EU, UMA VEZ FLAMENGO. ELE, SEMPRE FLAMENGO!
Foi meu irmão que me deu a triste notícia: - faleceu, neste domingo, dia 14.06.2026, Marcelo Norbim de Carvalho.
Avistara os seus pais, pouco antes, como era de costume, na Missa das 7 horas, na Igreja Cristo Redentor, em Goiabeiras.
Sabia que enfrentava delicado quadro de saúde. Porém, as vezes em que o encontrava, ele minimizava. Não permitia que se preocupasse com sua situação. Falava de vários assuntos, especialmente futebol. Nesta nossa fase mais madura, não exaltava demasiadamente o seu Flamengo, nem tripudiava do meu Botafogo, muito pelo contrário. Comumente me dava "uma força": - Desta vez o Botafogo vai! Acredito até que o Glorioso chegou àqueles títulos recentes devido a tamanha insistência dele, nessa "crença", que nem eu mesmo tinha...
O Marcelo era assim...
Eu e minha esposa conseguimos ajeitar nosso dia e comparecemos ao velório e sepultamento. Enquanto, forçosamente, nos despedíamos de um querido que vai, encontramos outros que não víamos faz bastante tempo e é impossível, respeitosamente, não trocarmos algumas palavras, ainda que naquele ambiente de profundo pesar.
Já tinha a ideia fixa de registrar em algumas linhas, que são imortais, a admiração pelo Marcelo, o que se tornou certeza quando, dentre tantos queridos, me deparei com a irmã do José Cani Júnior, outro grande amigo, que seguiu para o plano celeste em 2021, me inspirando, à época, a algumas linhas, a partir do "Falaê Querido!", saudação que sempre usava em nossos diálogos.
Não lembrava de todo conteúdo, mas revisitando o escrito, me deparei com este parágrafo, que, casualmente, remetia ao Marcelo:
"... Aliás, outra coincidência: o contato profissional com o recém-falecido surgiu a partir de um automóvel que comprei do Marcelo Carvalho, outra grata amizade que trago do Bairro Solon Borges, até os dias de hoje. O ano era 1992 e eu iria fazer o primeiro seguro de um automóvel (para ser mais preciso, um gol GT preto, ano 1986), já que, até então, os carros que tivera nunca me levaram a tal iniciativa. Não lembro como cheguei à pessoa do José Cani Júnior, mas foi com ele que fiz e renovei o seguro desse carro e de todos os outros que lhe sucederam, como assim também ocorreu com os da minha esposa, a partir de 1995, até os dias de hoje."
- Olha o Marcelo aê gente! Eu acabara de assumir um cargo público, que me levaria a diversas viagens para o interior do Estado. Tinha um Voyage, acredito que ano 82, que, bastante cansado, não estava disposto a seguir comigo nessa missão. Nem me lembro como chegamos ao negócio, incomum tanto para mim, quanto para o Marcelo. Mas o certo é que fizemos a transação e esse carro permaneceu comigo um bom tempo.
Mas isso é apenas um mero detalhe em meio ao que realmente tenho a transmitir com relação à profundidade do respeito e admiração pelo Marcelo: sua bondade infinita!!!
Ele era uma pessoa tão boa, de um coração tão grandioso e generoso, desde os tempos lá atrás, até os mais recentes, agora na padaria Nova República, que me levou, há alguns anos, a uma ação quase inimaginável: o presenteei com uma camisa do Flamengo, que adquiri por um preço que jamais compraria uma para mim, mesmo se fosse de um time bem superior, no caso, o Botafogo rsrs.
Minha esposa e meus filhos sabem do meu carinho pelo Marcelo, pois já contei algumas vezes sobre episódios de nossas vidas, que, aliás, me inspiraram a utilizá-lo como exemplo de bondade genuína a ser refletida, enquanto pai na busca de transmissão de valores aos filhos.
A título de exemplo: estudávamos na mesma escola "Marechal Mascarenhas de Moraes", no Bairro Solon Borges e, durante um ano, na mesma sala. O Marcelo é filho de "seu Carvalho", então comerciante, proprietário do famoso "Bar Rubro-Negro", que se situava na Avenida Fernando Ferrari, em frente ao atual Assaí Atacado.
Infância difícil, comumente sem dinheiro para uma bala sequer. Tinha a merenda da escola, ok. Mas, além disso, haviam aqueles que partilhavam um pouco do que levavam. E o Marcelo se destacava na divisão de seus lanches e guloseimas. Naquelas condições e da forma despretensiosa que ocorria, o sabor era tamanho, que permanece na minha boca até hoje e nela ficará para todo o sempre. E se me perguntarem quais eram os lanches e guloseimas, eu não me lembro. Mas a graciosidade dos atos do Marcelo, isso eu nunca esqueci. Aliás, jamais teria condições de esquecer, mesmo porque, até o fim de sua vida terrena, a sua desprendida conduta nunca deixou de ser nessa mesma linha.
Marcelo foi alguém tão esplêndido que até o incerto "dia e hora" em que faleceu foi estrategicamente preparado pelo destino para ser o menos traumático possível, especialmente para seus pais, ante a ainda mais dolorosa missão de sepultar um filho, quando, comumente, na "ordem natural", ocorre o inverso.
Nesses casos não há razões, não há motivos, apenas conformação e elucubrações: - Porque Senhor? Precisava mesmo tanto dele aí? Já chegou? Para qual missão?...
Enfim, só saberemos quando também chegar o nosso "dia e hora", se o Senhor entender que somos merecedores de estarmos no mesmo plano celestial que ele certamente está.
Aliás, como não sei como funcionam as coisas aí no céu, seja qual for a missão conferida ao Marcelo, certamente algo voltado a fazer-nos crer num céu ainda mais formidável do que infinitamente já é, rogo que seja providenciada uma vistosa "calmisa" do Flamengo para a alma rubro-negra dele, e que ele, dentre tantas outras possibilidades, se transforme nesse "influencer divino", alcançando daí, aqui na terra, alguns milhões de seguidores dessa aura capaz de transformar a odiosa guerra entre torcidas em um universal ambiente de paz. A propósito, pelo algo muito maior que conseguiu traduzir para mim a respeito, dia 27 de junho, seu aniversário, no meu íntimo, será celebrado, simbolicamente, esse ideal, daqui pra frente.
Pois é Marcelo! Seja na terra, seja no mar, você foi Flamengo até morrer. Agora, no céu, é meu maior prazer vê-lo brilhar. Afinal, aqui é treinamento. Depois de morrer é que mais importa vencer, vencer, vencer...
Sublime e saudoso abraço, celeste amigo!
Luiz Antônio de Souza Silva