quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Feliz ano!


FELIZ ANO!
Considerando o verdadeiro arrebatamento causado pelo novo, é difícil não se deixar encantar com o raiar de outro ano, quase sempre combinando com a definitiva condenação do velho, que só não se vê ainda mais desprezado, em seus últimos lampejos, devido ao clarão proporcionado pelo Natal, muitas vezes indevidamente utilizado como prematuro decreto que sentencia o fim de um ano e o início do seguinte.

No entanto, essa oportunidade de reiniciar o relógio, mais uma vez, muito embora traga consigo esse saudável frenesi em torno de renovação de perspectivas, inclusive, até, legitimamente, quanto a de finalmente alcançar a "mega da virada", por si só, deveria ser encarada como um grande prêmio que recebemos, simplesmente porque, aprovados ou não, mais uma vez obtivemos a chance de repetição.

Não por acaso os anos passam, bastante coisa muda, mas os dias - e até o tamanho deles - permanecem exatamente os mesmos, insistindo em oportunidades para refletirmos como nós estamos frentes a eles.

Sim, também me permito apreciar que "hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, de quem vier". Mas, é igualmente verdade que "amanhã, redobrada a força, pra cima que não cessa, há de vingar". Enfim, "você verá que é mesmo assim, que a história não tem fim, continua sempre que você responde sim à sua imaginação, a arte de sorrir, cada vez que o mundo diz não".

Mesmo nesta fantástica encruzilhada do tempo em que o mundo só I.A., mas não V.A.I., porque não tem V.O.L.T.A., todos, indistintamente, temos oportunidade de sermos bons pressupostos mínimos para alguém e alguma coisa. Enquanto ainda temos tempo, óbvio!

Na obra "quais são as suas últimas palavras?", Joseph Haiden, apresenta aquelas que considera "as despedidas mais famosas da humanidade". Como, por exemplo, a lapidar, de Bob Marley: "o dinheiro não pode comprar a vida"!

Quanto a nós, celebremos, portanto, não apenas um novo ano, mas cada dia de vida, enquanto ela existe e em nós insiste, sem tanta preocupação com palavras derradeiras, diante dos mistérios que nos cercam no tocante ao tempo em que estamos da partida.

Depois que o barulho dos fogos passa e aquela noite de brilho estelar também se vai, tudo volta ao (a)normal, cada dia um mero passageiro, com quem não é lisonjeiro, seja no início de janeiro, seja na provação do mês de dezembro inteiro.

Como o desafio não é se embevecer em demasia, mas, apenas, buscar não entristecer a própria alegria, mesmo com a exigente rotina da vida, importante de vez em quando lembrar de agradecer e celebrar por não ter chegado o momento da rotina da morte, essa sim, ao menos por mais alguns muitos dias, meses, anos, oxalá, décadas, que lhe desejo não seja, tão cedo, sua consorte!

sábado, 22 de novembro de 2025

Botafogo: uma rica herança imaterial


BOTAFOGO: UMA RICA HERANÇA IMATERIAL

Este ano vai dar o óbvio, tanto no Campeonato Brasileiro, quanto na Libertadores: Flamengo ou Palmeiras! Digamos que, no Brasileiro, matematicamente, até existem outras remotas possibilidades. Porém, na Libertadores, não: Flamengo x Palmeiras, no dia 29.11.2025, jogo único, em Lima, no Peru!

Os elencos e estrutura são tão robustos, que permitem realizar façanhas incríveis, como fez o Palmeiras, ao reverter um placar desfavorável de 3 a 0, do primeiro jogo, para um 4 a 3, devido ao convincente 4 a 0, no segundo, em embate da semifinal contra a LDU.

Curiosamente, um mesmo 4 a 3 que aplicou no Botafogo, em 2023, após estar perdendo, no primeiro tempo, por 3 a 0, marcando, para sempre, aquele ano que o destino simulou fraqueza, mas apenas para realçar a epopéia do seguinte...

Aliás, por falar em Botafogo, tem coisas exclusivas, só acontecem com ele! Daí, a grande dificuldade que muitos tem em compreender como sua torcida consegue sobreviver aos verdadeiros "cataclismas existenciais" do clube, além de manter e transmitir a rica herança imaterial que representa torcer pelo time, algo que é para poucos (mas não tão poucos como teimam em dizer...).

E me recordo do nadador americano Caeleb Dressel, colecionador de vários ouros, mas que, na prova dos 50 metros livre, em que bateu recorde Olímpico, em Tóquio (2021), foi simplesmente contagiado pela efusiva comemoração do Bruno Fratus, ao finalmente conquistar sua inigualável medalha de bronze...

Se, nos últimos anos, as conquistas foram poucas, nem por isso - talvez até por isso - deixaram de ser memoráveis, como o Campeonato Brasileiro dos idos de 1995, alguns Campeonatos Carioca, como os de 1989 e 1990, o último deles, em 2018, enfim,...

É que o Botafogo pode até demorar, mas costuma produzir grandes feitos, para si, o Brasil e o mundo, como a história "mais antiga" indica e a mais recente confirma, já que, em 2024, justamente após o "colapso" do ano anterior, a "estrela solitária", vista como psicologicamente esfacelada, simplesmente, foi campeã da Libertadores e do Campeonato Brasileiro, contra todos prognósticos e, algo também muito nosso, com os maiores dramas possíveis, como a expulsão de um dos jogadores, com menos de um minuto de jogo, em uma partida final...

De quebra, já neste ano, ainda disputamos a Copa do Mundo de Clubes, onde ganhamos de ninguém menos do que o poderoso Paris Saint-Germain, além de termos concorrido ao título de melhor time do mundo, simplesmente na companhia do mesmo PSG, Barcelona, Chelsea e Liverpool.

Enfim, no Botafogo, o drama que inspira é o mesmo que expira poesia, cuja epifania, suficientemente maturada, faz até o impossível, gloriosamente, acontecer!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Não inveje: coisas do botafogo que só são para os (poucos, como dizem) botafoguenses!


NÃO INVEJE: COISAS DO BOTAFOGO QUE SÓ SÃO PARA OS (POUCOS, COMO DIZEM) BOTAFOGUENSES!


Para quem ainda não aprendeu, ou aceitou, que o Botafogo é o maior time do mundo capaz de absolutamente tudo, basta se ater a dois fatos recentes para ilustrar: em 2023, ainda no início da era SAF, após um péssimo campeonato carioca, quando não ficou nem entre os quatro primeiros, a realidade no Botafogo, para o campeonato brasileiro, era a de brigar para não cair ou, no máximo, uma vaga de consolo, na sul-americana.

Veio o campeonato brasileiro: uma improvável primeira suada vitória sobre o São Paulo, outra sobre o Bahia, em seguida o Flamengo... Quando se deram conta, o Botafogo terminava o melhor primeiro turno da história, estava com mais de dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado, que, aliás, fazia um campeonato à parte de seus perseguidores, já que o campeão "estava praticamente definido". Deu no que dói, digo, no que deu rsrs: o Botafogo conseguiu "perder para ele mesmo", como dizem, terminou o campeonato em quinto lugar, em frangalhos...

Em 2024, a perspectiva não parecia melhor: No campeonato carioca, novamente "cedeu" seu lugar entre os quatro primeiros para um dos "pequenos" (Nova Iguaçu. No ano anterior, tinha sido o Volta Redonda) e era dado como certo que sofreria bastante no campeonato brasileiro, apesar de alguns reforços pontuais, os quais, certamente, não seriam capazes de superar o "adversário psicológico". Deu no que Deus, digo, no que deu rsrs: o Botafogo conseguiu "ganhar dele mesmo", foi campeão brasileiro e da libertadores da América.

Chegou 2025. Foi o último dos "quatro grandes" a estrear o "time titular. Até então, em cinco jogos com os "pequenos", perdeu 3, ganhou 2, ou seja, estamos mal.

Perdemos "um caminhão de jogadores". Dentre eles: Luiz Henrique, Almada, Tiquinho, Júnior Santos, Gatito, Marçal, Tchê Tchecetera...

Até o nosso técnico foi embora,... Estamos com um "provisório", com imensa dificuldade em contratar "aquele" almejado pela diretoria, após algumas negativas.

E, logo ali, teremos uma decisão da Supercopa do Brasil contra o poderoso e estabilizadíssimo Flamengo, além de, pouco adiante, decisão da Recopa, contra o Racing, da Argentina...

Desta forma, é melhor nem ler os noticiários, pois, novamente, o Botafogo é tratado como um time esfacelado, sem rumo, totalmente perdido diante de um cenário apocalíptico.

É certo que a situação é aflitiva. Porém, para aliviar um pouco da tensão, é bom não deixar de se agarrar à constatação de que, aconteça o que acontecer, NINGUÉM apagará o fato de que o Botafogo é o campeão Brasileiro de 2024. E esse mesmo Botafogo é o campeão da Libertadores da América de 2024. PARA SEMPRE!!! Quem poderia sonhar com isso há pouco mais de um ano?

Se vai decidir a Supercopa do Brasil e a Recopa é simplesmente porque é o ATUAL campeão do Campeonato Brasileiro e da Libertadores da América, classificado, inclusive, para o Super Mundial de Clubes...

Portanto, que cada um fale o que quiser. Mas, o Botafoguense tem o dever de nunca esquecer o terrível futuro que lhe esperava, a radical transformação ocorrida em tão pouco tempo, que lhe resultou em resultados inimagináveis e, por fim, que agora é uma empresa e, queiramos ou não, tem um dono: John Textor!

É certo que cada qual teria uma fórmula diferente para a manutenção do sucesso ora alcançado. O que duvido é que alguém teria uma fórmula tão certeira para chegarmos aonde chegamos em tão pouco tempo... Como tem coisas que só acontecem com o Botafogo, em meio a tantas outras empresas gestoras de futebol, atualmente, no Brasil e no mundo, duvido que se consiga trazer um caso que seja de maior sucesso transformador do que o alcançado pelo Glorioso nesse curto intervalo de tempo de dois anos.

Desta forma, nossos jogadores passaram a ocupar os melhores lugares da "vitrine do futebol": mantê-los passou a ser mais caro; vendê-los, uma possível opção; comprar qualquer outro que seja, sendo para o Botafogo, muita especulação e valorização. Afora o "olho grande" de outros times, especialmente daqueles que ainda não digeriram a "ousadia" do "atrevido" Botafogo em se intrometer no espaço "só deles", arrebanhando duas das mais cobiçadas taças do futebol brasileiro e sul-americano.

Ora, quem realmente tiver que ir, que vá! "Só" não terá a mínima garantia do mesmo sucesso! Mas, isso cabe a cada um analisar e decidir.

Quanto a nós, nada impede que, ordeiramente, como cabe tanto a botafoguenses, como aos demais seguidores do líder, continuemos a nos posicionar sobre o que achamos melhor para o time, mas, sem esquecer que, sendo uma empresa, e uma empresa que tem dono, gostando ou não, temos que ter paciência com o "patrão", torcendo que os jogadores e demais profissionais que vierem, além de acrescentarem ao time mais do que a si, assimilem a verdadeira essência de ser e permanecer botafoguense, honra e glória que, infelizmente, nem todos conseguirão entender ou desfrutar, muito menos alcançar o tamanho do inestimável valor que isso tem para a vida do escolhido.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Não inveje: tem coisas que só acontecem com o Botafogo eternamente!


NÃO INVEJE: TEM COISAS QUE SÓ ACONTECEM COM O BOTAFOGO ETERNAMENTE!


Em setembro de 2021 escrevi a crônica "não inveje: tem coisas que só acontecem com o Botafogo!".

"Botafogo: e se o comprador fosse russo?", em junho de 2022.

"Não inveje: tem coisas que só acontecem com o Botafogo mesmo" publiquei em julho de 2023.

Se você é Botafoguense e não leu, recomendo buscar no blogue "euandopensando.blogspot.com". O acesso é fácil, gratuito, não tem propaganda antes, durante e nem depois (rsrs), não precisa dar nenhum like e, no mínimo, achará divertida a narrativa da odisseia. Se não é Botafoguense, também tomo a liberdade de sugerir, pois terá a oportunidade de verificar como se pode ser tão feliz na alegria e (quase sempre) na tristeza (rsrs).

De qualquer forma, vou lembrar um pouquinho aqui: quando escrevi a primeira crônica, estavámos na segunda divisão, ainda não éramos SAF e a tônica foi o sentimento único de ser escolhido para torcer pelo Botafogo, independentemente de em qual divisão estivesse: 

Ora, se o Botafogo está nela, ali também está o seu prestígio e todo o seu glorioso peso! Então, parabéns para a segunda, terceira ou seja lá qual divisão o Botafogo vier a se encontrar! 

Contudo, acredito que iremos subir de série! Afinal, nos últimos doze jogos, o Botafogo ganhou dez, empatou um e perdeu outro! Isso, basicamente, tão somente com a mudança de um técnico, devido ao fato de que os resultados, até então, estavam muito ruins! A propósito, no momento, dificilmente em algum lugar do mundo existe um time que nos últimos doze jogos esteja com um aproveitamento igual ao do Botafogo. Nem mesmo aqueles com planteis poderosíssimos!!!

Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!!! Me desculpem, mas SÓ ELE tem essa primazia!!! Aliás, até por isso, embora, pelos últimos resultados, seja difícil assimilar tal hipótese, o Botafogo, SÓ ELE, de repente, nas próximas doze partidas, pode perder dez, empatar uma e vencer outra!!! Sei lá! (...).

Fato é que, ao final, o Botafogo foi campeão da segunda divisão. Portanto, quando escrevi a segunda ("Botafogo: e se o comprador fosse russo?"), fazendo pontuações sobre a "safinização" do futebol, focando, especialmente, no Glorioso, havíamos retornado para a primeira, concluindo da seguinte forma: 

"(...) Ocorre que o futebol, pela sua própria essência, não deveria rumar, jamais, para esse campo, onde o clube se torna, na prática, menor do que o negócio, a par de sua importância.

Aliás, é diferente quando optamos por outros mundos, de quando imploramos para que sejamos adquiridos por eles, como nossa única esperança de sobrevivência, que, no momento, reconheça-se, forçosamente, é um caminho que ao menos apresenta luz à sombria realidade de alguns dos mais tradicionais clubes brasileiros.

No mais, então, antes de torcer pelo time, é torcer primeiro pelo controlador, afinal, alguém que, repentinamente, se tornou a verdadeira estrela solitária do clube!"

Depois de um campeonato brasileiro bem ruinzinho em 2022, um início de 2023 em que nem chegamos às semifinais do carioca, logo, um ano em que os melhores prognósticos eram o de que iríamos, no máximo, lutar, com muita dificuldade, por uma vaga na libertadores, porém, cuja realidade mesmo era a de brigar para não cair, tentando, quem sabe, "beliscar uma sulamericana", ainda mais tendo em vista que o nosso então considerado melhor e promissor jogador, o "Jeffinho", para piorar, fora vendido, sob protestos, para o Lyon da França, a sequência foi algo absolutamente emblemático: 

(...) Entre o campeonato carioca e o brasileiro, ninguém chegou! Alguns vieram um pouco antes, porém, nenhuma "estrela" (até então!): dois "Segovia's", Marlon Freitas (vindo do Atlético-GO), Carlos Alberto (estava no América-MG), Di Plácido, Júnior Santos (sem espaço no Fortaleza), enfim, nada de um jogador "de primeira prateleira" (termo que os comentaristas tem usado bastante rsrs). Assim, como as expectativas não eram nada boas, restava apenas um "Tiquinho" de esperança! 

Veio o Brasileiro e uma primeira vitória suada sobre o São Paulo, outra sobre o Bahia, em seguida o Flamengo... Todas por apenas um gol de diferença, mas uma bela sequência e nove pontos na tabela!

E, desta forma, o time foi avançando, desafiando fervorosos prognósticos contrários (alguns nitidamente revestidos de torcida!) até este momento em que, com um elenco que ninguém acreditava, o Botafogo chega na 15ª rodada com 39 pontos, treze vitórias, nenhum empate e apenas duas derrotas! A façanha é tão incrível que se tornou a melhor campanha de um time no campeonato brasileiro na era dos pontos corridos, ou seja, desde 2003... E olha que existiram vários times fantásticos desde aquela época!

Para quem acredita em estatísticas (não nós, Botafoguenses, óbvio!), segundo o Portal Lance, as chances do Botafogo ser campeão brasileiro, no momento, é de 82,3%, enquanto o próximo time, com maiores possibilidades, é o Grêmio, com 4,8%,... Por essa mesma metodologia, o Glorioso tem 99,57% de chances de Libertadores e 0% de ser rebaixado! 

O feito é tão inexplicavelmente destacado e assombroso, que a diferença para o segundo colocado, o Flamengo, é de doze pontos (faltando, contudo, um jogo do Grêmio, que poderá reduzi-la para dez), deixando os demais rivais embolados entre si, estando o segundo com 27 e o décimo primeiro com 22 pontos, ou seja, no momento, "um campeonato totalmente a parte"! Pudera: em 15 jogos, um time com 13 vitórias, enquanto o seu adversário mais próximo, dentre os outros 19, possui 8, é algo realmente inacreditável!

A rigor, próxima da campanha do Botafogo de 2023 (13 vitórias, 0 empate e 2 derrotas em 15 jogos), com 86,6% de aproveitamento, guardadas as devidas proporções, cabe mesmo só a lembrança da do Botafogo de 2021, que, em sua arrancada para o título da série B, em 12 jogos, ganhou 10, empatou 1 e perdeu outro, ou seja, 86,1%.

(...)

Mas, como escrevera naquela campanha de 2021, na série B, e reproduzo agora:

"Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!!! Me desculpem, mas SÓ ELE tem essa primazia!!! Aliás, até por isso, embora, pelos últimos resultados, seja difícil assimilar tal hipótese, o Botafogo, SÓ ELE, de repente, nas próximas doze partidas, pode perder dez, empatar uma e vencer outra!!! Sei lá!"

Enfim, se isso ocorrer, é porque tem coisas que só acontecem com o Botafogo mesmo! No fundo, o que esse time fez até agora, da forma como fez, diante de quem fez, com o plantel que dispõe, já o coloca como sendo uma das façanhas mais incríveis e inacreditáveis da história do futebol brasileiro! Aliás, o próprio episódio da inesperada saída do nosso "midas", Luis Castro, sendo que o seu substituto, na condição de técnico interino, "encaçapou" quatro vitórias seguidas nos quatro jogos que disputou, é fator que realça ainda mais essa bonita e emblemática odisseia. 

O que vai ser lá na frente, é impossível saber! Mas, como Botafoguenses, estamos preparados! Seguiremos até o final, que não termina este ano, com ou sem título!

(...) 

Coisas do Botafogo, cujas razões não se encaixam em probabilidades, razoabilidades, proporcionalidades,... Coisas do Senhor, que de vez em quando resolve dar um caprichado lustro em sua estrela preferida, para que ninguém se esqueça do que Ele e ela são capazes de fazer! E nós, de agradecer, independentemente do que o destino reserva para acontecer, pois o principal de tudo é ser Botafoguense!"

O resto da história todo mundo conhece. Como "tem coisas que só acontecem com o Botafogo mesmo", foi aquela "tragédia", perdemos, incrivelmente, o campeonato brasileiro para o Palmeiras, aliás, nem só isso, mais algumas outras posições, conseguindo a "proeza" de terminar a competição em quinto lugar, o que, para conferir contornos ainda mais "cruéis", obrigava o time à tal pré- libertadores, uma espécie de "qualificação" para se saber se realmente vai ou fica. 

Não vou me ater, pormenorizadamente, ao que aconteceu no transcurso de 2024. Ainda está fresco na memória de todo mundo. Prefiro apenas seguir na linha de que "tem coisas que só acontecem com o Botafogo. Eternamente". Ora, se é assim, porque não, contra todos os prognósticos, o time ter um "ano mágico" e terminá-lo com a façanha de sagrar-se campeão da libertadores e brasileiro, numa saga absolutamente inacreditável?

E porque prefiro resumir a conquista em um parágrafo, concedendo amplo espaço para relatar parte da terrível trajetória até chegar a ela? 

Vou resumir aqui, mediante parte de um artigo que escrevi, recentemente, sob título "este ano vai ser diferente" (A Tribuna, Vitória-ES, 01.01.2025, P 15): 

"(...) Se, como eu, você também é botafoguense, então, esquece! Se para ser feliz você necessita ganhar títulos e mais títulos todo ano, lhe dou um conselho: mude de time! Tudo bem que não precisamos levar mais tantas décadas para ganhar alguma coisa, mas será que você ainda não se deu conta de que a imensa alegria pelos títulos de 2024 se deve, em grande parte, ao tempo que se levou para alcançá-los? (...)."

Enfim, ainda que existam "coisas que só acontecem com o Botafogo" e o time possa, na sequência, ser bicampeão da libertadores, do campeonato brasileiro e até campeão do mundial, ganhando, na final, de ninguém menos do que do Real Madrid, é muito improvável que se repita o "ano mágico" e todos devem estar preparados para isso. 

Mas, quer queiram quer não, quer admitam, quer não, o Botafogo, definitivamente, mudou de nível! Isso é, básica e realisticamente, o que se pode pretender! E quem, há dois anos, acreditaria que isso iria acontecer?

Após um "ano mágico", tudo se torna mais difícil. Jogadores, treinadores e toda a estrutura futebolística se valoriza. Logo, a sua manutenção se torna, em tese, bem mais cara. O mercado se abre de forma bem mais receptiva para sedução e aquisição de seu plantel. As possíveis contratações do time passam a ser mais vigiadas pelos concorrentes. Em contrapartida, tudo para o time é mais caro etc etc.

E jamais pode se perder de vista que o Botafogo, agora, é uma empresa! Uma empresa que tem dono! O John Textor! Que, obviamente, não irá gerir um time de futebol exclusivamente voltado para atender à paixão de torcedores. E nem mesmo às suas, embora, nesse particular, eu esteja convencido de que ele realmente se apaixonou pelo Botafogo. Mas, antes de se apaixonar pelo Glorioso, ele já era casado com toda uma rede de situações que moldaram sua conduta até se tornar o vitorioso empresário que é.

Não segurou o Artur Jorge... Paciência. Se ele realmente quisesse ficar, ficaria. Ah, o Almada, o Luiz Henrique,... Tomara que não desfigurem totalmente o "quarteto fantástico", levando também o Savarino e o Igor Jesus... Fica quieto! Tá todo mundo na vitrine. Não vou nem citar aqui mais nomes para não aguçar o "mercado"...

Ao mesmo tempo, com o devido respeito, o glorioso 2024 do Botafogo foi um esculacho na concorrência... Como assim, aquele time despedaçado do Botafogo, "definitivamente" destroçado em 2023, ousou nos submeter a esse papel de distantes coadjuvantes? Isso não vai ficar assim não...

Se X e Y já eram duas hegemonias "sobrenaturais" no atual cenário do futebol brasileiro, elas estão se precavendo e se agigantando ainda mais. E, afora elas, tem um alfabeto inteiro se mobilizando para reviver ou viver essa glória eterna hoje muito celebrada pelo Botafogo.

No frigir dos ovos, depois dessa omelete toda, o que realmente importa é que ser Botafoguense é algo realmente tão especial que, infelizmente, não dá para ser alcançado, sentido ou experimentado por quem não é, o que é uma pena, já que não somos egoístas a ponto de querermos só pra nós esse prazer de ser, viver e estar.

O que ocorreu com o Botafogo em 2024 vem de muito antes. Aliás, de uma época em que estar em campo com a camisa do Glorioso era, no mínimo, uma razão para se pensar bastante antes de se desfazer dela por uma outra.

É por isso que neste momento em que notamos tantos que parece não se darem conta de que a "magia" não acontece em todo momento e nem em todo lugar, exatamente como fiz na crônica de 2021, portanto, bem antes de SAF e de todo o desenrolar que culminou com os títulos de 2024, quero terminar, sem badalação, lembrando de um jogador, que, infelizmente, não conseguiu demonstrar todo seu potencial em razão das várias lesões que se seguiram, mas que, para mim, simboliza algo muito importante no tocante ao que é vestir a camisa do Botafogo, na alegria ou na tristeza: 

"(...) Mas, o verdadeiro motivo dessas linhas é quanto ao RAFAEL!!!

Há muito tempo não vejo um jogador de idêntico potencial que tenha demonstrado mais carinho e, principalmente, DESPRENDIMENTO, para atuar no clube de coração! Vejam bem, antes de me retrucarem: estou falando de coração e não decoração, tá!? 

A inveja é tamanha que, infelizmente, tem quem mesmo diante de todas as evidências demonstradas, insiste em dizer até que isto, hoje em dia, é impossível, que não acredita, que não vai dar certo e blábláblá.

Falo em inveja porque quem diz isso pode saber de tudo, menos do que é ser Botafoguense! Pode não dar certo por algum motivo? Pode! Mas não acredito que o cara não tenha vindo de corpo e alma para o Glorioso! Afinal, quem é realmente Botafoguense, sabe bem que tem coisas que só acontecem com esse time! Imagina a rara oportunidade de confirmar isso de forma tão positiva, jogar no Botafogo e, ainda, ofuscar a "naturalidade" da "infidelidade recíproca" que caracteriza os "enlaces futebolísticos", atualmente, especialmente quando o dinheiro assume mais importância do que realmente tem. 

Parabéns Botafogo! Parabéns Rafael!"