domingo, 10 de julho de 2022

Havia uma missa no meio do caminho



NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA MISSA

Recebi aquela notícia como quem se vê diante de um copo meio vazio: o Campeonato Brasileiro Júnior de Natação estava suspenso! Pouco depois, o copo esvaziou um pouco mais: a competição estava inapelavelmente cancelada!

Ora, se o copo não se esvaziou totalmente, então ainda estava ao menos um pouco cheio, não é!?

Fazendo uma verdadeira “ginástica” para que isso ocorresse, vim a Salvador (não riam, acreditem!!!) imbuído exclusivamente do propósito de acompanhar minha filha em mais este importante certame de sua jovem vida.

Chegamos na terça-feira, dia 05.07, ela nadou na quarta, a suspensão e cancelamento se deram na quinta, sendo que minha filha completaria sua jornada no sábado, dia 09, com retorno para a nossa Vitória do Espírito Santo no domingo.

Após digerir a notícia, imediatamente busquei antecipar o retorno, porém, isso exigiria o dispêndio de uma “extorsiva” quantia que jamais me submeteria a pagar, mesmo porque não me encontrava diante de uma completa “restrição da liberdade da vítima”...

Olhei para o copo um pouco cheio... Quer saber de uma coisa? Abaixo desse nível ele não ficará de jeito nenhum!

Firme no propósito inicial de acompanhar a minha filha, o mais importante era saber como ela estava avistando o seu copo e tratar de auxiliá-la a não baixar “de” nível (e nem “o” nível, já que esse tipo de conduta contribui para copos derramados no caminho...).

Estávamos sem a presença física do treinador dela, mas tomando conhecimento de que no mesmo horário da competição ocorreria uma bendita “Copa Salvadora”, mediante contatos com outros “Copos Salvadores”, conseguimos inscrevê-la nesse evento e o copo à minha frente já me pareceu bem menos vazio, ou melhor, um pouco mais cheio.

A “concentração” permaneceu a mesma, logo, rotina de atleta e “staff” (rsrs) de atleta, já que as suas provas ocorreriam no último dia da competição, ou seja, sábado, dia 09.

Mas foi justamente nesse dia que eu senti o “meu copo” nem um pouco vazio, ou melhor, totalmente cheio!

Minha filha nadou pela manhã! Voltamos para o hotel! Era por volta de 10:00 horas. O aquecimento do período da tarde seria às 15:30. Devido à minha afrodescendência, gosto muito de usar um tipo específico de chapéu que remete às origens. Desta forma, após rápida pesquisa, concluí que a minha maior chance de incrementar  meu vestuário ocorria naquele momento e se encontrava no Mercado Modelo. Trinta minutos para ir, mais trinta para voltar, uma meia hora para rápida pesquisa no local... Sim! Dava para eu ir! Logo, iria!

Por espontaneidade a atleta não me acompanharia! Mas não me senti cometendo nenhum “constrangimento ilegal” ao convencê-la a ir comigo! No fundo, além de realmente querer a sua companhia até o local, achava que isso faria mais bem a ela do que a mim, embora, obviamente, seja difícil até eu mesmo acreditar nisso (rsrs).

Percorri praticamente todas as lojas do local e não encontrei o que pretendia em nenhuma delas. Mas, não um, nem dois, e sim três lojistas me remeteram para uma espécie de “Posto Ipiranga” do assunto:

    - Procura logo ali, em frente ao “elevador”, o Jamaica! Ele resolverá!

    - Mas, quem é o “Jamaica”? Como vou saber que tal pessoa é ele?

    - Ele é único! Você vai olhar e vai saber que é ele!

Constatei rapidamente: pura verdade!!!

Contudo, aqueles trinta minutos que calculara seria utilizado para uma possível pesquisa e compra se tornaram um pouco mais! Na verdade, enquanto o “Jamaica” não encontrou algo que me satisfizesse, não sossegou! Tirava os chapéus de tudo quanto é lugar! Tinha tanta coisa espalhada em seu pequeno recinto que a impressão é de que ele buscava coisas até no subsolo para me apresentar mais de uma centena de peças do seu produto!

Com a inestimável ajuda também de minha filha e de um daqueles espelhinhos do “Jamaica”, que lembrava a minha infância, escolhi cinco chapéus, além de ter ganhado um de brinde! Tudo por R$ 50,00 (cinquenta reais). Diante da modicidade do preço (os que tinha, até o momento, não saíram por menos de R$ 30,00, cada), tentei ao menos pagar pelo que ganhara! Que nada!: - Você leva mais este outro, então, que custa R$ 15,00, mas vou fazer pra você pelos mesmos R$ 10,00.

Compra concluída, não daria tempo nem para conhecer o famosíssimo “Elevador Lacerda”! Bem ali à minha frente! Que pena!...

Que pena? Uma “Escolha de Sofia” entre o “Elevador Lacerda” e o “Jamaica”? Me desculpem: fico e recomendo, sem pestanejar, o “Jamaica”!

Mas o melhor de tudo estava por vir! A foto! Aliás, a sessão de fotos com o “Jamaica”, com o “Elevador Lacerda” de prestigioso “ator coadjuvante” ao fundo! Essas fotos são mais que um grande troféu que conquistei e vou levar para sempre desta viagem!

A propósito, o “Jamaica” por umas duas vezes falou que em 2023 terá que ir a Vila Velha (cidade vizinha à que moro, separada apenas por uma “Terceira Ponte”). Como ele me passou o telefone e disse que posso encontrá-lo em tudo o que diz respeito a rede social, até lá vou procurar saber quando irá ocorrer a tal viagem para poder retribuir ao menos um pouco do bem que ele me fez aqui!

Ora, o que tem a ver o “Jamaica” com o título desta crônica? O “Jamaica” é um Deus? Menos, né “Jamaica”! No máximo, talvez, um Santo rsrs.

Sim: o título poderia ser “No meio do caminho tinha um ‘Jamaica’”! Mas não é assim porque havia algo ainda maior e mais importante por vir!

Desde antes do início da viagem, minha filha falou que após o evento, no pouco tempo que restaria para retornarmos para nossa casa, queria se encontrar e permanecer com alguns amigos, atletas de outros Estados, agora sem o “peso” da “concentração” para o outro dia de “labuta”, o que, diga-se de passagem, considero extremamente saudável.

Logo, fui com a mesma até o local onde haviam combinado, a deixei lá e parti em retorno para a minha hospedagem, com aquela enorme mochila típica de atleta de natação nas costas. Simplesmente porque tem coisas que não precisam de razão nenhuma para acontecer ou não, resolvi não voltar pela bela orla, mas por uma avenida paralela, quando me deparei com aquela linda Igreja, que já tinha visto antes, mas não reparado como no momento, pois estava bastante movimentada.

17:40? Sábado? Deve ser casamento!...

Não era!

Perguntei a alguém que estava na escadaria de acesso e ele me informou que era Missa e que começara a pouco!

Estava de chinelo, com uma enorme mochila nas costas... Mas, dentre algumas bermudas que trouxera, eu não estaria trajado com a calça que também viera na bagagem, por acaso...

Porquê entrar? Porquê não entrar? Entrei-oo Amado Mestre!

Amado Mestre mesmo!

Acreditam que era justamente o dia de Festa dos 62 anos da Paróquia Nossa Senhora da Luz, onde inclusive estava presente o Bispo, Dom Sérgio???

E, para finalizar, após a Missa, porém, anunciado nela, o lançamento do primeiro livro, infantil, de uma professora, Alexsandra Vieira, chamado “Clara das Nuvens”. Impossível não ser aquela “benção final” que eu tinha a chance de levar, como estou levando, para minha casa!

Voltando a falar do copo, que acabou ficando um pouco para trás:

Evidente que também entendo que os episódios que circundam o cancelamento da competição envolve uma série de fatos que podem e devem ser melhor avaliados, até porque líquidos derramados não retornam para os copos...

Por outro lado, no que tange a cada um, PRINCIPALMENTE OS ADULTOS, é agir com a maior prudência possível, buscando, especialmente, influenciar no naturalmente difícil equilíbrio do heterogêneo grupo de principais “vítimas” da situação, ou seja, atletas, jovens, cheios de aspirações pessoais, agrupados em diversos clubes, diante de delicadas circunstâncias que permearam o abrupto cancelamento do evento, independentemente de qualquer juízo de valor que se faça quanto ao mesmo...

Enfim, no que tange a mim, diante da enorme tempestade que repentinamente se formou, tentei aproveitar para encher um pouco mais o meu copo, então meio cheio, torcendo que TODOS, mas, especialmente a minha filha, tenha conseguido se valer ao menos um pouco da borrasca também, já que, nessas circunstâncias, só aceitaria a ideia de esvaziar o meu se esse fosse o irreal caminho para acrescentar ao menos uma gota no copo dela.

E como, certamente, a tempestade não terminou, é o que sinceramente desejo para mim, para você, para todos nós, não só no que tange a este episódio, já que os copos, queiramos ou não, nos acompanharão por toda a vida, o que menos importando é se são “Nadir” ou “Stanley”.




(Domingo, 10.07, Aeroporto de Salvador-BA, após trazer minha filha para o seu voo, durante “aquela” oportunidade de espera de quatro horas, até o meu).

sábado, 25 de junho de 2022

Trinta anos de MPES


TRINTA ANOS DE MPES


Hoje, 25 de junho de 2022, completo trinta anos de exercício enquanto Promotor de Justiça do querido Ministério Público do Estado do Espírito Santo.

No fundo, a única coisa que sinto falta, neste momento, assim como já registrei em outros "aniversários", mas reforço especialmente neste, "de bola", independentemente dos registros que são feitos, é de receber da Instituição e/ou de minha Associação, algo material, simbolicamente marcante, que pudesse pegar, pendurar ou simplesmente guardar, preferencialmente de pouquíssimo valor monetário, alusivo a tal etapa percorrida, como um broche, uma medalha, ou o que a criatividade de outrem, com a prerrogativa de proporcionar, sugerisse, não somente a mim, mas a todos que chegassem a essas datas simbólicas, como 5, 10, 15, 20, 25, 30, ou sei lá quais fossem assim consideradas.

Mas, hoje é dia de festa, não de lamentos, diante do que para mim, efetivamente, representa chegar até aqui, razão pela qual tal registro se deve apenas ao reforço de uma ideia, que persiste, diga-se de passagem!

Tenho cinquenta e sete anos de vida, logo, mais da metade deles nas fileiras do MPES. Aliás, confesso que quando ingressei, não me imaginava permanecer por tanto tempo, antes que o direito à "inatividade" (???) me alcançasse e eu a ele! Afinal, à época, por si só, esse tempo seria suficiente para a aposentadoria. E como eu, afora o tempo de trabalhos informais, já possuía mais nove anos de contribuição,... Porém, certo é que, com as sucessivas alterações legislativas, a última delas a famigerada "reforma da previdência", para alcançar o direito de optar ou não pela aposentadoria, ao que consta, só daqui a mais três anos,...

Não me faço de rogado! Absolutamente! Tudo tem sua razão de ser! E tenho que procurar ser o mais útil possível, por esses ou seja lá quantos mais anos sejam... Se, certamente, não mais com o mesmo vigor do frescor dos "vinte e poucos anos", procurando compensar com uma melhor lapidação dos anos de experiência, buscando, essencialmente, diante da ainda tosca realidade que a todos incumbe agir para transformar, manter aceso o inconformismo que a responsabilidade pelo importante cargo exige.

Isso foi e continua sendo um grande desafio! Afinal, diante de tudo o que o Ministério Público fez por mim, ainda mais se torna importante avaliar: o que eu fiz por ele? E, especialmente, porque a batalha não terminou, muito pelo contrário: o que de melhor ainda posso fazer?

Apesar de nesse percurso, repleto de momentos intensos, ter sacrificado algumas coisas, como uma carreira de professor universitário, pouco após ter ingressado nela, nesses trinta anos eu firmei parceria com uma "sócia" e, juntos, chegamos a seis filhos, dos onze aos vinte e cinco anos de idade, registro do qual me valho para resumir a importante estabilidade material que o cargo me proporcionou.

Portanto, neste momento de minha vida, faço questão de expressar minha gratidão a Deus pela forma que me permite conduzir o meu destino, naquilo que me cabe, rogando a Ele que me ilumine para ser um Promotor de Justiça melhor, diante do tamanho dos desafios que o dia a dia cada vez mais apresenta para quem acredita que a substituição daquela primitiva máquina de escrever por um atualíssimo computador, enseja que as conquistas sociais venham, ao menos, com a mesma intensidade...

terça-feira, 7 de junho de 2022

Botafogo: e se o comprador fosse russo?


BOTAFOGO: E SE O COMPRADOR FOSSE RUSSO?

Concluída a negociação, o centenário Botafogo de Futebol e Regatas se tornou uma SAF, ou melhor, Sociedade Anônima do Futebol, instituída pela Lei nº 14.193/2021.

Reconheça-se que dificilmente se conseguiria alcançar melhor alternativa antes que o clube acabasse mortalmente absorvido pelo vírus da insolvência.

Essa monstruosa dívida, advinda ao longo de gestões do clube, é situação que certamente será estancada, até porque a aquisição é um investimento, sendo natural que o transnacional negociante se acerque de cautelas para não prosseguir no vertiginoso crescimento de um débito calamitoso, muito pelo contrário, a valorização da marca e o retorno financeiro sejam consequências de uma política planejadamente exitosa.

Contudo, embora existam regras básicas relativas a deveres e responsabilidades (leis 6.404/1976 e 14.193/2021), nova questão que se apresenta, no meu sentir, é que, no fundo, aquilo que realmente mais importa ao futuro de um clube, passa a depender, basicamente, de uma só pessoa, natural ou jurídica (ou grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto), com todas as peculiaridades de qualquer individualidade: o acionista controlador!

Logo, mesmo que adotadas medidas visando diminuir sua influência, mas na medida em que o dinheiro, especialmente neste mundo globalizado, não tem bandeira, pátria ou nação e é o fator determinante para a opção por esse ou aquele acionista controlador, imagina se o comprador do Botafogo fosse algum empresário russo...

É certo que tal fato, por si só, nos dias de hoje, ocasionaria enorme agitação em torno da SAF, embora, acredita-se, não a ponto de se parecer com a atualmente enfrentada pelo Chelsea, da Inglaterra, com uma série de restrições à utilização de seus recursos, dentre outras sanções aplicadas a empresários russos com negócios no país, devido à guerra na Ucrânia.

E este exemplo foi trazido apenas para ilustrar fatores relativos à "safinização" do futebol, porém, nada muito diferente do que vem ocorrendo com a economia de modo geral, cada vez mais globalizadamente interdependente, ou melhor, subserviente!

Ocorre que o futebol, pela sua própria essência, não deveria rumar, jamais, para esse campo, onde o clube se torna, na prática, menor do que o negócio, a par de sua importância.

Aliás, é diferente quando optamos por outros mundos, de quando imploramos para que sejamos adquiridos por eles, como nossa única esperança de sobrevivência, que, no momento, reconheça-se, forçosamente, é um caminho que ao menos apresenta luz à sombria realidade de alguns dos mais tradicionais clubes brasileiros.

No mais, então, antes de torcer pelo time, é torcer primeiro pelo controlador, afinal, alguém que, repentinamente, se tornou a verdadeira estrela solitária do clube!

segunda-feira, 14 de março de 2022

Instituição de cotas nos cargos superiores da administração

 INSTITUIÇÃO DE COTAS NOS CARGOS SUPERIORES DA ADMINISTRAÇÃO

Convidado pela Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Espírito Santo, para veicular, em um livro, juntamente com outros autores, depoimento de produção espontânea a respeito de atuação na promoção do tema afeto à Comissão, depois de muito refletir, acabei aceitando e, em razão deste passo, com enorme alegria, celebro, hoje, dia 14.03.2022, o lançamento do livro "Representatividade Negra no Direito Capixaba"; pela editora Cousa.

Uma vez que as cotas em universidades e em concursos públicos, depois de muitas batalhas sociais, se tornaram realidade legislativa, juridicamente sedimentada, aproveito a oportunidade para centrar em torno de um novo desafio, que são as cotas nos cargos superiores da administração pública, sem prejuízo de outros âmbitos, além dela, obviamente!

Se for para se opor, por meio dos obstáculos que podem ser trazidos para o meio do caminho, assim como se deu com relação a alguns degraus já felizmente superados nesse campo das cotas, certamente eles existem, como se encontram retratados, por exemplo, a conferir, por quem queira, mediante a ação civil pública sob nº 0004525-86.2017.8.08.0048, que tramitou perante a Vara da Fazenda Pública Municipal da Serra e visava que as normas relativas às cotas sirvam de parâmetro também para as contratações que independam de concurso público, notadamente para a ocupação de cargo comissionado.

A rigor, é muito mais uma questão de iniciativa e vontade política do que propriamente a possibilidade ou impossibilidade de sua instituição, já que, certamente, se algum óbice há, seja de que natureza for, ao invés de conduzir à cômoda resignação na omissão, deve ser enfrentado e superado, pois não está em sintonia com o planejamento e execução de políticas públicas voltadas para a promoção da igualdade racial, conforme emana da Carta Constitucional e legislação infraconstitucional decorrente.

Impossível continuar a se contar nos dedos os negros que ocupam cargos superiores da administração pública - ou ocupavam, já que em alguns dos mais pujantes Órgãos nem ali estão mais eles e nem a representatividade da raça.

Como "a pressa do negro" não parece a mesma dos "reais fatores de poder que regem a nação" e necessita de "servidores práticos, não retóricos" (A Essência da Constituição, Ferdinand Lassale), sem prejuízo de outros, evidentemente, pois a expectativa é de que ocorra com todos, mediante ações que levem à superação dos eventuais óbices, identifico o Ministério Público, pelo seu perfil constitucional, como Órgão que muito se compatibiliza com iniciativas visando a consecução dos objetivos, inclusive com relação aos seus próprios cargos superiores, como os de Procuradores de Justiça, por exemplo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Vitória maiúscula?


VITÓRIA MAIÚSCULA?

Quando não nós mesmos a utilizar esta forma de expressão, em não raras oportunidades somos surpreendidos com algumas comparações relativas a um grande feito, atribuindo-o a uma vitória maiúscula.

Ora, no próprio parágrafo que iniciei o presente texto, todas as demais letras são minúsculas, só o Q é maiúsculo!

E o que seria do Q maiúsculo, sozinho?... Nada!!! Apenas um Q maiúsculo. Já com as letras minúsculas, ao menos haveria um monte delas, à espera de uma só letra maiúscula para o trem fluir no seu carrilar...

Tudo bem! Eu realmente não poderia iniciar o texto sem ele... Logo, combinemos assim: a letra maiúscula é importante, mas, sem as minúsculas, ela não faria sentido. E não me venha com a ideia de um texto todo em maiúscula, por favor!!!

Aliás, o que você acha de LASS??? Não lhe diz nada, não é? E uiz ntônio de ouza ilva? Num exercício de adivinhação, fica até mais fácil, mas, evidentemente, também não diz nada! Já Luiz Antônio de Souza Silva dá sentido tanto às letras maíúsculas, como às minúsculas e à própria forma encontrada pelos meus pais para o registro de minha existência, durante e até depois dela, obrigado!

Enfim, para cada vitória, há uma derrota! No caso, embora se enfatize sobre a vitória, é necessário pensar, também, na derrota! E se a vitória é maiúscula, a derrota será minúscula! O que, ao menos para mim, é inaceitável!

Melhor mesmo é deixar as letras fora disso! Nasceram não para disputarem entre si, mas para se completarem, possibilitando um mundo de inimagináveis divagações e combinações, comparáveis com as maiores vitórias que alguém, algum dia, já alcançou ou possa vir a alcançar. E o melhor: sem vaidades, já que, salvo indisfarçável implicância, democraticamente, se revezam, todas elas, ora na condição de maiúscula, ora na de minúscula!

Vitória é vitória. Derrota é derrota! Quando inicia uma frase tanto o v de vitória, quanto o d de derrota serão maiúsculos. Quando não for assim, serão minúsculos. E ponto final!!!



sábado, 12 de fevereiro de 2022

A Fila

A  FILA

No dia 18 de janeiro de 2022 morreu, aos 112 anos de idade, o espanhol Saturnino de la Fuente Garcia!

Sim. E daí? Todo dia nasce gente e morre gente! Porque o registro da morte do tal Saturnino?

Caramba! Com tanta propaganda sobre longevidade, nos últimos tempos, com promessa de que "em breve" (que nunca chega!) viveremos até os mil anos, não imaginava que o homem mais idoso do mundo possuía "só" 112 anos de idade!

Pois é! Passou a vez! Além do próximo da lista, deve haver, agora, uma "pequena fila" de pessoas entre 100 e 111 anos, "esperando" o seu momento de ocupar o posto. Se não se transformarem, antes, em um ex-possível mais idoso do mundo, passando a vez antes de chegarem ao posto, óbvio!

Pelo menos essa fila parece um pouco mais difícil de ser fraudada!!! Não digo nem pela falta de possível "criatividade" para burlar a lista, mas sim, pela idade dos "postulantes", a pressupor que mesmo um ou outro que eventualmente tenha se desviado dos caminhos da correção, já tenha entendido, nessa fase da vida, ser melhor aproveitar a estendida oportunidade para melhor influenciar as diversas gerações posteriores, que tanto necessitam de bons exemplos.

Aliás, consta que o posto foi ocupado pelo Saturnino por pouco tempo, já que o "assumiu" aos 10 de setembro de 2021, Tempo suficiente, entretanto, para nos brindar com o seu valoroso "segredo" para a longevidade: "uma vida tranquila... E não machucar ninguém"!

Quanto a mim, ainda um pouco longe nessa fila, porém, um tanto inquieto quanto ao indefinível termo meia-idade, aproveito a aguçada oportunidade para sugerir que o mesmo seja utilizado para definir aquelas pessoas que estão mais ou menos na metade da idade da pessoa mais idosa do mundo. No caso dos homens, o mais idoso; no das mulheres, a mais idosa!

Ou seja, como conto 56 anos de idade e o Saturnino tem 112, estaria eu exatamente no epicentro da meia-idade. Simples e objetivamente assim!

De qualquer forma, como efetivamente se sabe somente quando se começa a idade de cada um, sem informações de quando se está na meia ou no fim da idade, melhor mesmo é ir vivendo um dia de cada vez, pois, este sim, ao menos tem horário para começar e para terminar. E oxalá, possamos eu e você estarmos vivenciando essa cotidiana entrega de bastão de um dia para o outro, por algumas muitas incontáveis oportunidades!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

O destino é quem manda


O DESTINO É QUEM MANDA!

O Djokovic era o principal favorito para o primeiro "grand slam" de tênis do ano, o Australian Open.

Ocorre que após um longo imbróglio envolvendo sua participação, já que não se submeteu à vacina para a covid, sua atuação foi vetada, aumentando as possibilidades de outros expoentes do esporte.

O destino é feito de incógnitas. Logo, ninguém sabe como teria sido se ele tivesse participado. Só o destino. Mas isso ele carregará só para si, para sempre. Certo é só que um jogador, que acabou entrando no lugar dele, não teria atuado! A dinâmica de cada jogo, os resultados, a influência que exerceria em cada torcedor, que poderia ter comparecido ao evento ou não, alterando ou não algum fato relevante de sua vida, por essa ou aquela circunstância,... Enfim,...

Como orienta a sabedoria: faça força para estar, pois ao menos não dará oportunidade para, eventualmente, não sentirem a sua falta! Ou, ainda pior, celebrarem!

Fato é que, como acordo cedo e o fuso horário, nesse caso, contribui, embora não de forma completa, assisti a grandes jogos pela tv! Sendo torcedor do Nadal, logo, reconhecidamente na condição de suspeito nessa avaliação, confesso que nem senti falta do Djoko.

Quanto ao Nadal, tudo poderia acontecer, já que vinha de meses de inatividade, devido a lesões. Voltara pouco antes em um torneio na própria Austrália. Inclusive vencera. Porém, sets bem disputados, adversários menos ranqueados, jogos com duração menor, além de menos partidas.

No Australian Open, jogo após jogo, foi seguindo, passando pelo momento mais difícil no confronto de quartas de final, contra Denis Shapovalov, decidido no "suspiro" e "sem respiro", no quinto set, isso após ter ganho os dois primeiros.

A maior emoção, entretanto, estava reservada para a final, diante do russo Daniil Medvedev. Perdera os dois primeiros sets. Se encaminhava para perder também o terceiro. Eu já tinha entregue os pontos. Ele, o "touro", felizmente, mais uma vez, não!

Dirão que foi aquela bola que ele acertou ou a outra que o Medvedev errou que mudou os rumos do jogo. Já alguns relatarão que foi o olhar... A troca da raquete... A meia da sorte!!! Que nada, foi somente o destino!

É ele quem manda! No caso, não sei se de "forma consciente ou não", alfinetou com crueldade o fígado do Djoko, que, seguramente, não estava vacinado para o tamanho do "evento adverso" experimentado: não só perdeu uma excelente oportunidade de desempatar a seu favor o número recorde de "grand slams" (que dividia com o Federer e o próprio Nadal), como viu esse avançar um à sua frente!

Curioso, ao menos para os meus olhos, que mesmo tendo "deixado tudo em quadra", o comumente esquentado Daniil Medvedev, ao final do jogo, angariando minha sincera simpatia, parecia "saborear" a derrota para o Nadal, como se, no fundo, compreendesse que nesse dia, por mais que se esforçasse para vencer, o destino, nitidamente torcendo e conspirando contra, jamais deixaria de demonstrar a sua explícita superioridade!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Nova Venécia Futebol Clube!

 

NOVA VENÉCIA FUTEBOL CLUBE!

Nasci e cresci em Vitória. Porém, em 1985, em razão de assunção de cargo público, dentre algumas opções no interior do Estado, escolhi Nova Venécia para o desempenho de minhas atividades, repetindo tal feito em 1992, quando, empossado em outro ofício, no qual me encontro até a presente data, na mesma cidade, primeiramente, desempenhei minhas atribuições.

Também casei no município, unindo-me a uma Veneciana, desta feita não só pela primeira, como a única vez (rsrs), razão para regulares idas à cidade, até os dias de hoje, especialmente para visita aos familiares da mesma, estendendo o encontro, sempre que possível, a outros que nos são mais próximos.

Desta forma, foi com bastante alegria que acompanhei o surgimento do Nova Venécia Futebol Clube, já que vira com muita tristeza o vazio deixado pelo Leão de São Marcos, AA Nova Venécia e o Veneciano, outrora agremiações que faziam as vezes do município no futebol profissional capixaba.

Em oito meses de criação, o Nova Venécia FC conquistou a Série B do Campeonato Capixaba e, mais recentemente, a Copa Espírito Santo, alcançando o acesso ao Campeonato Capixaba de 2022, vaga para a Copa do Brasil, Copa Verde e a Série D nacional.

Se parasse aí, devido a diversas variáveis que vão além do indiscutível empenho na busca pelos resultados, o enredo já seria demasiado surpreendente, constando nos registros históricos como algo realmente incrível e merecedor de detida análise, visando contribuir para os estudos em busca dos "ingredientes" que levem a "fórmulas" para a criação, sobrevivência e o crescimento dos clubes de futebol, logo, dos próprios e variados contextos em que estão inseridos.

Se é óbvio que, felizmente, as conquistas são um enorme combustível para manter viva e aumentar a chama, por outro lado, as expectativas, inegavelmente aumentadas, devem ter o seu lado emocional temperado por uma visão bastante racional da realidade, aliás, diversas realidades, no estado, no país e no mundo!

Enfim, o impagável entusiasmo deve contribuir para a superação de obstáculos bem mais difíceis, que, a propósito, por si só, já significa a própria manutenção do destaque "rapidamente" alcançado (bem sabemos que não é isso, pois o planejamento, quando bom, demora bem mais do que a sua execução), antes de se constituir em motivo para cobranças exageradas, embora o maior sucesso que possa ser obtido, efetivamente, nunca se baste, sendo sempre a próxima meta!

Uma confluência de fatores, envolvendo jogadores, torcida, comissão técnica, patrocinadores, dentre outros, possibilitou que neste momento exista uma vibração extremamente positiva em torno da valiosa "marca" Nova Venécia Futebol Clube. A sua sobrevivência e, se possível, o seu sucesso, tanto maior quanto se apresente alcançável, significam muito para si, para a cidade que carrega no nome, para o futebol capixaba e o brasileiro!

Muita coisa gira e ainda pode girar em torno disso!

E, como aqui na terra, o "Pombo" se mostra como brilhante embaixador do clube, digno do maior apreço pela forma como se volta para o crescimento do "ninho" onde nasceu, lá no céu, agora temos também o "Vovô", que, em sua nova missão, além de ter o orgulho do primeiro registro feito no cartório celestial ser justamente o do título "improtestável" do time da alma e do coração (os do Botafogo, Palmeiras e Atlético ocorreram só depois!), seguramente, já trouxe até o Pai para a torcida!

Desta forma, quem pode (ser) contra um time desse?


domingo, 31 de outubro de 2021

Foi o meu grande JUDICEÁRIO!

 FOI O MEU GRANDE JUDICEÁRIO!

Passei parte do dia decidindo se iria e, caso superada tal premissa, como faria para comparecer... A logística seria complicada! Além do mais, "trairia" algo que para mim é tão marcante, que acabei registrando, de forma sintética, em meio a outros, num livro de pensamentos: - se o lugar em que você mais se reúne com conhecidos de um passado distante é em velório ou na seção eleitoral, o que, aliás, muito entendem como a mesma coisa, significa que vocês precisam reservar mais tempo para se reunirem!

Ah! Não era velório, nem seria aquele encontro que de vez em quando "marcamos" na seção eleitoral. Antes fosse este último, porém, cuja próxima data está agendada para o ano que vem. Tratava-se, enfim, de decorrência daquele primeiro fato: uma Missa de Sétimo Dia!

Decidi ir! Aliás, no fundo, não poderia ser diferente, eu bem já sabia!... Deveria ter feito isso algumas vezes antes, quando o corpo ainda estava aqui, conosco, rezando, presente, suas próprias Missas; mas nessa, especial, seguramente, a alma estaria e isso acaba confortando, um suave consolo a amenizar o lado humanamente descontente!

Deixei o carro em Bento Ferreira, entreguei a chave na portaria da escola, para a esposa e filhos seguirem, após a labuta diária, enquanto eu, "folgado" nesse dia, pensava em como rumar até à Igreja, na Praia do Canto. Como faltava mais de uma hora, resolvi ir caminhando e meditando. No trajeto, passando pela Avenida Carlos Moreira Lima, reconheci o número 80. Ele mudara dali já há anos. Mas, aquele era o teimoso endereço em que habitualmente "o avistava", com os olhos de minha mente, como hoje, mais uma vez o fiz, embora de maneira bem mais detida e refletida.

Isto também ocorre quando passo pela Rua Alberto de Oliveira Santos, nº 42, edifício Ames, no centro de nossa capital. Frequentei bastante as salas 1714/1715 e, embora ali também não mais se estabelecesse o seu escritório, para a nostalgia que multicolore nossa vida, continuava e sempre continuará a se localizar.

Porém, tudo começou mesmo foi no 5º andar, do edifício Fábio Ruschi, também situado no Centro, em 1982. Estudante do nível médio, curso técnico de administração, fora aprovado para estagiar na então Companhia Vale do Rio Doce. Conforme ocorreu com vários outros, eu podia ter sido lotado em Cariacica ou Tubarão, por exemplo. Mas, quis o destino, que ficasse em Vitória e fosse lotado no setor jurídico da Cia., localizado na Avenida Governador Bley, 236 (endereço onde, curiosamente, cerca de dez anos depois, seis andares acima, tomei posse no meu atual cargo público).

Até então nunca tivera contato com o ramo do direito, sequer sonhava com vestibular, apenas ia encarando as ocupações de acordo com as oportunidades que surgiam. Registre-se, entretanto, que ali trabalhava uma formidável plêiade de Advogados, que prefiro não nominar, para não correr o risco de esquecer de alguém.

Mas, o meu "ídolo" mesmo era o servidor José Carlos Ferreira Simôr, com sua genialidade extrema naquelas então poderosas e moderníssimas máquinas de escrever IBM elétricas. Findo o meu estágio, sem que recebesse aquele impossível convite para seguir na CVRD, como eu não era tão bom, mas nenhum "catador de milho", fui convidado para um "teste" no escritório de advocacia de um dos Advogados, acabei contratado e me tornei auxiliar de escritório do "Abreu Júdice", aos 01 de março de 1983.

Ali eu fui verdadeiramente apresentado ao Judiceário, através daquele que considero o maior responsável pelo curso que fiz, além de ter se tornado o meu maior mestre nele, embora não tenha sido tecnicamente seu aluno: Dr. FERNANDO DE ABREU JÚDICE (infelizmente, reduzidíssimo foi o contato com os Drs. José Ricardo de Abreu Júdice e Álvaro Manoel Rosindo Bourguignon, à época frequentando mestrado na PUC-SP).

Todos que o conheceram sabem bem que ele não só era taurino, mas o próprio touro! Para ilustrar, sem pretensão de enganar ninguém - e, primeiramente, nem a mim e nem à memória dele mesmo - eu nem era o Luiz, mas o "Colored", adjetivo inimaginável para se referir a alguém nos dias de hoje! Para mim, todavia, isso pouco importava, porque eu precisava do emprego, primeiramente, não nego, mas também, no fundo, porque ele realmente gostava muito, bastante de mim! E me forçava a ser bom naquilo que eu fazia para ele, o que compreendo perfeitamente, porque, para mim, ele era simplesmente o melhor e, se não fosse assim, eu não serviria para ele!

E cá entre nós, conviver com os melhores não é nada fácil, mas, pensando por outro lado, é uma das maiores oportunidades que se tem para que você também melhore!

Logo, eu também fui ficando melhor! Afinal, ao mesmo tempo que me cobrava, me empoderava! Com pouco tempo, passei a conseguir acompanhar seu raciocínio e concatenação fenomenais, ao datilografar as incríveis petições, de várias laudas, com seus "escorços históricos", substanciais preliminares e profunda sustentação meritória, sem nenhum "ctrl c, ctrl v", criadas e ditadas instantânea e diretamente para mim, sem minutas, papeis ou intermediações!

Minha datilografia, mesmo sem curso específico para tal, melhorou "a toques não vistos" (inclusive foi fundamental para posterior aprovação e alcance de boa posição em um concurso), meu português idem e, principalmente, o gosto e o conhecimento tocante às "primeiras linhas" do direito!

Passou a não perder tempo com diversos "atos burocráticos", como procurações, por exemplo, deixando-as por minha conta! Conhecia o CPC inteiro (à época vigia o de 1973), de tal forma que artigos 267, 269, 282, 295, 301, dentre outros, se tornaram companheiros mentalmente íntimos também para mim...

Muito devido a essa "escola" que tive, apesar de ainda não frequentar o curso de direito, na prática eu já tinha "aprendido bastante" (tanto que, na verdade, o resto, depois da aprovação no vestibular, me desculpem pela franqueza, foi "muito fácil").

Enfim, para trabalhar com o Dr. Fernando, não tinha dia e nem hora! Vem à memória as noites e finais de semana que permanecemos no escritório, algumas vezes rumando também para Cachoeiro de Itapemirim, na companhia de seu fiel motorista, Osmar Moreira Dias, ficando eu todo orgulhoso pela contribuição para a pintura que, ao final, era assinada pelo artista, embora dificilmente reste preservada, em sua forma original, no seu devido lugar, em algum "espaçoso" escaninho da "história", em razão da forma avassaladora como, misturada a tantas outras, com ou sem expressão, são fugazmente "digitalizadas e descartadas".

Embora tenha trabalhado "informalmente" em alguns locais, antes do estágio, o escritório "Abreu Júdice" é o primeiro registro em minha carteira de trabalho, cujas folhas, a propósito, para ora fazer judícea histórica, não contém os extras que de vez em quando recebia, ainda que, até mais que isso, me cativava imensamente, ora confesso de forma espontânea, aquele suculento "marmitex" do Alice Vitória Hotel ou da "Baronesa", para que nossa "máquina" continuasse funcionando a pleno vapor.

Eu fiquei no escritório durante cerca de "cinco períodos", assumindo, a seguir, cargo alcançado em um banco, indo trabalhar no interior do estado, embora, no ano seguinte, tendo retornado para a capital, ainda fizesse alguns trabalhos para o mestre e sua equipe, concomitantemente com um cursinho pré-vestibular intensivo, sendo, então, aprovado para o curso de direito na Ufes, o qual, muito em razão do "estágio" e "prática forense" anteriores, foi concluído em menos períodos do que o previsto para a grade curricular.

Faço esse "escorço histórico", que obrigatoriamente me envolve, não com o prazer de dizer sobre mim, mas pelo tanto que este caminho eu devoto a ele, com eterna gratidão!

Cheguei à Missa com alguma antecedência! Lugar e momento para reflexões únicas e mais profundas!

Assim estava! Contudo, ciente da imensa fila que se formaria, ao final, para externar os sentimentos à querida Ana Rita Marques Júdice, filhos e demais familiares, bem como, acreditando que o término da Missa coincidiria com a "carona" que pretendia pegar com minha esposa e filhos em direção à nossa casa, fui até os mais próximos e caros ao falecido, cumprimentei-os e retornei para o meu assento.

Foi uma Missa profunda e maravilhosa! Uma hora apenas, mas que significa muito, tanto para quem foi, como para quem "partiu"! Fiquei muito feliz por ter ido! E bastante emocionado!

Embora fizesse força para focar atenção no "Padre e na Missa", a mente "viajou" bastante! Em uma dessas "viagens", me pus a pensar na "maratona de revezamento" que é a vida, cujo nosso principal papel é entregar o bastão para que o próximo, mais próximo, continue carregando-o, permitindo-se manter a chama, desde que o pavio se acendeu, há "quilômetros" de tempos atrás!

Somos os conduzidos, depois os condutores, por algum tempo "corremos ao lado", até que somos definitivamente ultrapassados, cruzamos a nossa "linha de chegada", enquanto os que permanecem, seguem lutando para conquistar, diariamente, suas "medalhas", como também ocorre quando dão uma pausa para agradecer e rogar para que todos recebamos, ao final, o nosso "troféu", prometido pelo "Organizador"!

Sim! A noite era festiva! Como dissera no início, é o momento indesejado, mas inevitável e exclusivamente próprio, em que muitos que não se vêem, há anos, "se reúnem" em torno do "anfitrião", numa aura humanamente incomparável, em torno dos melhores sentimentos que podemos ter na vida e sobre a vida. De forma tímida e respeitosa, oram, se cumprimentam e se alegram. Eu mesmo desejo muito que isso ocorra quando for a minha vez de cruzar a "linha de chegada"!

Para ilustrar, como penso que assim deve ser, a própria Missa não foi "lamuriosa"! A propósito, o mesmo ato que celebrava o sétimo dia de passamento do Dr. Fernando de Abreu Júdice, se identificava com outras três situações, além de dedicada a um dia da morte de um, dois dias da de outro, aniversário de casamento de 29 e 44 anos de dois casais, 16 anos de Ordenação Sacerdotal do Padre que celebrava a Missa,... Isto apenas ali e afora as "demais intenções que trazemos em nossos corações". Para terminar, a emocionante e inspiradora mensagem, por todos e para todos, elaborada e lida pelo filho Rodrigo! Seguiu-se a benção! Estava terminada a Missa!

E agora?

Dr. Fernando de Abreu Júdice se foi desta vida, porém continuará marcante para muitas no decorrer delas. Com judícea, será nome de rua, talvez de praça, prédio e não sei mais de que forma a imaginação será utilizada para homenageá-lo. Naquilo que sinto caber a mim, modestamente, ofereço este pequeno capítulo de sua história, naquilo que muito diz respeito à minha!

Diante dos fatos, Dr. Fernando, foi a forma que encontrei para lhe informar, "sem rebuços" (rsrs), que o seu pedido foi deferido, pois, como sentenciou o Padre, em inapelável instância, fundado no melhor Direito: "a morte não terá a última palavra!"

Conforme tanto gostava: "tollitur quaestio"!

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Não inveje: tem coisas que só acontecem com o botafogo!

 

NÃO INVEJE: TEM COISAS QUE SÓ ACONTECEM COM O BOTAFOGO!

Se você não é botafoguense, possivelmente deve estar doido para me retrucar, antes mesmo que eu explique: invejar de quê, cara pálida? - Fogão é segunda divisão!

Sim, o Fogão é segunda divisão! Ora, se o Botafogo está nela, ali também está o seu prestígio e todo o seu glorioso peso! Então, parabéns para a segunda, terceira ou seja lá qual divisão o Botafogo vier a se encontrar!

Contudo, acredito que iremos subir de série! Afinal, nos últimos doze jogos, o Botafogo ganhou dez, empatou um e perdeu outro! Isso, basicamente, tão somente com a mudança de um técnico, devido ao fato de que os resultados, até então, estavam muito ruins! A propósito, no momento, dificilmente em algum lugar do mundo existe um time que nos últimos doze jogos esteja com um aproveitamento igual ao Botafogo. Nem mesmo aqueles com planteis poderosíssimos!!!

Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!!! Me desculpem, mas SÓ ELE tem essa primazia!!! Aliás, até por isso, embora, pelos últimos resultados, seja difícil assimilar tal hipótese, o Botafogo, SÓ ELE, de repente, nas próximas doze partidas, pode perder dez, empatar uma e vencer outra!!! Sei lá!

Estou até estranhando esse clima de calmaria em torno do Botafogo! Nada de arbitragens, brigas internas, inversão de mandos, penhora do campo, sondagens em torno de jogadores (fora o Rafael Navarro que, mesmo assim, parece que fica ao menos até o final do ano), ou sei lá o que mais. Tá ficando muito fácil subir!!! E todo mundo sabe que os Deuses, com suas desconhecidas, mas respeitáveis razões, não permitem isso ao Botafogo nunca, seja na série A, B, ou qualquer outra!!!

Mas, o verdadeiro motivo dessas linhas é quanto ao RAFAEL!!!

Há muito tempo não vejo um jogador de idêntico potencial que tenha demonstrado mais carinho e, principalmente, DESPRENDIMENTO, para atuar no clube de coração! Vejam bem, antes de me retrucarem: estou falando de coração e não decoração, tá!?

A inveja é tamanha que, infelizmente, tem quem mesmo diante de todas as evidências demonstradas, insiste em dizer até que isto, hoje em dia, é impossível, que não acredita, que não vai dar certo e blábláblá.

Falo em inveja porque quem diz isso pode saber de tudo, menos do que é ser Botafoguense! Pode não dar certo por algum motivo? Pode! Mas não acredito que o cara não tenha vindo de corpo e alma para o Glorioso! Afinal, quem é realmente Botafoguense, sabe bem que tem coisas que só acontecem com esse time! Imagina a rara oportunidade de confirmar isso de forma tão positiva, jogar no Botafogo e, ainda, ofuscar a "naturalidade" da "infidelidade recíproca" que caracteriza os "enlaces futebolísticos", atualmente, especialmente quando o dinheiro assume mais importância do que realmente tem.

Parabéns Botafogo! Parabéns Rafael!

A propósito, se não for pedir muito, veja se "contamina" o seu Xará, Navarro! Se sair, aconteça o que acontecer, jamais será a magia do Botafogo. Para desespero de qualquer azarão, tem coisas que só acontecem com esse time, você, felizmente, bem sabe! Privilégio de poucos compreenderem a razão e a importância disto!

segunda-feira, 3 de maio de 2021


O SEGREDO DA LAÍS PARA O RECORDE CAPIXABA NOS 50 METROS LIVRE? TREINAR "POUCO"!


A Laís é a quarta de seis irmãos, todos, em algum momento, com passagem pela natação do Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral.

Embora reservando tempo para outras atividades próprias à criança, por também considerarmos muito importante o esporte na vida deles, analisando as diversas situações inerentes à escolha por essa ou aquela modalidade, optamos pela natação, dos cinco aos dez anos, mediante obrigação de dedicação e disciplina.

Isso não significa tolhê-los de eventuais outras atividades, tanto que praticam ou já praticaram várias, de forma concomitante ou após, sem desconsiderar, obviamente, a necessidade do equilíbrio, especialmente com a escola, ponto esse que, aliás, jamais escaparia à marcação da mãe, por sinal, professora!

Tendo os outros três cumprido muito bem a sua etapa na natação, levando dela, para a vida toda, muita coisa boa, em 2015, aos dez anos, chegara o momento da Laís exercer a sua "prerrogativa" de também deixar a natação (aliás, ela sempre me diz - mas eu não lembro - que devido à sua dedicação, iríamos "deixá-la" sair aos nove, mas fez algo que eu não gostei e "exigi" que cumprisse o "contrato", integralmente)!

Porém, percebendo que ela tinha muito talento, com o "apoio" até dos irmãos mais velhos (rsrs), mediante algumas pequenas concessões, fomos "renovando o vínculo", ano a ano, permitindo que as diversas situações, além do talento da Laís, fossem moldando uma atleta de enorme potencial.

O fato de ela, então com dez anos, não gostar de treinar de forma exageradamente intensa, por muito tempo e nem durante os vários dias da semana, de certa forma, coincide com minha visão, em busca do equilíbrio! Mesmo em se tratando de esporte de alto rendimento, não me convenço que uma modalidade como a natação, por sua essência tão saudável, combine com um "ambiente sadio de precoce exaustão".

Sendo naturalmente presumível que um maior volume de treinos, em primeiro momento, enseje melhor rendimento, esse caminho "mais fácil", contudo, além de gerar uma "bola de neve", devido aos ambientes cada vez mais competitivos, em meu sentir, ainda me passa a sensação de que pode auxiliar a mascarar aspectos técnicos, do atleta e/ou do seu "staff", situações que uma vez trabalhadas, eventualmente, poderiam gerar melhoras, porém, envolvendo questões muito mais complexas do que "simplesmente", de forma precoce, ir aumentando exageradamente carga, "dobrando" etc.

Logo, "treinar pouco", para mim, num primeiro momento, não era problema, muito pelo contrário! A propósito, ponto que considero fundamental, desde que obedecidas premissas basilares,  é, sempre que possível, respeitar a individualidade de cada atleta, explorando ao máximo o seu potencial, de acordo com as suas particularidades.  Mas tínhamos o clube e o técnico...

Felizmente, mesmo enfrentando natural resistência, já que nem tudo dependia de si, o Professor Marcos Guimarães, aceitou o que chamo de desafio de "fazer mais com menos", afora a capacidade que teve para lidar com um pai leigo, porém, curioso e enxerido, uma atleta "preguiçosa", friorenta e com as suas exigências, das quais não abria mão, tipo um "contrato" em que teria tempo para isso e aquilo, dentre outras (pequeníssimas, diga-se de passagem) concessões...

Foi dessa forma que continuaram os treinos nos três dias da semana, sem as disseminadas "dobras": terça, quinta e sábado, pela manhã (e alguns poucos domingos, quando eu a convencia e a levava para uns "tirinhos secretos" rsrs) aos 11 (2016), 12 (2017), 13 (2018) e 14 anos de idade (2019).

Com dez anos (mirim II), tudo bem! Com onze (petiz I) ainda alguns resultados expressivos, como a vitória nos inesquecíveis 100 peito e, logo após, os 100 borboleta, no sudeste de natação,...

Aos doze, petiz II, foi quando ela e nós tivemos uma grande oportunidade de conviver e trabalhar com muitas frustrações, já que não ganhou nada, até porque, inegavelmente, neste momento, a pouca carga fez muita diferença... Mas, se o projeto é maior, isso é passageiro, pensava e falava para ela, considerando que se não desaprendera, apenas se poupava, pois "apenas possuía" doze anos e não "já possuía" doze anos!

Aos treze, infantil I, nada muito diferente do ano anterior, salvo um "grandiosíssimo" alento: o seu "fôlego" só era suficiente para as provas de 50 metros (a velocista estava forjada por uma série de fatores, né!?) e, numa "despretensiosa" competição, aqui no nosso querido Estado do Espírito Santo, fez um tempo muito bom nos 50 metros costas (quase não se dedicava a esse estilo, acreditando-se que nadava melhor as outras três modalidades), o que a levou para o sul-americano escolar, em Arequipa, Peru, onde, orgulhosamente, representou o nosso País, conquistando inacreditáveis três medalhas de ouro: 50 metros costas, 4 x 50 livre e 4 x 50 medley).

Aos catorze, infantil II, praticamente a mesma rotina, porém, já bem mais próxima dos pódios e, em algumas pouquíssimas vezes, chegando a ele em competições nacionais, porém, novamente ouro no sul-americano escolar, resultado obtido como integrante do revezamento brasileiro, em Assunção, Paraguai.

Aos quinze, juvenil I, mudou de técnico... Mas não de estilo (rsrs). Tendo alterado o turno, na escola, passou a treinar no vespertino, com o Professor Ozimar Gomes, que também se mostrou compreensivo e atencioso. Agora, quatro vezes!!! Porém, em um desses dias, de forma bastante complicada, pois treinava menos tempo, já que chegava mais tarde devido a inegociável "dobra" na escola (também tenho minhas reservas quanto a isso, mas, nesse caso, minha opinião pouco vale!).

Apesar da trágica pandemia que se instalou em nosso país e no mundo, com os cuidados inerentes, nadou umas poucas vezes no ano de 2020, conseguindo tempos considerados muito bons, especialmente em uma competição realizada em Recife, em setembro, quando nadou os 50 livre para 26,94 (estava balizada com 27,37) e os 100 para 59,88 (óbvio que os 100 continuam não acompanhando os 50, mas, nas circunstâncias, tempo muito bom, inclusive, a primeira vez abaixo de um minuto: balizada com 1.01.92, concluiu com 59,88).

O resultado nos 50 metros, a propósito, lhe deu índice para o Troféu Brasil de Natação, onde, com o tempo de 26,87, alcançou a nona classificação na etapa eliminatória, ou seja, a primeira atleta fora da final A, sendo que a oitava passou com 26,86 (ainda bem que frustração não era coisa nova na vida dela rsrs)!

Com a remodelação da natação do Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral, em abril do corrente ano, a Laís mudou novamente de técnico, desta vez o não menos competente e vitorioso Professor Alexandre Antunes! Ela continua treinando quatro vezes por semana, até por força das circunstâncias, porém, de nossa parte, sem, ainda, intenção de alterar, o que, embora com um pouco mais de contrapontos, resta assimilado.

E não é que, assim, a Laís, no dia 1º de maio, durante Tomada de Tempo Oficial da Equipe Acqua - Cnrac, nadando para a sua nova melhor marca, 26,62, chegou, ao que consta, ao recorde capixaba para os 50 metros livre absoluto, cuja marca, anterior, era de 26,85?

Pois é! Embora leigo, porém há vários anos praticante de rotineira e disciplinada atividade relativa ao esporte amador, além de pai participativo na vida dos filhos, sempre entendi e cada vez me convenço mais que o velocista necessita de menos piscina do que o fundista, porém, não de menos dedicação. Eventual menor tempo na piscina deve ser compensado com a busca de nível ótimo de entrega! E redobrada atenção para os fundamentos!

Foi dessa forma bastante peculiar que a Laís chegou até aqui, a este recorde, sendo estas poucas linhas uma espécie de "argumento" para quem acredita que treinar "pouco", em determinadas situações, não se mostra como impeditivo para se ir alcançando excelentes conquistas,... Mas, como disse, a contrapartida é no sentido de que o tempo voltado para a atividade, seja subjetivamente incorporado como de dedicação extrema, muito mais do que se é exigido de qualquer outro.

Por fim, não posso deixar de ressaltar que, no fundo, a bem da verdade, o tempo da Laís para a natação pode até ser considerado curto... Mas esse tempo é voltado para atividades que muito contribuem, já que, embora "treine pouco" para essa específica atividade, com a compreensão dos professores Luiz Claudio Ventura e Fernando Pontes (já que o tempo é ainda muito menor, evidente!) é campeã da corrida garotada, recordista estadual sub 14 nos 800 metros livre e sub 16 nos 1000 metros, distância essa que, inclusive, lhe deu medalha de prata na etapa nacional dos jogos escolares, em 2019, mesmo ano em que medalhou também nos 50 metros costas na natação,...

Embora de forma também ainda incipiente, faz um trabalho específico para os ombros e, recreativamente, pratica skate, toca violão, patina, joga bola, vive como uma adolescente (com moderação rsrs), é cobrada a estudar bastante (claro!) e, essencialmente, a rezar (aqui sim, sem moderação!!!).

Impossível deixar de salientar, também, no contexto, a obrigação quase semanal que tenho, seja no sábado ou no domingo, de levá-la para algo que tem adorado muiiiiiito fazer, que é surfar!!!...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Fala aê, querido!



FALA AÊ, QUERIDO!


- Fala aê, querido! 

Era assim que ele se dirigia a mim, quando mantínhamos contato!

Crescemos em bairros próximos. Ele, no Jabour e eu no Solon Borges, em Vitória.

Mas foi quando adultos que passamos a ter uma relação mais próxima, a partir de contato profissional, que acabou se transformando em uma grande oportunidade de estreitamento pessoal.

Curiosamente, quem me alertou para o seu já quase certo passamento, um dia antes do trágico acontecimento, foi o Rodgers, outro caro amigo do Jabour, cujo contato, até então, também fora pequeno, porém, há uns vinte e cinco anos, igualmente por questões profissionais, acabou participando mais ativamente da minha vida pessoal, estreitamento esse mantido de lá para cá.

Aliás, outra coincidência: o contato profissional com o recém-falecido surgiu a partir de um automóvel que comprei do Marcelo Carvalho, outra grata amizade que trago do Bairro Solon Borges, até os dias de hoje, O ano era 1992 e eu iria fazer o primeiro seguro de um automóvel (para ser mais preciso, um gol GT preto, ano 1986), já que, até então, os carros que tivera nunca me levaram a tal iniciativa. Não lembro como cheguei à pessoa do José Cani Júnior, mas foi com ele que fiz e renovei o seguro desse carro e de todos os outros que lhe sucederam, como assim também ocorreu com os da minha esposa, a partir de 1995, até os dias de hoje.

Como não tivemos muito contato na infância, e talvez porque esse se deu a partir de uma relação profissional, quando já éramos adultos, para mim ele nunca foi o "Grilo", assim como eu, para ele, nunca fui o "Bobó", embora o tempo de convivência e a intimidade já nos autorizasse a isso.

No começo, eu buscava informações esmiuçadas sobre os valores, as seguradoras, os descontos que davam etc Com o passar do tempo, ele me conhecendo melhor e eu a ele, já sabia que os valores apresentados eram os melhores possíveis, logo, o que discutíamos, era sobre as opções de seguradores, mesmo assim, bem pouco, pois ele, sabendo da minha preferência pelo Banestes, já procurava o melhor possível com esse banco, tanto que, nesses vinte e oito anos, sempre renovei com o mesmo.

Felizmente, pouquíssimas foram as ocorrências que me levaram a acioná-lo, não obstante, nessas vezes, sempre obtive o melhor trato, tanto do "introcável" profissional, como do amigo.

Janeiro, fevereiro e março eram os meses em que nosso contato era certo! Janeiro devido à agenda e os calendários de mesa que sempre cuidava em conseguir junto ao Banestes. Fevereiro, o mês de renovação do seguro do automóvel de minha esposa. E março o do meu carro. Nessas épocas, apesar da rapidez dos contatos, sempre tirávamos um tempinho para conversar um pouco sobre as nossas vidas.

Janeiro passou. Senti a falta dele. Com relação à agenda, há muito sabia que estava com os "dias" contados, já que outras opções mais práticas surgiram, daí porque acreditei que as duas que conseguiu para mim, em 2020, poderiam ter sido as últimas. Quanto aos calendários de mesa, os de 2020 trouxeram junto uma "prévia" de 2021, que me permitiam esperar até fevereiro, época da renovação do seguro, quando, tenho certeza, se fosse possível, traria ao menos dois para mim...

No início de fevereiro, contudo, o que recebemos, foi a triste notícia dada pelo sócio dele, o Luiz, quanto à gravidade do quadro de saúde do Cani, que não poderia, por ele próprio, renovar o seguro,...

No sábado, dia 06.02, em contato com o Rodgers, sobre outro assunto, foi, então, quando ele "me preparou" para o pior...

Hoje, pela manhã, bem cedo, meu irmão, Leonardo, primeiro me ligou e depois me mandou a mensagem dos familiares do Cani, quanto ao falecimento do meu amigo, ocorrido ontem, dia 07.02.

Sinto que o acaso não me protegeu, enquanto eu andava distraído... Devia ter amado mais!

Só me restava o velório ou o sepultamento. Porém, nessa época de pandemia, é restrito aos familiares, o que obedecerei, compreensivelmente, embora afoito para avançar esse sinal vermelho, torcendo que não seja necessário ser tentado a novamente fazê-lo, na Missa de 7º dia.

À Deus meu amigo! Chegando lá, com certeza, você será festivamente recebido: - FALA AÊ, QUERIDO!

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Maioridade espiritual


MAIORIDADE ESPIRITUAL 


Hoje, uma pessoa muito sara (digo, cara) para mim e minha família, completa 18 anos, estando apta, portanto, para exercer pessoalmente todos os atos da vida civil, de acordo com a nossa legislação. 

Segundo essas normas, aos 16 tornou-se relativamente capaz e, agora, aos 18, passa a ser a própria responsável pelos seus atos. 

Porém, como o modo de vida está bastante diferente dos tempos em que os seus pais completavam a mesma idade, isso resulta, na prática, em uma autonomia que não costuma alterar bruscamente a vivência em família, tanto que a data passa mais como um aniversário comum, se observarmos pelo lado bom das hipóteses, pois, infelizmente, mais frequente mesmo é a sua lembrança como o momento que dá início à imputabilidade penal. 

Logo, como esse aniversário a que me refiro inspira-me a escrever apenas passando pela maioridade civil, porém, com foco voltado para a “maioridade espiritual”, faço questão de enfatizar que isso, para mim, tem uma relevância indescritível, mesmo porque, eu, no “alto” dos meus 55 anos, ainda me considero um “neófito espiritual”, embora, a rigor, confesse o meu nível "básico" em termos de empenho. 

Ora, mais o que é a maioridade espiritual? 

Ainda bem que fiz questão de dar pistas quanto ao meu nível de envolvimento com a matéria... Logo, sinceramente, eu não sei! A propósito, nunca tinha pensado nisso, ... Mas, de uma coisa eu me envaideço (olha a imaturidade espiritual aí, gente!): procuro não deixar passar uma inspiração, justamente por considerá-la “apenas” uma imperdível passageira dos seus efeitos... E, no caso, a inspiração veio especificamente em razão do aniversário dessa pessoa! 

Enfim, não sei o que vem a ser a “maioridade espiritual”, mas, mesmo não sabendo, posso assegurar, em papel assinado e com firma registrada, que essa pessoa, inspirando a escrever desta forma sobre o tema, especialmente em um momento tão árido da existência humana, preenche requisitos próprios à maioridade espiritual. 

Como não existe nenhuma legislação que defina esses requisitos, ou a fase da vida própria para alcançá-la, neste caso, o momento manifestou a oportunidade, já que à procura de um presente para lhe dar, tenho certeza de que este será recebido como o melhor, deixando-a timidamente muito feliz em obtê-lo, levando-o para toda a sua vida. 

Também não tenho dúvidas quanto a Quem mais deseja agradecer ou qual Lugar que mais almeja frequentar neste dia... Isso, obviamente, são apenas algumas pistas relativas ao alcance da “maioridade espiritual”, pois, a rigor, a “construção” não ocorre em um dia específico, mais ao longo dos anos... 

E que seja frisado que este “reconhecimento” não importa em qualquer tipo de “obrigação”, pois passamos a vida toda recebendo estímulos diversos a respeito dos fatos que se sucedem, e a liberdade intransferível de interpretá-los e nos influenciarmos por cada qual deles é uma das coisas mais fantásticas ínsitas ao nosso livre arbítrio. 

Concluo salientando que todos ensinamos nossos filhos a darem os seus primeiros passos e ficamos muito felizes quando eles caminham por si próprios em uma boa direção! Porém, no campo específico do crescimento ora retratado, além da humanidade, infelizmente, estar cada vez mais desconforme quanto à importância desse valor como uma das maiores heranças que possa almejar transmitir para os seus filhos, a assimilação, além de tudo, é de cada um! Logo, os pais dessa sara (digo, cara) pessoa, com certeza, é quem mais celebram nesse belo dia de maioridade. Parabéns!


quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Como será o amanhã? Responda quem puder!



COMO SERÁ O AMANHÃ? RESPONDA QUEM PUDER! 


Próximos de rompermos mais um ano!... 

Difícil acreditarmos que estaríamos terminando o que finda desta forma! Aliás, muitos falam que 2020 é um ano para ser esquecido... Mas não será! Jamais!!! 

Inclusive, quem o termina, tem obrigação de agradecer muito por tê-lo superado, já que, em algum momento, quando “o caos” foi se alastrando, chegando cada vez mais perto, tínhamos noção do que fazer, mas não significava que seria suficiente para escapar de ser alcançado e, caso isso ocorresse, se conseguiríamos vencê-lo,... 

No momento, a sina está muito concentrada em torno da... VACINA!!! 

A propósito, esta ânsia e busca universal em torno de um mesmo objetivo, parece, por vias absolutamente transversas, nos aproximar um pouco do que poderia ser a essência da globalização, não fosse tão fortemente marcante o viés econômico que a caracteriza, aliás, inclusive com relação a esse bem ora tão precioso para a vida, a vacina, que, uma vez existente e negada, se transforma em omissão assassina. 

O vírus surgiu e foi “disponibilizado” “gratuitamente” para todos, independentemente de nossas vontades, enquanto o “antídoto”, de forma lamentável, é fortemente caracterizado pelos “famosos” interesses do mercado, o que, nas atuais circunstâncias, significa submeter nações inteiras a “verdadeiras chantagens”, já que o tempo urge e, a rigor, tudo pode esperar, menos a vida, pois ela, no fundo, “encerra todos os outros bens”. 

Porém, o que realmente me motivou a dar corpo a estas linhas, neste último dia do ano, foram as previsões que sempre ocorrem neste período e, para não ser diferente, invadiram os meus olhos e tímpanos, logo cedo. 

Ora, no final do ano passado, em meio àquelas corriqueiras quanto ao famoso que será acometido de uma doença, o casal que irá se divorciar, dentre várias, a desconformidade das previsões com o que tanto impactou o mundo, em todos os seus aspectos essenciais, leva a caracterizar 2020 como “o ano do bug nos videntes”. 

Aliás, como certo mesmo é que quase no final de 2020, caso chegasse lá, eu, de alguma forma, ouviria a Simone cantando “então é natal”, que foi o que ocorreu, aproveito para desejar a todos que continuem a ouvi-la no ano novo, especialmente quanto ao seu vaticínio diante de um futuro incerto, nos lembrando de Alguém em quem devemos e podemos confiar sempre, não se esquecendo de também trabalhar em tal sentido: 

Como será o amanhã?

Responda quem puder.

O que irá me acontecer? 

O meu destino será como Deus quiser!

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Tudo se resume a um ou dois segundos... (ou centésimo!)



TUDO SE RESUME A UM OU DOIS SEGUNDOS... (OU CENTÉSIMO!) 


Naquele 29.08.2016, minha filha Laís tinha 11 anos de idade, competia pelo Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral e, logo após a XII Copa Minas de Natação, publiquei a crônica "tudo se resume a um ou dois segundos", onde pontuei quanto a diferença que "um ou dois segundos" acabam fazendo na natação e, apesar da importância de sempre se ter como meta a diminuição de tempo, razões para não ficar obcecado por isso, mesmo quando esse "pequeno tempo" der mostras de que pode significar bastante. Afinal, depois de alcançado o objetivo, o desafio será outro, e em seguida outro, e assim sucessivamente, motivos pelos quais, se não for bem administrada a situação, poderá acabar significando uma verdadeira e contínua tortura! 

Exemplifiquei com circunstância em que ela chegou em quarto lugar, a um centésimo do pódio (e se quiser aumentar a crueldade é só definir a posição como "a primeira das últimas"). Mas não foi o que fiz, ilustrando o fato como sendo "coisa para gente grande", como ocorreu, por exemplo, com Michael Phelps, Chad Le Clos e Laslo Cseh, triplamente empatados em segundo lugar na prova dos 100 metros borboleta, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. 

Manifestei entendimento no sentido de como o atleta e aqueles que convivem com o mesmo podem se portar em situações como essa, concluindo que "quanto aos atletas, é óbvio que devem trabalhar e se dedicar ao máximo para melhorarem seus resultados, alcançando um, dois ou sejam lá quantos segundos almejarem. (...). E, mesmo assim, cientes de que os "adversários" também estão fazendo o mesmo! Além disso, muito conscientes de que quanto mais se avança, mais difícil vai ficando avançar, afora a importante consideração de que somos indivíduos fantasticamente diferentes, com respostas diversas aos estímulos, por mais igualitários que eventualmente possam ser transmitidos!!!" 

Pois bem: hoje é dia 10.12.2020, a Laís está com 15 anos e fez sua estréia no Troféu Brasil de Natação, nadando os 50 metros livres, prova onde possui seu melhor desempenho. 

O tempo: 26,87! O que pode ser considerado muito bom resultado, especialmente tendo em vista que melhorou sua marca pessoal, que era de 26,94 e que, por sua vez, já significava um avanço bem expressivo da marca anterior. Mas, por outro lado, ficou em nono lugar (ou, naquele linguajar fustigador, o "primeiro dos últimos", já que as oito primeiras colocadas foram para a final), com requintes de crueldade: 0,01 centésimo a deixaria empatada com a oitava; 0,02 a levaria a igualar o recorde estadual; 0,03,... Pouco? Ainda tinha mais: Para a final, um verdadeiro "glamour", com transmissão ao vivo, chances de participar de premiação em dinheiro e, na pior das hipóteses, o oitavo lugar garantido. 

Restava a final B (assistimos, juntos, a programação da noite anterior e até comentamos: quando essa começa, a transmissão termina, com o cordial boa noite e até amanhã. No caso, hoje!). Como um problema técnico atrasou as finais, marcada para as 18 horas, a Laís acabou nadando depois das 21, o seu tempo piorou em relação ao da manhã, além de ter caído algumas posições. 

Porém, se a Laís tivesse alcançado o oitavo lugar, quem ficaria de fora seria a nadadora Karen Liberato, que à noite melhorou o seu tempo e colocação, merecendo, inclusive, dentre outras justas homenagens, uma matéria especial no "Bestswin", do virtuoso Alex Pussieldi, com ênfase no fato de que a atleta batera o recorde de seu Estado, sendo a primeira atleta potiguar a nadar na casa dos 26... Enfim, o que acho mais importante é que aceitemos o fato de que tudo tem a sua razão de ser! E procuremos (no caso, acho até que eu tenho que procurar mais do que a Laís, ainda bem!) nessas razões o maior conforto possível, pois ele sempre estará disponível para quem souber procurar e dele bem se alimentar.