segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Não inveje: tem coisas que só acontecem com o Botafogo eternamente!


NÃO INVEJE: TEM COISAS QUE SÓ ACONTECEM COM O BOTAFOGO ETERNAMENTE!


Em setembro de 2021 escrevi a crônica "não inveje: tem coisas que só acontecem com o Botafogo!".

"Botafogo: e se o comprador fosse russo?", em junho de 2022.

"Não inveje: tem coisas que só acontecem com o Botafogo mesmo" publiquei em julho de 2023.

Se você é Botafoguense e não leu, recomendo buscar no blogue "euandopensando.blogspot.com". O acesso é fácil, gratuito, não tem propaganda antes, durante e nem depois (rsrs), não precisa dar nenhum like e, no mínimo, achará divertida a narrativa da odisseia. Se não é Botafoguense, também tomo a liberdade de sugerir, pois terá a oportunidade de verificar como se pode ser tão feliz na alegria e (quase sempre) na tristeza (rsrs).

De qualquer forma, vou lembrar um pouquinho aqui: quando escrevi a primeira crônica, estavámos na segunda divisão, ainda não éramos SAF e a tônica foi o sentimento único de ser escolhido para torcer pelo Botafogo, independentemente de em qual divisão estivesse: 

Ora, se o Botafogo está nela, ali também está o seu prestígio e todo o seu glorioso peso! Então, parabéns para a segunda, terceira ou seja lá qual divisão o Botafogo vier a se encontrar! 

Contudo, acredito que iremos subir de série! Afinal, nos últimos doze jogos, o Botafogo ganhou dez, empatou um e perdeu outro! Isso, basicamente, tão somente com a mudança de um técnico, devido ao fato de que os resultados, até então, estavam muito ruins! A propósito, no momento, dificilmente em algum lugar do mundo existe um time que nos últimos doze jogos esteja com um aproveitamento igual ao do Botafogo. Nem mesmo aqueles com planteis poderosíssimos!!!

Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!!! Me desculpem, mas SÓ ELE tem essa primazia!!! Aliás, até por isso, embora, pelos últimos resultados, seja difícil assimilar tal hipótese, o Botafogo, SÓ ELE, de repente, nas próximas doze partidas, pode perder dez, empatar uma e vencer outra!!! Sei lá! (...).

Fato é que, ao final, o Botafogo foi campeão da segunda divisão. Portanto, quando escrevi a segunda ("Botafogo: e se o comprador fosse russo?"), fazendo pontuações sobre a "safinização" do futebol, focando, especialmente, no Glorioso, havíamos retornado para a primeira, concluindo da seguinte forma: 

"(...) Ocorre que o futebol, pela sua própria essência, não deveria rumar, jamais, para esse campo, onde o clube se torna, na prática, menor do que o negócio, a par de sua importância.

Aliás, é diferente quando optamos por outros mundos, de quando imploramos para que sejamos adquiridos por eles, como nossa única esperança de sobrevivência, que, no momento, reconheça-se, forçosamente, é um caminho que ao menos apresenta luz à sombria realidade de alguns dos mais tradicionais clubes brasileiros.

No mais, então, antes de torcer pelo time, é torcer primeiro pelo controlador, afinal, alguém que, repentinamente, se tornou a verdadeira estrela solitária do clube!"

Depois de um campeonato brasileiro bem ruinzinho em 2022, um início de 2023 em que nem chegamos às semifinais do carioca, logo, um ano em que os melhores prognósticos eram o de que iríamos, no máximo, lutar, com muita dificuldade, por uma vaga na libertadores, porém, cuja realidade mesmo era a de brigar para não cair, tentando, quem sabe, "beliscar uma sulamericana", ainda mais tendo em vista que o nosso então considerado melhor e promissor jogador, o "Jeffinho", para piorar, fora vendido, sob protestos, para o Lyon da França, a sequência foi algo absolutamente emblemático: 

(...) Entre o campeonato carioca e o brasileiro, ninguém chegou! Alguns vieram um pouco antes, porém, nenhuma "estrela" (até então!): dois "Segovia's", Marlon Freitas (vindo do Atlético-GO), Carlos Alberto (estava no América-MG), Di Plácido, Júnior Santos (sem espaço no Fortaleza), enfim, nada de um jogador "de primeira prateleira" (termo que os comentaristas tem usado bastante rsrs). Assim, como as expectativas não eram nada boas, restava apenas um "Tiquinho" de esperança! 

Veio o Brasileiro e uma primeira vitória suada sobre o São Paulo, outra sobre o Bahia, em seguida o Flamengo... Todas por apenas um gol de diferença, mas uma bela sequência e nove pontos na tabela!

E, desta forma, o time foi avançando, desafiando fervorosos prognósticos contrários (alguns nitidamente revestidos de torcida!) até este momento em que, com um elenco que ninguém acreditava, o Botafogo chega na 15ª rodada com 39 pontos, treze vitórias, nenhum empate e apenas duas derrotas! A façanha é tão incrível que se tornou a melhor campanha de um time no campeonato brasileiro na era dos pontos corridos, ou seja, desde 2003... E olha que existiram vários times fantásticos desde aquela época!

Para quem acredita em estatísticas (não nós, Botafoguenses, óbvio!), segundo o Portal Lance, as chances do Botafogo ser campeão brasileiro, no momento, é de 82,3%, enquanto o próximo time, com maiores possibilidades, é o Grêmio, com 4,8%,... Por essa mesma metodologia, o Glorioso tem 99,57% de chances de Libertadores e 0% de ser rebaixado! 

O feito é tão inexplicavelmente destacado e assombroso, que a diferença para o segundo colocado, o Flamengo, é de doze pontos (faltando, contudo, um jogo do Grêmio, que poderá reduzi-la para dez), deixando os demais rivais embolados entre si, estando o segundo com 27 e o décimo primeiro com 22 pontos, ou seja, no momento, "um campeonato totalmente a parte"! Pudera: em 15 jogos, um time com 13 vitórias, enquanto o seu adversário mais próximo, dentre os outros 19, possui 8, é algo realmente inacreditável!

A rigor, próxima da campanha do Botafogo de 2023 (13 vitórias, 0 empate e 2 derrotas em 15 jogos), com 86,6% de aproveitamento, guardadas as devidas proporções, cabe mesmo só a lembrança da do Botafogo de 2021, que, em sua arrancada para o título da série B, em 12 jogos, ganhou 10, empatou 1 e perdeu outro, ou seja, 86,1%.

(...)

Mas, como escrevera naquela campanha de 2021, na série B, e reproduzo agora:

"Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!!! Me desculpem, mas SÓ ELE tem essa primazia!!! Aliás, até por isso, embora, pelos últimos resultados, seja difícil assimilar tal hipótese, o Botafogo, SÓ ELE, de repente, nas próximas doze partidas, pode perder dez, empatar uma e vencer outra!!! Sei lá!"

Enfim, se isso ocorrer, é porque tem coisas que só acontecem com o Botafogo mesmo! No fundo, o que esse time fez até agora, da forma como fez, diante de quem fez, com o plantel que dispõe, já o coloca como sendo uma das façanhas mais incríveis e inacreditáveis da história do futebol brasileiro! Aliás, o próprio episódio da inesperada saída do nosso "midas", Luis Castro, sendo que o seu substituto, na condição de técnico interino, "encaçapou" quatro vitórias seguidas nos quatro jogos que disputou, é fator que realça ainda mais essa bonita e emblemática odisseia. 

O que vai ser lá na frente, é impossível saber! Mas, como Botafoguenses, estamos preparados! Seguiremos até o final, que não termina este ano, com ou sem título!

(...) 

Coisas do Botafogo, cujas razões não se encaixam em probabilidades, razoabilidades, proporcionalidades,... Coisas do Senhor, que de vez em quando resolve dar um caprichado lustro em sua estrela preferida, para que ninguém se esqueça do que Ele e ela são capazes de fazer! E nós, de agradecer, independentemente do que o destino reserva para acontecer, pois o principal de tudo é ser Botafoguense!"

O resto da história todo mundo conhece. Como "tem coisas que só acontecem com o Botafogo mesmo", foi aquela "tragédia", perdemos, incrivelmente, o campeonato brasileiro para o Palmeiras, aliás, nem só isso, mais algumas outras posições, conseguindo a "proeza" de terminar a competição em quinto lugar, o que, para conferir contornos ainda mais "cruéis", obrigava o time à tal pré- libertadores, uma espécie de "qualificação" para se saber se realmente vai ou fica. 

Não vou me ater, pormenorizadamente, ao que aconteceu no transcurso de 2024. Ainda está fresco na memória de todo mundo. Prefiro apenas seguir na linha de que "tem coisas que só acontecem com o Botafogo. Eternamente". Ora, se é assim, porque não, contra todos os prognósticos, o time ter um "ano mágico" e terminá-lo com a façanha de sagrar-se campeão da libertadores e brasileiro, numa saga absolutamente inacreditável?

E porque prefiro resumir a conquista em um parágrafo, concedendo amplo espaço para relatar parte da terrível trajetória até chegar a ela? 

Vou resumir aqui, mediante parte de um artigo que escrevi, recentemente, sob título "este ano vai ser diferente" (A Tribuna, Vitória-ES, 01.01.2025, P 15): 

"(...) Se, como eu, você também é botafoguense, então, esquece! Se para ser feliz você necessita ganhar títulos e mais títulos todo ano, lhe dou um conselho: mude de time! Tudo bem que não precisamos levar mais tantas décadas para ganhar alguma coisa, mas será que você ainda não se deu conta de que a imensa alegria pelos títulos de 2024 se deve, em grande parte, ao tempo que se levou para alcançá-los? (...)."

Enfim, ainda que existam "coisas que só acontecem com o Botafogo" e o time possa, na sequência, ser bicampeão da libertadores, do campeonato brasileiro e até campeão do mundial, ganhando, na final, de ninguém menos do que do Real Madrid, é muito improvável que se repita o "ano mágico" e todos devem estar preparados para isso. 

Mas, quer queiram quer não, quer admitam, quer não, o Botafogo, definitivamente, mudou de nível! Isso é, básica e realisticamente, o que se pode pretender! E quem, há dois anos, acreditaria que isso iria acontecer?

Após um "ano mágico", tudo se torna mais difícil. Jogadores, treinadores e toda a estrutura futebolística se valoriza. Logo, a sua manutenção se torna, em tese, bem mais cara. O mercado se abre de forma bem mais receptiva para sedução e aquisição de seu plantel. As possíveis contratações do time passam a ser mais vigiadas pelos concorrentes. Em contrapartida, tudo para o time é mais caro etc etc.

E jamais pode se perder de vista que o Botafogo, agora, é uma empresa! Uma empresa que tem dono! O John Textor! Que, obviamente, não irá gerir um time de futebol exclusivamente voltado para atender à paixão de torcedores. E nem mesmo às suas, embora, nesse particular, eu esteja convencido de que ele realmente se apaixonou pelo Botafogo. Mas, antes de se apaixonar pelo Glorioso, ele já era casado com toda uma rede de situações que moldaram sua conduta até se tornar o vitorioso empresário que é.

Não segurou o Artur Jorge... Paciência. Se ele realmente quisesse ficar, ficaria. Ah, o Almada, o Luiz Henrique,... Tomara que não desfigurem totalmente o "quarteto fantástico", levando também o Savarino e o Igor Jesus... Fica quieto! Tá todo mundo na vitrine. Não vou nem citar aqui mais nomes para não aguçar o "mercado"...

Ao mesmo tempo, com o devido respeito, o glorioso 2024 do Botafogo foi um esculacho na concorrência... Como assim, aquele time despedaçado do Botafogo, "definitivamente" destroçado em 2023, ousou nos submeter a esse papel de distantes coadjuvantes? Isso não vai ficar assim não...

Se X e Y já eram duas hegemonias "sobrenaturais" no atual cenário do futebol brasileiro, elas estão se precavendo e se agigantando ainda mais. E, afora elas, tem um alfabeto inteiro se mobilizando para reviver ou viver essa glória eterna hoje muito celebrada pelo Botafogo.

No frigir dos ovos, depois dessa omelete toda, o que realmente importa é que ser Botafoguense é algo realmente tão especial que, infelizmente, não dá para ser alcançado, sentido ou experimentado por quem não é, o que é uma pena, já que não somos egoístas a ponto de querermos só pra nós esse prazer de ser, viver e estar.

O que ocorreu com o Botafogo em 2024 vem de muito antes. Aliás, de uma época em que estar em campo com a camisa do Glorioso era, no mínimo, uma razão para se pensar bastante antes de se desfazer dela por uma outra.

É por isso que neste momento em que notamos tantos que parece não se darem conta de que a "magia" não acontece em todo momento e nem em todo lugar, exatamente como fiz na crônica de 2021, portanto, bem antes de SAF e de todo o desenrolar que culminou com os títulos de 2024, quero terminar, sem badalação, lembrando de um jogador, que, infelizmente, não conseguiu demonstrar todo seu potencial em razão das várias lesões que se seguiram, mas que, para mim, simboliza algo muito importante no tocante ao que é vestir a camisa do Botafogo, na alegria ou na tristeza: 

"(...) Mas, o verdadeiro motivo dessas linhas é quanto ao RAFAEL!!!

Há muito tempo não vejo um jogador de idêntico potencial que tenha demonstrado mais carinho e, principalmente, DESPRENDIMENTO, para atuar no clube de coração! Vejam bem, antes de me retrucarem: estou falando de coração e não decoração, tá!? 

A inveja é tamanha que, infelizmente, tem quem mesmo diante de todas as evidências demonstradas, insiste em dizer até que isto, hoje em dia, é impossível, que não acredita, que não vai dar certo e blábláblá.

Falo em inveja porque quem diz isso pode saber de tudo, menos do que é ser Botafoguense! Pode não dar certo por algum motivo? Pode! Mas não acredito que o cara não tenha vindo de corpo e alma para o Glorioso! Afinal, quem é realmente Botafoguense, sabe bem que tem coisas que só acontecem com esse time! Imagina a rara oportunidade de confirmar isso de forma tão positiva, jogar no Botafogo e, ainda, ofuscar a "naturalidade" da "infidelidade recíproca" que caracteriza os "enlaces futebolísticos", atualmente, especialmente quando o dinheiro assume mais importância do que realmente tem. 

Parabéns Botafogo! Parabéns Rafael!"

domingo, 22 de dezembro de 2024

O pombo de natal

O POMBO DE NATAL

Minha esposa, muito agitada:

​- Amor, sobe aqui, tem um pombo em nossa varanda, acho que ele está ferido, pois não está conseguindo voar.

​Mas que pombas! Justo agora, que eu não estava fazendo nada, algo tão difícil de eu conseguir (não) fazer...

​Porém, era um aflitivo chamado da esposa, razão pela qual me dirigi imediatamente ao "local do fato".

​Como a porta de vidro estava fechada, antes de abri-la (sabe-se lá se o pombo - ou pomba resolve entrar...) peguei o que encontrei pela frente para tentar "animar" a ave, torcendo para que ela voasse: uma pazinha e uma bacia!

​Abri a porta, passei, fechei-a novamente, eu e o(a) pombo(a) nos fitamos, até que, vagarosa e sutilmente,tentei estimulá-lo com a pazinha... Nada! Mal sucedida essa tentativa, ainda com a pazinha, o coloquei na bacia, pretendendo descer com o mesmo, foi quando, inesperada e sapecamente, ele voou e foi embora, após uma breve parada nos fios defronte à nossa casa.

​Intrigado, mesmo porque nunca tinha me deparado com um pombo tão "fingido", resolvi "investigar" melhor "o fato". Perguntei à esposa sobre os detalhes.

​Tendo ela falado que percebeu o pombo "bicando" insistentemente o vidro, como se quisesse entrar, "matamos a charada":

​Montamos nossa árvore de natal e ela é iluminadamente bem chamativa, com os seus pisca-piscas azuis, amarelos e vermelhos. O pombo (acho que era uma pomba!) se encantou perdidamente com aquela árvore, queria porque queria fazer um ninho no local, usando de toda sua artimanha para tentar alcançar o objetivo...

​Infelizmente não entendi a tempo, pois poderia tentar encaminhá-lo para alguma (cada vez menos comum) árvore de natal que não fosse a minha (rsrs),...

De qualquer forma, o que realmente ficou dessa inusitada situação, foi como o natal ainda acaba servindo de inspiração para nossas inimagináveis fantasias, além, ao que parece, as de alguns outros seres vivos que nos rodeiam, especialmente aquele que, infelizmente, se deparou com minha porta fechada, mas, torço, mensageiro da paz, encontre maior hospitalidade na sua, a fim de depositar sua inesgotável magia...

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Medalhas pretas e douradas


MEDALHAS PRETAS E DOURADAS

Acostumados ao senso comum, ao ouvirmos a palavra queniano, dificilmente mentalizaremos imagem diferente da que retrata um atleta de corridas preto, magro, veloz e vencedor! Até o Google remete a isso!

É o que basta para definir um país e um povo que vai muito além disso, porém, que, como tantos outros, pouco atrai o interesse quanto aos seus demais importantes aspectos que dizem respeito a um mundo chamado de globalizado.

Aliás, de tão globalizado que, na maratona de Chicago, ocorrida em 13.10.2024, com os atletas pretos e pretas à frente, como é comum mundo afora em que estão presentes, destacavam-se os coloridíssimos supertênis que calçavam, seguramente, cada vez mais distantes da realidade da maioria, porém, significativos para efeito daqueles preciosos segundos entre a glória e o quase.

Ao se referir a essa revolução tecnológica dos tênis, Jonatham W. Rosen (autor em MIT Technology Review, 17.07.2024), destaca que "em poucos lugares seu efeito foi mais pronunciado do que no Quênia, onde correr não é apenas um esporte, mas uma estratégia de saída de uma vida de pobreza. Nesse sentido, os novos tênis de alta tecnologia são uma espécie de benção mista, dando um impulso aos corredores estabelecidos com patrocínios de empresas e, ao mesmo tempo, formando um obstáculo para aqueles que ainda anseiam por sua grande chance".

Extrai-se, ainda, do detalhado texto: "entre a legião de sonhadores de Iten (no Quênia), Kandie tem mais sorte do que a maioria: seus pais a veem como um futuro ganha-pão, por isso apoiaram sua busca e até venderam um terreno agrícola para que pudessem comprar para ela um par de (...) verde e rosa neon...".

Logo, "benção mista" é uma boa definição para essa revolução, já que, sendo inegáveis seus benefícios, por outro lado, aumenta para distância "ironmétrica" a que a separa do enorme contingente que ainda vive realidade próxima de 1960, quando o africano Abebe Bikila venceu a Maratona dos Jogos Olímpicos de Roma, utilizando como "amortecimento" a própria sola dos seus pés descalços.

Em comum, tanto naquela época (aliás, bem antes dela!), quanto nesta, são as dificílimas páginas muito bem escritas, à frente, pelos pretos e pretas, nessa história.

No contexto, põe-se a pensar sobre movimento também marcante desse nosso mundo globalizado, que, longe de se propor à diminuição de barreiras e promoção mais efetiva dessas nações de origem, cuida em delas pinçar destacados atletas, para, cada vez mais, competirem por outros países.

No fundo, como costumo refletir: só não revelamos mais campeões por culpa nossa, pois cada nascimento traz consigo seus trofeus!

Por fim, em termos de Brasil, um destaque especial para as mulheres, que, apesar de comumente superarem histórias mais desafiadoras, nas recentes olimpíadas de Paris, conquistaram nossas três medalhas mais cobiçadas, por sinal, todas elas douradas e pretas!

terça-feira, 27 de agosto de 2024

YANESTÊVÃO FUTEBOL CLUBE


YANESTÊVÃO FUTEBOL CLUBE

Sabe você ser o cara pinçado em meio à torcida por aquele jogador que vive fazendo gols e corre para comemorar e dedicar aquele feito a você?

Pois é! Me acostumei muito com isso, já que há quase duas décadas acompanho um desses vocacionados atacantes, o meu primogênito, Estêvão!

Sem favor algum, poderia ter trilhado caminho diferente! Oportunidades apareceram, mas, preferiu, de sua infância até os dias de hoje, iniciar no Vitória, pouco depois rumar para o Pedra da Cebola, de onde migrou, mais regularmente, para o futebol de areia, onde emprestou o seu brilho, primeiramente, ao "Meninos da Ilha", depois ao Rio Branco e, a partir daí, a alguns outros times e seleções municipais, onde, aliás, no momento, se encontra, jogando pela de Vitória, não desconsiderando sua passagem em campeonatos nacionais e até por times internacionais, como o Malvin, do Uruguai.

Ultimamente, porém, venho sentindo a perda de um pouco do meu prestígio, no meio da torcida!

A propósito, quanto a isso, importante fazer outro registro, pois é impossível deixar de realçar, dentre outros momentos futebolísticos, o vívido pelo Estêvão enquanto estudante e atleta da MedUfes!

Viveu intensamente os seis anos, dando um jeito até de estendê-los, encontrando uma brechinha para egresso, residente etc.

Dias de glória nas areias, nos campos, nas quadras, mediante muita intensidade, dribles, gols, títulos,... Enfim, o sentia como se estivesse sempre "em casa", no seu "Allianz Parque" (para quem não sabe, o estádio do Palmeiras, seu time de coração!). A propósito, o Estêvão Segundo (aquele recentemente convocado para a seleção brasileira), seria ainda melhor se tivesse umas aulinhas com o original, o nosso Dom Estêvão Primeiro.

Voltando à perda de um pouco do "meu" prestígio junto à torcida, comecei a sentir isso justamente na época da MEDUFES.

Dentre os vários tipos de comemoração, sentia que aqueles "coraçõezinhos" não eram para mim,... Era a Yana entrando em campo! Uma grande dupla se formando: Estêvão com a imortal camisa 15, Yana com a célebre 10!

Há quase 30 anos eu passei por isto! Comparando com meu filho, eu não jogava nada, mas tal qual ele, naquele fundamental momento da vida, firmei parceria para formarmos o maior e melhor time de nossas vidas: parodiando Jorge Ben Jor, "foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa, que a galera, agradecida, se encantava..."

É isso, Estêvão; É isso Yana! Nunca foram e jamais serão vãs as exortações trazidas em Gênesis, capítulo 2, versículo 24: "O homem deixa seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher e já não são mais que uma só carne"! E vice-versa!

É esse fantástico ciclo da vida que vocês tão maravilhosamente brindam hoje, dividindo conosco, seus seletos convidados, a alegria, o orgulho e o testemunho desse marcante enlace!

Por fim, nesta crônica aberta, o que quero dizer é que eu estou preparado! No recente dia dos pais, quando estávamos na Arena da Praça dos Namorados, você, inspirado, mas talvez ainda em dúvida sobre como comemorar, naquele dia específico, fez tantos gols que dava para comemorar comigo, com mamãe, seus irmãos e, óbvia e primeiramente, com sua agora esposa, Yana! Como fez e o fará por todos os dias de vossas vidas!

Uma transição perfeita!

De agora em diante, um só time, um só coração, uma só alma, UMA SÓ CARNE!

Quanto a mim, ao lado de sua mãe, além dos pais da Yana, reivindicamos apenas a condição de líderes da torcida organizada do Yanestêvão Futebol Clube!

Parabéns e Felicidades! Deus lhes abençoe! A bola está com vocês!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

O político eletrônico

 

O POLÍTICO ELETRÔNICO*

A propósito das inovações tecnológicas substitutivas de postos de trabalho da população, já seria imaginável, também, conviver com o político eletrônico?

Apresentada como parceira, especialmente na execução de atividades perigosas e insalubres, visando proporcionar mais tempo livre para o bem-estar do ser humano, a automação foi ganhando espaço em nosso meio, nas últimas décadas, até que, mais inserida, passou a alcançar, também, trabalhos tidos como repetitivos ou burocráticos, sob premissa de mais agilidade, competitividade, produtividade, dentre outros fortes argumentos para opor-se às previsíveis resistências.

Assim o ser humano foi se acostumando com a ideia de que suas habilidades para o trabalho devem acompanhar e se adequar ao ilimitado avanço das inovações, agora já no fantástico estágio da inteligência artificial, para que não seja varrido do ciclo evolutivo.

Porém, tivessem as inovações substitutivas no campo do trabalho se iniciado pelas posições mais elevadas, induvidoso que não estaríamos diante de uma visão tão desumanizada quanto ao tema, pois os rumos, certamente, teriam sido mais equilibrados.

Fato é que, atualmente, a solução mais adequada de gestão, parece vir quase sempre acompanhada da diminuição da necessidade de alguém, mediante implantação de alguma coisa, tanto maior o encantamento, quanto mais rebuscada e ousada esta for!

Ora, se é assim, não há dúvidas de que a implantação do "político eletrônico", como várias outras posições socialmente proeminentes, é apenas questão de um tempo maior, aliás, devido bem mais ao poder inerente aos cargos, do que, propriamente, por espírito tecnológico-evolutivo e econômico-financeiro.

Vale lembrar, em contraponto, que mesmo sendo absolutamente ignorada, desde 1988, portanto, há 35 anos, o país dispõe de norma constitucional que garante a "proteção do trabalhador em face da automação".

Embora pareça uma "lei dura", ainda assim, "é lei" ("dura lex, sed lex")! Logo, o mesmo "laissez faire" (deixa fazer), que, quanto mais o tempo passa, mais consolida a inteligência artificial que sustenta o distanciamento da norma, será aquele que caberá quando se tratar de qualquer ocupação ainda não alcançada.

Mas, certamente, "não haverá motivos para preocupações", já que, como é comum, nessas situações, se disseminará que a diminuição ou extinção dos cargos, a serem ocupados pelos "políticos eletrônicos", será absorvida mediante as "novas habilidades e oportunidades em surgimento".

E, o que é ainda mais sagaz: diferentemente da imponência que geralmente a acompanha, a inovação não inviabilizará que a população continue indo às urnas, podendo optar por votar em políticos, humanos e imperfeitos como nós, ou no "político eletrônico", evoluidamente criado e cada vez mais preparado para, no mínimo, assombrar-nos a todos, enquanto trabalhadores, indistintamente!



* Publicado no Jornal A Tribuna, sessão "Tribuna Livre", p. 16, em 16 de fevereiro de 2024. 

terça-feira, 7 de novembro de 2023

O acaso (também) vai lhe proteger!

 

O ACASO (TAMBÉM) VAI LHE PROTEGER!


A vida tem tantos mistérios que, realmente, não sabemos o que não mais será possível se não for feito agora, devido à incógnita sobre o momento em que seremos depostos do depois...

Apesar do pouco tempo, já nos tornamos íntimos o suficiente para nos conhecermos um pouco, na sala de audiências da Vara de Família, já que, comumente, somos os dois primeiros a chegarmos ao rotineiro local e, de minha parte, aproveito para ir azeitando o tempero que, pouco depois, se misturará a diversos outros, torcendo para que o gosto final seja o melhor possível, especialmente porque o sabor que sairá daquele ambiente será o responsável por realizar a digestão de quem, na maioria das vezes, nem nele estará, mas será o seu principal e vulnerável destinatário,...

Quando o André entrou na sala, ao invés de você, isso já aguçou a minha percepção... E ele, bastante emocionado, foi logo dando a notícia de que você, rumando para a faculdade, fora bestialmente atropelado na Avenida Fernando Ferrari e estava em estado muito grave no UTI do Hospital São Lucas,...

Como assim? Perguntei pouco, até porque seria uma tortura ficar indagando o André. Pois então, de um momento para o outro, tive que, rapidamente, me apegar ao fato de que não era mais a questão de um "jovem cheio de vida", mas, "enquanto há vida, existe esperança",...

Muito em você eu me vejo, há algumas décadas atrás: negro, de origem humilde, batalhador, interessado, estudante de direito na universidade federal do espírito santo,...

Mas, ressalto um fato que dará ideia do quanto considero você superior a mim, dentre outros aspectos, em termos de bondade: você e o André, ambos estagiários, revezam diariamente nas audiências. Como na quarta foi você quem as realizou, na quinta seria o André... Ocorre que na quinta era o aniversário do André. Então, ao final daquela longa quarta-feira de audiências, você se prontificou a fazer também as da quinta, no lugar do André,...

Sim, é algo bem "simples, mas é apenas uma mostra, ocorrida no dia anterior, quanto à sua generosidade!

A propósito, apesar de algo também bem simples, mas devido ao seu manifesto interesse demonstrado, me apeguei àquela dívida que tenho contigo quanto a cópia dos meus escritos, que vem desde antes do seu nascimento, a respeito das cotas, para ter a simbólica confiança e certeza de que esse trágico episódio será vencido e eu poderei lhe fazer a entrega.

Enfim, nestes momentos, temos que nos apegar a alguma coisa! Qualquer coisa que aumente as nossas esperanças... Não basta ser jovem, idealista, humilde, inteligente, afetuoso, bom, para que os misteriosos desígnios da vida deixem de levar um ser humano, precocemente, para o convívio celestial,...

O que posso dizer, Wilker, é que, a partir do momento que soubemos do fato, pela sua vida, invocamos todos os nossos argumentos e suplementos. E olha que minha contribuição nisso é pequena, confesso! Mas convivo com pessoas que trabalham e confiam bastante nesse campo!...

Uma dessas, aliás, me falou que ao buscar disseminar a "corrente" pela sua vida, ao dizer o seu nome, ouvia de outras tantas pessoas, que ela "já estava atrasada", se é que você me entende,...

No fundo, o que posso afirmar é que esse lamentável episódio infelizmente ocorrido com você fez surgir verdadeiros "anjos" em sua vida; embora não lhe conhecendo, muito somaram para agregar aos indispensáveis esforços hospitalares que levaram você a superar esse infortúnio e, a partir dele, torcem, também, ainda mais, pelo sucesso desse valoroso ser humano que você é, rogando a Deus que lhe abençoe em toda sua bem longa trajetória de vida!

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Coincidência demais...

 COINCIDÊNCIA DEMAIS...


A questão não é você nunca ter enfrentado a situação de acabar o gás de cozinha, "justamente" quando está cozinhando alguma coisa. O que importa é como você se sente diante desse fato...

Ora, evidente que ele só vai acabar "justamente" quando alguém o estiver utilizando, não é!?

Logo, que não seja por isso!

Ah! Mas porque justamente comigo, se não só eu o utilizo?

Ora, vai acabar em algum momento, com alguém fazendo uso,... Não seria egoísmo querer que isso acontecesse com outro ao invés de você!?

Mas, se isso não lhe convence e não há condições de utilizar a técnica que talvez "alguém" adote para o papel higiênico (indo em eventual outro banheiro ou deixando um pedacinho no rolo para que não acabe justamente com você e tenha que pegar outro), se você considerar tão importante, pode ir se acostumando a levantar a botija, de vez em quando, visando identificar momento em que o gás esteja prestes a acabar, para deixar que termine quando outro o estiver usando. No começo, pode errar algumas vezes, mas depois que estiver "craque", o gás acabará sempre sem que seja com você a usá-lo...

E quando se trata de um carro, que não só você dirige?...

Pois é! Tem alguns outros macetes, que valem para definir, por exemplo, quem vai abastecer o carro, dependendo do seu perfil: egoístico, colaborativo, vingativo,...

Mas, e quando não for o combustível, mas a bateria???...

Já pensou nisso? Eu não tinha pensado,...

Aliás, o que me leva a esta história, na verdade, não é o gás, o papel higiênico, o combustível, mas sim a bateria. Os outros ítens foram trazidos a este texto só para chegar até ela. Isso mesmo! A bateria! Aconteceu comigo!...

Vamos aos fatos: as baterias atuais não são mais iguais aquelas que costumavam dar repetidos sinais de pane, você (ou outro "sortudo") levava na "Dumas Auto Elétrica" (ia tanto lá, que mesmo passados tantos anos, como poderia esquecer?) ali no início (ou final?) da Reta da Penha, dava uma carga lenta e garantia rodagem por mais algum tempo...

Foi assim que, por volta das 10 horas do dia 14.09.2023, estava em casa (não necessariamente "à toa, tá"!?), fui ligar o carro para testar outra bateria (a da chave, que estava dando sinais de problema e eu esperava que não fosse eu a ter que trocá-la rsrs) e o danado do automóvel... Nada! Mesmo para quem não entende o mínimo, nessas circunstâncias, se quiser dar o ar de quem manja do assunto, ao acionar o socorro, dê logo a sua opinião, quase um veredicto: é bateria!!! Imagina, então, eu, com anos de automóveis, desde aquele fusquinha 64 ("carinhosamente" apelidado de "Juscelino", por um colega estudante "gaiato", em homenagem ao antigo presidente),...

Depois de rápidas ligações, fiquei entre dois fornecedores, com preços similares, optando pelo que (em tese) me atenderia mais rápido, pois meus compromissos, fora de casa, estavam por ocorrer uma hora e meia após constatado o problema.

Na verdade, sou daqueles que diante de algo desagradável procuram se consolar com a ideia de que poderia ser pior... Ora, era apenas a bateria de um carro, eu estava em casa, "justamente" num melhor momento para a ocorrência de uma "fatalidade" dessas, ... Como eu poderia ruminar: - justo agora? Porquê comigo?

Enfim, se é inevitável que isso em algum momento iria ocorrer, ainda bem que aconteceu comigo e nessas circunstâncias!!! Que ótimo!!! Rsrs

Eram 10:50. O eletricista estava acabando a troca da bateria, quando minha esposa chegou até mim, com a nossa fllha Sara, na ligação: - pai, o carro não está ligando!

Eu, com aquela minha experiência, que você sabe, não dei nem opinião, fui logo com o veredicto: - é bateria!

- Filme você girando a chave, para que eu possa ver (e ouvir) o que está acontecendo! E me encaminhe no bendito WhatsApp (quem falou mal dele? eu? Nunca!!!).

Nisso, obviamente, eu já tinha conversado com o "socorrista" que, "providencialmente", estava ali, naquele dia, naquela hora, naquele exato instante... E ele tinha vindo de um atendimento para resolver a minha situação. Porque não estaria prestes a sair da minha para ir em socorro de outra emergência?

Perguntei, quase em tom de súplica: - será que você poderia, se for o caso, dar um socorro para mim, no outro carro da família? Minha filha está com o carro, no máximo a uns dez minutos daqui!

- Posso sim, me passa o endereço!

Nisto, a Sara ligou e avisou que girou a chave e, desta vez, o carro pegou.

- Pelo amor de Deus, Sara, não desligue o automóvel e venha para casa. E esse era o seu roteiro, pois viria almoçar e ir para o estágio às 12 horas.

Ufa! Isto era o suficiente... Mas, já que tudo estava dando tão certo, porque não?:

- E se for bateria, será que você tem como resolver?

- Qual é o veículo e o ano?

- Logan sedan 2021.

- Eu tenho outra bateria aqui, da Heliar, de 60 A. "Justamente" a mais indicada para o carro, inclusive na amperagem adequada.

Duvido que alguém, a esta altura, por nada religioso que seja, consiga imaginar que o problema do carro não era bateria... Acho até que se ele me desse o diagnóstico de que a bateria estava boa, não necessitava trocar, eu trocaria, mesmo assim! Dado a incrível "sintonia" entre os acontecimentos, seria impossível não ser problema de bateria.

E era!

A Sara chegou! 11:10 o eletricista já havia terminado! Fizemos um combo de duas baterias! "Justamente" as únicas duas que ele trazia na motocicleta, uma moura e outra heliar, ambas de 60 amperes, que o destino me apresentou apenas para que eu tenha a absoluta certeza de que devo trocar mais o gás da cozinha,...

Ah! antes de finalizar: são dois veículos totalmente distintos: uma Toyota SW4 com quatro anos de uso e um Renault Logan com dois. Ambas baterias eram as originais, inclusive os carros possuem quilometragens bem diferentes. Igual mesmo, só o fantástico capítulo que esse show de instantânea "coincidência" me permitiu viver, levando a melhor refletir sobre as peças do automóvel que dirige as nossas vidas enquanto vamos escrevendo as nossas histórias!

quinta-feira, 20 de julho de 2023

 

Quem, de qualquer modo, concorre para os filhos, incide nos cuidados a eles necessários, na medida de suas possibilidades

      Luiz Antônio de Souza Silva

 

Se para gerar foi participativo, para cuidar seja criativo

Luiz Antônio de Souza Silva 

 


A família é o lugar ideal para as maiores invenções serem criadas

    Luiz Antônio de Souza Silva

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Não inveje: tem coisas que só acontecem com o botafogo mesmo!



NÃO INVEJE: TEM COISAS QUE SÓ ACONTECEM COM O BOTAFOGO MESMO!


Em setembro de 2021 escrevi a crônica "não inveje: tem coisas que só acontecem com o Botafogo!".

Se você é Botafoguense e não leu, recomendo buscar no blogue "euandopensando.blogspot.com". O acesso é fácil, gratuito, não tem propaganda antes, durante e nem depois (rsrs), não precisa dar nenhum like e, no mínimo, achará divertida a narrativa da odisseia. Se não é Botafoguense, também tomo a liberdade de sugerir, pois terá a oportunidade de verificar como se pode ser tão feliz na alegria e (quase sempre) na tristeza (rsrs).

De qualquer forma, já que tem tudo a ver com o atual momento do Botafogo, vou lembrar um pouquinho aqui, já que temos tantas coisas no dia a dia, que talvez muitos de nós não se recorde com detalhes como os fatos ocorreram naquela "gloriosa" recente época!

Não éramos SAF, ainda, estávamos na segunda divisão, e eu dizia:

"(...) se você não é botafoguense, possivelmente deve estar doido para me retrucar, antes mesmo que eu explique: invejar de quê, cara pálida? - Fogão é segunda divisão!

Sim, o Fogão é segunda divisão! Ora, se o Botafogo está nela, ali também está o seu prestígio e todo o seu glorioso peso! Então, parabéns para a segunda, terceira ou seja lá qual divisão o Botafogo vier a se encontrar!

Contudo, acredito que iremos subir de série! Afinal, nos últimos doze jogos, o Botafogo ganhou dez, empatou um e perdeu outro! Isso, basicamente, tão somente com a mudança de um técnico, devido ao fato de que os resultados, até então, estavam muito ruins! A propósito, no momento, dificilmente em algum lugar do mundo existe um time que nos últimos doze jogos esteja com um aproveitamento igual ao do Botafogo. Nem mesmo aqueles com planteis poderosíssimos!!! (...)".

Após mais algumas considerações, antes de concluir, discorri a respeito do emblemático Rafael:

"Há muito tempo não vejo um jogador de idêntico potencial que tenha demonstrado mais carinho e, principalmente, DESPRENDIMENTO, para atuar no clube de coração! Vejam bem, antes de me retrucarem: estou falando de coração e não decoração, tá!?

A inveja é tamanha que, infelizmente, tem quem mesmo diante de todas as evidências demonstradas, insiste em dizer até que isto, hoje em dia, é impossível, que não acredita, que não vai dar certo e blábláblá.

Falo em inveja porque quem diz isso pode saber de tudo, menos do que é ser Botafoguense! Pode não dar certo por algum motivo? Pode! Mas não acredito que o cara não tenha vindo de corpo e alma para o Glorioso! Afinal, quem é realmente Botafoguense, sabe bem que tem coisas que só acontecem com esse time! Imagina a rara oportunidade de confirmar isso de forma tão positiva, jogar no Botafogo e, ainda, ofuscar a "naturalidade" da "infidelidade recíproca" que caracteriza os "enlaces futebolísticos", atualmente, especialmente quando o dinheiro assume mais importância do que realmente tem."

Pois bem! Dois anos após, os tempos são outros: agora somos SAF, estamos na série A, tivemos um campeonato brasileiro bem ruinzinho em 2022, um carioca em que nem chegamos às semifinais, no início deste 2023, logo, um ano em que os melhores prognósticos eram o de que iríamos, no máximo, lutar, com muita dificuldade, por uma vaga na libertadores, mas a realidade mesmo era a de brigar para não cair, tentando, quem sabe, "beliscar uma sulamericana"?

E olha que o nosso então considerado melhor e promissor jogador, o "Jeffinho", para piorar, fora vendido, sob protestos, para o Lyon da França!

Na verdade, entre o campeonato carioca e o brasileiro, ninguém chegou! Alguns vieram um pouco antes, porém, nenhuma "estrela" (até então!): dois "Segovia's", Marlon Freitas (vindo do Atlético-GO), Carlos Alberto (estava no América-MG), Di Plácido, Júnior Santos (sem espaço no Fortaleza), enfim, nada de um jogador "de primeira prateleira" (termo que os comentaristas tem usado bastante rsrs). Assim, como as expectativas não eram nada boas, restava apenas um "Tiquinho" de esperança!

Veio o Brasileiro e uma primeira vitória suada sobre o São Paulo, outra sobre o Bahia, em seguida o Flamengo... Todas por apenas um gol de diferença, mas uma bela sequência e nove pontos na tabela!

E, desta forma, o time foi avançando, desafiando fervorosos prognósticos contrários (alguns nitidamente revestidos de torcida!) até este momento em que, com um elenco que ninguém acreditava, o Botafogo chega na 15ª rodada com 39 pontos, treze vitórias, nenhum empate e apenas duas derrotas! A façanha é tão incrível que se tornou a melhor campanha de um time no campeonato brasileiro na era dos pontos corridos, ou seja, desde 2003... E olha que existiram vários times fantásticos desde aquela época!

Para quem acredita em estatísticas (não nós, Botafoguenses, óbvio!), segundo o Portal Lance, as chances do Botafogo ser campeão brasileiro, no momento, é de 82,3%, enquanto o próximo time, com maiores possibilidades, é o Grêmio, com 4,8%,... Por essa mesma metodologia, o Glorioso tem 99,57% de chances de Libertadores e 0% de ser rebaixado!

O feito é tão inexplicavelmente destacado e assombroso, que a diferença para o segundo colocado, o Flamengo, é de doze pontos (faltando, contudo, um jogo do Grêmio, que poderá reduzi-la para dez), deixando os demais rivais embolados entre si, estando o segundo com 27 e o décimo primeiro com 22 pontos, ou seja, no momento, "um campeonato totalmente a parte"! Pudera: em 15 jogos, um time com 13 vitórias, enquanto o seu adversário mais próximo, dentre os outros 19, possui 8, é algo realmente inacreditável!

A rigor, próxima da campanha do Botafogo de 2023 (13 vitórias, 0 empate e 2 derrotas em 15 jogos), com 86,6% de aproveitamento, guardadas as devidas proporções, cabe mesmo só a lembrança da do Botafogo de 2021, que, em sua arrancada para o título da série B, em 12 jogos, ganhou 10, empatou 1 e perdeu outro, ou seja, 86,1%.

Reproduzo esses fatos com nenhuma empáfia! Muito pelo contrário! Afinal, a última vez em que fomos campeões brasileiros se deu em 1995. Eu acabara de me casar! Depois dali, nem eu, nem minha esposa e nem nenhum dos nossos seis filhos que vieram a partir de 1996, vimos o Botafogo ser campeão brasileiro, assistindo, por sua vez, vários outros times alcançarem tal feito, como Flamengo, Fluminense, Vasco, São Paulo, Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Athletico PR e Grêmio, alguns deles, inclusive, mais de uma vez, como o Corinthians, que foi o que fez isso mais vezes (5), de lá para cá!

E isso já bastaria para um mínimo de "justiça divina", coroar esse time - e seus torcedores - com o título deste ano!

Mas, como escrevera naquela campanha de 2021, na série B, e reproduzo agora:

"Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!!! Me desculpem, mas SÓ ELE tem essa primazia!!! Aliás, até por isso, embora, pelos últimos resultados, seja difícil assimilar tal hipótese, o Botafogo, SÓ ELE, de repente, nas próximas doze partidas, pode perder dez, empatar uma e vencer outra!!! Sei lá!"

Enfim, se isso ocorrer, é porque tem coisas que só acontecem com o Botafogo mesmo! No fundo, o que esse time fez até agora, da forma como fez, diante de quem fez, com o plantel que dispõe, já o coloca como sendo uma das façanhas mais incríveis e inacreditáveis da história do futebol brasileiro! Aliás, o próprio episódio da inesperada saída do nosso "midas", Luis Castro, sendo que o seu substituto, na condição de técnico interino, "encaçapou" quatro vitórias seguidas nos quatro jogos que disputou, é fator que realça ainda mais essa bonita e emblemática odisseia.

O que vai ser lá na frente, é impossível saber! Mas, como Botafoguenses, estamos preparados! Seguiremos até o final, que não termina este ano, com ou sem título!

A propósito, mais uma vez o Rafael! Lutou bravamente para voltar a atuar, devido a seguidas lesões e, quando estava fazendo isso muito bem, novamente se vê afastado dos gramados,... E quem diria que o então incerto Di Placido continuaria a saga com tamanha desenvoltura como vem fazendo?!... Mas, se até o Gatito foi capaz de transferir sua "aura" para o Lucas Perri, no ritmo que a coisa anda, não é impossível o Di Placido se tornar um dos melhores laterais do campeonato brasileiro!...

Coisas do Botafogo, cujas razões não se encaixam em probabilidades, razoabilidades, proporcionalidades,... Coisas do Senhor, que de vez em quando resolve dar um caprichado lustro em sua estrela preferida, para que ninguém se esqueça do que Ele e ela são capazes de fazer! E nós, de agradecer, independentemente do que o destino reserva para acontecer, pois o principal de tudo é ser Botafoguense!





domingo, 22 de janeiro de 2023

Laís, nossa especial “swimfluencer”


LAÍS, NOSSA ESPECIAL "SWIMFLUENCER"!


Nascida em família cujo pai entende que o mínimo que se pode encontrar no esporte é um amador correspondido, a Laís, ao final de sua "primeira infância", iniciou suas braçadas nas piscinas do nosso centenário Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral.

Aos dez anos de idade, apesar de também reivindicar o seu natural direito a escolhas na pavimentação do próprio caminho, com jeitinho, foi "convencida" a ir permanecendo "mais um pouco", embora sua versatilidade sugerisse a concorrência de outras modalidades esportivas, para ficar apenas neste campo, repleto de "valores" que se oferece com o intuito de que se possa levá-los para a vida toda. 

Permaneceu! Porém, firme na máxima "nem tanto ao mar, nem tanto à terra", fez algumas exigências básicas para que isso ocorresse, uma das quais a de que nadaria "apenas" dois dias da semana, situação que gerou grande dificuldade contextual, pois já estava talhada para a natação de alto rendimento e, se não fosse a incorporação e "defesa" por parte também do seu então professor Marcos, certamente não teria ido para a frente!

Levou essa situação até por volta dos treze anos (quando passou a treinar três dias rsrs) literalmente no braço, já que é muito difícil assimilar uma atleta nessa condição, competindo com outras, a nível de Brasil, que, em grande parte, não só treinavam todos os dias, como ainda "dobravam" em alguns deles.

Embora, hoje, haja senso praticamente comum de que a Laís é uma nadadora velocista, tenho a firme convicção de que essa foi uma imposição que ela "fez ao destino", já que foi o único caminho possível para alguém que nadava muito bem, porém gostava de fazê-lo pouco! Aqui, para não dar azo aos tantos que logo pretendiam impingir o rótulo de preguiça, devo dizer que, concomitantemente, afora outras atividades como estudo regular, incluindo o inglês (e violão), gostava e praticava, sempre que possível, vôlei, futebol, corrida, skate, surfe, aquathlon (modalidade em que foi campeã brasileira), para ficar nos mais comuns. Aliás, ainda a título de registro, foi a primeira atleta do Estado do Espírito Santo a conquistar, numa mesma edição dos jogos escolares brasileiros, medalhas na natação e no atletismo (aqui, também, graças à compreensão do professor Fernando), isto nos 50 metros costas e 1000 metros rasos, respectivamente. 

Enfim, levando a vida nessa "flauta", foi que a Laís chegou a ganhar medalhas em diversos campeonatos locais, regionais e nacionais, ora em um, ora em outros, porém, fazendo isso nos quatro tipos de nado (crawl, borboleta, costas e peito), inclusive representando o país em dois campeonatos sul-americanos e um mundial estudantil.

No final de 2021, aventurando-se no handebol (?), nos jogos internos da escola onde estudava, sofreu uma lesão que lhe custou cirurgia do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, aprendendo, na prática, sobre restrições que se não forem impostas por outrem, um atleta de alto rendimento deve se impor, por si mesmo, por mais que se dê importância àquilo que se pretende fazer, como ocorria com esse evento anual da escola. 

De qualquer forma, acabou se tornando época de grande aprendizado, resignação e determinação, cujo foco principal foi a vontade de treinar e estudar nos Estados Unidos.

Concomitantemente com a recuperação física, aprimorou o inglês e trilhou praticamente sozinha o trabalhoso caminho para ser aprovada e conseguir bolsa em uma universidade americana, dispensando-nos, a propósito, dos custos das assessorias que desenvolvem esse importante serviço, inclusive escolhendo, com a aquiescência familiar, dentre as opções que dispunha, aquela que considerou mais adequada às suas pretensões.

Desta forma, aquela com quem estive fisicamente mais próximo nestes últimos anos, ora é a filha que está mais longe, me liberando para compensar através de "dedicação exclusiva aos demais" (rsrs), pois, com a benção de Deus e da família, apesar dos seus apenas dezessete anos de idade, continua sua virtuosa carreira de atleta (no fundo, uma verdadeira "swimfluencer"), agora, a partir das piscinas da gloriosa San Jose State University, na Califórnia: "Go Spartans"!


domingo, 30 de outubro de 2022

Faça você a vez

 FAÇA VOCÊ A VEZ!

No dia seguinte haveria, seguramente, uma das mais importantes eleições de todos os tempos no Brasil: Lula x Bolsonaro!

Independentemente de quem realmente estava ou não com alguma vantagem sobre o outro, certo mesmo é que, politicamente, o país estava literalmente dividido entre dois extremos! Ou seja, a vitória de um será a "glória" para parcela da população que torce fervorosamente para aquele, enquanto a derrota, para outros, significará um "caos"...

Tem, obviamente, aqueles cuja opção não seria nem por um e nem pelo outro,... No fundo, acredito que esses "vibrarão menos", mas, também, "sofrerão menos", já que, apesar de não se sentirem vitoriosos, também não se sentirão tão fragorosamente derrotados...

A verdade é que o país estaria muito melhor, seja qual deles for o eleito, se fincado em uma "política de estado", ou seja, planejamento e balizas mais duradouras, que não fossem tão suscetíveis às inconstâncias e fragilidades das "políticas de governo" que cada qual busca imprimir durante o seu mandato, tão própria à personificação de vultos efêmeros como sendo verdadeiros "deuses", quando, na verdade, são "apenas" administradores de uma enorme responsabilidade e, como tal, desejavelmente, sujeitos a "freios e contrapesos" que essa almejada política de estado contribuiria bastante para tornar mais efetiva.

Envolto nesses pensamentos, abri espaço na mente para rápida divagação a respeito de uma mensagem que acabara de receber em meu celular, de uma pessoa muito estimada, relativa a fato que estava acontecendo em sua casa, naquele momento, e que, por sua vez, remetia a uma consideração que fizera à sua família, pertinente ao dia do meu casamento, há vinte e sete anos.

Daí troquei mais algumas mensagens com essa concunhada e comadre e, firme na minha premissa de que a inspiração é apenas uma simples e imperdível passageira de seus efeitos, mandei-lhe essa: "pois é comadre... A essência da vida é que sejamos assim... Passaremos! Mas, que façamos "a vez"! Isso é bom demais! Afinal, quem poderia imaginar!... Independentemente daquilo que não dependa de nós,... Façamos a vez! Nas coisas mais grandiosas e nas mais simples. E terá valido a pena! Difícil é aceitar, mas é isso! E continue sempre em busca de "fazer a vez". Afinal, você não somente faz, como ainda inspira. Fique com Deus!"

Enfim, é isso! Se você ficar triste, alegre, ou mesmo "indiferente" (com pequena margem de "erro", para lá ou para cá, nos adjetivos ora disponibilizados) ao resultado das eleições de hoje, seja você quem for, não deixe de aceitar e acreditar na sua importância em "fazer a vez" na sua vida e na de outras pessoas., independentemente de fatos que sejam de acordo ou contrário às suas expectativas.

Tenha isso como meta, ou seja, sua "política de estado", pois, assim, mesmo que as próprias "políticas de governo" suas e as de outras pessoas que interfiram na sua, acabem levando a oscilações naturais, não serão capazes de alterar a sua consciência sobre a importância que você próprio tem para os rumos de sua vida e de tantas outras pessoas, no exercício de sua fatia, de forma mais simples ou mais rebuscada, porém, em todos presente, do mais puro e belo poder!

domingo, 2 de outubro de 2022

O "cara" da camisa 15

 
O "CARA" DA CAMISA 15

Acho que foi em seu inesquecível aniversário de 15 anos, comemorado em nosso "refúgio", em Praia Grande, num intenso dia de muita alegria e, óbvio, futebol, que veio tamanho gosto pelo número! Aliás, na verdade, para mim, o conhecendo razoavelmente (rsrs), acredito que esse dia somente consolidou a oportunidade de escolher um número discreto, mas que, ao menos eu, não mais pense assim...

Aos cinco anos, igual aos demais posteriores irmãos, iniciou na natação, onde, "no mínimo", ficaria até os dez, quando já teria melhores condições de "escoiher" atividade esportiva que pretendíamos acompanhasse o seu desenvolvimento, deixando o demais por conta do destino.

Concomitantemente à natação, nas aulas de educação física e em atividade extra na Escola São Domingos, naquela naturalidade inerente a milhões de brasileiros, iniciou no futebol, mais precisamente no futsal, com o professor Rafael. Paralelamente, eu, corredor "ama-dor" há vários anos, o "aquecia" para suas atividades, mediante umas "despretensiosas corridinhas", porém, com o objetivo de "não fazer feio" nas tradicionais corridas "garotada", essa fantástica iniciativa da "Chocolates Garoto", que, felizmente, perdura até hoje e, tomara, permaneça para sempre no seu calendário anual, espraiando para o de milhares de agradecidos brasileiros, especialmente os capixabas.

Aos dez, sob comando dos professores Luiz Carlos e Luizinho, deixou a natação e iniciou na escolinha do Vitória, onde, comumente, jogava com a 10.

Aos doze, migrou para o Pedra da Cebola, sob orientação dos professores "Caxote", Julinho e Rubinho, onde permaneceu até os 15. Mais comum era a camisa 11, embora algumas vezes jogasse também com a 7, já que sua posição de origem era a de atacante, mais aberto pela esquerda, não se furtando em fazê-lo igualmente pela direita, caso fosse a opção do treinador.

Logo, o desenvolvimento de sua "social-adolescência" foi muito forjado em torno disso, daí, obviamente, os reflexos gerados nos demais "campos" de sua vida, até hoje.

Não me lembro bem como isso ocorreu, até porque as coisas já aconteciam de forma mais natural em sua vida, mas, por volta dos treze, acabou conciliando os campos de grama com a areia, onde, sob comando do professor Alex, passou a integrar uma geração (olha o nome do grande rival aí rsrs) fantástica e inesquecível do "Meninos da Ilha", cujos jogadores, à época, meritocraticamente, fazendo jus ao celeiro de craques capixabas da modalidade, seguramente integrariam seleção brasileira de base, caso existisse.

Tanto que, embora o Estêvão - esse é o nome do "cara" - tenha continuado a emprestar seu talento, alegria e disciplina ao futebol de campo até os 17 anos - agora já em outras equipes do Estado e, de forma mais esporádica, devido à maior competição com o estudo - foi na areia que ele realmente alcançou seu maior brilho.

Aliás, minto, porque tem um jogo realizado em campo de grama sintética, que eu considero um dos melhores realizados por ele: foi justamente "Meninos da Ilha x Pedra da Cebola", a partida final da "Copa Coca-Cola" de 2011 (inclusive com a camisa 10, que, lembro  muito bem, lhe foi entregue pelo professor Alex, para ele "não fugir da responsabilidade de se virar com ela").

O "moleque", em um time formado por jogadores cuja base era a "areia", utilizou todo o repertório contra o seu "ex-time" de campo. Perdiam por 1 a 0, ele buscando jogo o tempo inteiro, até que, quase no final, fez um gol que deu números finais à partida: 1 a 1!

O representante capixaba que iria participar da etapa brasileira seria escolhido através das penalidades. O "capitão" Estêvão foi o responsável pela primeira cobrança do Meninos da Ilha. Gol!!! Ganhariam?...

A tragédia não ocorreu e, sinceramente, nem deveria ocorrer, pois o Pedra da Cebola era muito mais time e teria condições de representar muito melhor - como fez - o Estado na competição nacional. Mas, para mim, ali ficou muito evidente que aquele menino da ilha de Vitória poderia fazer muita diferença em qualquer piso!

Porém, embora ele seja realmente versátil, se adaptando a todos os pisos, acredito que, no seu caso, o número reduzido de atletas em campo de jogo, onde a intensidade de participação é maior, facilite a sua desenvoltura e o seu gosto.

Aqui abro um parêntese para realçar aquilo que considero minha maior contribuição neste processo de formação: eu o levava para o campo e insistia que, apesar de destro, ele deveria procurar fazer suas jogadas utilizando, da mesma forma, ambas as pernas, sem aquela história de "perna boa". Parte de um de nossos "diálogos":

- Agora vamos bater pênalti! 10 com a direita e 10 com a esquerda!

- Mas, pai, eu não consigo com a esquerda!

- Tudo bem, eu compreendo! Então 10 com a direita e 15 com a esquerda!

Desta forma, o Estêvão foi se tornando um jogador bastante "letal": atleta extremamente rápido, focado e ambidestro!

Ríamos de se acabar após os jogos. - Pai. eu ouvia os gritos do técnico: marca o meio, ele vai puxar para o meio. Eu puxava para o fundo, com a esquerda e "blau"! - Ele só tem a esquerda, marca a esquerda. Eu puxava para o meio com a direita e "blau"!...

Foi campeão, artilheiro e melhor jogador na base e no adulto. Aos 16, fez gol em amistoso contra a seleção brasileira (de tanto que eu insistia que saída de bola é pra frente e não pra trás, foi numa dessas, quando recebeu, ali no centro, e acredito que não achavam que aquele moleque iria ter a ousadia de ir adiante, mas foi e... "Blau"!). Fez gol decisivo de bicicleta, justamente contra o meu glorioso botafogo, quando o seu time estava com um jogador a menos e, com a bola, não tinha muito o que fazer, "além disso"... Dentre outras proezas!

Mas, o melhor estava por vir: não tenho dúvidas em afirmar que o futebol profissional perdeu a chance de contar com um excelente jogador de futebol. Estudioso, aos 18 ingressou no curso de medicina. - Mas, Estêvão, o Sócrates também era médico...  - Pai, pra mim não dá! Vou focar nos estudos!

E focou! Mas, quem disse que na medicina "não há vida"? Pergunta ao "camisa 15"!!!

Vi algumas participações do Dr. Estêvão no campo, na areia e nas quadras, pela MEDUFES, sempre com essa camisa! É incrível: ele joga como se estivesse no Barcelona, seu time atua como o Bayern e o Chapola (como é conhecida a torcida), como... Um orgulhoso e retributivo bando de "loco, loco, locooo"!

Enfim, embora tenha participado de alguns campeonatos municipais, estaduais e até brasileiros, especialmente de "beach soccer", após o ingresso na universidade - inclusive o fazendo, com destaque, até hoje - a simbiose do jogador com o médico parece uma química que não só deu liga, como justifica que essas ligas sejam cada vez mais encorajadas e estimuladas, já que o destino está aí escancarado para todo mundo poder fazer dele uma boa receita, menos importando de que forma serão utilizados os importantes ingredientes que se possui, desde que voltados para um sabor agradável e, essencialmente, que não se proponha a ficar somente para si.

Talvez seja essa a razão verdadeira do curso de medicina durar seis longos anos (ou curtos, dependendo da ótica) ou, se não for, um belo motivo para se conformar rsrs

Aliás, esse "jogo" já parecia ter acabado para ele. Porém, como um "jogador-profissional", mesmo em sua residência, deve estar sempre de plantão, para possível atendimento a uma convocação extraordinária, a "prorrogação" de ontem, dia 01.10, foi simplesmente mais um desses grandes capítulos escritos pela história da MEDUFES. Final do futsal masculino: Medicina 5 x Educação Física 3! É campeão!!!