quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Feliz ano!


FELIZ ANO!
Considerando o verdadeiro arrebatamento causado pelo novo, é difícil não se deixar encantar com o raiar de outro ano, quase sempre combinando com a definitiva condenação do velho, que só não se vê ainda mais desprezado, em seus últimos lampejos, devido ao clarão proporcionado pelo Natal, muitas vezes indevidamente utilizado como prematuro decreto que sentencia o fim de um ano e o início do seguinte.

No entanto, essa oportunidade de reiniciar o relógio, mais uma vez, muito embora traga consigo esse saudável frenesi em torno de renovação de perspectivas, inclusive, até, legitimamente, quanto a de finalmente alcançar a "mega da virada", por si só, deveria ser encarada como um grande prêmio que recebemos, simplesmente porque, aprovados ou não, mais uma vez obtivemos a chance de repetição.

Não por acaso os anos passam, bastante coisa muda, mas os dias - e até o tamanho deles - permanecem exatamente os mesmos, insistindo em oportunidades para refletirmos como nós estamos frentes a eles.

Sim, também me permito apreciar que "hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, de quem vier". Mas, é igualmente verdade que "amanhã, redobrada a força, pra cima que não cessa, há de vingar". Enfim, "você verá que é mesmo assim, que a história não tem fim, continua sempre que você responde sim à sua imaginação, a arte de sorrir, cada vez que o mundo diz não".

Mesmo nesta fantástica encruzilhada do tempo em que o mundo só I.A., mas não V.A.I., porque não tem V.O.L.T.A., todos, indistintamente, temos oportunidade de sermos bons pressupostos mínimos para alguém e alguma coisa. Enquanto ainda temos tempo, óbvio!

Na obra "quais são as suas últimas palavras?", Joseph Haiden, apresenta aquelas que considera "as despedidas mais famosas da humanidade". Como, por exemplo, a lapidar, de Bob Marley: "o dinheiro não pode comprar a vida"!

Quanto a nós, celebremos, portanto, não apenas um novo ano, mas cada dia de vida, enquanto ela existe e em nós insiste, sem tanta preocupação com palavras derradeiras, diante dos mistérios que nos cercam no tocante ao tempo em que estamos da partida.

Depois que o barulho dos fogos passa e aquela noite de brilho estelar também se vai, tudo volta ao (a)normal, cada dia um mero passageiro, com quem não é lisonjeiro, seja no início de janeiro, seja na provação do mês de dezembro inteiro.

Como o desafio não é se embevecer em demasia, mas, apenas, buscar não entristecer a própria alegria, mesmo com a exigente rotina da vida, importante de vez em quando lembrar de agradecer e celebrar por não ter chegado o momento da rotina da morte, essa sim, ao menos por mais alguns muitos dias, meses, anos, oxalá, décadas, que lhe desejo não seja, tão cedo, sua consorte!