quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O promotor eletrônico



 O PROMOTOR ELETRÔNICO
 
“Um homem se humilha se castram o seu sonho, seu sonho é sua vida e a vida é trabalho.  E sem o seu trabalho, um homem não tem honra...”  (Gonzaga Jr.,  “Guerreiro Menino”)

O ano é 2025! Com alguma margem de erro, “para mais ou para menos” como retumbam as pesquisas eleitorais, porém, infelizmente, sem que possa alentar quanto à inevitabilidade do fato.

Se tudo correr como espero e apenas torço - pois só as bases divinas podem sustentar previsão nesse sentido - estarei lá, completando sessenta anos de idade! Mais de trinta na titularidade, se, antes, obviamente, não me encontrar escalado no “banco de reservas”, já que “inatividade” é expressão que não considero adequada nem para o morto, apesar de seu perene estado de imobilidade.

Não se trata de algo novo a minha preocupação, já que em 1999 sintetizei reflexões que também não começaram à época e publiquei artigo que muito me alegrou e acabou dando origem a outros, baseados no lugar comum da proteção do trabalhador em face da automação, norma constitucional estabelecida no capítulo destinado aos direitos sociais, mais especificamente no artigo 7º, inciso XXVII.[1]

Já em 2003, no XV Congresso Nacional do Ministério Público, realizado em Gramado-RS, apresentei, defendi e decorreu a aprovação de tese relacionada ao assunto, salientando quanto à desnecessidade de regulamentação da norma constitucional para que possa ser invocada tal proteção, bem como no tocante à importância da atuação judicial e extrajudicial do Ministério Público, não obstante espalhada a responsabilidade, também, entre demais atores sociais, para a consolidação do preceito e a consequente efetivação de políticas públicas em tal sentido.

Considero interessante, a propósito, experiências nos idos de 2000/2005, quando o MPE, em conjunto com o MPT, interviram ante a notícia de implantação de “catracas eletrônicas”[2] no sistema de transporte coletivo urbano da Grande Vitória, devido à preocupação, em especial, com o destino dos trocadores e seus postos de trabalho.


Espero que você não seja daqueles que ainda acreditem que situações como essas são inevitáveis no processo de evolução, que os postos de trabalho que são extintos aqui surgem “automaticamente” ali, etc. etc. E nem que me condene pelo uso de tecnologias, impostas ou não ao meu dia a dia, já que não se nega a sua valiosa contribuição para o ser humano, discutindo-se, contudo, no que tange ao necessário equilíbrio, daí porque, apresso-me na defesa, aventando que “eu não sou contra o progresso, mas apelo pro bom senso”...

Para que este texto não vire um livro, deixando os muitos outros exemplos para os que consigam ou queiram notar, citarei apenas um caso concreto de alteração drasticamente ocorrida nos últimos tempos no processo de desalojamento da classe trabalhadora pelo processo de automação sem a mínima contrapartida necessária como é o caso dos bancários, mais especificamente - mas não exclusivamente – o que ocupa o lugar de “caixa”, de uns tempos para cá “competindo” com um xará eletrônico (afora os outros não xarás, mas igualmente novidades, que vão “obsoletizando” cada vez mais o contato humano quando o assunto é banco).

- Esse cara é maluco mesmo! Que visão retrógrada! Não deve conhecer nem um pouco do processo que culminou com a revolução industrial, imagina, correndo risco de ser seriamente atropelado pela velocidade do veículo do tempo que conduz a #umanidade em seu irrefreável rumo a uma revolução tecnológica sempre vez mais avançada.

É verdade, imagina que nos idos de 2001 (“pré históricos” em se tratando de evolução tecnológica) em matéria jornalística publicada no Jornal Estado de São Paulo, sob o título “população de robôs cresce nas fábricas do País”), o correspondende em Genebra, Jamil Chade, assim escreveu:

“A “população de robôs” dentro das fábricas brasileiras começa a crescer e despertar o interesse dos países desenvolvidos. Segundo um estudo divulgado esta semana pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa, o número de robôs no País é de cerca de 3 mil unidades e, somente no ano passado, mais de 800 foram instalados nas empresas. “Os investimentos no Brasil em 2000 foram maiores, por exemplo, que os realizados na Austrália, Rússia, Suíça, Cingapura e Taiwan”, afirma Jan Karlsson, autor do estudo. Segundo Karlsson, o processo de robotização da produção brasileira ocorre especialmente no setor automobilístico. Na avaliação da Comissão, um dos motivos para o aumento de robôs nas fábricas dos países em desenvolvimento nos últimos anos é a queda significativa no preço cobrado pela nova tecnologia e o aumento dos custos de um trabalhador. Dados mostram que o preço de um robô hoje é apenas 20% do que era cobrado em1990. Além disso, a produtividade da nova tecnologia acaba possibilitando que o investimento seja recuperado em apenas dois anos, constata o estudo...”.Disponível: http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2001/11/01/eco049.html (original sem grifos ou destaques).

Vamos a uma época ainda mais remota e notemos que, mesmo assim, o processo que só se agravou posteriormente, já era drástico:
 
 
“Enquanto os banqueiros investiram entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões nos anos de 1992 e 1993 na compra de computadores e  software[3] e vêm conquistando lucros sempre crescentes, o emprego bancário vem acumulando taxas negativas desde fevereiro de 1990 e o índice de rotatividade na categoria é bastante alto. No período entre 1989 e 1993, o grande aumento da produtividade do trabalho bancário, conseqüência da intensificação dos processos automatizados e das novas estratégias organizacionais implementadas, gerou intensa redução de postos de trabalho no setor”. (JINKINGS, Nise. O Mister de Fazer Dinheiro. São Paulo: Boitempo, 1995. p. 45).

Chega-se, assim, ao almejado e disseminado lugar comum do incremento da competitividade e da produtividade tendo como base a diminuição de custos, originando rígidos padrões de austeridade na gestão, visando conduzir a “empresas cada vez mais enxutas”, com o ser humano se tornando, disfarçadamente ou não, a principal “gordura” a ser queimada.

Ora, sem deixar de lado os dispositivos constitucionais invocados, o que dizer, neste contexto, também, sobre a Lei n° 7.232/84, que, ao dispor sobre a Política Nacional de Informática, previu como um de seus princípios, o “estabelecimento de mecanismos e instrumentos para assegurar o equilíbrio entre os ganhos de produtividade e os níveis de emprego na automação dos processos produtivos” (artigo 2° inciso X)? De tamanha importância e verdadeira letra morta?

Enquanto os trabalhadores são encarados como peças descartáveis na engrenagem desenvolvimentista, as normas escritas que visam protegê-los e a seus postos de trabalho pouco efeito produzem perante a velocidade como surgem, se espalham e apelam as inovações que se voltam para ocupar esse espaço, enquanto o poder público se resigna, principalmente, a procurar formas de se ajustar a elas - ao invés de ajustá-las a ele - notadamente sob o viés de criar ou não perder formas de faturamento.

Os modernos aplicativos “Uber[4]”, “Airbnb” e “Booking”, obviamente alienígenas (“sem pedir licença mudam nossa vida e depois convidam a rir ou chorar”), estão desembarcando no imenso país, trazendo a reboque sua gama de “entrechoque de interesses”, principalmente com a histórica classe dos profissionais taxistas e de hotelaria, enquanto uma das maiores preocupações governamentais é encontrar formas de tributar os serviços.

Evidente que essa tributação não deixa de ser uma das bases de qualquer discussão, que, a propósito, deveria ser prévia à disseminação da “novidade”. Aqui entra a tal da inevitabilidade desse processo no curso de evolução... Ora, não há como desconsiderar a necessidade de equilíbrio entre o avanço do processo tecnológico e sua compatibilidade com os postos de trabalho, já que sempre se disseminou que a transformação proporcionaria mais tempo livre para o ser humano ao invés de subjugá-lo.

Logo, se efetivamente grande parte da carga tributária que incide sobre a mão de obra humana fosse transferida para a automação que a substitui em várias etapas do processo produtivo, iríamos constatar se se trata de algo realmente inexorável... A verdade é que a onda é avassaladora e as vozes contrárias se mostram tímidas, quando não se tornam subservientes às muitas que rumam em sentido oposto, não bastasse o indisfarçável brilho próprio da inovação[5].

Isso auxiliaria a amenizar o custo social gerado pelo desemprego[6], além de contribuir para diminuir o desequilíbrio entre a “concorrência” do trabalhador com a automação poupadora de mão de obra, aliás, essa que não engravida, não tira licença, não reclama, não adoece, não tira férias, não recebe salários... E, além de tudo, “já nasce” extremamente qualificada, enquanto nós,...

Saliente-se que países bem mais desenvolvidos que o nosso, como o Japão, com enorme capacidade de reprodução e desova de robôs e experimentando significativo decréscimo em sua população humana, além de muito melhores condições para retreinamento e aproveitamento de trabalhadores em outras atividades, contribuiu para difundir o que se convencionou chamar de “madogiwazoku” (ou “tribos da janela”), expressão que designa empregados sem ter o que fazer, mas,. Com retribuição financeira para passarem seu tempo “olhando pela janela”, sem quaisquer atribuições, o que, a rigor, já pode ser considerado uma solução muito aquém da insubstituível dignidade que o trabalho proporciona.

De forma que uma possível e necessária tributação sobre a automação poupadora de mão de obra, mesmo assim, jamais deve se destinar a afirmar-se como fim em si mesma, porém, para enfrentar os impactos que proporciona no campo do trabalho e, essencialmente, para inibir a forma avassaladora como o processo se alastra, no mundo, apesar das catastróficas consequências[7].

Para ser mais claro: a troca de um homem por um robô, no campo do trabalho, tem reflexos muito distintos em cada país, havendo exemplos bem mais planejados e dignos do que o nosso! Veja-se, a propósito, enquanto a automação lhe ocupa o espaço, como sobrevivem os nossos desempregados, contrastando um mundo recheado de fabuloso desenvolvimento tecnológico com as crescentes, penosas, alarmantes e sub-humanas condições que são encontradas para esses mesmos desempregados poderem sobreviver. “Portas” se fecham e se abrem “janelas” na rua!

Para quem se interessa pelo assunto, embora se depare quase que com uma espécie de “pensamento único” operando em sentido oposto, felizmente, existem apurados estudos que subsidiam uma linha mias humanística, que ora sintetizo através de ninguém menos do que um dos cientistas mais conceituados do mundo, o físico Stephen Hawking, que, aliás, sofre de doença degenerativa e depende de tecnologia de ponta inclusive para se comunicar, ao afirmar que a criação de máquinas pensantes é ameaça direta à existência dos seres humanos.

Evidente que opinião tão contundente contra um dos pilares da modernidade aflora divergências, cuidando-se em aliá-la a declarações científicas pouco embasadas, o que, de forma alguma, retira a importância da manifestação de alguém com vasto currículo e que, inclusive, inspirou ao famoso filme “A Teoria de Tudo”, que, a propósito, levou o ator Eddie Redmayne ao Oscar de melhor ator.

E seja acrescentado que há muitos outros cientistas que não compactuam com o incremento tecnológico na forma que vem se efetivando, como, entre eles, o professor Stuart Armstrong, da Universidade de Oxford, que inicia o livro “Smarter Than Us” (“Mais Inteligentes do que Nós”), explicando como a inteligência artificial é diferente do que difunde a cultura pop.

Acredito que uma sensação parece inegável: a de que as máquinas, cada vez mais “inteligentes” (leia-se mais “mais “intel” e “iGente”), estão avançando rapidamente nos espaços, enquanto bilhões de seres humanos se veem afastados de um mínimo existencial básico, logo, longe daquela ideia de mais tempo livre para quem deveria servir e mais parece competir!

Aventa-se, a propósito, que no futuro as máquinas serão quase tão humanas quanto nós. Por outro lado, parece que se a recíproca não for verdadeira, nos tornando tão p@recidos com elas, perderemos, definitivamente, a concorrência!

Sob sugestivo rótulo de “soluções inteligentes”, as relações do dia a dia, gradativamente, vão sendo preenchidas por máquinas, diminuindo-se, quando não afastando, sistematicamente, o fator humano, que, inclusive, a título de facilitação de sua missão, vê confrontada suas próprias habilidades e capacidades, desambientando-se a pensar perante tecnologia de ponta que o acomoda a seguir o manual.

Pudera! Afinal, antes, a menor unidade estrutural básica do ser vivo era a célula, enquanto hoje é o celular...

Diante de tanta simplicidade para se governar a vida a singelos toques, capazes de quase tudo para você e ao invés de você, a #umanidade é que passa a parecer complicada demais: irritadiça, depressiva, excedente, isolada, desqualificada, cansada, desmotivada,...

Neste cenário, não obstante voltados cada vez mais à qualificação durante todas etapas da vida, exigência que se incorpora ao novo modo de sobrevivência no reino delas, abordagens, como a publicada pela revista “intelligence”, sugerem que enquanto a tecnológica avança, a inteligência humana declina, apesar, obviamente, das controvérsias que o assunto gera.

A partir da análise de 14 estudos desenvolvidos entre 1884 e 2004, concluiu-se que o quociente de inteligência (QI) dos ocidentais caiu 14 pontos desde o final do século XIX.

O que poderia ser um dos fatores do declínio, segundo Jan te Nijenhuis, coautor dos estudos, é que “as mulheres mais inteligentes tendem a ter menos filhos do que aquelas com menor inteligência”.

Partindo-se de tal premissa, embora com reservas quanto ao seu conteúdo, como a produtividade cresce em importância enquanto “função social do ser humano” e se vê centrada na lógica de incremento globalizado da competitividade entre seres biologicamente iguais ou desiguais (o homem e a mulher, por exemplo), ou, ainda, em cada vez mais larga escala, os artificiais, pouco importa, é óbvio que o espaço dos “iFilhos” se verá sempre mais confuso e ocupado...

Até que a “pane no sistema” seja tamanha que impossível de continuar a ser simplesmente lubrificada, mas sim, pensada!

Veja-se que essa lógica de desalojamento da classe trabalhadora pelo processo de automação gerava argumentos no sentido de que alcançava profissões mais rudimentares e que a qualificação possibilitaria alcançar e manter postos mais elevados, situação que já não se retroalimenta mais tão facilmente, ante às evidências das ruas, próxima de infelizmente confirmar ponto de vista que defendia há anos, na tese apresentada no Congresso do Ministério Público, em 1999, quando aventava que a indústria da automação não estava disposta a voltar suas propostas para substituir inclusive os agentes políticos[8], talvez mais por necessidade de cooptação do que por espírito tecnológico-científico/econômico-financeiro.

Esse momento, contudo, parece cada vez mais próximo. E se tenho que registrar algum marco que considero histórico para a mudança, no meu caso, embora possa elencar outros, elejo o dia em que passei por uma inesquecível etapa de processo de modernização, onde todos os presentes recebiam uma folha e, com ela, deveriam produzir um “aviãozinho” do jeito que sabiam (ou não). Realmente, muitos daqueles aviões “não decolaram” e não encantariam “qualquer passageiro”. Após, todos fizeram o avião sob a orientação de um instrutor, havendo, confesso, muito mais harmonia no voo. De nada adiantou argumentar que tal processo tinha seus contrapontos, como inibir a criatividade, a variedade, a iniciativa...[9].

De lá para cá, como não poderia ser diferente, a padronização ganhou enorme impulso e, em contrapartida, embora um tanto quanto confusa a rota, o voo de diferentes aviões, mais visíveis à torre, passou a se encaixar mais facilmente em modo de operação por instrumentos, caminhando-se para essa etapa a que me refiro mais fixamente, a do “piloto automático”.
 Espera-se que nessa fase de transição se compreenda as dificuldades de adaptação de quem foi treinado e operou com mecanismos bem mais rudimentares, época em que a qualidade, notadamente pela variedade de passageiros difusos e coletivos que incumbe, precipuamente, transportar, não obstante também presentes as turbulências[10], se situava em patamar bem mais elevado do que a quantidade e produtividade dos voos, aspectos importantes, porém, menos complexos de operar, mesmo porque, em grande parte, rumo à máquina delegar.

Não à toa, cada vez mais se acalenta sonho de ser servidor público! É que o outro mundo já quase não existe, enquanto neste não vai caber todos! A propósito, depois de anos discutindo-se redução de jornada sem redução de salários, com inúmeros conclaves, iniciativas e projetos de lei em tal sentido, o que verdadeiramente se operou e, incrivelmente, através de medida provisória, passando a valer já no dia seguinte, sob pomposo título de “Programa de Proteção ao Emprego”, foi a possibilidade de “redução ‘temporária’ (primeiro instala-se o gérmen) da jornada” mediante redução proporcional de salários, justificada através de uma crise, cuja parcela de responsabilidade global, curiosamente, nenhum líder nacional ou mundial tem coragem de assumir, só lamentar e austerizar.

De qualquer forma, é tanta precariedade ao lado que ficará difícil sustentar garantias como não privilégio, justificando que, hoje, ainda mais que ontem, uma das missões principais do Ministério Público se coaduna com a de agente de transformação social, ousando em voos mais altos, ora exemplificados através desse fundamental aspecto no que tange ao campo do trabalho.

Caso contrário, como se avizinha, chegará momento em que, diante de um processo eletrônico, tudo o mais o será.

Não sei muito bem como será o “promotor eletrônico”. Porém, imagino que irá evoluindo com o tempo, primeiramente assumindo espaço de poderosa ferramenta de auxílio até chegar a contornos de aparência #umana; capacidade de armazenar e diariamente se atualizar no tocante a súmulas, jurisprudências, doutrina e legislação de todas as áreas de atribuição, inclusive, utilizando-se do direito comparado, já que nenhuma língua lhe será estranha; modelo de peças de todas as áreas de atribuição, com capacidade infinita de criar, copiar e colar, enfim, “ctrlar” de acordo com as situações que se apresentem à sua apreciação, notadamente as “repetitivas” e “vinculantes”, que serão imediatamente assimiladas por si, tão logo lhe surja algum caso que escape à sua previsibilidade; fluxograma de atendimento que busque contemplar todas as hipóteses previsíveis ou imprevisíveis de acontecimento; produzirá relatórios automáticos e instantâneos de sua atuação, estratosfericamente unificada e balizada... E, evidentemente, muito mais!

Quando necessário, algo que será raro diante da concomitante evolução na virtualização das rel@ções e atividades #umanas, será transportado em automóvel inteligente, se hospedará em hotel igualmente inteligente, enfim, estará sempre ao lado de coisas tão inteligentes que deixará dúvidas se, no passado, chegou a existir, realmente, Inteligência humana.

Como reflete Charles Chaplin, em seu “Último Discurso”: “Não sois máquinas! Homens é que sois”!



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[1] E que não se venha com os sempre lembrados dispositivos em prol da livre iniciativa. Um preceito não exclui outro, devendo ser analisados de forma sistemática. Embora muito se argumente que a ordem econômica seja fundada na livre iniciativa, o que realmente consta do artigo 170 da CF, não é demais lembrar que o mesmo dispositivo, entretanto, a coloca lado a lado com a valorização do trabalho humano, tendo por fim assegurar existência digna a todos. De igual forma, se dentre os princípios dessa ordem econômica está prevista a livre concorrência, em igual nível consta a busca do pleno emprego (artigo 170, IV e VIII da CF). Aliás, para demonstrar a relação indissociável entre uma coisa e outra, ao elencar como fundamentos da República Federativa do Brasil, o artigo 1°, no mesmo inciso IV, estabeleceu tanto valores sociais do trabalho como da iniciativa privada.

[2] Daí acreditando a inspiração para o Promotor de Justiça “aviador” Clóvis Figueira me alcunhar, à época e como faz até hoje, de “Dr. Catraca”, o que, aliás, nem um pouco me aborrece, antes, me orgulha.

[3] O Uber, empresa fundada há apenas cinco anos em San Francisco, EUA, e avaliada em 174,4 bilhões, segundo o Wall Street Journal, tem valor de mercado superior à Petrobrás (R$ 145,7 bilhões). “O valor de mercado do Uber se equipara ao recorde alcançado por uma start-up de tecnologia. Em 2011, o Facebook foi avaliado em US$ 50 bilhões (R$ 171 bilhões)... A diferença é que, à época, o Facebook tinha quase sete anos, ante os cinco do Uber hoje...”. (Uber passa a valer mais que a Petrobras, afirma jornal. A Tribuna, Vitória-ES, p. 24, 01 ago 2015) 


 
[4] Conforme Genilson CEZAR em “Os Bancos Correm Atrás da Eficiência”, Informática Hoje, ano 10, nº 361, caderno especial, 22.6.1994.
 
[5] Como é sintomático, em contexto como esse, frases como a da nossa Presidente, em visita aos Estados Unidos, na sede de uma portentosa empresa, no Vale do Silício, no Estado da Califórnia, ao descer de um carro que dirige sozinho, dispensando a figura do motorista: “- acabei de descer do futuro”. Asseverou mais: “É um nível de desenvolvimento que eu não imaginei que houvesse”. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/07/1650286-acabei-de-descer-do-futuro-diz-dilma-sobre-carro-que-se-dirige-sozinho.shtml. >. Acesso em 10 ago 2015.

[6] Redução nos postos de trabalho representa drásticas consequências para o “caos-Brasil”, o “custo-Brasil” (seguro-desemprego, bolsa-isso-aquilo etc) fora o impacto no custeio da Previdência, logo, na própria velhice daqueles que almejam um dia se aposentar...

[7] Quem poderia imaginar que países desenvolvidos como a Espanha, dentre outros, chegaria a taxas absurdas de desemprego, alcançando 21,3% no primeiro trimestre de 2011?

Aliás, “o crescimento sem emprego”, expressão utilizada pela ONU para definir a revolução rumo a um futuro de hipotética riqueza, mas gerador de certeza na escassez de postos de trabalho, embalou por anos a afirmação do atual cenário. Há longínquos vinte e dois anos (15.09.1993), noticiava a Revista Veja: “mercado de trabalho mais enxuto leva primeiro mundo a pensar em uma sociedade de desempregados... nos Estados Unidos, grandes empresas como a General Motors e a IBM, cortaram 200.000 empregos. Na Europa, a fábrica de computadores Bull acaba de anunciar a supressão de 6.500 postos de trabalho, sob o pretexto de tornar sua produção mais viável. Há hoje na empresa 35.000 trabalhadores, contra 44.000 em 1990. A Aerospatiale colocou na guilhotina 2.500 postos de trabalho, de um total de 9.000. A Volkswagen alemã anunciou que 12.000 empregos desaparecem até o final de 1994...”. Parece hoje, não!!!!!!

[8] Segundo Hely Lopes Meirelles, agentes políticos “são os componentes do Governo nos seus primeiros escalões, investidos em cargos, funções, mandatos ou comissões, por nomeação, eleição, designação ou delegação para o exercício de atribuições constitucionais. Esses agentes atuam com plena liberdade funcional, desempenhando suas atribuições com prerrogativas e responsabilidades próprias, estabelecidas na Constituição e em leis especiais (Direito Administrativo Brasileiro, São Paulo: Revista dos Tribunais, 1997. p. 72)

[9] Embora regrar seja preciso, enquanto agente político, os diversos atos e ações, inclusive nem sempre formais, ínsitos à margem de discricionariedade relativos à atuação do Membro do Ministério Público, notadamente quando voltados à promoção de medidas necessárias à garantia dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na CF e ao efetivo respeito dos poderes públicos, se mostram extremamente difíceis de serem medidos ou valorados e, principalmente, compreendida a exata dimensão da importância de cada um deles no contexto dinâmico voltado à efetivação das políticas públicas.


[10]  Como, por exemplo, quando algum “piloto” submetia a verdadeiros “voos cegos” um substituto eventual ou definitivo, não disponibilizando os “planos de voo” do avião.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Laís "Cordeiro de Lima" e Sara "de Coubertin"


  LAÍS "CORDEIRO DE LIMA" E SARA "DE COUBERTIN"


    16.08.2015. Enfim: XIV CORRIDA GAROTADA!

   Animadas pelo bom resultado da Sara, que, no ano passado, chegou em 2º lugar na categoria 10-11 (e ganhou “gorda” premiação), tanto ela, hoje com 12 anos, quanto a Laís, com 10, partiram, bem cedo, para a prova.

    A mãe, que ano passado acompanhou a Sara, enquanto eu corria a 25ª “Garoto-não-tão-garoto”, já não tinha bons presságios quando chegamos ao local, pois havia mudado o percurso: antes, largava, corria oitocentos metros em linha reta e chegava; agora, era o mesmo local para a largada e a chegada, ou seja: corria quatrocentos, fazia uma curva e voltava.

    Ano passado, também, quem chegava mais cedo, ocupava os primeiros lugares. Este ano mudou: só adentraram ao local pouco antes da largada. Mesmo assim, as “pequenas” Laís e Sara conseguiram se postar à frente, já que as categorias 10-11 e 12-13 correriam juntas.  

    Porém, pelo microfone, a Organização cuidou em falar que os menores deveriam largar atrás e os maiores na frente, o que, com todo respeito, se considera absurdo, pelo fato de não constar no Regulamento, além da óbvia vantagem atribuída à altura, aspecto físico que não guarda relação com o inegável benefício. 

    Informava-se que as corredoras não deveriam se preocupar pois se levaria em conta o tempo líquido e não o bruto, ou seja: só passaria a contar a partir do momento em que o “chip” colocado no tênis passasse pelo “tapete de largada”. Ora, se não há vantagem e nem desvantagem, guardadas as devidas proporções entre as situações, evidentemente, porque os primeiros lugares em qualquer largada são tão cobiçados? E a existência de “pelotão de elite”? Imagine se eles largassem atrás, “especialmente os menores”?

    O mais grave, porém, é que poucos metros após a largada, havia um “afunilamento”, já que o trecho único, então, se transformava em dois: à esquerda para ir e à direita para voltar. Nossa orientação era quanto a cuidados, especialmente, na largada. A Sara, cada vez que ia sendo espremida, chegava mais para trás. Já a Laís permaneceu um pouco mais à frente e, não só ela, acabou sendo “atropelada” próximo ao “afunilamento”.

    A premiação era até o terceiro lugar. A Sara ficou em quarto, 0.18 (dezoito centésimos de segundo atrás da terceira) e 0,33 (trinta e três centésimos atrás da segunda), sendo bastante sintomático que as três que chegaram à sua frente tiveram o mesmo tempo líquido e bruto, enquanto o tempo bruto dela variou 1.98 para o líquido, plenamente assimilável, portanto, dentre hipotéticos prejuízos, a sua sensível exposição no sentido de que diminuiu no “funil”, justamente visando não contribuir para “atropelos”, devido ao “bolo” que se formou. 

    Já a Laís caiu, “se relepou”, “levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima”, chegando em terceiro lugar, partilhando, após, com a irmã, a generosa premiação (par de patins, par de tênis, short, camiseta, troféu, toalha, meia soquete e chocolates).

   Enfim, largada e a chegada no mesmo local ficou mais agradável. Porém, expôs em demasia as crianças, principalmente devido ao "afunilamento" logo após. 

    A propósito, a continuar assim, que tal numa hipótese absurda e não recomendável, esperar todos largarem, ficar “amarrando o cadarço” e, “uma vez atrasado”, já passar pelo “tapete” em disparada, uns quinze segundos após, quando demais corredores já estiverem mais espaçados e o “funil” menos congestionado? 

   Não se diminua a importância do evento. Corridas como essa são ótimas para a “Garotada”. Mas, acredita-se que formatos como esse merecem ser continuamente avaliados. E, caso mantida a forma, no mínimo que sejam separadas as largadas da categoria 10-11 da 12-13.

    E, finalmente, as duas campeãs estão de parabéns!

 
 

sexta-feira, 31 de julho de 2015



Estou muito alegre por finalmente ter realizado o sonho de ter um filho.  Vou providenciar, imediatamente, uma creche para ele, seguida de escola em tempo integral, para, depois, tentar um intercâmbio, o ingresso em boa faculdade, talvez por lá mesmo, visando apurada formação. Aí, finalmente, espero poder descansar um pouco dessa dura rotina de paternidade,...


sábado, 11 de julho de 2015

Tião Gibi


TIÃO GIBI


   Em conversa com um de meus irmãos (sábado, 04.07), em Linhares, norte do nosso Estado do Espírito Santo, ele lembrou de algo que dialogáramos há algum tempo e que ficara marcado em sua memória, tendo, portanto, voltado ao assunto. 

  O fato diz respeito ao nosso pai, falecido já há alguns anos, porém, sempre vivo e perpetuado em nossas vidas, enquanto não entregamos o bastão, definitivamente, para os nossos filhos seguirem os indefinidos quilômetros que incumbe a cada qual nessa maratona de revezamento...

  Efetivamente, não nos deixou bens materiais: a vida de “remediado” (este era o termo que designava um enorme contingente de famílias - hoje inseridas em várias letras - que não se situava nem entre os “ricos” e nem entre os “sem nada”) o acompanhou durante toda a vida.

   Verdade seja dita que o ensino também não foi “aquela exigência”, como ocorre nos moldes de hoje. Mesmo porque, a rigor, as coisas fluíam de forma mais natural, não havendo essa interferência toda de padrões impostos pela competitividade e produtividade, elevadas ao ápice extremo enquanto “função social do ser humano”. 

   Curioso é que embora não houvesse essa pressão toda - tanto que era comum o primeiro contato com a escola ocorrer no ano em que se completava sete de existência. Acredita nisso? - nada impedia, quase obrigava, que a atividade fosse exercida de forma concomitante com outras, em casa, ou mesmo fora dela, visando contribuir para o sustento da família, já que não se pode dizer, também, que, naquela época, se ainda não se avistava tão “mirabolantes” ideias para a infância como o “ensino em tempo integral” (meu Deus!!!!), a vida juvenil, para grande parte da população, também não era brincadeira.

   Aliás, tanto não era brincadeira que várias das grandes lições que se aprendia na vida – ou também não se aprendia, mas eram muito “ensinadas” - ocorriam dentro de casa, em episódios duros, como um que sempre faço questão de relatar para os meus filhos, por considerar que uma das melhores maneiras de ao menos tentar transmitir alguma “lição” aos mesmos é mostrando, através de exemplos que também realcem os nossos defeitos, que aquilo que se procura legar, de alguma forma, também nos foi transmitido, ainda que eventualmente por meio de caminhos e dificuldades diferentes.

   Um hábito comum, à época, mesmo para as famílias “remediadas”, era fazer uma grande “Ceia de Natal”! Imagina: aquelas coisas deliciosas que eram bastante escassas nas demais épocas do ano, naquele momento, estavam ali, à sua frente, à disposição, podendo fartar-se,...

  Pois é! Já tinha comido de tudo e mais um pouco, porém, a gula me levou a pedir um pouco mais de coca-cola, ao que o meu pai, sério, perguntou e reperguntou mais algumas vezes se eu, realmente, iria beber o que estava solicitando, ao que, possivelmente imaginando-me como um camelo, respondi que sim.

   - Então eu vou lhe dar, mas fique ciente de que vai ter que BEBER TUDO o que você colocar no copo.

   Na metade, eu não aguentava mais! Pedi, clamei, mas não teve jeito:

   - Nem que eu te leve para o hospital depois, mas vai ter que beber tudo! 

   Eu bebi! Não sei de que maneira consegui e nem como não fui realmente para o hospital! Mas os meus irmãos relatam que parecia que eu ia explodir, enquanto andava para lá e para cá, durante boa parte daquela mal dormida noite de Natal.

   Depois disso, guardadas as proporções, como eu poderia deixar de tentar evitar o desperdício por parte dos meus filhos? Aí sim, seria um desperdício, não é mesmo? Espero, sinceramente, que me compreendam...

   Existem outros episódios da vida difícil, já que nem tudo são flores. Porém, mesmo quanto a esses, se não são, o negócio é tentar plantar, não é?!

   Bom, mas o assunto que levou a este texto, conforme as primeiras linhas, foi o fato que ficara marcado na memória de meu irmão e que estávamos a conversar naquele momento. Então, depois de tantas delongas, vamos a ele:

   - Pois é, mano, disse ele: alguns amigos ficam perguntando de onde vem esse nosso gosto pelas letras, já que consideram tal fato uma virtude, sendo muito difícil de se transmitir ou alcançá-la. De onde vem?

   Sinceramente não sabemos! Mas chegamos a uma dedução que acreditamos bastante lógica: à época, além de papai, somente no bairro onde morávamos, que tenhamos conhecimento, existiam outros três Tião; como essa questão de “bullying” ainda não era tão disseminada - aliás, era, praticamente, “disse-me-nada - todos eram conhecidos como Tião, seguido de um adjetivo, gostasse ou não, muitas vezes sequer sabendo como lhe fora incorporado. 

    E o nosso pai era conhecido por todos como... TIÃO GIBI!

   A propósito de tal, a título de curiosidade, esse meu irmão com quem mantive a conversa, também Sebastião, filho do “Tião Gibi”, é o “Tião dos Correios”. Até o “onisciente” Senhor Google já o conhece assim, embora, mais recentemente, também atenda pela alcunha de “Tião do Pedal”...



sábado, 4 de julho de 2015

Livros de minha autoria, que foram lançados no dia 12.06.2015 e se encontram à venda nas Livrarias Logos, inclusive através do endereço www.logoslivraria.com.br :
ARTIGO CINQUENTA (Artigos publicados entre 1990 e 2015)
50 POR ORA (Crônicas cotidianas atemporais)
MULHER 1 X HOMEM 1 - A Igualdade no Casamento (Relacionamento)




domingo, 28 de junho de 2015

Nota de falecimento ll




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         NOTA DE FALECIMENTO II 



  Estou novamente dentro do banco...

  Mas podem ficar sossegados. Como os desdobramentos continuam a depender de minha caneta, não será também desta vez que farei dela “uma arma”: logo, “não matarei ninguém”!

  Contudo, não dá para relaxar! Suicídios acontecem, não é?...

  É mais ou menos igual àquela situação intranquila, onde o responsável pela nau, nitidamente afundando, faz questão de dizer que tudo está sob controle, apenas enfrentando uma “marolinha”,...

  Portanto, fique ligado, até o final, pois, realmente, repito, eu não matarei ninguém, mas, sinceramente, nem eu sei o que pode acontecer antes da última linha!

  Afinal, não é porque o cara enfrentou uma “Nota de Falecimento” e não morreu que irá enfrentar outra (aliás, como nos filmes, é possível que o autor já esteja pensando, inclusive, na parte III, dependendo do sucesso que esta obtiver) e irá sobreviver para continuar a história...

  Certo é que ele continuava não fazendo falta... Namorada: nem pensar... Parentes e amigos: ninguém a dele se lembrar...

  O negócio, entretanto, é o governo!!! 

  Pois é! A crise chegou de tal forma que já tendo taxado todo mundo, de todas as maneiras possíveis  - e impossíveis (de imposto sobre “grandes fortunas” até a “pequena pobreza” se chegou, acredite!) – alguém, da alta cúpula, querendo ganhar o prêmio criado especialmente para a época, o “bônus sacanagente”, sugeriu  - e foi aplaudidíssimo - que houvesse um “pente fino” sobre os mortos, tendo em vista que obtivera informações - e ninguém quis saber de onde elas apareceram, tão boa foi considerada a ideia - de que pessoas estavam forjando a sua morte para escapar da implacável “perseguição impostonômica” que houvera se instalado.

  Pouco importava se, em vida, apresentava sinais de riqueza ou não - afinal, poderia estar planejando o "crime de lesa pátria" há muito tempo, fundamentou o proponente, novamente ovacionado, sem que sequer se importassem em saber o que significa essa expressão, muito menos se era adequada. Logo, todos (todos é como ele disse, enfaticamente!) os mortos nos últimos vinte anos seriam investigados (desnudados e desossados até, afirmou ele, se necessário).

  O certo é que em determinado momento chegaram ao nosso desafortunado (será mesmo?!) camarada!!! 

  - Morreu ou não morreu, afinal?

  O relatório da comissão foi inconclusivo! Eram poucos os dados a respeito de sua existência (não conseguiram chegar a mais nada além do meu escrito anterior). E como o cara realmente não tinha ninguém por ele o meu medo era que me “convidassem” a esclarecimentos sobre o que sabia a respeito, fato que, felizmente, até o momento não ocorreu!

  - Número 327! 

  Um antes do meu! Como, finalmente, logo serei atendido, só dá tempo de esclarecer que diante da incerteza quanto à morte do camarada, a regra  - também elogiada e acolhida à unanimidade - é a de que se lance um “impostozinho” mínimo em seu nome   - princípio do “in dubio pro grana” (decorrência, a propósito, que se deu com enorme rapidez, diga-se de passagem), se lance o nome no rol de mortos devedores e ele, se quiser, que pague para honrar a sua reputação (inclusive, todos os cemitérios ganharam ao menos um caixa eletrônico, para facilitar a situação dele e de outros, como foi frisado), apareça para contestar ou que acerte a sua dívida com Deus...

  Mas, mesmo assim, com a advertência de que, certamente, não passará pela “porta estreita do céu”, como fez questão de fazer retumbar por tumbas e catacumbas, pelo sim, pelo não, aquele governo, do alto de sua laicidade...


sexta-feira, 12 de junho de 2015

SIMquenta anos

                                      SIMQUENTA ANOS


“Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar, e cantar, e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz”
 
    Hoje, dia 12.06.2015, eu completo simquenta anos!

   Uma fase da vida que considero tão especial que, junto à Família, para celebrá-la, venho preparando especial programação, a ser conferida por aqueles que me honrarem com algum momento ao meu lado.

   Em reciprocidade ao tempo, que me chama a brincar com ele, afirmo-lhe que a preparação para esta data ocorre há exatos cinquenta anos, embora a três esteja mais enamorado da ideia.

   Resta previsto, então, que às 5:00 horas (ou acorda cedo ou dorme no ponto) ocorrerá uma corrida de 10 km no calçadão de Camburi; às 12:00 horas (Senhor de todas as horas), Missa na Igreja São Gonçalo, no Centro de Vitória; e, às 19:00 horas (a noite é para o ser viço também), lançamento de três livros no Shopping Norte Sul, em Jardim Camburi.

   A única exigência feita, neste dia, é que, FINALMENTE, eu vença uma corrida, pois é acessível a todos os que, até aqui, fizeram parte de algum momento de minha vida (logo, os não poucos que correm mais do que eu, hoje, me perdoem, mas venham por qualquer motivo, menos para vencer...).

   Por fim, embora não menos e nem mais dedicada, a programação inicial era um pouco diferente da que, finalmente, está preparada para ser, mesmo assim, sujeita a controle que não necessariamente me obedece, já que o Senhor do destino é o único que sabe como efetivamente será o próximo minuto...

   Aliás, isso serve como estímulo para nos adequarmos às tantas situações que planejamos minuciosamente para a nossa vida, mas que, por razões que não comandamos, acontecem de forma diferente da nossa vontade.

   A propósito, como é um momento único, embora com a responsabilidade de emblematicamente sintetizar cinquenta anos (e, por favor, não me inveje por coincidir com uma sexta-feira, dia dos namorados,...) , é justamente nessa linha a sincera e refletida mensagem que desejo para a vida de todos aqueles que, como eu, enquanto nos é permitido, estão construindo a sua obra: se você passar por uma rua ao invés de outra, apenas um detalhe, tudo poderá ser diferente na sua vida. Só não pode ser diferente a vontade de pavimentar, da melhor maneira possível, a estrada, qualquer que ela seja. 
                                  
                                                 “Somos nós que fazemos a vida, como der, ou puder ou quiser"
                                                                              

domingo, 24 de maio de 2015

Sem inspiração

S EM INSPIRAÇÃO
  

   Nunca me imaginei em uma situação dessas: completamente sem inspiração para escrever nada! 

   Aliás, costumo dizer que a inspiração é apenas uma simples e imperdível passageira dos seus efeitos. 

  É por isso que estou sempre a postos! No momento, acordando no hotel em B.H., no horário biologicamente assimilado pelo meu subconsciente, bem cedinho, porém, sem ter trazido o tênis para correr e longe da rotina de afazeres de casa, conforme, querendo ou não, ela me impõe. 

  Mas, ao lado da cabeceira da cama, não falta a já tradicional “papeneta”, que nasceu do casamento do papel com a caneta, tão amigos e tão próximos que, no mundo do Deus só deles, unidos, se transformaram em uma só “carneta”. 

  O meu papel (viva o trocadilho!), neste momento, acredito, seja velar pela manutenção dessa união, dando uma força nesta situação difícil para eles e para mim, aproximando-os, com carinho, cupido que fui e me comprometo a continuar a ser, para sempre, dessa relação. 

  Afinal e a propósito, somos tão íntimos que a reciprocidade é espontânea, daí eu nunca deixar de ganhar quando velo pelo casal, sua plena realização. 

  Enfim, simplesmente cuidando do dia deles, sentindo-os aquecidos, juntos e seguros, mesmo sem inspiração, recebo grande dose de energia para, agora, melhor cuidar do meu.


sexta-feira, 8 de maio de 2015

Avenida Banco


            A VENIDA BANCO
 
 
   Logo que cheguei à Avenida Banco, encontrei um grande engarrafamento, já que para iniciar o trânsito no local, era necessário minucioso estudo dos equipamentos que cada um transportava.
 
   O sinal vermelho era uma constante e, então, quando acendia, obrigava averiguação mais detalhada, por vezes até mesmo dos acessórios indispensáveis ao funcionamento do veículo.
  
   Lembro-me que era o décimo da fila e pude observar um deles, com algo metálico à frente dos faróis cansados, para melhorar a visibilidade, mas que, ainda assim, teve solicitação de retirada, considerando que a luz vermelha teimava em não dar lugar à verde, mesmo o veículo despojado de quase todos os objetos que o compunham.
  
   Sem criatividade para outras averiguações e diante de olhares atentos e ansiosos dos demais, fitaram-se por intermináveis segundos o responsável pelo trânsito e o veículo dos faróis, até que esse adentrou na Avenida Banco, sendo seguido pelo olhar confuso e desconfiado do autorizador, sem muita convicção de seu ato.
 
   E essa era a rotina, variando o tempo de espera e os equipamentos objeto da detida observação do sinaleiro.  

   Um pouco à minha frente, a encrenca surgiu com um veículo ainda mais desnudado, o que jamais se mostraria suficiente, uma vez que fora obrigado a colocar uma peça metálica no interior do motor, a fim de prolongar a sua existência. 

    Pelo absurdo da abertura cirúrgica do motor apenas para avistar o equipamento, e diante do pouco caso à trágica consagração da violação do alheio como alternativa, não seria de estranhar que o mundo moderno apresentasse a solução através de mais uma milagrosa parafernália que visualizasse não só o interior do motor, mais até a sua própria alma.  

   Contudo, no caso presente, nada convencia o guardião do local, que tinha que fazer valer a sua autoridade. Afinal, até o momento ainda não estava convencido de ter optado pelo melhor caminho ao deixar o veículo dos faróis cansados entrar.
 
   Diante do impasse e a buzinagem que começou a se instalar, o automóvel deu meia-volta e foi procurar uma avenida menos tumultuada ou, talvez, um outro tipo de material para o motor do seu veículo.
 
   Senti um friozinho na barriga! Depois daquele fusca turbinado à minha frente, objeto de um demorado e alegre olhar do sinaleiro, era o meu momento.

  Aquele seu olhar feliz desaparecera rapidamente, dando lugar a um semblante interrogativo. Tremi! É certo que o giro do motor do veículo estava um pouco alterado naquele momento, mas ele não tinha sofrido qualquer mudança de suas características originais, que pudessem causar dificuldade para esse tipo de situação; os faróis tinham um acessório especial que possibilitava melhor visibilidade, mas foi comprado em uma loja que garantiu que o material não era empecilho para adentrar na Avenida Banco. Outros equipamentos que poderiam emperrar a entrada sempre são deixados na garagem antes de enfrentar o início daquela via. O que poderia ser aquela luz vermelha, então?

   Não sei e nem fui informado. Após um demorado e desconfiado olhar, percebi que um botão foi apertado e pude entrar, com uma grande incógnita, é claro! Como utilizo o mínimo de acessórios possíveis para entrar na Avenida Banco, porque demorei tanto?

   Se era engarrafamento fora, dentro da Avenida não tinha muita diferença. Haviam setas indicando um caminho a seguir. Eram curvas e curvas, dentro de faixas, até chegar ao destino, lentamente, proibida a ultrapassagem.
 
   Nas conversas que se sucediam, percebeu-se uma insatisfação coletiva tão grande, que levou à conclusão de que o local é bastante propício para diminuir a vida útil do motor.

   E logo nos lembramos das várias avenidas que percorremos ao longo de nossas vidas e não temos dúvidas de que precisamos sempre estar refletindo sobre formas de melhor pavimentá-las.
 

domingo, 19 de abril de 2015

Mulheres também são problema


MULHERES TAMBÉM SÃO PROBLEMA



  Caía a noite, chegara do trabalho e aguardava esposa e filhos retornarem da escola onde a primeira trabalha e os outros estudam, quando, em frente ao portão de casa, fui pego de assalto – calma gente, não é aquele assalto! - por um conhecido de longa data, que estacionou a sua bicicleta bem defronte a mim e nos pusemos a conversar.

  Não nos falávamos há muito tempo! Na condução do meu veículo, em oportunidades difíceis de parada para um bate-papo, até que o avistara algumas poucas vezes. Todas elas, aliás, se não falha a memória, na condução da mesma bicicleta que ora lhe locomovia.

 Por que me lembro da bicicleta? 

  Impossível não lembrar! 

  Num ambiente de “magrelas” cada vez mais portentosas, aquela é justamente o contrário: só chama a atenção por causa de sua total simplicidade, termo esse que, a rigor, não sei bem se sintetiza o “conjunto da obra”. Para se ter ideia, como foi o primeiro objeto de nossa conversa, o amigo, não se lembrando da longínqua época de aquisição, ilustrou que a mesma foi trazida na mudança que a família fez em... 1979!

  É uma daquelas “Ipanema”, que, acredito - dando asas à liberdade de imaginação e sugerindo fundada controvérsia - era o veículo de locomoção da “Garota de Ipanema”, na década de 60, inspirando, também por esse motivo, o Vinícius e o Jobim à canção que se tornou imortal como a bicicleta à minha frente.

  Mas, no momento, quem estava diante de mim, sentado nela, era o “Garoto da Ipanema”, que me proporcionou agradável conversa, levando a muitas reflexões e gargalhadas.

  Aliás, não foi por pouco tempo, já que o “humor do trânsito” não estava dos melhores, nesse dia! 

  Até que minha esposa chegou, o meu filho mais novo veio direto para o meu “cangote”, mesmo assim não impedindo que tenhamos conversado mais um pouco.

  Embora considere extremamente agradável o teor de nosso diálogo - e foi sobre muita coisa mesmo! - existe um fato que considerei mais marcante, constituindo-se ele na razão que levou ao presente escrito, sendo o resto apenas uma forma de “encher linguiça”, ainda que tenha o gosto de fazê-lo da melhor maneira possível, para que você consiga consumir tudo, sem passar mal.

  O fato se deu a propósito de um elogio que lhe fiz: se eu não soubesse que ele tem idade próxima à minha (49, porém, muita gente acreditando que é mais de 50...), pela sua aparência, com sinceridade, diria que ele não tem mais de 35...

  Calma! Não vá sair por aí, desesperado, à procura de uma “Ipanema” para se exercitar! O “segredo” que ele compartilhou, de forma muito segura, inclusive na presença da minha esposa, ora revelo em primeira mão para você: - É QUE EU NÃO CASEI!

  Bem feito, Luiz! Lembra que dias atrás você escreveu uma crônica baseada na história da Jessie, a mulher mais velha da Escócia, aos 109 anos de idade? E tentou deslustrar o seu grande feito, possivelmente magoado devido à fórmula por ela revelada: “ficar longe dos homens. Eles são apenas mais problemas e não valem a pena!”.

  Você até ironizou, escrevendo que se depender de também ficar longe dos homens, acredita que até pode superar o recorde dela, não é mesmo? Porém, e das mulheres??? Sai dessa, agora!!! 

  Realmente eu não tenho como sair dessa e nem quero! Mas, o fato é que o cara não falou nada para me provocar, à minha esposa ou ao meu, ao seu casamento! Ele é simplesmente uma pessoa que não se obriga a viver de acordo com o que a maioria pensa - ou talvez nem pense - que deva ser. E não tem tantas pessoas que são felizes assim?

  Poderia “me defender”, no momento ou agora, estabelecendo um contraditório, mas, para quê?...

  Por via das dúvidas, o que não revelo de jeito nenhum é o nome do sujeito ou qualquer outra pista que possa levar à sua identificação. E também já pedi à minha esposa que faça o mesmo, pois sei que existe muita gente querendo, porém, enfrentando dificuldades para “envelhecer”. E não quero sequer pensar na possibilidade de estimular alguém a se aventurar ao convencimento do meu amigo.

  De qualquer forma, como integram inafastavelmente este texto, não posso retirar as delatoras informações proporcionadas pela sua “magrela”, sendo bem possível que neste momento esteja com ele circulando pelas ruas da Grande Vitória...



quarta-feira, 8 de abril de 2015

Andando na frente - Parte 3*



       ANDANDO NA FRENTE – PARTE 3


              Hoje é dia 08.04.2015. A Laís completa 10 anos!

           Quem leu “andando na frente – partes 1 e 2”, sabe bem qual o presente que tanto me alegra em dar para meus filhos quando alcançam esta idade. Aliás, a rigor, não sou eu quem dou; apenas, enquanto pai (com a coautoria da mãe), permito, já que assim disciplina as normas de trânsito: o direito de andar no banco da frente do carro! 

            - E isso lá é presente? Pobre filha...

          Tudo bem que à noite também vai ter uma festinha! Porém, ainda mais quando as coisas acontecem na época própria, é inegável que esse direito proporciona grande alegria à criança, quando o alcança. Tanto que, geralmente, insistem em obtê-lo antes! 

            Contudo, é verdade que tendo os irmãos mais velhos já passado “pelos mesmos bancos”, não tivemos dificuldades para a Laís assimilar de forma natural a espera.

          Coisa simples, mas que alegra bastante, como deu mostras na manhã de ontem, quando a levava para a aula de natação e ela falou animadamente:

          - Ôba! Amanhã eu vou poder ir para a escola no banco da frente!

         - Sim, Laís! Amanhã sim! Afinal é o dia do seu aniversário de 10 anos! Porém, não se esqueça que você tem outros irmãos e o seu presente não pode alterar “regra de boa convivência”! Portanto, “keep calm”! Afinal, segundo a Lei de Newton, assimilada pelo nosso Código de Trânsito, dois corpos não podem ocupar aquele espaço ao mesmo tempo!

         Enfim, querida, a vida é um presente que deve ser desembrulhado aos poucos, com cuidado, esperando que dessa forma possa ser melhor compreendida a importância do papel. 

            Meus parabéns, adorável e encantadora LAÍS!



sexta-feira, 27 de março de 2015

pensamentos




O teclado de um computador é cheio de senhas capazes de fazer brilhar o mundo, cujo segredo está na forma de conjugar suas teclas, várias e misturadas apenas para que se possa levar a vida sempre tentando


sexta-feira, 13 de março de 2015

Nota de Falecimento




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                                                 NOTA DE FALECIMENTO  



  É com imenso pesar que anuncio.


  E não é porque morreu que vou mentir: não era aquela pessoa que vai fazer tamanha falta assim.

  Tanto que morreu e não li ou ouvi ninguém comentar a respeito. Portanto, acho que sou o primeiro.

  Acredito que não chegará a ser nome de rua, praça, sequer de um beco...

  Coitado! Merecia ao menos dar nome ao campinho de futebol que ajudou a “desgramar”, tantos os “ex-candidatos-a-craque” que pisoteiam aquele espaço, dia e noite, a ponto de ser conhecido como “carecão”.

  Logo, se for batizado com o seu nome não trará prejuízo para ninguém (salvo alguém se sinta o homenageado com o apelido que tem o campo atualmente). 

  Mas se nem os “peladeiros” parecem se importar com o seu sumiço (será que era tão ruim de bola assim?) quanto mais um Vereador para tal. Aliás, será que um edil é necessário para batizar o “carecão” com o nome de alguém?

  Que eu saiba, não deixou ninguém!!!! Até namorou com a “Maria Congueira” (ou “Maria Kichuteira”, já que ele não tinha chuteira? Ora jogava de conga, ora de Kichute - a propósito, será que ainda existem?).

  Mas depois que ela lhe deu um “chute na bunda” (o laudo de lesões corporais não especifica se fez isso descalça ou de conga, kichute, tamanco, sapato etc. Apenas narra que foi por “instrumento contundente”) nunca mais se aventurou nesse campo. 

  Pois é! Nesta altura da Nota, você, com razão (e eu já ia até me esquecendo dessa questão central) deve estar se perguntando: afinal, quem foi que morreu?

  Caramba!!!! É mesmo! 

  Explico: é que estou dentro de um banco (como você conseguirá imaginar vários, não vou dizer qual deles. Talvez ainda levaria um processo por dano moral se “denegrisse” a sua imagem publicamente - se é que as poucas pessoas que irão ler esta Nota, apesar de muito caras para mim, significa essa veiculação toda!). Enquanto espero, apenas “dei asas” à imaginação. 

  Contudo, não pretendo, de jeito nenhum, fazer da minha caneta uma arma. Logo, não vou matar ninguém. Isso mesmo: como o fato está dependendo de mim, exclusivamente, ninguém morreu!

  - Número 548.

  É a minha vez! Ainda bem. Se demorasse mais um pouco, é possível que o “peladeiro” tivesse final diferente.

  - Mas vê se ao menos aprenda “a fazer falta”. Caso contrário, como infelizmente haverá muitas próximas vezes,...




sexta-feira, 6 de março de 2015