domingo, 19 de abril de 2015

Mulheres também são problema


MULHERES TAMBÉM SÃO PROBLEMA



  Caía a noite, chegara do trabalho e aguardava esposa e filhos retornarem da escola onde a primeira trabalha e os outros estudam, quando, em frente ao portão de casa, fui pego de assalto – calma gente, não é aquele assalto! - por um conhecido de longa data, que estacionou a sua bicicleta bem defronte a mim e nos pusemos a conversar.

  Não nos falávamos há muito tempo! Na condução do meu veículo, em oportunidades difíceis de parada para um bate-papo, até que o avistara algumas poucas vezes. Todas elas, aliás, se não falha a memória, na condução da mesma bicicleta que ora lhe locomovia.

 Por que me lembro da bicicleta? 

  Impossível não lembrar! 

  Num ambiente de “magrelas” cada vez mais portentosas, aquela é justamente o contrário: só chama a atenção por causa de sua total simplicidade, termo esse que, a rigor, não sei bem se sintetiza o “conjunto da obra”. Para se ter ideia, como foi o primeiro objeto de nossa conversa, o amigo, não se lembrando da longínqua época de aquisição, ilustrou que a mesma foi trazida na mudança que a família fez em... 1979!

  É uma daquelas “Ipanema”, que, acredito - dando asas à liberdade de imaginação e sugerindo fundada controvérsia - era o veículo de locomoção da “Garota de Ipanema”, na década de 60, inspirando, também por esse motivo, o Vinícius e o Jobim à canção que se tornou imortal como a bicicleta à minha frente.

  Mas, no momento, quem estava diante de mim, sentado nela, era o “Garoto da Ipanema”, que me proporcionou agradável conversa, levando a muitas reflexões e gargalhadas.

  Aliás, não foi por pouco tempo, já que o “humor do trânsito” não estava dos melhores, nesse dia! 

  Até que minha esposa chegou, o meu filho mais novo veio direto para o meu “cangote”, mesmo assim não impedindo que tenhamos conversado mais um pouco.

  Embora considere extremamente agradável o teor de nosso diálogo - e foi sobre muita coisa mesmo! - existe um fato que considerei mais marcante, constituindo-se ele na razão que levou ao presente escrito, sendo o resto apenas uma forma de “encher linguiça”, ainda que tenha o gosto de fazê-lo da melhor maneira possível, para que você consiga consumir tudo, sem passar mal.

  O fato se deu a propósito de um elogio que lhe fiz: se eu não soubesse que ele tem idade próxima à minha (49, porém, muita gente acreditando que é mais de 50...), pela sua aparência, com sinceridade, diria que ele não tem mais de 35...

  Calma! Não vá sair por aí, desesperado, à procura de uma “Ipanema” para se exercitar! O “segredo” que ele compartilhou, de forma muito segura, inclusive na presença da minha esposa, ora revelo em primeira mão para você: - É QUE EU NÃO CASEI!

  Bem feito, Luiz! Lembra que dias atrás você escreveu uma crônica baseada na história da Jessie, a mulher mais velha da Escócia, aos 109 anos de idade? E tentou deslustrar o seu grande feito, possivelmente magoado devido à fórmula por ela revelada: “ficar longe dos homens. Eles são apenas mais problemas e não valem a pena!”.

  Você até ironizou, escrevendo que se depender de também ficar longe dos homens, acredita que até pode superar o recorde dela, não é mesmo? Porém, e das mulheres??? Sai dessa, agora!!! 

  Realmente eu não tenho como sair dessa e nem quero! Mas, o fato é que o cara não falou nada para me provocar, à minha esposa ou ao meu, ao seu casamento! Ele é simplesmente uma pessoa que não se obriga a viver de acordo com o que a maioria pensa - ou talvez nem pense - que deva ser. E não tem tantas pessoas que são felizes assim?

  Poderia “me defender”, no momento ou agora, estabelecendo um contraditório, mas, para quê?...

  Por via das dúvidas, o que não revelo de jeito nenhum é o nome do sujeito ou qualquer outra pista que possa levar à sua identificação. E também já pedi à minha esposa que faça o mesmo, pois sei que existe muita gente querendo, porém, enfrentando dificuldades para “envelhecer”. E não quero sequer pensar na possibilidade de estimular alguém a se aventurar ao convencimento do meu amigo.

  De qualquer forma, como integram inafastavelmente este texto, não posso retirar as delatoras informações proporcionadas pela sua “magrela”, sendo bem possível que neste momento esteja com ele circulando pelas ruas da Grande Vitória...



quarta-feira, 8 de abril de 2015

Andando na frente - Parte 3*



       ANDANDO NA FRENTE – PARTE 3


              Hoje é dia 08.04.2015. A Laís completa 10 anos!

           Quem leu “andando na frente – partes 1 e 2”, sabe bem qual o presente que tanto me alegra em dar para meus filhos quando alcançam esta idade. Aliás, a rigor, não sou eu quem dou; apenas, enquanto pai (com a coautoria da mãe), permito, já que assim disciplina as normas de trânsito: o direito de andar no banco da frente do carro! 

            - E isso lá é presente? Pobre filha...

          Tudo bem que à noite também vai ter uma festinha! Porém, ainda mais quando as coisas acontecem na época própria, é inegável que esse direito proporciona grande alegria à criança, quando o alcança. Tanto que, geralmente, insistem em obtê-lo antes! 

            Contudo, é verdade que tendo os irmãos mais velhos já passado “pelos mesmos bancos”, não tivemos dificuldades para a Laís assimilar de forma natural a espera.

          Coisa simples, mas que alegra bastante, como deu mostras na manhã de ontem, quando a levava para a aula de natação e ela falou animadamente:

          - Ôba! Amanhã eu vou poder ir para a escola no banco da frente!

         - Sim, Laís! Amanhã sim! Afinal é o dia do seu aniversário de 10 anos! Porém, não se esqueça que você tem outros irmãos e o seu presente não pode alterar “regra de boa convivência”! Portanto, “keep calm”! Afinal, segundo a Lei de Newton, assimilada pelo nosso Código de Trânsito, dois corpos não podem ocupar aquele espaço ao mesmo tempo!

         Enfim, querida, a vida é um presente que deve ser desembrulhado aos poucos, com cuidado, esperando que dessa forma possa ser melhor compreendida a importância do papel. 

            Meus parabéns, adorável e encantadora LAÍS!



sexta-feira, 27 de março de 2015

pensamentos




O teclado de um computador é cheio de senhas capazes de fazer brilhar o mundo, cujo segredo está na forma de conjugar suas teclas, várias e misturadas apenas para que se possa levar a vida sempre tentando


sexta-feira, 13 de março de 2015

Nota de Falecimento




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                                                 NOTA DE FALECIMENTO  



  É com imenso pesar que anuncio.


  E não é porque morreu que vou mentir: não era aquela pessoa que vai fazer tamanha falta assim.

  Tanto que morreu e não li ou ouvi ninguém comentar a respeito. Portanto, acho que sou o primeiro.

  Acredito que não chegará a ser nome de rua, praça, sequer de um beco...

  Coitado! Merecia ao menos dar nome ao campinho de futebol que ajudou a “desgramar”, tantos os “ex-candidatos-a-craque” que pisoteiam aquele espaço, dia e noite, a ponto de ser conhecido como “carecão”.

  Logo, se for batizado com o seu nome não trará prejuízo para ninguém (salvo alguém se sinta o homenageado com o apelido que tem o campo atualmente). 

  Mas se nem os “peladeiros” parecem se importar com o seu sumiço (será que era tão ruim de bola assim?) quanto mais um Vereador para tal. Aliás, será que um edil é necessário para batizar o “carecão” com o nome de alguém?

  Que eu saiba, não deixou ninguém!!!! Até namorou com a “Maria Congueira” (ou “Maria Kichuteira”, já que ele não tinha chuteira? Ora jogava de conga, ora de Kichute - a propósito, será que ainda existem?).

  Mas depois que ela lhe deu um “chute na bunda” (o laudo de lesões corporais não especifica se fez isso descalça ou de conga, kichute, tamanco, sapato etc. Apenas narra que foi por “instrumento contundente”) nunca mais se aventurou nesse campo. 

  Pois é! Nesta altura da Nota, você, com razão (e eu já ia até me esquecendo dessa questão central) deve estar se perguntando: afinal, quem foi que morreu?

  Caramba!!!! É mesmo! 

  Explico: é que estou dentro de um banco (como você conseguirá imaginar vários, não vou dizer qual deles. Talvez ainda levaria um processo por dano moral se “denegrisse” a sua imagem publicamente - se é que as poucas pessoas que irão ler esta Nota, apesar de muito caras para mim, significa essa veiculação toda!). Enquanto espero, apenas “dei asas” à imaginação. 

  Contudo, não pretendo, de jeito nenhum, fazer da minha caneta uma arma. Logo, não vou matar ninguém. Isso mesmo: como o fato está dependendo de mim, exclusivamente, ninguém morreu!

  - Número 548.

  É a minha vez! Ainda bem. Se demorasse mais um pouco, é possível que o “peladeiro” tivesse final diferente.

  - Mas vê se ao menos aprenda “a fazer falta”. Caso contrário, como infelizmente haverá muitas próximas vezes,...




sexta-feira, 6 de março de 2015

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

pensamentos




A família está se transformando em um arraigado direito que cada um pretende amoldar à sua maneira quando o que falta é exatamente um pouco mais do exercício inverso, penso eu.



A única meta fácil que conheço é o gol contra.



Leve a sua vida de forma que os seus prazeres sejam aqueles que estão sempre perto de você!






sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Homens são Problemas


              HOMENS SÃO PROBLEMA

                               
                                                     

  Algo que mais recentemente tem feito de forma efusiva a cabeça da humanidade é a possibilidade de acrescentar mais alguns anos à sua curta passagem pela existência terrena.

  A tal expectativa de vida está aí para incendiar, cada vez mais, o pavio da esperança. Em nosso país passou dos setenta anos. E todo dia a atenção da população é atraída para algo novo, embora, a rigor, a tal pretexto, chegue-se a sugerir cada coisa...

  Bem, mas o assunto é sério e creio que tenho o dever de tentar contribuir para mais alguns aninhos na vida dos que toleram ler o que escrevo, principalmente. Além das razões humanísticas que poderia invocar para justificar, prefiro ser sincero e não esconder um dos maiores motivos que é, na verdade, o desejo de não perder um dos escassos leitores. Logo, para mim, sempre tão jovem. 

  Porém, confesso que essa eu partilho com você, que ora me lê, mas não com a minha esposa, pelo menos não lhe apresentando à prévia e costumeira apreciação, daí ao menos ganhar mais um tempo para que eu possa assimilar o fato que demoro até a efetivamente dividir com você, tão duro foi para mim receber.

  Não que não deseje que ela também fique bem velhinha, ao meu lado, obviamente. O receio, a rigor, é justamente o contrário: que ela deduza que para ficar bem velhinha, deva permanecer longe deste aliado. Aliás, convido a todos para muito refletir, já que, de alguma forma, isso deverá também interessar a você!

  Pois bem! O fato é que a mulher mais velha da Escócia, Jessie Gallan, aos sonhados 109 anos de idade, participou os seus “segredos” para a vida longa: quando se referiu ao mingau, todo dia, embora eu não aprecie degustá-lo sequer por uma vez durante minha existência, pela causa, sou capaz de me submeter ao sacrifício, digamos assim.

  Contudo, você não acha que eu iria dar tom tão trágico a esse escrito diante de um simples mingau, não é mesmo? Ainda mais se considerarmos cada esquisitice que tem sido apresentada, inclusive sem a garantia proporcionada pelo testemunho da longeva Jessie.

  O problema surge quando ela compartilha que para ter vida longa, um “segredo” foi “ficar longe dos homens. Eles são apenas mais problemas e não valem a pena”. 

   Não que eu não concorde com ela. Muito pelo contrário. Se depender de também ficar longe dos homens, acredito que eu posso superar o seu recorde. 

  No fundo, eu temo é que a fantástica simbiose entre homem e mulher possa acabar sendo prejudicada por essa expressiva declaração, globalizadamente veiculada, em tema que a humanidade ora considera tão caro.

  Aliás, todos temos conhecimento do crescente número de mulheres que chegam até a buscar na Justiça o direito de permanecer longe de determinado homem, que, em algum momento fez parte de sua vida. E, comumente, quer manter esse distante, porém, não se fecha à proximidade de outro...

  Juntando tudo e refletindo sobre o nosso contexto, não posso deixar de dar razão à Jessie. Ela está realmente certa. Muito certa. Contudo, ainda bem que a solução de algo tão importante está em simplesmente “fazer valer à pena”. 

  Portanto, “diante de um bom motivo, que me traga fé”, acredito que valha à pena “pescar a ilusão” de tentar fazer valer à pena. Para isso, essencialmente, no caso dos que ousam se relacionar, contribuindo para buscar aumentar a expectativa de vida através da relação, ao invés de diminuí-la, como, infelizmente, está muito fácil de se demonstrar, diante dos inúmeros casos que os jornais não se cansam de mostrar, ainda que o contrário também seja muito corriqueiro, porém, não causando o mesmo bafafá! 

  De qualquer forma, no meu caso, reconhecendo que efetivamente trouxe “mais problemas” para a vida da minha esposa, tendo certeza de que cedo ou tarde ela também acabará lendo este escrito, cuido em expressar que apesar de ter menos da metade da idade da Jessie, trocaria os meus possíveis anos futuros pela oportunidade que tive, até o momento, de “causar problemas” e, especialmente, se Deus tapar os ouvidos para essa minha poética fanfarronice de troca, buscarei diminuir os meus e valorizar menos os seus, poupando forças para enfrentar os nossos problemas, que são, afinal, aqueles que me proponho a passar o resto da vida desafiando.

  Valeu Jessie. O golpe foi muito duro. Mas necessário! Desculpe-nos. 



terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Selfie Service


                  SELFIE SERVICE


  Imagine que você esteja em local muito belo e deseja registrar sua passagem através de uma fotografia. Vira para um lado: ninguém! Para o outro: também!

  Isso já deve ter acontecido com você. Ou não? Com um pouco de sorte, passado algum tempo, aparece alguém, mas, mesmo assim, necessita-se, primeiro, de certa coragem para pedir a essa pessoa para registrar você e a paisagem JUNTOS; e, segundo, de dose de sorte para o indivíduo não cortar a sua cabeça ou outra parte do seu nobre corpo, algum aspecto da paisagem que você considera relevante, ou, enfim, não atender às expectativas que você nele tanto deposita. Afinal, não tem outro jeito, não é?

  Ufa! Não havia... Ainda bem que surgiu o celular e, com ele, difundiram-se as "selfies" (não preciso dizer nem para um recém-nascido o que essa palavra significa, né!?). Mais arrebatadora do que a onda “self service”, eis um novo mundo na versão “selfie service”: nutra-se de você à vontade, mas cuidado com a indigestão¹! 

  Até eu, acredito, em algum momento da vida, se tiver a oportunidade de experimentar mais umas duas dezenas de outonos, irei me render a pelo menos uma "selfie" (sabe-se lá, contudo, se a velocidade das transformações não terá sepultado tal tendência, nos consumindo com outras de suas arrastadoras novidades?). 

 Aliás, se algum dia concretizar o desejo de viajar a Londres, euandopensando(.blogspot.com.br) em me inscrever na “City Lit”, que oferece um curso de fotografia denominado “a arte do autorretrato”, prometendo que pela bagatela de 132 Libras o aluno aprenderá a “melhorar conhecimento crítico do autorretrato fotográfico e desenvolver ideias para produzir uma obra coerente”. A propósito, confesso que a beleza da apresentação, embora não a tenha entendido muito bem, me fascinou bastante. 

  Todavia, se a adesão à “selfie” ocorrer antes de viajar a Londres, devido aos ora confessados conhecimentos rudimentares para o exercício da nobre arte, talvez consiga produzir “obra menos incoerente” adquirindo uma tal “vara de selfie”, pois, ao que sei, após a “selfie” se tornar a palavra do ano em 2013, foi a vez da vara se transformar no “presente do ano”, nos EUA, em 2014. 

  Parece meio esquisito ostentar uma vara para tal finalidade, mas considerando a volumosa adesão, acho que vai ser menos excêntrico e mais interessante – e barato - do que me valer do auxílio de um "drone" para resultado “mais coerente”, como sugere o Nixie, novidade da Nixie Labs, apresentado durante a Consumers Electronic Show 2015, em Las Vegas, aliando a febre (alta) dos "drones" à das "selfies".

  Por fim, dureza é concluir que tudo isso só está ocorrendo por culpa do outro! É ele o grande responsável! Afinal, se as fotografias são minhas, o que ele tem a ver? 


¹ A persistirem os sintomas não deverá se autorretratar




sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Governo e Oposição



                    GOVERNO E OPOSIÇÃO


 Quando éramos somente eu e a esposa, como não havia regras nítidas sobre quem assumiria a presidência (não chegamos a cogitar quanto ao parlamentarismo) após a instalação de nossa República, fui me acomodando devagarinho na cadeira governamental, oferecendo-lhe, em contrapartida, o Ministério da Fazenda, o que gerou a nossa primeira crise político-conjugal, pois, espertamente, não deixei evidente que se tratava do importante órgão que administra o dinheiro, razão pela qual, já que também não éramos possuidores de terras, acabou entendendo que eu poderia estar me referindo a outro tipo de renda, associada à quase extinta máquina de costura.

 Ora, toda República passa por contratempos. Logo, essa e outras crises que sobrevieram ao longo dos anos não impediram que a União se fortalecesse, a ponto da população de nosso Território ter se multiplicado algumas vezes.

 O caso é que, agora, ainda não muito certos de quem era Governo e quem se situava na Oposição, resolvemos, democraticamente, que era momento de proceder a eleição para estabelecer quem ocuparia o cargo mais elevado da nossa República, embora descentralizando algumas atividades para o primeiro e o segundo escalões.

 Quem ganhasse entre eu e a esposa seria formal e finalmente nomeado presidente (ou presidenta, como querem ensinar alguns manuais modernos, sob meus protestos!). O outro (ou a outra, agora sou eu que faço questão!), escolheria o Ministério que quisesse (ao menos estava superada a situação do Ministério da Fazenda!). Os filhos ocupariam o segundo escalão, esperando eu que não houvesse nenhuma Intervenção em nossa República por causa do nepotismo, já que acreditava que isso decorria da autonomia ínsita ao nosso espaço, embora cada vez menos soberano perante as regras emanadas da Organização das Nações (Des)Unidas. 

 Fizemos acirrada campanha! Espero não incidir em nenhum crime eleitoral ao confessar, neste momento, que distribuí uns docinhos para os eleitores (soube, depois, que a candidata também fez isso, desigualando a campanha, já que os seus são incomparavelmente melhores do que os meus).

 Ficou decidido que eu e ela não votaríamos, para evitar que um tentasse convencer o outro nas inevitáveis reuniões republicanas do dia a dia. O resultado da eleição: três votos para mim, três votos para ela! Empate!

 Como não havia previsão de critérios para desempate, cheguei a propor que o candidato “mais velho” (ops: “com mais idade”) fosse declarado vencedor, realização de segundo turno, decisão no “par ou ímpar” ou (quase) qualquer outra forma que a candidata entendesse adequada. Que nada! Irredutível, para ela a eleição terminava ali, empatada mesmo e dessa forma continuaria.

  Refletindo um pouco, achei que ela estava certa, pois com nós dois “dividindo” o comando já não se mostra tarefa simples governar, se um fizer oposição ferrenha ao outro, sem deixar de reconhecer as virtudes, focando somente nos defeitos, a tendência é que a nossa República acabe cada vez mais enfraquecida, com manifestações mais fortes, justas e frequentes por parte dos administrados, acredito.

  Embora sejamos de partidos acirradamente diferentes, acreditamos que o momento que vivemos é extremamente sério. Eu tenho defeitos, ela também. Mas são as nossas virtudes, somadas, que podem nos levar a algum lugar. 

 Formulamos, então, uma pauta propositiva comum, que tem gerado resultado favorável em nossas vidas e, decorrentemente, diminuído um pouco das insurreições, razão pela qual redigimos, em conjunto, aquela que foi designada como sendo a “Carta da República dos Gaspar” (fui vencido ao propor “Carta da República dos Brasilvas”, mas tudo bem, pela causa!) e chegamos a apresentar essa nossa experiência à grande República ora, ora, administrada pelo PSDB, ora, ora, ora e ora administrada pelo PT, para, quem sabe, sugerir algo menos distante do que simplesmente Governo e Oposição...


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Black Friday



                      BLACK FRIDAY


  Se for feita uma pesquisa sobre o dia da semana que as pessoas mais gostam, acredito que a sexta-feira ganha com folga (...ou sem folga, mas depois do trabalho, principalmente!).

  Se bem que hoje em dia estão tentando de tudo para lhe convencer que todo dia é sexta-feira. Porém, o dia seguinte costuma fustigar a propaganda enganosa, daí que, em algum momento da vida você vai acabar despertando para a realidade não tão complacente como a desejaríamos.

  Tem também as místicas: a tal sexta-feira 13 é uma delas! Creio que foi arquitetada pela segunda-feira, coitada, cansada de tantas injustiças com um dia que deveria ser igual a tantos outros (cadê o princípio da igualdade, pessoal?), mas sequer tem coragem de se olhar no espelho, já que raramente estará vestida ou maquiada como uma... Sexta-feira, por exemplo!

  Pois bem!

  Hoje eu acordei (na verdade, fui acordado) devido a enorme barulho na rua, causado por cinco pessoas aparentemente bastante animadas (pudera! É sexta-feira!) vestidas igualmente com roupas chamativas e gritando “a todos pulmões” algo que no momento não entendi direito, mas parecia ser “black friday, black friday, black friday,..”.

  Sexta-feira negra? Ah! Só pode ser mais uma da segunda-feira...

  Caramba! Mas está ficando bastante ousada! Será que vai até aonde para alcançar o seu intento?

  Bem, já que acordei, vamos ler o jornal: “black friday, black friday, black friday”!

  Éééé! A conspiração contra esta sexta parece realmente mais incisiva do que qualquer outra que já vivi!

  E foi realmente assim! Para espairecer, liguei a televisão, e: “black friday, black friday, black friday”! O computador, e: “black friday, black friday, black friday”! O rádio, e: “black friday, black friday, black friday”! Olhei para os céus, para desanuviar, e: “black friday, black friday, black friday”! Para o mar, pois a agonia já estava me afogando, e: “black friday, black friday, black friday”!...

  Mas, afinal, o que é essa tal “black friday”? Sinceramente, eu nunca havia ouvido falar em tal fenômeno!

 Na verdade, embora eu me considere razoavelmente informado, dessa vez, a expressão, para mim, apareceu como um cometa, já que até a presente data passara absolutamente despercebida... E bem que poderia continuar passando!

 Aliás, se você ainda não foi alcançado, o que acho extremamente difícil, não serei eu que vou ajudar a alimentar essa “onda” voraz que a pretexto de me fazer consumir, quase me consumiu e à minha estimada sexta-feira! No fundo, considero desnecessário aprofundamento maior sobre a expressão “black friday”, pois até as os mortos, hoje, se viram invadidos por ela. Paro por aqui.

  Antes de definitivamente encerrar, porém, dona segunda-feira, fica com essa: “hoje é sexta-feira, chega de canseira. Nada de tristeza, pega uma cerveja, põe na minha mesa...”. 



domingo, 30 de novembro de 2014

pensamentos




Se as minhas necessidades são permanentes porque o meu contrato de trabalho é temporário? 
 
 


Dormir, após ter filhos, continua a viagem. Só aumentam as escalas. 




O mundo cresceu tanto que a sua roupa ficou curta!


 

As coisas mais importantes que eu fiz foram as que eu pensei dessa forma estar fazendo


 
 

 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

"Um (in)certo algúem"...

         
                                                              “UM (IN)CERTO ALGUÉM”...


  Há algum tempo, época em que, via de regra, se dava mais valor à vivência do fato do que ao seu registro e divulgação imediata como pano de fundo de um autorretrato, era bem mais difícil e restrito anunciar intenções a alguém, ocasionando, porém, em contrapartida, que, geralmente, poucos eram os que ficavam sabendo dos “fora”, clássicos ou não, que de vez em quando o galanteador (ou nem tanto) levava.

 Frise-se que embora me refira ao tema dividindo-o em eras, não se desconhece que existem os “transepocais”, vivendo hoje à maneira de ontem, ou vice-versa. Mas, que são tempos bastante distintos, ah, isso, meu bom companheiro, ninguém pode negar, ninguém pode negar!

  Pois é! Basta digitar no “google” algo tipo “pedidos de casamentos curiosos” para você ter uma ideia... Com o marcante detalhe: veiculados para verdadeiras multidões!

 Saliente-se que o amor ainda é (e sempre será!) algo muito contagiante. Logo, o fator multidão, quase sempre, conta a favor do pedido! Imagina o desencanto de uma negativa pública? Assim, numa das piores hipóteses, “apenas” não se confirmará no reservado aquilo que se aceitou perante um aflitivo aglomerado de pessoas! 

  Imagina alguém se anunciar perante um maracanã lotado ou num show do cantor preferido e a música não entoar direito no ouvido pretendido e resultar numa “tremenda bola fora”? Meu Deus!!! 

  Logo, deve-se estar bastante seguro antes de partir para uma situação dessas...

 Para ilustrar, consta que um chinês, resolvendo inovar na proposta de casamento à namorada, gastou o salário de dois anos para comprar 99 aparelhos iPhone 6, ao custo de US$ 79 mil (202 mil reais, aproximadamente). Para coroar o inesquecível momento, arrumou, em forma de coração, as caixas contendo os aparelhos,  convidou os amigos, reunindo-os em volta do “pré-casal”, pedindo a um deles para fotografar do alto de um prédio, etc, etc.

  O NÃO acabou se tornando muito mais sonoro ao ser divulgado pelo “amigo” em rede social chinesa e, daí para o mundo, foi um passo...

  É óbvio que nem tudo que cai na rede é peixe. E nem todo peixe se transforma em uma saborosa moqueca capixaba. Logo, o freguês deve avaliar muito bem o sabor do peixe antes de recomendá-lo, muito mais se for dado, como estou fazendo agora...

  Inclusive, deve levar em consideração que o mar chinês não anda muito bom para esse tipo de “peixe”, já que um tal “aborto seletivo” tem ocasionado, há anos, extermínio de número bem maior de fetos do sexo feminino - a tal política do filho único - fazendo com que, dentre outros efeitos, a “oferta” de homens esteja mais avolumada do que a de mulheres (enquanto aqui no Brasil tem muita mulher reclamando, ai, ai,...). 

  Não há elementos suficientes a possibilitar deduzir que o motivo da recusa seja esse (ou aquele), mesmo porque, convenhamos, gastar o salário de dois anos para comprar 99 aparelhos de iphone dá margem a várias elucubrações a respeito do pretendente, daí, obviamente, não ser afiançável que no nosso Brasil, onde não há esse desequilíbrio entre o sexo masculino e o feminino, uma proposta como essa teria resultado diverso.

  O que não se pode deixar de considerar é que, seja qual for a situação, a torcida praticamente única, a favor, contudo, em caso de uma frustrante negativa, também pode se transformar em verdadeira algoz, divulgando pelos mais diversos meios uma tragicômica situação como a ora exemplificada.

 De qualquer maneira, como forma de reconhecer a existência de aspectos positivos nesse lado mais exótico de anunciação à pessoa amada, afirmo que se fosse hoje, ante a difundida criatividade associada ao tema, o meu próprio casamento, eventualmente, poderia ter sido deflagrado (ou não?) de forma diferente. Quem sabe?

 Só acho que nada deve se sobrepor à espontaneidade. E, de preferência, no contexto de situação muito bem pensada, inclusive quanto à forma da bela pretensão ser compartilhada, para uma possível negativa não ser amplificada, nessa época globalizada, como exemplo de retumbante galhofada!



domingo, 26 de outubro de 2014

É Tudo História

             É  TUDO HISTÓRIA! 

Chega momento na vida da pessoa em que ela mesma deve se consultar enquanto esboço de último capítulo de um livro de história, já que ao menos os fatos mais recentes, devido à vivência contemporânea com os mesmos, não podem escapar-lhe ao conhecimento, a fim de que não se transforme em mera espectadora de seu próprio destino.

A experiência do passado deve servir de base para a vivência do presente e a projeção do futuro, a partir do âmbito de influência de sua existência, única e exclusiva como qualquer outra.

Não importa em que página você esteja, ou até qual ela vá. O inegável é que nela há algo registrado, não há página em branco.

Atualmente, existe muita coisa que é passada para você como pronta e acabada. Não aceite! Consulte o seu livro. No mínimo haverá fotografias. São ótimas para possibilitar viagem que todo livro de história requer.

Parta das mais recentes para as antigas. Perceba quanta coisa mudou. Olhe em volta. Consulte o ambiente interno e o externo. Possivelmente não estará satisfeito com todas as mudanças! Se estiver, ótimo! Caso contrário, é analisar se não poderia ter feito algo para que fosse diferente e, a partir daí, investir para que as próximas páginas se aproximem daquilo que deseja seja registrado.

É ótimo quando encontramos escritos feitos por nós mesmos. Tal qual as fotografias, partindo dos mais recentes para os remotos. É possível se reconhecer neles? É necessário fazer uma revisão? Seja como for, escreva mais. Esse livro de história deve servir especialmente para você, enquanto protagonista, embora não possa deixar de ser considerado que reflete na vida de outras pessoas, portanto, quanto melhor, melhor.

Revisitando meus escritos, me fixo nos artigos, o primeiro deles publicado aos 11.11.1990, portanto, há quase um quarto de século, no Jornal “A Tribuna”, como ocorre, de forma regularmente espaçada, até os dias atuais. De lá para cá muita coisa modificou, inclusive em minha vida, já que à época era solteiro, enquanto atualmente sou casado e pai de meia dúzia de filhos, para exemplificar no tocante a mudanças, desde superficiais às mais profundas, que o rumo dos tempos imprime em nossas vidas.

Refletindo, no contexto, percebo substancial mudança no que diz respeito à vida política do país, pois, agora, o partido que entusiasmou àquele primeiro artigo, denominado “voto na legenda”, escrito logo após eleições ocorridas naquele ano, é o mesmo que nos governa há doze anos e acaba, hoje, de reeleger a presidente (ou presidenta, como deseja), para mais quatro.

São mudanças que a vida opera! Os tempos são outros. Porém, ao invés de me ater às desanimadoras expectativas que a política desenha, acredito que melhor seja compartilhar que me sinto extremamente feliz pelo que à época fui inspirado a escrever, dedicando àquele hoje irreconhecível partido, cuja alma minha aumentada miopia não mais permite enxergar no corpo presente, um pouco do romantismo histórico que, após, tanto se esmerou em debochar, passando a viver, em contrapartida, coitado, em penúria agonizante, ao que tudo indica, lamentavelmente, até o dia de formalmente se enterrar: 

          “Carlos Chagas, que no dia 02.10.90, escreveu excelente artigo, publicado neste conceituado    jornal, sob o título “o saldo ainda é positivo”, deve estar preocupadíssimo com o resultado das eleições.

           Afinal, para ele, apesar de todo o desrespeito para com o eleitor, por parte de vários candidatos, a situação está infinitamente melhor do que, quando, num passado ainda recente, 1964 até 1982, para ser mais exato, mudava-se a cada dia as regras e posturas eleitorais, de acordo com as conveniências dos que detinham o poder, cassando-se e impedindo-se candidatos de concorrer.

          Ocorre que o eleitor, apesar disto, não estando muito satisfeito com seus representantes, relega esse direito conquistado (ainda que em forma de dever imposto), indo às urnas tão somente por obrigação, onde manifesta todo o seu descontentamento, das formas mais absurdas e variadas possíveis.

          De fato, o enorme índice de abstenções e votos em branco e nulos, deve fazer com que seja revista, urgentemente, a legislação eleitoral, facultando o voto, ou, o que é melhor e mais objetivo, seja revisto o comportamento político dos legítimos representantes do povo, eleitos diretamente, através de voto secreto, essencial à democracia alcançada e que não merece ser desprezada, muito menos por aqueles que, em tese, são os maiores beneficiários dela.

         Neste processo eleitoral, portanto, apesar de vários candidatos eleitos, ninguém ganhou, todos perdemos!

          De positivo mesmo, nesta eleição, a meu ver, só a expressiva votação obtida pela legenda do PT. Politicamente, isto significa uma crença ilimitada na ideologia de um partido e alto grau de consciência e politização por parte do eleitor.

          Votando-se na legenda, acredita-se no partido, em sua ideologia e em todos seus candidatos, já que qualquer deles pode ser eleito com aquele voto: despreza-se o interesse particular depositado num ou noutro candidato; afasta-se o corporativismo porque pode ser eleito candidato de qualquer localidade.

           Enfim, é um exemplo de confiança na ideologia e em toda a estrutura de um partido, que o credita e responsabiliza bem mais os candidatos eleitos com aqueles votos, vinculando-os ainda mais às diretrizes partidárias.”

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

quanto é que vale um mimo?




                                 QUANTO É QUE VALE UM MIMO? 


           Para quem é acostumado, apenas um curto trajeto, de Vitória ao Rio de Janeiro, menos de uma hora. Para ela, conforme deixa transparecer, não é a distância ou o tempo que importa, mas sim, o fato de ser a sua primeira viagem aérea, aos nove anos, seis meses e oito dias de vida!

          Rumo ao desconhecido!

          Por mais que se faça ideia, é impossível saber o que é uma viagem de avião sem que se esteja nele.

          Aliás, tenho certeza que, em princípio, não era a sua “primeira viagem” dos sonhos! Vai competir pela equipe de natação do Álvares Cabral, esporte e clube pelo qual passaram os seus três irmãos mais velhos e certamente irão passar os dois mais novos, uma das exigências dos pais, ainda que aos dez anos possam decidir se permanecem ou não no mesmo esporte, já que a faculdade é apenas quanto ao tipo e não no que diz respeito à obrigatória prática esportiva.

          Embora considere que todos tenham feito bem a sua parte, levando para o resto da vida o que aprenderam com tal prática esportiva, cujas medalhas são apenas o símbolo material, a Laís é a primeira que nessa idade já está federada, viajando (DE AVIÃO) com a equipe, aliás, uma turma que ela gosta muito, o que facilita mais um pouco as coisas para mim, o pai, que viajo com ela.

          Entre pequenas concessões, levo três cookies na bagagem, biscoito que ela adora! Um pela viagem, outro após os 50 metros livre e o terceiro depois dos 50 metros borboleta, independentemente do resultado, embora em ambas as provas ela tenha chances de pódio.

          Cedo-lhe a honra da “janelinha”! Fiz questão de marcar com bastante antecedência, já que para uma primeira viagem de avião não tenho dúvidas de que isso é muito significativo, especialmente na vida de uma criança.

          A máquina fotográfica pronta para os vários registros: no aeroporto, entrando no avião, acomodada dentro dele e chegando ao destino, para ficar em alguns dos mais importantes.

          Abro parênteses, recordando-me da minha infância: a natação não era propriamente em um clube e a minha primeira viagem de avião demorou tanto tempo para acontecer que quando tive a oportunidade de fazê-la foi a trabalho. Sem lamentações: foi ótima! Talvez por isso me sinto tão criança ao viajar com a minha filha.

         A propósito, um significativo detalhe fez com que aquela minha primeira viagem fosse (literalmente) mais saborosa! 

         O meu pai tinha um amigo que trabalhava numa dessas companhias de viagem e de vez em quando ganhava daqueles lanches servidos no avião. Uma daquelas “maletinhas” proporcionava uma verdadeira festa lá em casa. Éramos muitos! Mas aquele “manjar dos Deuses” parece que passava pelo “milagre da multiplicação”, tamanha a felicidade que ocasionava em todos! 

         Logo, quando fiz a minha primeira viagem de avião, o que mais me cativou, obviamente, foi o lanche. E sempre foi assim: nunca recusei! Nem as balas. Inclusive, muitas vezes trouxe para casa, alegrando os meus filhos, especialmente pela lembrança, pois, obviamente, não se comparava com as “maletinhas” de outrora.

          Pois é! Então é isso! O “mimo” foi diminuindo, diminuindo, diminuindo... Tanto, que agora nem bala o nosso voo fornece. Se quiser, tenho que pagar, a bordo, o que convenhamos, no meu caso, tenho certeza que irão concordar, não tem graça nenhuma! 

          Os tempos são outros! 

          Afinal, numa época em que valor e preço tanto se confundem, coitado do pobre “mimo”: é alegre demais para a seriedade das planilhas de custo, passando, portanto, a não valer nada. 

          Tudo bem que muita coisa mudou, mas será que não dá para rever critérios ao menos para uma criança em primeira viagem?

 

domingo, 12 de outubro de 2014

pensamentos




Se depender de mim para operar um computador ele morre
 

 

É para desconfiar de uma época em que fidelidade ao invés de ônus gera bônus
 
 
 
 
 
Quando lhe faltar energia você perceberá se tem ou não luz própria





domingo, 28 de setembro de 2014

pensamentos



Há muitas coisas para lhe seduzir, pouquíssimas para lhe conquistar.  A escolha é sua!

 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Teto Solar


                 TETO SOLAR



   Não sei de onde vem a minha paixão pelo teto solar. Se bem que nunca tive um carro com esse acessório. Aliás, não me recordo sequer de ter entrado em um só veículo que o tenha.

   Porém, mesmo antes de ter o meu primeiro automóvel, um fusquinha 1964 - mais velho do que eu e que um amigo apelidou, carinhosamente, de “Juscelino” - venho acalentando esse sonho. E lá se vão mais de vinte anos.

  Antes, como não existiam tantos carros que vinham de fábrica com tal equipamento, o receio maior era o de que, adaptando no “Juscelino” ou em algum dos outros “(ex)presidentes” que o sucederam, desse algum problema difícil de resolver. Muitos diziam que não eram incomuns os casos em que entrava água pelo local. E como não posso dispor de um carro para andar somente em dias ensolarados,...

   A questão do momento, para mim, é outra, pois a oferta é bem maior. Somente não adquiri um automóvel com tal equipamento porque além de ouvir dizer que o custo é muito elevado, carros que geralmente vem com esse dispositivo trazem um monte de outros que para mim não interessam, além do que, costumo comprar veículo com “preços de ocasião”, tipo um modelo do ano anterior, no ano seguinte.

   Acho que está explícito que existe algo para mim que é bem superior à enorme vontade de possuir um veículo com teto solar, não é?

   De qualquer forma, a minha disposição em pagar “um pouquinho a mais” por um carro que possua teto solar, para os que me conhecem, ensejaria, com certeza, no mínimo, consulta com uma psicóloga, o que até aceito fazer, desde que o meu plano de saúde “cubra o pagamento”.

   Faz tempo que não vejo o meu amigo da época da faculdade. Acredito que ele ficaria feliz ao saber que estou devidamente atualizado, conduzindo a “Dilma”. A propósito, resta saber se esse modelo, reestilizado ou não, ainda estará no topo no ano que vem ou se o “carro da vez” será outro.

   Aliás, não tecerei mais nenhuma palavra quanto a esse aspecto para não correr risco de influenciar alguém e depois ser responsabilizado se o veículo não andar ou, pior, ficar preso na marcha-a-ré.

   Logo, o veículo que pretendo para o ano que vem é um segredo que não revelo para ninguém!

   De qualquer forma, vou ouvir atentamente o noticiário eleitoral - pois embora não ofereça garantias, é incomparável em termos de ofertas - objetivando verificar se algum candidato irá propor redução de IPI para carros que possuam teto solar... Quem sabe?

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Zombando da Morte


                                                              
              ZOMBANDO DA MORTE

 
   Não tenho nada contra a morte. Ainda mais nos dias de hoje. Êta vida agitada!
 
   Diga-me se não tá todo mundo querendo descansar mais um pouco?
 
   Após dormir, creio que a única diferença entre continuar descansando e morrer é que, no primeiro caso, a pessoa acorda (ou alguém, ou o despertador, ou o galo, ou qualquer outra coisa, porém, acorda!) para mais um dia cansativo, enquanto, no segundo, persiste no “descanso”... Quer melhor?
 
   Hummmmm! Pensando bem, o ideal mesmo é tentar conciliar as duas coisas, tipo adiantando, em vida, um pouco daquele descanso que só teremos depois da morte.
 
   Funcionaria assim: como atualmente eu tenho pouco tempo para dormir, pegaria, diariamente, emprestado umas duas (ou três, ou quatro ou cinco) horas do longo tempo que terei para descansar eternamente e, no final da vida, ao invés de morrer no momento previsto no calendário celestial, iria pagando as horas estendidas, condenado a viver essa cansativa vida um pouco mais. Aliás, não me importaria sequer se tivesse que fazer esse pagamento com juros bem elevados...
 
   Dessa forma, quem sabe, talvez, até conseguiria alguns dias de remição do purgatório?

   A propósito, dona morte (ou Dona Morte, se fizer questão), será que eu vou passar por lá algum dia (ou algumas noites)?
 
   A bem da verdade, embora faça questão de deixar bem claro para a morte quem é que está mandando (ao menos até esta parte do texto. Sabe-se lá se serei eu a determinar o ponto final?) saliento que só não me farei mais rude com ela porque, no fundo, acredito que não tenha culpa de nada, além de imaginar o sofrimento que deve ser a sua vida, diariamente incomodando tanta gente:
 
   - Mas jááááááááááá?  
 
   Haja constrangimento!!!!
 
   Bem, já deu para perceber que no fundo eu estou tentando mesmo é um meio para enganar a morte, empreitada que, segundo recado recebido, ela até aceita discutir, porém, no campo dela, hipótese que eu, enquanto vivo, não aceito nem morto.
 
   Fica assim: se eu não posso enganá-la, pelo menos ela não retira de mim o prazer que tenho em enfrentá-la com uma simples caneta, fazendo dela o que eu bem entender. Mesmo cansado - ao menos até aqui - quem continua mandando sou eu!  
 
  Mas existe outra razão para que eu não seja tão rude com ela: está tarde! E eu muito cansado! Vou dormir!  

  Então boa noite e... Até amanhã (tomara!)! 
 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

pensamentos



Se você se cobra muito, estará sempre se devendo, mas nunca deixará acumular a dívida
 



Até os nossos tempos a humanidade só fez “enxugar gelo”. Nós o derretemos!




A diferença entre furto e roubo é que no furto o sujeito se serve e você não vê; no roubo ele se serve, você vê, impossibilitado de se defender;
 
 
 

Foi quando a coisa não ia para frente que alguém teve a grande ideia de criar a marcha a ré no automóvel
 
 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

cada louco com a mesma mania




                       CADA LOUCO COM A MESMA MANIA


    Tem um ditado antigo que diz: “cada louco com a sua mania”! Óbvio que eu tenho as minhas. Espero que você tenha as suas, mesmo porque, acredito, só um louco não as tem.

    O meu receio, na verdade, é no tocante a vários loucos com a mesma mania. Ou seja, uma mania que vire moda, “caia na rede”, se transforme em tendência e acabe por levar à “loucura generalizada”, transformando aquele que consiga não aderir em um verdadeiro lunático.

     A irreverência não é coisa nova. Só que ela era bem mais juvenil. E os adultos estavam ali para conferir um pouco mais de seriedade ao mundo, equilibrando as coisas. Atualmente, contudo, como não há parâmetro razoável que permita avaliar se algo vai cair no gosto ou não, tem bizarrice de toda forma e sem distinção de idade.

    Quem sabe o meu saudoso amigo “Ticão”, falecido quando ambos éramos ainda jovens, hoje, fizesse sucesso global (o mesmo que faz comigo, que não canso de repetir para os meus filhos, pois o carinho é que valoriza a interlocução) com a frase: “você está dizendo né meu camaradinha!”, que repisava a todo momento, quer concordasse ou não com o que o seu colocutor estivesse falando?

    Eu mesmo tenho alguns amigos que moram no Município de Nova Venécia e que, nas raras vezes em que os encontro, nos cumprimentamos com dois chutes recíprocos com o dorso do pé. Nem lembro como isso surgiu, mas é algo tão absolutamente ridículo que só vale a pena ficar entre nós mesmos. E é só por isso que tem graça!

    Pois bem! Não chega a ser algo surreal - aliás, infinitamente superior aos chutes - mas, por que tanta pompa ao cumprimento mediante um tapinha sequenciado por um "soquinho" (ou só o "soquinho". Vai dizer que você não conhece?)? Tenho certeza que você também já cumprimentou alguém de forma espontaneamente original, logo, havendo centenas de outras maneiras de se saudar, além dos tradicionais apertos de mão, beijinhos, abraços, etc. E nem por isso se tornam algo quase mecânico, tão rapidamente.

    Dia desses estava assistindo a um noticiário na TV, ao vivo, e no momento em que dois repórteres iam se cumprimentar, um fechou o punho da mão direita, levou em direção ao outro para o new “soquinho”, mas esse permaneceu do jeito que estava... Haja constrangimento! O pior é que se fizer uma daquelas famosas enquetes a respeito desse comportamento (será que ainda não fizeram, já que fazem de tudo?), possivelmente o daquele que ficou imóvel seria considerado mais inadequado do que o do que forçava o outro a aderir a um cumprimento que possivelmente não compactuava...

     Mas, se ainda não cedeu a tal cumprimento, possivelmente, vai ter que acabar assimilando...

    É que cientistas da Universidade de Aberystwyth, no País de Gales, segundo estudos publicados no "American Journal of Infection Control", concluíram que o milenar aperto de mão transfere muito mais bactérias do que outras formas de cumprimento.

    Adivinhem qual a melhor solução, afirmada pelos mesmos, para ser simpático diminuindo os riscos para a saúde? Ganha um “soquinho” quem acertar. Isso mesmo, o negócio é universal, apesar da roupagem adequada à língua local: o “fist bump”! 
   
    Do jeito que a coisa anda, é bem possível que o tal “soquinho” - ou “fist bump” para seguir no estilo igualmente pomposo da generalizadíssima “selfie”, ao invés do tupiniquim autorretrato - acabe se transformando em padrão de cumprimento obrigatório, ou, no mínimo, enseje muitos debates e iniciativas de projetos de lei visando salvaguardar a população brasileira dos grandes males que o aperto de mão pode causar, inclusive fortalecendo a posição ao trazer à lembrança os necessários cuidados à época da H1N1 (lembra?).
   
    Às favas o aperto de mão! O mundo sempre esteve errado. Inclusive, o dia 21 de junho, ao invés de dedicado ao “Dia Internacional do Aperto de Mão” (isso também é demais, né!?) vai se transformar no “Dia Internacional do ‘Soquinho’”... Que tal?

    A propósito, se não bastassem os apelos diários ao consumo de tantas esquisitices, como, no caso, o “soquinho” já virou algo que até a ciência passou a estimular, seria bom que, a partir desses cientistas aos quais ora faço referência, em sua perspectiva de mudar o “curso do vento sul”, pudessem fazer um Encontro Internacional, quando, ao final, fosse formulada a “Declaração Universal do Cumprimento entre Pessoas Humanas” (aliás, existem pessoas inumanas?... Não responda, por favor!)

    É óbvio que outras mudanças serão necessárias. Mas, para o “bem da humanidade”, vale tudo, não é mesmo? Cientistas da “University College London”, na Inglaterra, por exemplo, concluíram que pessoas com aperto de mão forte tem propensão de viverem mais do que aquelas cujo cumprimento é fraco (a propósito, acho bom você manter contato com aqueles seus amigos - todo mundo tem [ou tinha] uns desses - que costumam cumprimentar com as pontas dos dedos, antes que seja tarde!) .

    Sem o aperto de mão, o que acontecerá com essa outra importante descoberta científica? No fundo, o que tenho medo mesmo é de que o estímulo subliminar que era feito ao “apertão” possa ser modernizado para o “socão”. De qualquer forma, até que essa questão reste mais aprofundada, vou me manter afastado daqueles amigos que costumam cumprimentar com aperto de mão muito forte... Vai que eles misturem as duas pesquisas e, abruptamente (ou “abruptalmente”) tirem as suas próprias conclusões?

    E o que dizer de tantas outras pesquisas como a que conclui que o “aperto de mão ajuda a medir envelhecimento”? Assim indicam estudos realizados por demógrafos do “International Institute for Applied System Analyseis (IIASSA), sediado em Viena, na Áustria. Imagina! Com o desaparecimento do tradicional aperto de mão, seremos obrigados a medir o envelhecimento de acordo com a contagem dos anos, algo absolutamente surreal para os evoluídos tempos atuais.  

    Aliás, esse estudo se mostra extremamente inconfidente, pois não leva em consideração que existem pessoas que não gostam de revelar a sua idade de jeito nenhum. Para a excepcionalidade desses casos sim, entendo que o “soquinho” realmente se justifica como boa alternativa, embora acredite que tal vantagem seja momentânea, pois, no futuro, diante dos incontáveis estudos que serão feitos a respeito dessa forma de cumprimento, tal contato fatalmente acabará permitindo revelar não só a idade, mas, também, o cpf, o endereço, etc.

    Enfim, diante de toda essa controvérsia que envolve a transição do aperto de mão para o “soquinho” (ou “fist jump”, não esqueça!), enquanto não tivermos explicitamente clara a linha que deve ser seguida, talvez a melhor solução seja a proporcionada por outros cientistas, agora um “pool” multinacional deles, britânicos e norte-americanos, que criaram o “aperto de mão via internet”, já que quando realizaram tal proeza os mesmos se encontravam a 5.000 quilômetros de distância.

    Eu veria mais utilidade nesse aperto de mão virtual se ele fosse disseminado junto aos povos que vivem em guerra entre si! Como a tecnologia permite que se enfrentem situados em lugares cada vez mais distantes um do outro, sem aquele contato físico que caracterizava os grosseiros combates de outrora, no meio dos botões disparar e detonar próprios às suas modernas máquinas de morte, separando-os, poderia ser inserido o “cumprimentar”. Não sei se resolveria, mas garanto que iria “bombar”! Afora o “prato cheio” para muitos outros estudos (qual o botão foi utilizado primeiro, quantas vezes foi usado cada um, se eventual cumprimento foi respondido e de que maneira, grau de gentileza no clima da guerra, etc.)

    Além disso, já que o grande objetivo da humanidade, no fundo, é vencer, poderia acabar estimulando ao processo de transformação das guerras (haja caretice!) em combates globais de videogames (“Call of duty”
[1], dentre outros), aproveitando, inclusive, a farta mão de obra dos milhões (ou bilhões?) de “soldados” universais altamente qualificados disponíveis.

    Muita fantasia, não é mesmo? Pode ser! Mas ao fim deste texto eu acabo de vencer a minha terrível guerra pessoal contra o “soquinho”, que se revelou aliado, resignado, mesmo duramente atacado.

    Sendo assim e voltando ao meu amigo “Ticão”, que deixou estampado o grande valor da interlocução para os que conviveram ao seu lado, excepcionalmente, considero o “soquinho” (ou fist bump, não esqueça) como meu cumprimento final adequado, devido ao grande momento por ele me proporcionado, muito obrigado!  


[1] Você não acha que eu conheço esse jogo, né? Pedi ajuda aos “cybersitários”.