domingo, 23 de outubro de 2016

A porta do sonho de Débora


A porta do sonho de DÉBORA*


Era uma vez uma garotinha que se chamava Débora e morava num lugarzinho pequeno e tinha um grande sonho. Ela sonhava em ser médica. Todos daquele lugar sabiam que seria muito difícil para ela realizar esse sonho, mas mesmo assim disseram a ela o que deveria fazer.

Ela deveria trilhar um longo caminho até chegar diante de uma enorme porta. Se conseguisse passar por essa porta o seu sonho se realizaria.

Débora não pensou duas vezes e sua família também. Todos resolveram acompanhá-la por esse longo caminho.

No início do caminho, todos estavam muito animados; riam, contavam historias, paravam para descansar...

Com o passar dos dias, o caminho foi ficando difícil, árido, sem graça, empoeirado e cansativo, e nada de Débora e sua família avistarem a porta.

Até pensaram em voltar, mas já haviam caminhado por muito tempo, tanto que nem se deram conta. E quanto mais caminhavam, mais o caminho ia se tornando difícil, cheio de pedras, espinhoso. O papai e mamãe de Débora seguravam em sua mão o tempo todo e sofriam quietinhos com medo de não encontrarem a tal porta dos sonhos. Rezaram, cantaram, choravam, mas estavam certos que era esse o desejo que Débora tinha no coração.

Certa manhã, logo ao despertar para retomar o caminho, os pais de Débora ficaram surpresos com os seus gritos:                                                                                                                                             
Olhem, olhem, lá está à porta dos sonhos! Vamos papai, vamos mamãe, ela existe mesmo!

E Débora toda aflita saiu às pressas, andando sobre as pedras, segurando seu papai e sua mamãe, até chegar diante de uma enorme porta. Tão grande tão grande que não alcançava a fechadura.

E Débora começou a bater na porta. Batia, batia, batia, seus pais a ajudavam e nada! A porta não se abria. As horas foram passando... passando... Débora não parava de bater na porta, até que todos, ali adormeceram.

Quando os pais de Débora acordaram assustados perceberam que ela já estava de pé, batendo na porta entristecida e decepcionada. Os pais de Débora, vendo-a assim, sugeriram que procurassem outra porta ou quem sabe uma janela. Débora notou que próximo à sua porta existiam muitas janelas e resolveu ouvir o papai e a mamãe, porém pendurou um recado na sua porta; “Volto logo!” Conseguiu abrir várias janelas, até se encantou por algumas, mas todo dia Débora voltava e tornava a bater na porta do seu sonho. Todos os dias!!!

 
O tempo foi passando e Débora se ocupando com tudo que as outras janelas lhe proporcionavam e parecia que até havia esquecido da sua “grande porta”. Que nada, ela comprou até uma luneta para espiar sua porta de longe!

Depois de muito tempo, quando todos achavam que Débora tinha desistido do seu sonho, se conformado com outras janelas, seus pais ouviram um forte, forte, mais forte grito vindo de lá mesmo, de onde você está pensando, da grande porta do sonho de Débora.

 
-Abriu, abriu, abriu ! A minha porta se abriu. Papai, mamãe, eu consegui, eu consegui!

 
Todos, todos, todos correram para ver o que muitos já haviam desistido de esperar.
 
Não Débora, ela jamais desistiu!

 
* Escrito pela madrinha CLAUDIA, minha esposa, para nossa afilhada  
                          

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Minha cova, minha morte

   
MINHA COVA, MINHA MORTE! 

  Nasci em uma época em que os cemitérios, assim como várias necessidades essenciais, eram quase que exclusivamente públicos, razão pela qual não havia tanta preocupação assim aonde iriam ser enterrados os mortos. 

  Curioso que apesar disso, também era bem menos comum o tipo de “vida pasmacenta”, digamos assim, esse fenômeno da modernidade em que muitas preocupações que flagrantemente nos dizem respeito, são deixadas por conta dos outros, dessa forma não contribuindo sequer para o próprio sustento, quanto mais se precavendo, por exemplo, como é que serão suportadas - sabe-se lá por quem – as despesas do próprio funeral.

  A verdade é que, atualmente, apesar da grandeza do mundo, diz-se, os espaços estão escassos até para os vivos, quanto mais para os mortos... 

  Então, quando se vai a um cemitério e se vê aqueles jazigos enormes – existem ainda muitos assim - impossível não pensar em uma “reforma mortuária”, não é mesmo? Como é que pode “alguém” ocupar um espaço tão grande enquanto vários outros estão por aí “penando”, sem ter sequer um “dormitoriozinhozinho” para “descansar em paz”? 

  Será que não existe nenhuma alma bendita que seja capaz de editar um decreto “proibindo de morrer” por um bom tempo? Quem sabe, então, alguém um pouco mais engenhoso, ao menos “proibindo ‘determinantemente’ de matar”, o que, em nosso país, certamente, já desafogaria bastante a demanda nos cemitérios?... 

  De qualquer forma, caso você não tenha conhecimento, a preocupação governamental é enorme com relação a esse assunto. E como a iniciativa privada está aí para contribuir e também tentar se virar, principalmente em momentos de crise como o de agora, tomei conhecimento que está no “forno”, um programa que tem tudo para aquecer a economia e auxiliar bastante a resolver o problema.

  Para providenciar a sua “estada definitiva”, cada cidadão pré-morto que se interessar receberá um “bônus cadavérico” (não confundir com o “auxílio funeral”) de R$ 10.000,00 (dez mil reais), dinheiro esse que será repassado diretamente às empresas do ramo, inclusive várias novas que certamente surgirão, proporcionando incremento de “empregos diretos e indiretos”. Aleluia! 

  O mercado de terrenos também restará mais aquecido, com a procura de espaços para ampliar a oferta, sem contar os financiamentos, em longas e “suaves” prestações, para os beneficiários saldarem o restante da dívida para com a sua morte. 

  Tudo bem que os terrenos irão subir bastante; mais uma despesa será significativamente majorada para a população, em geral; para otimizar espaços e atender às novas configurações da “mortandade moderna”, passarão a serem enterrados em pé etc. Porém, o que significa isso diante da grandeza desse programa, capaz de ressuscitar qualquer agente político que se proponha a lançá-lo, efusivamente, óbvio, cercado de recursos financeiros para a necessária “publicidade” do saudável e fenomenal: “MINHA COVA, MINHA MORTE!”?

  Quem não morrer, verá!

sábado, 24 de setembro de 2016

Laís "Cordeiro de Lima" e Sara "de Coubertin" (contina ação)




LAÍS “CORDEIRO DE LIMA” E SARA “DE COUBERTIN” (continua ação)


  Por ocasião da XIV CORRIDA GAROTADA, aos 16.08.2015, escrevi o texto que deu origem à saga LAÍS “CORDEIRO DE LIMA” e SARA “DE COUBERTIN”, já que, neste ano, agora em razão da XV CORRIDA GAROTADA, realizada aos 17.09, resolvi retornar ao assunto, devido aos fatos ocorridos, em “continua ação”. 

 Naquele primeiro momento, devido a aspectos organizacionais que considero como essenciais para esse desdobramento, a Laís caiu, “se relepou”, “levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima”, chegando em terceiro lugar, recebendo generosa premiação (par de patins, par de tênis, short, camiseta, troféu, toalha, meia soquete e chocolates).

  Já a Sara, mais precavida, na linha de largada, cada vez que ia sendo espremida, chegava mais para trás, situação que considerei fundamental para que chegasse em quarto lugar (posição “carinhosamente” conhecida como a de “primeiro dos últimos”, já que lidera o pódio dos que não recebem premiação), o que, incrivelmente, não abalou a Sara, devido ao seu invejável espírito altruísta. 

  Neste ano, diga-se de passagem, sob meu ponto de vista, a organização esteve bem melhor: categorias 10-11 e 12-13 correram separadamente e em mais baterias; o “funil”, dividindo a pista em duas (ida e volta) pouco depois da largada, passou para mais adiante, diminuindo-se as chances de queda no local - como ocorrera com a Laís. E, dentre outros aspectos, a Organização se mostrou sensível a ouvir ponderações, tendo certeza que dentre algumas absurdamente infundadas, sempre existe a possibilidade de algo que busque acrescentar ao evento, ou seja, construtivamente. 

   Foi nesse clima que dentre as dezenas de participantes a Laís alcançou o primeiro lugar, a Sara o quinto, embora, sob meu ponto de vista (corroborado pelos tempos bem próximos, em treinamentos) o formato da prova, definitivamente, não combine com a prevenida Sara, cuja primeira e não reprovável preocupação, é evitar se machucar, enquanto a Laís,...

  Somos eu, esposa e seis filhos. Todos presentes e envolvidos de alguma forma. Seja como eu, por exemplo, deixando de participar da corrida “Garoto-não-tão-garoto” assim; a esposa, muito envolvida com uma boa logística; alguns filhos acordando mais cedo, deixando outros afazeres etc. Acima de tudo, foi a família que correu com as duas. Logo,... A premiação é de todos, não é Laís?!...

  É isso! Embora o atletismo não seja o principal foco esportivo das duas, não desisto de incentivá-las, chegando a resultados que para nós são expressivos, especialmente diante do AMAdorismo com que são alcançados!

  E é por isso mesmo que fica mais difícil prever se haverá próximos capítulos, mesmo porque, só é bom se trouxer felicidade, essa que é a essência para tudo que se faz na vida. 

   E, finalmente, como no primeiro capítulo, as duas campeãs estão de parabéns!


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Enfim? Chegou!



ENFIM? CHEGOU!
 

   No dia 13.09.2016, enfim?, chegou à Vitória, o Uber!

  Em escrito recente, sob título “sua alteza, o robô”, publicado no jornal “A Tribuna”, de 03.02.2016, abordei, de passagem, sobre o referido aplicativo, algumas implicações na profissão dos taxistas, dentre outros aspectos, inclusive, a vulnerabilidade a que exposto o destinatário do serviço, conforme “termos de uso” constante do sítio eletrônico da empresa (https://www.uber.com/pt/legal/bra/terms).

  Posteriormente, aos 06.03.2016, sob título “ponto para os aplicativos”: discorri: “(...) Inclusive, com a fragilidade inerente às relações interpessoais, modernamente, o ambiente se torna extremamente instável, valendo ilustrar que enquanto os taxistas se unem contra motoristas que prestam seus serviços por meio do uber, por outro lado, muitas vezes, se digladiam, entre si, quando se trata de aplicativos que permitem acionar o táxi mais próximo, desconsiderando, por exemplo, o respeito a normas de organização territorial. Isso, obviamente, enquanto todos eles não se veem atingidos, de alguma forma, diante dos avançados estudos patrocinados por gigantes da tecnologia, situadas dentre as mais ricas empresas do cenário mundial, visando alcançar objetivo tenazmente perseguido nesse campo, que é a implantação de automóvel tão “inteligente” que dispensa qualquer profissional para a sua condução. A propósito, diante de tantas reais necessidades que o avançado estágio tecnológico poderia auxiliar a suprir, parece absurdo que a humanidade ainda não tenha despertado para determinados objetivos e impactos de uma gama dessas inovações, notadamente no campo dos empregos (...).”  
 
  Fiz algumas outras considerações! Porém, não é que no tocante mais especificamente às discorridas no parágrafo acima, hoje, dia 14, um dia após o início dos serviços em Vitória, leio que a mesma empresa iniciou em Pittsburgh, no estado da Pensilvânia, um serviço de corrida de carros sem motoristas...

  No (muito) mais, quem viver verá! 
 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Caçando pitangas



                
CAÇANDO PITANGAS

  Nunca pensei que um dia iria escrever sobre qualquer assunto cujo título, voltado ao objeto central do texto, fosse esse: caçar!

  Mas é que, atualmente, esse negócio está uma verdadeira febre! Então,...

  Não!... Não vá correndo chamar o Ibama ou a Polícia Ambiental, pois não estou me referindo àquela proibida caça de animais, mesmo porque, quanto a essa, a propósito, não sei como anda, embora, lamentável e indisfarçavelmente, venha percebendo a gradativa diminuição das áreas destinadas ao seu “habitat natural”, projetando que as “áreas de reservas”, no futuro, acabem se transformando quase que numa “Arca de Noé”,...

  Aliás, será que neste país que tem lei para tudo, a caça daquele, daquele, daquele... “serzinho”(?), que tanto alvoroço tem causado, não poderia, também, entrar no rol de ilegal???

  Bem, o certo é que me dá uma vontade louca de mandar muita gente “caçar um trabalho”, como diziam os antigos. Ah, mas isso é coisa um pouco ultrapassada, né?

  Na verdade, atualmente, poderiam até pensar que eu estou caçoando com este negócio de caçar, já que diferentemente daquilo que estão tão sofregamente procurando e encontrando em todo lugar, o trabalho está “raro” de encontrar, de tal forma que haverá imensa fila se em algum lugar ele ousar proporcionar a mínima possibilidade de se deixar pegar...

 Logo, como é muita gente sem o essencial para a vida levar, é melhor fomentar superficialidades facilmente acessíveis a todos, de preferência com o mínimo de esforço para pensar.

  Dessa forma, ao ver aquelas pitangueiras produzindo, pela cidade, em vários e belos locais acessíveis ao público, chego a sentir-me quase um constrangido criminoso ao pretender disseminar a ideia de sugerir junto à caça daqueles, daqueles, daqueles... serzinhos (?) que se aproveite a oportunidade para caçar uns desses frutinhos, seja para chupar, um saboroso suco preparar, ou, simplesmente, frutificar,...


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Tudo se resume a um ou dois segundos

    
TUDO SE RESUME A UM OU DOIS SEGUNDOS

  Fim da excelente XII Copa Minas de Natação e cá estamos nós, cabralistas da natação, de volta ao nosso querido Espírito Santo. Amém!

  Mesmo se não chegamos todos à vitória, com certeza, somos os que estamos mais perto dela: Cariacica, Serra, Vila Velha, Viana,...

  Brincadeirinha! Só para diminuir a tensão que muitas vezes paira quanto ao tema, que é sério, porém, não deveria ser tamanho assim.

  A propósito, quanto a isso, tudo se resume a um ou dois segundos...

  Tá bom: às vezes um pouco mais! Porém, não se descarte que, em outras oportunidades, é até um pouco menos...

  A Laís mesmo, em uma das provas de etapa do sudeste, chegou em quarto lugar, a um centésimo da terceira. Em outra, compartilhou o primeiro lugar, rigorosamente empatada. E, aproveitando para “criativizar”, explorando lado bom, digo que isso é coisa pra gente grande, tipo Michael Phelps, Chad Le Clos e Laszlo Cseh, triplamente empatados em uma prova da recente Olímpiada (lembra?), porém, em segundo lugar (hehehe. Caramba, Joseph schooling, que isso, hein?!)

  O problema então é: como chegar a esse um ou dois (ou um pouquinho mais, né?) segundos? 

  Primeiramente, é preciso relaxar: afinal, se fosse tão bom assim, não seriam segundos, seriam primeiros!!!!

  Brincadeirinha de novo! Tem uma série de fatores, dos quais destaco: o atleta, a estrutura técnica e o tempo. 

  O aspecto mais fácil é com relação ao tempo, já que é o único objetivamente mensurável (e sem direito de defesa e de ficar bravo com a gente), daí o enorme contributo que esse fator vem proporcionando para a criação de “ambientes sadios de precoces exaustões”, digamos assim, a carga imposta especialmente às gerações mais recentes para tentar alcançar a “glória”, essa que vai cada vez mais se inserindo em contexto de “grande negócio”, capaz de movimentar cifras estratosféricas mundo afora, haja vista o apelo proporcionado pela “indústria do esporte”, obviamente, com todas as consequências que o forte viés econômico implica. 

  Com relação aos outros aspectos, ciente da difícil realidade do clube do qual honrosamente sou sócio, prefiro destacar, através desta competição, resumindo tudo o que leva a isso, o inigualável “calor” proporcionado a seus atletas (me desculpem os demais clubes, mas ficou nítido na arquibancada), seja enquanto nadando ou logo após a prova, do “risonho” ao “choroso”, pois é momento em que mais e melhor precisam ser recebidos e estimulados, se não for possível aquele incomparável colo, às vezes. 

  Quanto aos atletas, é óbvio que devem trabalhar e se dedicar ao máximo para melhorarem seus resultados, alcançando um, dois ou sejam lá quantos segundos almejarem. Seja por exigência própria e/ou dos terceiros (indispensáveis. Contudo, não são os primeiros, que é você, se é que me entende, caso contrário, pergunte a um terceiro!). E, mesmo assim, ciente de que os “adversários” também estão fazendo o mesmo! Além disso, muito conscientes de que quanto mais se avança, mais difícil vai ficando avançar, afora a importante consideração de que somos indivíduos fantasticamente diferentes, com respostas diversas aos estímulos, por mais igualitários que eventualmente possam ser transmitidos!!! 

  Enfim, estão de parabéns! Não é para qualquer um estar no lugar de vocês! Contudo, não deixem de ser gratos a quem lhes proporciona essa oportunidade, mesmo que você, eventualmente, não consiga enxergar os benefícios que estão sendo alcançados para toda a sua vida.[1]

  A nós, pais, avós, irmãos, tios, demais parentes, amigos, enfim: o objetivo são eles e não nós, que, obviamente, nos realizamos através deles. Sejamos os primeiros (e não os segundos, terceiros ou últimos) a verificar o que podemos fazer para melhorar um ou mais segundos na nossa importante missão. No fundo, é o objetivo mais fácil de alcançar, pois é o único que só depende de cada um de nós, sem a temível concorrência.




[1] A propósito desses benefícios, vide a crônica postada abaixo, aos 09.04.2016, sob título “Álvares Cabral”

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Jornada nas estrelas

 

JORNADA NAS ESTRELAS 
(mas que também poderia ser chamada de “CAMISA DA FAMA”)

  A formação de uma família é algo que considero tão gratificantemente incomparável que, hoje, 14.08.2016, dia dos pais, a possibilidade de ser um deles, sinceramente, é o retorno verdadeiro e indelével, que me realiza completamente, para o sempre, amém.

 Resolvo partilhar essa alegria pois a pressão sobre a família é tão grande que ela vai sendo enterrada, gradativamente, felizes, portanto, os que se dedicam a descobrir a riqueza que significa a dureza de desenterrar esse tesouro, necessitando de mãos firmes, coesas e vigorosas, já que o segredo desse enigmático mapa é cheio de pistas falsas e divisoras de esforços que, em sentido absolutamente diverso, deveriam somar-se.

  Logo, o caminho não é nada fácil, repleto de desafios, razão pela qual, para quem ainda nele não adentrou, somente o recomendo para os corajosos, dispostos a enfrentar não apenas mais uma dentre outras jornadas, mas uma verdadeira “jornada nas estrelas”, já que a viagem é extremamente longa e desgastante, porém, incomparavelmente bela e necessária para quem não consegue imaginar um céu desprovido das mesmas.

  Como toda viagem, ainda mais essa, deve ser bem planejada, o que, aliás, me fez refletir bastante ao lado de minha “copiloto”, antes mesmo de nossa decisão de embarcá-los, um a um, na inigualável nave-mãe, durante os seus primeiros meses de vivência.

  A propósito, antecedente a isso, fizemos um pacto que nos tranquiliza e dá certeza de que mesmo se algum de nós sofrer algum “defeito irreparável”, que nenhuma “oficina” ou “mecânico” dê jeito, o outro fará o impossível para levá-los ao único que oferece a “garantia estendida”, que foi, a rigor, o que nos convenceu a embarcar nessa incomparável aventura.

  Pois bem! Já que não vou me dedicar a enumerar as dificuldades que naturalmente se enfrenta na condução, para que não acreditem, falsamente, que no caminho “só se visualizam flores”, não vou, também, revelar as gratas surpresas que me foram preparadas pelos “passageiros” e pela “copiloto” para o “dia dos pais”, salvo uma que para mim teve um significado tão profundo que me levou a não caber dentro de mim, daí estas linhas.

  Ganhei uma camisa branca, extremamente simples, adquirida pela copiloto e que foi decorada pelo formato de uma das mãos besuntadas em tinta de cada um dos seis filhos, cujas impressões digitais desiguais sugerem a exclusividade de vários universos distintos, ainda que vinculados a um duplo liame gerador indissolúvel.

  Desta forma, para mim, se trata de uma verdadeira e exclusiva “camisa da fama”, algo que partilho de forma simbólica com os que se dedicam à dureza e beleza da “jornada nas estrelas”, esta que, infelizmente, resta um tanto diminuída devido à espetacularização da “guerra nas estrelas”, o chocante cada vez mais ofuscando o singelo em nossas vidas e, o pior, na de nossos filhos.     


sexta-feira, 29 de julho de 2016

Filhos são para sempre

  
FILHOS SÃO PARA SEMPRE 


  Todos já ouvimos falar de ex-esposa e ex-marido, aliás, diga-se de passagem, de forma cada vez mais frequente... Porém, não é muito comum a expressão ex-filho, embora, infelizmente, na prática, ela se mostre, também, bastante presente!

  Se a maioridade dos filhos resulta na extinção do poder familiar dos pais, ainda assim, obviamente, não se perde a condição de filho... Contudo, situações excepcionais, através de procedimento próprio, podem levar à perda do poder familiar, em razão da gravidade da conduta dos pais, possibilitando, inclusive, adoção do filho por terceiros, que se tornam seus genitores, para todos efeitos legais.

  Existem, também, os que fogem até do fundamental registro, não raramente escorados na resistente comodidade da negativa, sob alegação de dúvida quanto à paternidade, o que, a rigor, diante da inquietante possibilidade, deveria ocasionar, ao contrário, iniciativa para dirimi-la, tão simples ficou o exame de dna.

 Sob esse propósito, aliás, o poder público, através de vários órgãos, tem estimulado fortemente o reconhecimento voluntário de paternidade em casos de registros de nascimento só com maternidade estabelecida, o que tem gerado impacto bem significativo. 

 Todavia, ao revés, situação que tem se tornado muito comum, na esteira da superficialidade das uniões, é a figura do “pai de ocasião” ou da “rotatividade paterna”, “hoje sim, amanhã não mais”, inclusive com crescente demanda de ações negatórias de paternidade ou anulatórias de registro, tempos depois, bastante comum argumento de engano e necessidade de “dirimir dúvidas”, apesar das enormes consequências na vida de todos, especialmente na dos filhos. 

  Por isso, mesmo diante de exame de dna negativo, a alteração do registro, para exclusão ou mudança quanto à filiação, não tem se mostrado tão simples, levando-se em consideração, frequentemente, também, a paternidade sócio-afetiva, isto é, os vínculos estabelecidos.

 Mesmo se esses elementos forem frágeis, não se deve deixar de considerar a dependência econômica criada, já que o desejo de qualquer dos genitores deve ser avaliado, sempre, tendo em vista, primeiramente, os interesses do menor, parte mais frágil, delicada e ingênua, já que todos os atos são levados a efeito no registro civil sem a sua participação. 

 Enfim, o direito não pode funcionar como instrumento de consagração de fugazes interesses em tema de tamanha relevância e responsabilidade, como tem ocorrido, ante a interpretações que vem diminuindo a própria segurança inerente aos registros.

  Na verdade, em época que tais situações eram bem menos frequentes, o legislador se preocupou em definir como crime, o “registro como seu de filho de outrem”, sob péssima alcunha de “adoção à brasileira”.

  Isso demonstra que não é incomum o registro para atender a interesses próprios, sendo curiosa a constatação de que possível sanção já não inibe tanto, pois a pretensão de alteração do registro, em tese, importa na confissão quanto ao crime, tão importante o interesse do menor no contexto, que a própria norma ressalva que o Juiz poderá deixar de aplicar a pena “se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza”: motivo nobre, obviamente, o filho!

 De qualquer forma, entende-se que raramente se deve afastar, judicialmente, as responsabilidades paternas no caso concreto, nem que se as aplique como “pai adotivo” que, no mínimo, aceitou ser, sendo que a adoção é igualmente irretratável.


domingo, 10 de julho de 2016



A LIBERDADE chega à sua plenitude quando se transforma em uma DEMOCRACIA de DITADURAS  i n d i v i d u a i s



terça-feira, 21 de junho de 2016



Imagine se no quilômetro trinta e cinco de uma maratona (quarenta e dois quilômetros, cento e noventa e cinco metros), o organizador, através de um megafone, avisasse a você que a distância mudou para cinquenta quilômetros? Refletiu???? Pois bem! É bom você, que está em algum lugar desse caminho, pensar como fará para alcançar a linha de chegada, pois os quilômetros percorridos não estão importando muito para a organização da maratona cujo troféu é a aposentadoria...


sábado, 4 de junho de 2016

Tratamento de choque



              TRATAMENTO DE CHOQUE


   Consta que o choque elétrico é método de tortura que atormentou a humanidade ao longo dos tempos, embora, infelizmente, de vez em quando se tenha notícia de casos que ainda ocorrem, demonstrando que essa prática, dentre outras igualmente insidiosas, ainda não foi completamente extirpada, apesar da vigília e apelos das comunidades nacional e internacional em sentido oposto.

  É verdade que o cotidiano, assim como se nos apresenta, atualmente, de formas difusamente variadas, acaba por se incumbir em ser um desses instrumentos de crueldade, já que está muito propenso a nos chocar, constantemente, emitindo descargas tão intensas que não raramente se presta a recarregar-se consumindo altas doses de nossas energias.

   Por isso, muitas vezes, quando não suficientemente capazes de aguentar esses choques de realidade que surgem como fios desencapados em nosso caminho, acabamos mesmo é entrando em estado de choque... 

   A propósito, só isso - a rigor, nem isso, penso eu – para explicar situações em que v-o-l-u-n-t-a-r-i-a-m-e-n-t-e nos submetemos a choques, pagando por isso (?!), para tentarmos refrear uma possível compulsão pelos gastos, isso sim, acredito, capaz de levar a verdadeiro choque cardiogênico, hipovolêmico, econonêmico,...

  Porém, acreditem: noticia-se, amplamente, que uma empresa de tecnologia britânica lançou a primeira plataforma bancária ligada a objetos conectados no mundo, pomposamente alcunhada de “banco da internet das coisas”, como nominado no Reino Unido, capaz de detectar automaticamente gastos em excesso, submetendo a choque elétrico o usuário, através de uma pulseira...

   O próprio usuário define limite mínimo de saldo no banco e, próximo de chegar a esse valor, recebe mensagem no celular (não consigo deixar de lembrar do “alerta” ao administrador público perante a Lei de Responsabilidade Fiscal). Caso não respeite o limite, advém choque de 225 volts para que não ceda à tentação de comprar (no caso da nossa Lei de Responsabilidade Fiscal, é possível que vários “mártires” morreriam eletrocutados)... 

   Difunde-se que o objetivo é ir “treinando o cérebro” para controlar melhor os gastos...

  Como, naturalmente, isso custa dinheiro, se a vítima, digo, consumidor, espontaneamente, comprar uma porcaria destas para habilitar-se a se submeter a sessões de tortura, é porque, certamente, já comprou um monte de outras baboseiras que infestam o nosso mundo contemporâneo, doidas para captarem nossa grana a qualquer custo, razão pela qual sugiro apenas é ir “treinando o cérebro” para ser mais atento e observador quanto a essas sedutoras armadilhas, caso contrário o otário - no caso é otário mesmo - passará a vida inteira em choque, até o dia de ser formalmente fulminado.

   E é óbvio que tão envolvido com essas maravilhas da modernidade, não terá sequer se preocupado, dentre tantas outras, com as despesas que serão suportadas - sabe-se lá por quem - quanto ao seu funeral... 

domingo, 1 de maio de 2016

A crise e a cerveja



A CRISE E A CERVEJA


  Acredito que o mundo inteiro, no momento, está com as atenções voltadas para a Venezuela.

  Até a questão envolvendo o “impeachment”, no Brasil, creio, para muitos, perde em impacto para a notícia de que a produção de cerveja foi paralisada naquele país.

  Imagina se isso acontece aqui!...

  Tenho dúvida se as manifestações pró-gole não iriam ser as maiores que este país já enfrentou. 

  Por lá se comenta que a suspensão da produção irá afetar cerca de dez mil empregos diretos e trezentos mil indiretos. 

  Por aqui, no geral, estamos na casa dos onze milhões de desempregados. E como hoje, 1º de maio, é o Dia Internacional do Trabalho e convivemos tão resignadamente com caos tamanho assim, penso que, efetivamente, não seria esse o fator de nossa grande preocupação.

  Mas a cervejinha gelada,...

  Inclusive, tomei conhecimento através de fonte político-econômica cevadíssima quanto à preocupação que o assunto tem causado no meio, pois poderia ser utilizado como ardil, mas, por enquanto, ao menos neste aspecto, acredita não haver o que temer...

 Imagina a alteração que ocasionaria no tempero e na digestão dos tradicionais churrascos, cujo prato principal, atualmente, tem sido a grave crise brasileira...


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Corrida da chuva


CORRIDA DA CHUVA 


  Já escrevi, há algum tempo, que a inspiração é apenas uma simples e imperdível passageira de seus efeitos.

  Em outra oportunidade que estou com tremenda dor de cabeça, mas se ela quiser me alcançar vai ter que suar muito.

  Também que o momento em que mais tenho tempo para não fazer absolutamente nada é quando estou correndo.

  Com esses ingredientes se torna menos difícil compreender o que aconteceu comigo, ainda em se tratando daquele episódio do dia 10 e que publiquei, com alguma riqueza de detalhes, no dia 12.04: “Rio Branco 6 x Botafogo 4”.

  Pois então: só em casos realmente extremos deixo de acordar por volta das 4:30 todos os dias, devido às atividades da rotina, sendo que na segunda, quarta e na sexta-feira, pouco após, saio para a corrida matinal.

  Era o dia 11, uma segunda, e eu estava muito cansado, devido a um final de semana bastante puxado! Mas, não era a razão extrema a que fiz menção acima, para deixar de correr.

 Às segundas, corro em torno de 16km. Estava por volta do terceiro para o quarto quilômetro, na reta do aeroporto, sentindo razoável cansaço nas pernas quando veio à mente o episódio do dia anterior e, como ocorre em vários desses momentos, passei a esboçar aquela que seria a crônica que afinal foi publicada no dia seguinte.

  Fiquei tão absorto nos pensamentos que “esqueci” das pernas - sério - e quando me dei conta já estava em Bairro de Fátima, por volta do oitavo quilômetro. Liguei o “automático” de novo e quando “desliguei-o”, encontrava-me nas imediações do hotel Canto do Sol, em Jardim Camburi, a significar algo em torno do quilômetro onze. 

 A crônica já estava toda esboçada, logo, voltara a atenção para a corrida - e, consequentemente, para as pernas - isso mais ou menos no quilômetro treze, quando, então, visualizei, caminhando, sorridente, em sentido contrário ao meu, a esposa Claudia. Pronto! Foi o combustível para “esquecer” novamente as pernas até o final do percurso. 

 Você não acredita? De tudo ou de apenas alguma parte? Se não for da narrativa completa, espero que a menos duvidosa seja no que tange à esposa, já que é o ingrediente que tem me levado às distâncias mais longas...

  Veio a quarta-feira. Dia de uma distância menor, cinco quilômetros, porém, em ritmo mais intenso!

  Por volta do terceiro, estava realmente “morto”! Contudo, “do nada”, vieram grossos – e raros, de uns tempos para cá - pingos, que logo se transformaram em uma forte chuva. Era por volta de 5:10. Aquilo me “hidratou” de tal forma que concluí de maneira bem mais tranquila o percurso.

  Acredite se quiser: foi eu terminar de correr que parou de chover.

  Agora, para mim, vem o mais interessante:

  Estamos clamando pela chuva há algum tempo. Supondo que essa “criação fantasiosa” da minha mente convença a alguns, existirão aqueles que dirão: 

  - Você é muito egoísta mesmo, né, Luiz?! Porque não correu mais alguns quilômetros?

  Já outros:

  - Obrigado Luiz!

  No fundo, somos movidos por aquilo em que acreditamos. Pode até não ser verdade! Porém, nós podemos fazer ser de acordo como assimilamos e agimos. 

  A questão, portanto, é no que acreditamos, o que fazemos de nossas crenças e o que podemos fazer pela dos outros.


  Poderia escrever um pouco mais. Porém, hoje é quinta e amanhã é sexta. Dia de treino um pouco mais longo, vinte e um quilômetros, em ritmo mais lento. Como será[1]?Não sei. Só que vai ser bom. Se em algum momento sentir cansaço, não tenho dúvidas de que vai ser melhor ainda...



________________________________________________________________________________________________________________
[1] Pós escrito: não foi! Ninguém é de ferro. Me desculpem, porém, no fundo, acredito que, neste dia, simplesmente descansar mais um pouco é que foi “melhor ainda”! 


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Rio Branco 6 x Botafogo 4



            RIO BRANCO 6 X BOTAFOGO 4 

“Deus lá em cima sabe muito bem qual é minha sina o que é que me convém...”.

  Antes de qualquer outra coisa devo ressaltar que meu saudoso pai, desprovido de bens materiais que pudesse deixar para os filhos, porém, utilizando de pura sabedoria advinda da sua condição de fervoroso botafoguense, compensou-os transmitindo para os mesmos a herança alvinegra, uma mesma condição que está no sangue também dos meus filhos, quer assumam publicamente, quer não, assim como espero continuem eles a manter essa honrosa tradição.

  Para não deixar dúvidas, poderia trazer vários elementos de prova, como, por exemplo, uma fotografia em que eu, a esposa e todos os nossos filhos estamos uniformizados com a sagrada camisa... Mas há algo mais recente e fácil de verificar, bastando conferir na crônica que escrevi no blogue www.euandopensando.blogspot.com.br, há poucos dias, em 02.04.2016, sobre a atual situação política do país, sob o título “virou fla x flu”, onde avalio quanto a caminhos, na sempre ressaltada condição e visão de botafoguense... 

  Desta vez, contudo, neste domingo, 10.04, na decisão da seletiva sul/sudeste/centro-oeste para a Copa do Brasil de Futebol de Areia, no Rio Branco, time que viria a jogar contra o glorioso Botafogo, estava o meu filho, Estêvão, de 19 anos de idade...

  A propósito, no que tange ao meu querido Estado do Espírito Santo, registre-se que a preferência do meu pai sempre foi por um dos mais tradicionais rivais do Rio Branco, a Desportiva. Logo mais esse ingrediente,...

  Bem! Não sou daqueles que vivem pedindo demais a Deus... Aliás, é tanta gente pedindo de tudo que sempre me fica a impressão de que devo poupá-lo de uma série de pedidos, pois Ele está, naturalmente, no curso natural de todas as coisas. Desta maneira, obviamente, também não costumo agradecer especificamente por uma vitória, já que também não vou lamentar a Ele por uma derrota, mesmo porque, se fosse assim, seríamos muito ingratos, já que se alguém ganha, alguém perde e não seria algo divino que Ele só estivesse do lado dos vencedores...

  Portanto, se fomos à Missa logo cedo não foi por causa do jogo, mas porque essa é a rotina dominical da família... Ali, dentre vários, pude observar a pessoa de Renato Casagrande, ex governador do meu querido Estado e que possui a invejável condição de botafoguense... Também o “Nininho”, que além de botafoguense é torcedor fanático do Vitória, outro ferrenho adversário do Rio Branco, no Espírito Santo...

  Ao final do Ato Religioso, rapidamente falei com os dois, numa espécie de justificativa para a torcida contrária que iria ocorrer... Acredito que eles me compreenderam. Além de tudo que eventualmente poderia invocar a meu favor perante qualquer pessoa, não se pode esquecer que eles são botafoguenses... E se você não entender o que quero dizer com isso, é porque não é botafoguense, certo?

  Chegando ao “Tancredão”, após a “preleção” com o filho, ele foi ao encontro de sua equipe, enquanto eu fiquei ao lado da esposa, Claudia, de nosso filho mais novo, o Heitor e vários torcedores, grande parte deles familiares de outros jogadores. 

  Em certo momento, desci para ir ao banheiro, deparei-me com o time com aquela estrela única na camisa, parei, olhei-os e queria revelar-lhes toda a minha emoção de botafoguense... Porém, o máximo que consegui fazer foi conversar com um integrante da Comissão Técnica, apresentando, também ao mesmo, a justificativa para o meu ato grave: torceria contra o Botafogo! Ele, inteligentemente, ainda ponderou: não dá para ficar neutro? Não dava! Quem sabe, se eu tivesse ficado, não colocando a “minha torcida” em campo, o resultado não seria diferente?...

  Vale a pena outro registro: antes do jogo do dia anterior, escrevera algo para o Bruno Malias, especialmente quanto a minha satisfação, enquanto pai do jovem Estêvão, em vê-lo atuando ao lado de uma pessoa com currículo mundialmente vencedor, dentre outras coisas que salientei e ora nem consigo reproduzir fidedignamente, pois não guardei sequer rascunho. Como o Estêvão se esqueceu de entregá-lo naquele dia, falei que não deixasse de fazê-lo nesta oportunidade.

  Não que apesar da pouca idade, o Estêvão já não tenha dado mostras de seu potencial, em vários jogos e torneios, aos quais não me aterei, sintetizando, contudo, no gol que fez em amistoso contra a seleção brasileira às vésperas do campeonato sul-americano ocorrido em fevereiro deste ano.

  Mas a humildade, o respeito e o aprendizado sempre devem ser valorizados em situações gratificantes como essa, não somente em razão do vitorioso Bruno, mas também pelo conjunto de outros que formam esse bom time... 

  Quanto ao jogo, o Rio Branco dependia de uma difícil vitória por dois gols de diferença! No segundo dos três períodos de doze minutos o Botafogo fez 1 a 0 (Gabriel); 1 a 1 ((Ricardo); 2 a 1 Fogão (Antônio); 2 a 2 (Diogo Malias); 3 a 2 Fogo (Lucas). No último período, o Rio Branco empatou (Maguinho) e pela primeira vez passou à frente: 4 a 3 (Ralson). Por volta dos sete minutos, o batalhador André Beré, do Rio Branco, foi expulso. Significa que o time ficou com apenas três jogadores de linha contra quatro do Botafogo. Essa situação permaneceria por dois minutos ou um gol do botafogo, o que seria ainda pior. 

  Conheço bastante o meu filho! Na situação que viria a se suceder, se fossem quatro contra quatro, acredito que dificilmente se utilizaria da virtuosa habilidade que possui e serviria algum companheiro, em razão do seu senso de disciplina coletiva. Porém, na ocasião, ironia do destino, não tinha muito o que fazer: recebeu, ajeitou e botou a bicicleta para andar. A imagem da acrobacia, congelada pelo devotado e iluminado Peter Falcão, se expressa por si, para quem quiser conferir: 5 a 3!

  Faltava, agora, pouquíssimo tempo, o que, infelizmente, não quer significar tão pouco assim em futebol de areia. De nada bastaram as minhas preces a Deus - não teve jeito, pedi mesmo! Faltando um minuto, gol do Botafogo: Antônio!

  Depois fui entender porquê! A honra final deveria caber ao mestre Bruno: A 40 segundos do fim, decretou o placar final: Rio Branco 6 x Botafogo 4.

  Impressionante que dos oito jogadores de linha do Rio Branco, os seis gols foram feitos por seis jogadores diferentes, demonstrando a força de um time. Aliás! Cada um dos jogadores, individualmente, mereceria uma história como a que estou contando agora, realçando o Estêvão por ser o meu filho, desde logo pedindo a compreensão. 

  O Léo, por exemplo, (da idade do Estêvão e desde os quinze atuando na areia do mesmo lado, porém ex-ferrenho adversário dos gramados, à época dos clássicos CTCE x Pedra da Cebola) , que foi um dos dois que não marcou nesse jogo, fez três dos quatro na vitória do dia anterior sobre o Gama-DF... Os goleiros Sonaldo e Marquinhos fizeram importantes defesas. O último, inclusive, também fez um gol...

  Tem também quem não estava neste jogo, porém, em outros, como o Erik, o Dodô, o Mascote e o Cedriano. Além, óbvio, do treinador Alex Fabiano e demais membros da Comissão Técnica.

  A torcida presente também foi muito importante: um show e grande incentivo. 

  Mas não posso deixar de falar um pouco do Botafogo. Um time muito valente e que tinha todos os créditos para ser o campeão.

  Ao final do jogo passei perto dos jogadores, obviamente tristes com o revés. Lembram-se daquela crônica que fiz menção quase no início desta: “virou fla x flu”? Em uma parte dela, faço alusão ao fato de que, enquanto botafoguense, somos acostumados com grandes glórias e não podemos nos abater com eventuais derrotas, como essa para a qual o meu filho e "a minha torcida", de alguma forma, contribuíram...

 Aliás, dirigi-me, respeitosamente, àquele membro da Comissão Técnica, com quem dialogara pouco antes do jogo para desejar sucesso ao nosso glorioso em todas as suas outras batalhas, porque nessa, para mim, era impossível fazê-lo, pelas razões já expostas.

  A propósito, não pude dizer muito, mas, para mim, o time teria se classificado se ousasse um pouco quando tinha um jogador a mais... 

  Porém, como Deus quis assim, seria impossível acontecer de outra forma...


                                                                                                                                                                      Fotos: Peter Falcão


sábado, 9 de abril de 2016

Álvares Cabral




ÁLVARES CABRAL 


  Hoje é dia 04.08.2015. Começo mais um trecho da maratona que se iniciou já há alguns anos.

  Desta vez é o Heitor, beirando os cinco anos de idade, que ainda em época de engraçadas travessuras, levo para uma grande “travessia”, com o início de suas aulas de natação no Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral.

  É o sexto dos seis filhos, sendo que esse mesmo procedimento ocorreu com os outros irmãos, dos quais, atualmente, a quarta integra a equipe de natação do Clube, na modalidade mirim II e a quinta frequenta a “escolinha”.

  - E os outros três? 

  - Bem lembrado! Os três primeiros seguem as suas vidas, após um mínimo de cinco anos nessa atividade, depois facultativa, embora continue obrigatório o esporte na sequência de suas existências. 

  Para mim, confesso - embora torcendo que não interfira na majoração dos custos – isso não tem preço, porém, um imenso valor!

  Sinceramente, o que tenho grande dúvidas é se o meu processo de “filhosofia” tivesse se iniciado uns dez anos após, conseguiria proporcionar esse objetivo, que considero tão especial e que, obviamente com o aval da esposa, busquei proporcionar para todos eles.

  O fundado receio se deve à forma como essas centenárias estruturas vão sucumbindo perante outras “causas modernas”, cada vez mais “concretas” no dia a dia. 

  É!!!! “Talvez eu seja o último romântico no litoral desse oceano atlântico”!

  Acreditem que no meio desse processo, quando percebi, depois de outros ensaios, um movimento “bem mais concreto” em direção à cabralística estrutura, por volta dos idos de 2009, num esforço meramente simbólico - aliás, nesse cenário, as armas de defesa costumam não guardar mínima paridade com o arsenal contrário - adquiri um título de sócio do clube, comprometendo-me a mantê-lo - olha aí o ultrapassado “romantismo” de novo - por todos os anos da minha vida! 

  Bem, é isso!

  Esse Clube cumpre uma função social inigualável ao longo de várias décadas! Imagine que no meu caso pegou todos os meus filhos ainda pequenos, ensinou-os a nadar muito bem, deu-lhes várias medalhas, preencheu parte dos seus tempos com prática extremamente saudável, contribuiu para o desenvolvimento corporal e mental, auxiliou no processo estudantil, disseminou amizades etc.

  E olha que eu estou me referindo apenas à natação! Ou seja, fora os outros esportes e à vida social que o Clube proporciona.

 Sinceramente, diante de todas as transformações que vem ocorrendo no mundo, especialmente no que tange à criação dos nossos filhos, de maneira geral, a manutenção e, até mesmo, uma sonhada proliferação de estruturas como essa, nunca foi tão fundamental.

 Queria, portanto, que não fosse necessário serem “heróis da resistência” para que conseguissem levar adiante essa empreitada, o que sei, é extremamente difícil.

  De qualquer forma - olha aí o esforço meramente simbólico mais uma vez - faço questão de externar este agradecimento a todos aqueles que ao longo dos anos, criando e mantendo viva essa saudável estrutura, tornaram possível a mim proporcioná-la aos meus filhos em seu processo de vida. 

  Sabendo que posso estar pedindo demais, especialmente diante dos obstáculos que aparecem, de qualquer forma, não custa solicitar que, na medida do possível, velem com todas as energias pela manutenção dessa insubstituível Vitória.

sábado, 2 de abril de 2016

Virou fla x flu




                                        
 
                            VIROU FLA X FLU! 


     Na verdade, só vou comentar sobre o tema porque não tenho interesse pessoal no resultado, pois não sou fla e nem flu, sou fogão!

     Como tudo na vida, quem quiser vai logo encontrar um jeito de me “enquadrar”, ao argumento, por exemplo, de que se não torço nem para um e nem para o outro, meu time vibra é com a derrota dos dois...

     Mas a questão a que me refiro é o tal “impeachment”, que, ainda mais no caso do nosso” fla x flu”, é preferível que seja expressado em português claro: impedimento (aqui, também, há controvérsias, óbvio!).

     A propósito de impedimento, “a regra é clara”, todos entendem, porém, se for marcado contra o “nosso time”, o “juiz”, possivelmente, é “um ladrão”... Morô?

     Imagina, então, quando o “juiz” marca uma falta perto da área ou, mais grave ainda, um pênalti? Depende... Contra ou a favor do “meu time”?

     Se a razão não estiver acima da torcida, pouco irá importar se corro o risco de aplaudir a vitória do “meu time”, ainda que por força de um gol nitidamente irregular e aos meus olhos, por exemplo...

     O certo é que o jogo prossegue, não se sabendo, a rigor, se está no primeiro ou no segundo tempo! Ou, talvez, já esteja até na prorrogação e não se saiba...

     Aliás, é impossível definir, com certeza, quem está ganhando, embora as torcidas, bastante efusivas, por sinal, celebrem gols a todo o momento, inclusive, dividindo a atenção entre o campo e o “STJD”, acionado a cada instan... (um momento: o “placar” informa que acaba de ser acionado, de novo, neste exato instan... [acionado mais uma vez! Não consigo concluir o parágra... Ah! Deixa pra lá!]).

      Também comemora “tento” quando o “juiz”, conduzindo a partida, distribui inúmeros cartões amarelos e vermelhos, inclusive, um que gerou bastante polêmica, na oportunidade em que, para incontida irritação da comandanta do time, não aceitou a entrada de um veterano jogador (o craque da bola para uma torcida, cabeça de bagre para a outra) por considerar que as regras de substituição não foram cumpridas adequadamente.

       Sei que apesar de ter afirmado, desde o início, que não torço nem para o fla e nem para o flu - sou botafoguense - você não acredita em minha isenção nesse jogo histórico, que os livros registrarão, num futuro bastante incerto para o nosso já combalido futebol, como um dos maiores clássicos realizados neste país, cujo resultado influirá, significativamente, na forma como o curso histórico será vivido e contado, inclusive, certamente, quanto aos gols contra...

       No fundo, como botafoguense, acostumado com grandes glórias e jamais abatido com derrotas, o que mais desejo, sinceramente, é que esse jogo termine, os times envolvidos, vencidos ou vencedores, façam o impossível para não decepcionar as suas torcidas, porém, essencialmente, nunca se esqueçam que a seleção brasileira deve ser, sempre, a soma dos melhores e, prioritariamente, não pode deixar de honrar a camisa, cujo brilho é de todos ou não será, como tem sido, cada vez mais, de ninguém...




* Ao Arthur Meirelles Neto e Lélio Marcarini, cujos times nem sei, porém, escalados pelo destino para ao menos um gol, a favor, que fizeram para a vitória desta crônica, independentemente do placar final, ora delegado (êpa!), com apreço e respeito, a todas as torcidas, antes de tudo, porém, unidas pelo fato de serem brasileiras.









quarta-feira, 16 de março de 2016




Para quem age com sede de poder 
 não há limite que baste à saciedade
 e nem política cujo fim seja a sociedade