser as que dominam o cada vez mais “inteligente” campo tecnológico, como Google, Apple, Microsoft e Ibm, as quatro entre as quatro primeiras, dentre várias outras, também em expressivas posições, logo abaixo. 

   Com o domínio de tamanha “inteligência”, obviamente, o alcance da massa globalizada se torna exercício capaz de fomentar, incrivelmente, em plena época de gigantesca crise econômica, imensas filas em busca da infinita sequência de gerações de um produto, cujo auge de popularidade não costuma durar sequer o espaço de uma gestação, a fim de dar lugar a outro “mais atualizado”, contribuindo, decisivamente, para incrementar a cada vez mais preocupante geração de lixo eletrônico, a par de manter o ciclo de  satisfação do insaciável desejo em inovações, base para a manutenção ou elevação do “status” alcançado.

 É nesse contexto que, da noite para o dia, é possível inusitar, globalmente, comportamentos humanos, como se viu, recentemente, com a “febre” provocada por uma absolutamente incomum “caçada a pokemon’s”, registrando, atualmente, os termômetros, que a situação recrudesceu, embora, evidentemente, o “vírus” tenha sido incumbado na sociedade, sendo bastante provável que uma forma mais avançada dele ou de outros estejam próximos de provocarem nova epidemia mundial. 
 
  Não obstante, naquilo que efetivamente importa, a “inteligência” não se propõe a globalizar ou aproximar, já que seu molde, lastreado, basicamente, nos mais rígidos princípios econômicos[3] dificilmente possibilita enxergar que, em algum momento, cada vez mais próximo, será absolutamente inócuo continuar a oferecer dois ao preço de um para quem não precisa de nenhum, mas sim alcançar a imensa e crescente massa daqueles que necessitam de dois, aceitam um, mas não tem para nenhum...

  Nessa seara, como não poderia ser diferente, chegamos a ponto da “inteligência” confrontar e sobrepujar, esmagadoramente, as ocupações humanas, de forma que a chamada “4ª Revolução Industrial” (“carinhosamente”, também alcunhada de “indústria 4.0”), tema mais recente do Fórum Econômico Mundial, ter projetado, como fruto das inovações tecnológicas, a criação de dois milhões de empregos nos próximos cinco anos, frente à diminuição de sete virgula um milhões, a resultar no impressionante déficit de cinco virgula um milhões, não obstante costumeiras divagações sobre o humanamente inaceitável, pois não há como maquiar a tirania dos números. 

  Enquanto isso, mesmo diante do claro e desigual “cenário de guerra” pela ocupação dos espaços, os líderes públicos são embevecidos, arrastados, coonestados a aceitarem e, mais que isso, promoverem em tal sentido, tanto que, atualmente, pouca diferença faz quem quer que seja o administrador, dificilmente escapando do “vazio” frente ao que a “superior inteligência” lhe subordina, restando-lhe o lugar comum em assimilar e incrementar o reino das engenhocas a diuturnamente “nos aprumar”, dos quais a infestação de câmeras de videomonitoramento, radares e parquímetros são alguns exemplos. 

  Não se nega que em meio a tudo isso, mediante a gama de produtos voltados para uma efetiva “cidade inteligente”, existem vários aspectos a contrabalançar a visão ora esposada. A questão, obviamente, diz respeito aos interesses que movem cada passo em direção a um mundo onde o aspecto econômico sobrepuja, demasiadamente, qualquer outro, daí decorrendo o fenomenal avanço no campo da “inteligência”, cuja expansão, infelizmente, se mostra muito mais pela necessidade de ampliar mercados do que propriamente à formação de uma cidade “mais humana”.

  Com efeito, a “cidade inteligente”, desprovida de sentimentos, é apenas a consolidação da invasão de produtos “inteligentes”, em todos os âmbitos da vida, convidando-nos, sutilmente, a nos depreciarmos frente à grande capacidade de nossas fabricações em atender-nos em necessidades, de forma bem mais “adequada” que os nossos “descartáveis” semelhantes. 

  Enfim, sob sugestivo rótulo de “soluções inteligentes”, as relações do dia a dia, gradativamente, vão sendo preenchidas por máquinas, diminuindo-se, quando não afastando, sistematicamente, o fator humano, que, inclusive, a título de facilitação de sua missão, vê confrontada suas próprias habilidades e capacidades, desambientando-se a pensar perante tecnologia de ponta que o acomoda a seguir o manual. 

  E como aventa-se, a propósito, que no futuro as máquinas serão quase tão #umanas quanto nós, parece que se a recíproca não for verdadeira, nos tornando tão p@recidos com elas, perderemos, definitivamente, a concorrência! 

  Em contextos como esse é muito sintomático, por exemplo, frases como a da nossa outrora Presidente (ou Presidenta, como gostava) quando, em visita aos Estados Unidos, na sede de uma portentosa empresa, no Vale do Silício, Estado da Califórnia, ao descer de um carro que dirige sozinho: “- acabei de descer do futuro”. Asseverando mais: “É um nível de desenvolvimento que eu não imaginei que houvesse”. [4]

  Ou, apenas para reiterar esse “lugar quase comum” dos agentes políticos, a exposição do Presidente dos Estados Unidos, ao assinar editorial defendendo a evolução dos carros que não precisam de motorista, mediante verdadeira “peróla”, no que tange a nós, seres humanos, tão “rudimentares” em quesitos como “erros” e “decisões”, mas que a “inteligência” auxiliará a “suprir”, desalojando-nos de nós mesmos: “- Atualmente, muitas pessoas morrem no trânsito - 35.200 apenas no último ano – com 94% sendo consequência de erro ou decisões humanas. Veículos automáticos têm o potencial de salvar milhares de vidas a cada ano”.[5].  A propósito, Presidente também erra!   E muito!  Logo,...

  Da forma como se “produz e se consome” inteligência, no mundo, atualmente, fica até difícil imaginar que antes da “era touch screen” a humanidade a tinha com o principal objetivo de “conhecer, compreender e aprender”, como ainda ensinam os velhos dicionários, até que sejam alterados no tocante à sua principal finalidade, qual seja: vender e aguçar avassaladoramente o comprar! 


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[1] como diz Antônio Maria Baggio: “a igualdade no supérfluo esconde a desigualdade no essencial 

[2] “Sempre há um número demasiado deles. “Eles” são os sujeitos dos quais devia haver menos – ou melhor ainda, nenhum. E nunca há um número suficiente de nós. “Nós” são as pessoas das quais devia haver mais” 

[3] (e que, cedo ou tarde, por mais sólida que seja, acabará lhe mostrando a “igonorância” de um mundo a tanto oscilar) 


[5] A Tribuna, Seção “Sobre Rodas”, Vitória-ES, 22.09.2016, p. 12,

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Henriquieto



HENRIQUIETO

  Em plena efervescência do “pensamento único”, tão cultuado pelo mundo globalizado e suas imposições nada despretensiosas, inclusive no que diz respeito à padronização do ser humano enquanto produto mais digerível ao mercado, vale a pena destacar, desnecessariamente para qualquer um que o conhece, que o Henrique Geaquinto Herkenhoff é daqueles caras realmente únicos...

  Para os que não o conhecem, basta exemplificar que embora cargos ardorosamente almejados pela quase totalidade dos profissionais de direito, ele FOI, dentre outros: Procurador e Professor da UFES, Procurador da República e Desembargador Federal. Aliás, também exerceu cargo em alto escalão do governo: Secretário de Estado da Segurança Pública. 

  Hoje, ao que tenho conhecimento, exerce a advocacia e leciona na Universidade de Vila Velha. Porém, como se trata do Henriquieto,... 

  Mas não é só por isso que ele é um desses caras realmente únicos! Contudo, entendo ser o que basta para seguir adiante, ao que realmente leva a estas linhas.

  O fato é que recebi convite para o lançamento de seu novo livro, obra da “Coleção Centenário”: “CLÓVIS BEVILAQUA e o Centenário do Código Civil de 1916”.

  Confesso que o aperitivo proporcionado pelo título não me apeteceu... E, embora se tratando do Henrique, dificilmente me cativaria a dedicar tempo à leitura, salvo se daqueles escritos em letras bem grandes, em poucas páginas, recheadas de imagens,...

  Entretanto, também já escrevi e realizei lançamento de livros. E, embora o tenha como alguém “fora da curva”, como ilustrei acima, tenho certeza da importância que confere ao ato, independentemente da aceitação que tenha ou não, posteriormente, pois aquele momento em que o livro nasce e é apresentado ao mundo, é realmente único!

   A questão é que se trata de uma sexta-feira! À noite! E, no meu caso, o que é mais grave: tenho que atravessar a “terceira ponte”! Para quem a utiliza, ainda mais no “horário de pico”, sabe bem ao que estou me referindo. E, no meu caso, pode acrescentar muito mais, já que, nesse quesito, com relação ao nível de aversão, me considero “desses caras realmente únicos” ou um “fora da curva”,... 

  Tanto que só decidi “aos quarenta e cinco do segundo tempo”, às 18:20, quando cheguei em casa, vindo do trabalho, na Serra. Mesmo assim, teria que me dirigir ao local do evento, em Vila Velha, e de lá sair até às 20:00, para outro compromisso inadiável às 20:30.

   Até tentei, ao máximo, que amigos em comum, o Paulo e o Jefferson, fossem comigo. Porém, o primeiro lecionaria naquela noite a partir das 18:30. O segundo, confirmou que compareceria, porém, às 20:30, já que não poderia ir antes. Pois é, como gosto de refletir, a propósito das bifurcações apresentadas pelo destino: se o local em que você mais encontra conhecidos de um passado distante é em velório ou na seção eleitoral, o que, para muitos, inclusive, representa a mesma coisa, isso significa que vocês precisam reservar mais tempo para se reunirem.

   E é certo que para velório (quase) todo mundo encontra tempo, não é mesmo!?

   Enfim, eu fui! E foi ótimo! Como cheguei um pouco antes do início do evento programado, além de adquirir o livro (gratuitamente, diga-se de passagem) tivemos oportunidade de henriquecedor diálogo. Aliás, inclusive também revi e dialoguei com a Professora Adriana Pereira Campos, a quem sequer avistava, no que tange a mim, a pelo menos um casamento e seis filhos atrás. 

  Por fim, no meio de costumeiras piadas sem um pingo de graça de miinha parte e do Henrique, não pude deixar de lançar-lhe a fatura no sentido de que o fato de revê-lo, diante das circunstâncias, dispensava-me da ida em futuro velório do mesmo, sendo imediatamente retrucado, óbvia, instintiva e defensivamente, que não haveria razão para tal preocupação, porque eu iria primeiro!...

   Como o diálogo terminou assim, sem analisarmos e sopesarmos as reais perspectivas (ou consultarmos as seguradoras, que certamente já tem uma previsão a esse respeito, dentro de sua margem de erro, “um pouco para mais ou para menos”) no fundo, é em razão de situações como essa que gosto muito de escrever. Termina do jeito que eu quero, sem direito a contraditório e ampla defesa.

   Pois é, Henrique! Por essa e por outras é que vale muito a pena estar, fazer e se sentir vivo,...

   Isto enquanto a Coleção Centenário não imortaliza!  

sábado, 19 de novembro de 2016

Nada do que foi será




NADA DO QUE FOI SERÁ

  Existem coisas que só acontecem com o Botafogo... E com a Laís (tá bom, com outros também)!

  Ela é assim: próximo de uma competição, todo cuidado é pouco, já que não raramente o “script” está planejado de uma forma, porém,...

  O ano era 2014, mês de outubro, época do importante torneio sudeste de natação, no Rio de Janeiro, quando, então com 9 anos de idade, iria iniciar a sua participação nesse tipo de evento, na condição de “Mirim I”, representando o Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral. 

  Poucos dias antes, como é dada a certas estripulias, próprias de uma criança alegre e bastante ativa, pulando de uma cama para outra, no seu quarto, tendo calculado mal a distância... Pobre joelho! A pequena “cratera” que se abriu, pouco abaixo da rótula, deixando escorrer aquele filete de líquido vermelho não era nada preocupante para o futuro da atleta, contudo, para aquele evento próximo:...

  Mas, no fim, deu tudo certo: e com duas “suadas” medalhas de prata!

  O ano, agora, era 2015, o mês, igualmente, outubro: duas semanas antes do sudeste de natação (ocorre duas vezes ao ano, revezando-se entre os Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro), desta vez em nosso Espírito Santo (amém!), a Laís participara de um dos mais importantes eventos de corrida de rua do país, seguramente o maior do nosso Estado, a Corrida Garotada.

 Dedicada e bastante versátil, então com 10 anos, tinha possibilidades de alcançar uma boa posição na categoria 10-11 anos. E foi o que conseguiu: o 3º lugar!

 Ocorre que além da premiação respectiva, trouxe (novamente) um dos joelhos “danificado”, com um filete do líquido vermelho um pouco mais evidenciado do que na circunstância do ano anterior, já que, no tumulto inicial, fora empurrada por alguém, vindo a cair.

  O fato realmente marcante é que a queda não a impediu de “se levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”, como relatei no tocante à sua posição, no final da corrida.

 E o tempo até o evento da natação foi exatamente o necessário para que pudesse participar, brilhantemente, do mesmo, inclusive alcançando medalhas  individuais e coletivas, estas inerentes à grande equipe de revezamento (Anna Lúcya, Beatriz, Laís e Tyara), então na condição de “Mirim II”.

  2014, 2015,... E 2016? Outubro, felizmente, passou, o sudeste de natação, também, novamente no Rio de Janeiro. A participação, na condição de petiz I, foi muito boa e, detalhe, não foi precedida dos “sustos” dos anos anteriores, apesar das estripulias e da corrida garotada, onde, aliás, alcançou o 1º lugar na categoria 10-11 anos.

  Estamos em novembro, dia 19, o evento, hoje, é o IV Festival FAC Mirim e Petiz de Natação, no Clube Álvares Cabral. Trata-se do último compromisso oficial do ano. E, seja qual for o evento, a Laís está sempre motivada a boas participações. O grande propósito era o tempo a ser alcançado nos 50 metros livre...

  Desta vez era, pois vai ficar para o ano que vem...

  Não! Não foi nada com o joelho. E, diferentemente das outras situações, não há tempo para nada... É hoje! Estava tudo rigidamente preparado para sairmos às 7:15, aquecimento às 7:30, primeira das quatro provas individuais e dois revezamentos às 8:30,...

 Como de costume, acordei-a às 6:00, levei-a, como gosta, para o quarto onde permaneceria deitada ao lado da mãe até por volta de 6:20... Tudo normal. Às 6:30 desceu a Laís para o lanche matinal (não vou falar café, pois não faz parte) e disse estar sentindo um incômodo na garganta. E era visível uma pequena elevação: no exato momento tive a certeza de que naquele dia seria impossível. Não hesitou a mãe, do alto de sua experiência “honoris causa”, adquirida no trato com os seis filhos: caxumba!

 Imediatamente avisamos aos treinadores Marcos e “Paulista” (promoveremos uma retificação de registro para “Capixaba”). Fomos eu e a Laís ao médico. Por meríssima possibilidade, colocamos os equipamentos da Laís no carro...

  Foi atendida. O diagnóstico só sairia por volta das 10 h, com o resultado do exame de sangue. No momento era 8. Porém, estava clinicamente VETADA!

  Nesse espaço de tempo, como tudo, felizmente, é perto, em nossa querida Vitória, fomos até o Clube. Ela, obviamente, permaneceu no carro enquanto fui falar, pessoalmente, com os técnicos. Retornamos para casa e devido somente à pequena oscilação na quantidade de linfócitos, tivemos um resultado ainda não tão preciso a respeito da caxumba, porém, no que realmente importa, é isso: ela está “DE MOLHO”!

 Há alguns anos, mais precisamente em 2008, quando eu e esposa tivemos a não planejada notícia da gravidez do “quinto filho”, a Liz (a Laís é a quarta), no livro que a situação inspirou, escrevi, no que diz respeito àquele “relaxamento consciente”, fruto de refletida “margem de oportunidade que oferecemos ao destino”: 

“Mesmo que, evidentemente, não estejamos imunes aos medos próprios a tal   decisão, ainda mais em tema tão especial como este, ganhamos,ademais, condição de melhor nos   adequarmos às tantas situações que planejamos minuciosamente para a nossa vida, mas que, por razões que não comandamos, acontecem de forma muito diferente da nossa vontade”.

  Evidente que o fato ora vivenciado é algo muito pequeno! Mas, especialmente para mim, que oriento e participo muito ativamente da vida esportiva dos filhos, é algo que entra nessa... Aliás, como o livro que mencionei acima, este texto já é algo que só existe porque Deus permitiu que hoje fosse diferente! Então, quem sou eu para não procurar fazer o melhor da situação?...

  A propósito, registro que a Laís está bem, embora, “momentaneamente”, tendo apenas como companhia mais próxima a boneca “caxumbira”. E, logo que teve ciência de que estas poucas linhas de sua vida, hoje cedo, seriam escritas de forma diferente, fez apenas duas “doces” considerações a respeito da situação: vou perder o meu “amigo choco”? (não vai estar lá, mas vamos providenciar a entrega e, claro, o recebimento das guloseimas); duas: e como vai ficar o revezamento? 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Corrida da aposentadoria


CORRIDA DA APOSENTADORIA

  Transformemos os quilômetros em anos e nos situaremos em qual fase da corrida da aposentadoria nos encontramos, para melhor noção de quanto chão nos falta visando cruzar a linha de chegada e, oxalá, alcançar o direito à premiação respectiva.

  Mesmo que você não seja adepto das corridas de rua, tratando-se de atividade voluntária, repare que as distâncias menores, entre 5 e 10 quilômetros, atraem muito mais atletas, diminuindo-se, gradativamente, conforme vai aumentando a quilometragem, passando pela meia maratona (21.097,5 metros), maratona (42.195 metros), até as ultramaratonas, cuja metragem inicial alta e sem limite máximo definido, tem tudo para agradar os organizadores da corrida da aposentadoria.

  Está bem, o trabalho não é voluntário, como bem resume Gonzaguinha: “um homem se humilha se castram seu sonho, seu sonho é sua vida e vida é trabalho”!

  Porém, é inegável que a “organização” não pode deixar de levar em consideração que o sucesso da corrida depende, essencialmente, de quantidade e envolvimento dos “atletas”, não se bastando, obviamente, necessária rigidez no regulamento para que os objetivos sejam alcançados.

  Imagine, por exemplo, que alguém tenha percorrido cerca de 35 km de uma maratona, acreditando faltar-lhe 7k195m, quando é avisado, por meio de um megafone, que a linha de chegada ficou 10, 15 ou sei lá quantos quilômetros mais adiante! Engano acreditar que esse “atleta”, via de regra, completará sua nova jornada como se nada houvesse ocorrido!

 Da mesma forma, imagine-se que alguém está iniciando já não a maratona, mas, atualmente, a sua ultramaratona! E ciente de que as regras que hoje existem não serão necessariamente cumpridas, pois principalmente os quilômetros podem aumentar, novamente, em qualquer instante. É incontestável dedução no sentido de que o desenvolvimento da corrida tende a piorar, daí a organização não poder, simplesmente, endurecer ainda mais o regulamento, mas, de alguma maneira, trazer um mínimo de estímulo.

  Parece razoável, por exemplo, que alguém prestes a se aposentar, alcance, antes, direito à diminuição gradativa de sua carga de trabalho, o que, além de introduzir à ruptura, influi positivamente, também, para quem está longe da linha de chegada, porém, mais perto desta escala, que não deixa de ser agradável conquista.

  Leve-se em consideração, ademais, que acentuar rígidas e severas condições para quem já se encontra no sistema, grande parte tendo aderido há anos, ainda adolescente ou jovem, pode ser tarefa menos árdua, contudo, além de elevar grau de insatisfação, não alcança os milhões de potenciais contribuintes que se encontram ou migrem para a informalidade ou, pior, estejam situados na leva de “nem-nem” (nem estudam e nem trabalham) adultos, fenômeno que vem crescendo vertiginosamente em nosso meio.

  Por fim, continuando a meramente ilustrar que impor carga rigidamente excessiva a quem já se encontra na “corrida” é algo muito superficial para problema bem mais dinâmico, vale a pena aventar que, hoje, mais de um milhão de idosos acima de 65 anos, não aposentados, recebem benefício assistencial de um salário mínimo, mensalmente, com o qual, inclusive, grande parte deles, mantém todo seu núcleo familiar...

 Logo, não é relegar esse e outros fundamentais e indispensáveis mínimos existenciais, porém, mirar políticas públicas que não transformem cada vez mais a aspiração à aposentadoria em verdadeira “corrida maluca”.



domingo, 23 de outubro de 2016

A porta do sonho de Débora


A porta do sonho de DÉBORA*


Era uma vez uma garotinha que se chamava Débora e morava num lugarzinho pequeno e tinha um grande sonho. Ela sonhava em ser médica. Todos daquele lugar sabiam que seria muito difícil para ela realizar esse sonho, mas mesmo assim disseram a ela o que deveria fazer.

Ela deveria trilhar um longo caminho até chegar diante de uma enorme porta. Se conseguisse passar por essa porta o seu sonho se realizaria.

Débora não pensou duas vezes e sua família também. Todos resolveram acompanhá-la por esse longo caminho.

No início do caminho, todos estavam muito animados; riam, contavam historias, paravam para descansar...

Com o passar dos dias, o caminho foi ficando difícil, árido, sem graça, empoeirado e cansativo, e nada de Débora e sua família avistarem a porta.

Até pensaram em voltar, mas já haviam caminhado por muito tempo, tanto que nem se deram conta. E quanto mais caminhavam, mais o caminho ia se tornando difícil, cheio de pedras, espinhoso. O papai e mamãe de Débora seguravam em sua mão o tempo todo e sofriam quietinhos com medo de não encontrarem a tal porta dos sonhos. Rezaram, cantaram, choravam, mas estavam certos que era esse o desejo que Débora tinha no coração.

Certa manhã, logo ao despertar para retomar o caminho, os pais de Débora ficaram surpresos com os seus gritos:                                                                                                                                             
Olhem, olhem, lá está à porta dos sonhos! Vamos papai, vamos mamãe, ela existe mesmo!

E Débora toda aflita saiu às pressas, andando sobre as pedras, segurando seu papai e sua mamãe, até chegar diante de uma enorme porta. Tão grande tão grande que não alcançava a fechadura.

E Débora começou a bater na porta. Batia, batia, batia, seus pais a ajudavam e nada! A porta não se abria. As horas foram passando... passando... Débora não parava de bater na porta, até que todos, ali adormeceram.

Quando os pais de Débora acordaram assustados perceberam que ela já estava de pé, batendo na porta entristecida e decepcionada. Os pais de Débora, vendo-a assim, sugeriram que procurassem outra porta ou quem sabe uma janela. Débora notou que próximo à sua porta existiam muitas janelas e resolveu ouvir o papai e a mamãe, porém pendurou um recado na sua porta; “Volto logo!” Conseguiu abrir várias janelas, até se encantou por algumas, mas todo dia Débora voltava e tornava a bater na porta do seu sonho. Todos os dias!!!

 
O tempo foi passando e Débora se ocupando com tudo que as outras janelas lhe proporcionavam e parecia que até havia esquecido da sua “grande porta”. Que nada, ela comprou até uma luneta para espiar sua porta de longe!

Depois de muito tempo, quando todos achavam que Débora tinha desistido do seu sonho, se conformado com outras janelas, seus pais ouviram um forte, forte, mais forte grito vindo de lá mesmo, de onde você está pensando, da grande porta do sonho de Débora.

 
-Abriu, abriu, abriu ! A minha porta se abriu. Papai, mamãe, eu consegui, eu consegui!

 
Todos, todos, todos correram para ver o que muitos já haviam desistido de esperar.
 
Não Débora, ela jamais desistiu!

 
* Escrito pela madrinha CLAUDIA, minha esposa, para nossa afilhada  
                          

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Minha cova, minha morte

   
MINHA COVA, MINHA MORTE! 

  Nasci em uma época em que os cemitérios, assim como várias necessidades essenciais, eram quase que exclusivamente públicos, razão pela qual não havia tanta preocupação assim aonde iriam ser enterrados os mortos. 

  Curioso que apesar disso, também era bem menos comum o tipo de “vida pasmacenta”, digamos assim, esse fenômeno da modernidade em que muitas preocupações que flagrantemente nos dizem respeito, são deixadas por conta dos outros, dessa forma não contribuindo sequer para o próprio sustento, quanto mais se precavendo, por exemplo, como é que serão suportadas - sabe-se lá por quem – as despesas do próprio funeral.

  A verdade é que, atualmente, apesar da grandeza do mundo, diz-se, os espaços estão escassos até para os vivos, quanto mais para os mortos... 

  Então, quando se vai a um cemitério e se vê aqueles jazigos enormes – existem ainda muitos assim - impossível não pensar em uma “reforma mortuária”, não é mesmo? Como é que pode “alguém” ocupar um espaço tão grande enquanto vários outros estão por aí “penando”, sem ter sequer um “dormitoriozinhozinho” para “descansar em paz”? 

  Será que não existe nenhuma alma bendita que seja capaz de editar um decreto “proibindo de morrer” por um bom tempo? Quem sabe, então, alguém um pouco mais engenhoso, ao menos “proibindo ‘determinantemente’ de matar”, o que, em nosso país, certamente, já desafogaria bastante a demanda nos cemitérios?... 

  De qualquer forma, caso você não tenha conhecimento, a preocupação governamental é enorme com relação a esse assunto. E como a iniciativa privada está aí para contribuir e também tentar se virar, principalmente em momentos de crise como o de agora, tomei conhecimento que está no “forno”, um programa que tem tudo para aquecer a economia e auxiliar bastante a resolver o problema.

  Para providenciar a sua “estada definitiva”, cada cidadão pré-morto que se interessar receberá um “bônus cadavérico” (não confundir com o “auxílio funeral”) de R$ 10.000,00 (dez mil reais), dinheiro esse que será repassado diretamente às empresas do ramo, inclusive várias novas que certamente surgirão, proporcionando incremento de “empregos diretos e indiretos”. Aleluia! 

  O mercado de terrenos também restará mais aquecido, com a procura de espaços para ampliar a oferta, sem contar os financiamentos, em longas e “suaves” prestações, para os beneficiários saldarem o restante da dívida para com a sua morte. 

  Tudo bem que os terrenos irão subir bastante; mais uma despesa será significativamente majorada para a população, em geral; para otimizar espaços e atender às novas configurações da “mortandade moderna”, passarão a serem enterrados em pé etc. Porém, o que significa isso diante da grandeza desse programa, capaz de ressuscitar qualquer agente político que se proponha a lançá-lo, efusivamente, óbvio, cercado de recursos financeiros para a necessária “publicidade” do saudável e fenomenal: “MINHA COVA, MINHA MORTE!”?

  Quem não morrer, verá!